quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Búzio

Este búzio nada tem a ver com o da estória que o Padre Resende conta.
 Mas que seria semelhante, lá isso seria

«Tão pobrezinha [a primeira capela] que estava desprovida de torre, ou simples campanário, e de sinos.
Sem campanário, sem sinos… Como remediar a falta? Como convocar os fiéis para a santa Missa, para o exercício do culto divino?
Tem o seu quê de regional e de poético a maneira como remediaram a falta e como convocavam os fiéis ao templo. No dealbar do dia, ou à tarde ao mergulhar suave e majestoso do sol nas águas do Oceano, conforme a convocação se fizesse para o Santo Sacrifício ou para as orações da manhã ou da noite, um repolhudo gafanhão, improvisado de sacrista, dirigia-se para o templozinho cheio de misticismo, descalço, de cuecas a cair sobre a rótula, cingidas pelo cós com um só botão às ancas espadaúdas. De barrete pendente sobre as orelhas, contas ao pescoço sobre a baeta da camisola, e de gabão velho, esburacado, deixava fustigar pelo vento da madrugada as canelas magras e nuas.
Este bom e anafado gafanhão, ia eu dizendo, assim descrito, tal qual era na primitiva Gafanha, soprava desesperadamente num enorme búzio, cujos sons cavos, profundos e compassados, iam quebrar-se de encontro às cordilheiras solitárias e silenciosas das dunas, ou espraiar-se pela argentínea superfície do oceano infindo.
E daquele rosto, congestionado e entumecido pelo esforço pulmonar, emergiam uns olhos a saltar das órbitas, a completar um quadro que bem lembrava Neptuno, na solidão das águas, a tirar da enroscada concha vozes cavernosas, a fazer sair dos abismos e das ondas toda a caterva de malignos tritões, a chamar os deuses marinhos para o diabólico conciliábulo de algumas desgraças, ou de alguma tragédia marítima.»

João Vieira Resende,
Na "Monografia da Gafanha"


Diocese de Aveiro em Missão Jubilar

Novas atividades até ao Natal





«“As bem-aventuranças constituem um texto incontornável do Evangelho. São mensagem central da boa nova de Jesus. Apresentam uma proposta de paradigma para uma vida feliz e para um horizonte humano e social com sentido”, explica D. António Francisco dos Santos, bispo de Aveiro.
Segundo o prelado, o tempo atual é “marcado pelo individualismo” e muitos consideram que a felicidade constrói-se através de “coisas materiais”, “alcançando objetivos meramente pessoais” mas “a felicidade não se pode comprar” porque “é expressão de vidas conseguidas, de vidas com projeto, de vidas com sentido”.»

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Humanizar a Sociedade

O mais recente livro de Georgino Rocha



O mais recente livro do Padre Georgino Rocha — Humanizar a Sociedade - Responsabilidade de todos  - Contributo dos mais vulneráveis — vai ser lançado no próximo dia 30 de outubro, quarta-feira, pelas 17 horas, no Auditório da Livraria da Universidade de Aveiro. Este trabalho publicado pela Cáritas Portuguesa, tem prefácio do Arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, vai ser apresentado por João César das Neves, docente de Economia da Universidade Católica Portuguesa. No final, o autor autografará o seu livro a todos os interessados.
  

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O Marnoto Gafanhão — 13

 Um texto inédito de Ângelo Ribau Teixeira


Outras leituras


Outro caso que nunca me pareceu bem explicado foi o facto de José (marido, companheiro?) de Maria. Continuando as minhas leituras não encontrei resposta para esta pergunta que me fazia! Um dia ao ler a história de uma mulher que foi apedrejada por ter engravidado sendo solteira (isto no tempo de Jesus, o que ainda agora se verifica para aquelas bandas) levou-me a pensar que José terá sido um simples companheiro de Maria, para lhe evitar dissabores e ajudar no sustento da casa já que nem todos os judeus acreditavam na história do Espírito Santo.
Fiquei-me com estas minhas explicações, meditando se haveria outras mais plausíveis. Se as houvesse, viria a descobri-las. E a leitura da bíblia continuou. Eu não poderia perder tempo se quisesse acabar a sua leitura.
Entretanto mudei de assunto  quero dizer, de leitura  para outra que não fosse tão maçuda. Eram só desgraças e pecados.

