sábado, 28 de agosto de 2010

S. Paio da Torreira





O convite para me deslocar à Murtosa, tendo em mira associar-me às tradicionais Festas em Honra do S. Paio, veio há dias. Gostaria de poder corresponder ao convite do meu amigo Manuel, mas não posso. A razão é simples: a agitação fora do comum perturba-me um pouco; fico cansado depressa. Coisas da idade, penso eu.
Pela festa do S. Paio passei alguma vezes, quando vivia férias em Pardilhó. Mas antes, fui lá uma vez com dois amigos, o Manuel e o Diamantino. Levámos tenda para dormir, quando viesse o sono, e farnel. Depois de passarmos para o lado de S. Jacinto, seguimos de motorizada até à Torreira.
O S. Paio é santo mais popular daquelas bandas, a que se associa, nem sei bem porquê, o vinho tinto...
Das peripécias dessa peregrinação já recordo pouco. Sei que pedimos autorização a um senhor para acampar no pinhal que circundava a sua vivenda, mas o "não" foi perentório
Sei, no entanto, que há quem continue a reviver, ano após ano, as tradições ligadas ao S. Paio. E desejo, por isso, que sejam todos muito felizes nos dias festivos que se aproximam.

Pode ver o programa aqui

Nota: Com Acordo Ortográfico

Como se chega à felicidade?


HÁ RECEITAS PARA A FELICIDADE?

Anselmo Borges

O que queremos verdadeiramente é, sem sombra de dúvida, ser felizes. Mas como se chega à felicidade? É que, para se ser feliz, é necessária uma multidão de coisas e de condições: algum prazer, saúde, uma vida familiar agradável, realização profissional mínima, reconhecimento social, algum dinheiro, amigos - "sem amigos, ninguém escolheria viver", disse Aristóteles. Depois, também é preciso ter sorte, como diz a própria palavra no seu étimo (felix), e isso não acontece apenas com felicidade (felicidad, em espanhol, e felicità, em italiano): o Glück alemão significa felicidade e sorte, a raiz de happiness é happ, com o significado de acaso, fortuna (perhaps significa talvez), o mesmo acontecendo nas palavras grega e francesa, respectivamente: eudaimonia e bonheur.
E há choques, oposições, contradições. O Prémio Nobel da Literatura Heinrich Böll escreveu uma estória cheia de humor e sentido - eu ouvi-a ao Padre Tony de Mello. Chega um turista e dialoga com um pescador pobre, a apanhar sol na praia, com o resultado da sua pescaria: dois peixes. - Porque não pescas mais? - Para quê? - Para teres dinheiro, criavas uma empresa, tinhas muitos empregados, eras cada vez mais rico, exportavas, montavas mais empresas... - E depois?, pergunta o pescador. - Serias tão rico que já nem precisavas de trabalhar e passarias os dias na praia a apanhar sol... - Mas é precisamente o que estou a fazer, sem ter de passar por toda essa trapalhada, atirou-lhe o pescador.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Vouzela: Notas Históricas






Atenção: As notas históricas dizem o essencial. Clicar nas fotos para ampliar.

Festa da Padroeira na Gafanha da Nazaré



Arcadas e bandeiras são sinal de festa na terra. É assim por todo o país. Na Gafanha da Nazaré, como manda a tradição, a festa em honra da Padroeira Nossa Senhora da Nazaré tem lugar no último domingo de Agosto. As festas são sempre uma oportunidade para o reencontro de amigos  e para a alegria com foguetes, músicas, missa solenizada e procissão. Este ano tem como aliciante o facto de se integrar nas celebrações do centenário da freguesia e paróquia. O decreto do Bispo de Coimbra regista a data 31 de Agosto de 1910 como chave da criação da paróquia.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

António Lobo Antunes escreve sobre livros e editores na Visão



António Lobo Antunes

«A cabeça de um escritor é um sítio inabitável, cheio de sombras negras que se devoram umas às outras, remorsos, fantasmas, dores, insignificâncias em que não reparamos e ele repara, sensações, luzes, criaturas sem nexo. Usam o papel para ordenar este caos, vertebrar o desespero, dar ao ilógico uma coerência lógica e mostrar o nosso retrato autêntico em cacos de espelho, fundos de poço trémulos, superfícies convexas em que temos de emagrecer por nossa conta. Não se pode estender a mão a quem lê, tem de se caminhar sozinho num nevoeiro aparente em que, a pouco e pouco, as coisas se arrumam nos seus lugares. Em nenhum bom livro há personagens e história: quando muito aparência de personagens e história, usadas para tornar mais clara a vertigem do que somos. Tudo se passa no interior do interior e portanto não devia haver cursos de escrita criativa»

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Poetas ilhavenses: João Mulemba


TEMPO

Sonhos atados nos mastaréus do tempo,
matam o tempo, do tempo-homem.
O Homem-tempo, soltando velas,
cruza o Além, no Além dos tempos.
Não há cais para o Tempo.
Não há ferros para o Homem.
O homem rasgando o tempo
Faz o Tempo. Faz o Homem.
Homem?
Tempo?
Tempo do Além?
Além do Tempo?
Homem. Só.

João Mulemba

In "Antologia de Poetas Ilhavenses", organizada por Jorge Neves

AVEIRO tem tanto para visitar...


A Sé de Aveiro merece bem uma visita. Em si há arte de várias épocas e expressões. Logo à entrada, há o célebre cruzeiro, cuja réplica está no largo fronteiro. Há informação disponível. Curiosamente, diversas vezes tenho visto por ali mais estrangeiros que portugueses. Por que razão será?


Gosto desta estátua de Santa Joana Princesa do artista aveirense  Hélder Bandarra. A princesa Joana exibe determinação e dinamismo, bem patentes em todo o conjunto. Aprecie sem pressas a expressão, os nossos ventos, o braço em movimento, o olhar para o alto...
Caíram ou arrancaram duas letras. A padroeira de Aveiro merecia que as letras em falta fossem repostas. Não será assim tão caro e ficaria mais bonito. Como está, denota um certo desleixo.


Junto à Sé também existe o Museu de Santa Joana Princesa, que tem andado em obras de ampliação e manutenção. O seu acervo é riquíssimo, mas há muita gente que passa como gato por cima de brasas. É pena. Além disso, há exposições e outros eventos que são uma mais-valia para enriquecimento cultural do povo de Aveiro e não só. Dê lá um saltinho nesta época de férias. Verá que vale a pena.

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