Os bispos da República
e a fidelidade à sua missão
António Marcelino
Foram vários os bispos do início da República expulsos das suas dioceses pelo poder político. Por vezes, porque as dioceses não coincidiam com os distritos, sem que o advertissem os governantes, ficavam a viver dentro da mesma, mas noutro distrito, como aconteceu, por exemplo com o arcebispo de Évora, com residência forçada em Elvas, e o com bispo de Portalegre, exilado em Proença-a-Nova. Das expulsões havidas, o caso então mais falado, dada a sua importância, foi o do bispo de Porto, D. António Barroso. Exilado primeiro em Cernache do Bonjardim (Sertã), depois na Covilhã e, finalmente, na sua terra natal, Remelhe (Barcelos). Um dia, pelo facto de ter entrado na sua diocese para celebrar um baptismo, foi julgado em tribunal, por desobediência, mas logo absolvido por juiz sensato e corajoso.
O objectivo do poder ao ferir o pastor era separar os bispos do seu povo, obrigá-los ao silêncio, e fazer tudo para que o rebanho se tresmalhasse.