Os pescadores



Os pescadores amadores são um belo exemplo de tenacidade e de paciente espera. Nada os afasta desta paixão. Admiro-os muito, talvez por nunca ter conseguido aprender a arte de pescar. E nem as nuvens carregadas e ameaçadoras de chuva os levaram  a desistir. Ontem, à boca da barra, havia bastantes. Até parecia um concurso de pesca, que logo admiti ser impossível em dia de semana. Eu regressei a casa com medo de apanhar alguma chuvada, mas eles lá ficaram, serenos, calados, pacientes.

Ano Jubilar de Schoenstatt e Missão Jubilar de Aveiro em sintonia

Bispo de Aveiro
na Abertura do Ano Jubilar de Schoenstatt





Santuário de Schoenstatt 
é lugar de oração, vocação e missão

«Queremos que este tempo e este lugar sejam tempo e lugar de oração. O Santuário de Schoenstatt nasceu para isso.» Afirmou D. António Francisco na homilia da eucaristia de Abertura do Ano Jubilar de Schoenstatt, que se celebrou no passado dia 18 de outubro, no Santuário Diocesano de Schoenstatt, onde se venera Nossa Senhora, Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável. O jubileu do centenário do Movimento de Schoenstatt, que foi fundado na Alemanha pelo Padre José Kentenich, em 1914, vai decorrer até outubro de 2014, envolvendo todos os santuários do Movimento espalhados pelo mundo cristão. 
O Bispo de Aveiro afirmou que o Santuário de Schoenstatt nasceu para «ser espaço e tempo de silêncio, de oração contemplativa, de paz que dê serenidade à vida, de capacidade de contemplar e de viver os mistérios de Cristo com o olhar maternal de Maria». Mas também deve ser espaço de «diálogo orante em que o coração fala e escuta, pede e agradece, invoca e louva.»
D. António Francisco frisou que «celebramos este Dia Jubilar em tempo de Missão Jubilar na nossa Diocese de Aveiro», tendo presente que «é com este mesmo espírito jubilar e nesta plena comunhão de Igreja que somos, que nos devemos propor viver este tempo de bênção e de graça que os jubileus sempre nos trazem».
Ao evocar a expressão que o fundador quis que ficasse impressa no seu túmulo — Dilexit Ecclesiam” (Amou a Igreja) — o nosso bispo salientou que o Padre Kentenich «amou a Igreja e viveu uma sólida e muitas vezes heroica fidelidade à Igreja», legando ao futuro «este carisma fundador, que fortalece em cada um de nós uma aliança de amor com Deus», confiando-nos «ao cuidado de Maria, a Mãe Admirável». 
O prelado aveirense propõe que o Santuário de Schoenstatt seja «lugar de vocação», para responder ao apelo de Jesus, quando recomendou aos seus discípulos que pedissem «ao Senhor da messe» que enviasse «trabalhadores para a sua Messe». «Isso mesmo se espera da oração e da presença de todos os peregrinos deste Santuário. Isso mesmo se deve encontrar permanentemente em vós, Sacerdotes do Instituto Secular de Schoenstatt e Irmãs de Maria. Vós, que viveis lado a lado com este Santuário, sois chamados a espelhar esta fisionomia vocacional e a dizer-nos pela verdade da vossa vida, pela alegria da vossa entrega de consagração e pelo acolhimento e acompanhamento dos peregrinos deste Santuário, como é bom e belo seguir o Mestre e ser trabalhador da sua Messe», adiantou D. António Francisco.
Na homilia da eucaristia da Abertura do Ano Jubilar de Schoenstatt, o Bispo de Aveiro recordou que o Santuário nos «convoca diariamente para a Missão». «Quem encontra Jesus e com Ele estabelece aliança de amor fiel e irreversível nunca fica só», afirmou. E concluiu com uma ligação oportuna entre o Ano Jubilar de Schoenstatt e a Missão Jubilar de Aveiro: «É este rosto missionário da Igreja de Aveiro que aqui deve estar impresso em todos os momentos e vivido em todas as iniciativas.»

Fernando Martins

Ler mais sobre a abertura do Jubileu aqui

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Barra de Aveiro

As obras no molhe norte continuam

Desde que me conheço, sempre houve obras na Barra de Aveiro. Grandes ou pequenas, paredões e extensões, dragagens e muralhas, reparações e reposições foram e são uma constante para assegurar boas entradas e saídas. Sabe-se que as reações do mar, das correntes marinhas e das imprevisíveis atitudes da natureza escapam aos conhecimentos e cálculos dos homens sábios. Por isso, continuaremos a ter obras na barra. Esta é a grande e única verdade.

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