O NOSSO VOTO É TÃO IMPORTANTE COMO O DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Toda a gente já sabe que no próximo domingo vamos ter eleições. Vamos escolher, no cumprimento de um dever cívico e de uma obrigação moral, os autarcas para a Câmara Municipal, para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia. Desta vai sair o presidente da Junta de Freguesia.
A democracia tem esta coisa bonita de nos fazer sentir que, neste dia, todos somos cidadãos de primeira. O nosso voto é igual ao do Presidente da República, é igual aos votos de gente pobre e rica, é igual aos votos dos intelectuais, dos letrados e dos iletrados. Todos têm o mesmo valor. E por um voto a mais ou a menos podemos dar a vitória ou a derrota a um candidato qualquer. Por isso, é importante que votemos, para mais tarde, se necessário, termos autoridade moral para denunciar injustiças e desleixos ou ofensas à democracia e ao bem comum. Não podemos, portanto, ficar em casa, dando aos outros a oportunidade de decidirem por nós. Nós temos de ser pessoas comprometidas com a democracia e com o governo das autarquias a que pertencemos.
Durante uns tempos, os candidatos foram dizendo o que pensam e o que pretendem fazer. Foram dizendo, por todos os meios, quais são as suas propostas. E foi bom verificar que todos, mas mesmo todos, avançaram com propostas válidas e com ideias com as quais a maioria se identifica. Umas mais elaboradas do que outras, algumas mais viáveis do que outras, mas todas boas, no essencial, para o povo.
Sendo assim, e porque somos pessoas responsáveis, vamos então escolher quem há-de ficar à frente dos destinos dos órgãos autárquicos. Votemos, pois, em consciência, escolhendo aqueles que consideramos serem os melhores.
Fernando Martins
sexta-feira, 7 de outubro de 2005
NOBEL DA PAZ 2005
Nobel da Paz entregue à Agência Internacional de Energia Atómica e a Mohamed ElBaradei
O Prémio Nobel da Paz 2005 foi hoje atribuído à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e ao seu director, Mohamed ElBaradei, "pelos seus esforços na prevenção do uso militar da energia nuclear".
O Comité Nobel anunciou que o prémio atribuído à AIEA e ao egípcio ElBaradei justifica-se pelos "esforços na prevenção do uso militar da energia nuclear" e de "controlo para que a energia nuclear com fins pacíficos seja usada da forma mais segura possível".
"Numa época em que a ameaça das armas nucleares cresce cada vez mais, o Comité Nobel quer sublinhar que essa ameaça deverá ser contida através de uma cooperação internacional o mais alargada possível", afirmou o presidente do Comité Nobel, Danbolt Mjoes.
A distinção atribuída ao organismo das Nações Unidas e ao seu director surge numa altura em que a comunidade internacional tenta convencer o Irão e a Coreia do Norte a renunciar às suas aspirações nucleares. Coincide igualmente com o 60º aniversário do lançamento das bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki, nos dias 6 e 9 de Agosto de 1945, que provocaram mais de 200 mil mortos na altura do impacto.
Em 1995, o Comité Nobel tinha atribuído a mesma distinção ao movimento anti-nuclear Pugwash (fundado no Canadá) e ao seu fundador, Joseph Rotblat.Fundada em 1957 e com base em Viena (Áustria), a AIEA teve um papel fundamental nos meses que antecederam a intervenção norte-americana e britânica no Iraque. Apesar dos relatos das agências de segurança dos EUA, a AIEA estimou que o Iraque não possuia armas de destruição maciça, uma avaliação que, mais tarde, se revelou correcta.
Fonte: PÚBLICO on-line
(Para ver lista dos contemplados com o Nobel da Paz, clique PÚBLICO)
BIBLISTA CARREIRA DAS NEVES DÁ ÚLTIMA AULA NA UCP
"Nada se sabe sobre a infância de Jesus Cristo"
Nasceu Jesus num estábulo em Belém da Galileia? Foi adorado por Reis Magos? Foi levado por Maria e José para o Egipto a fim de sobreviver à matança dos inocentes? Estas narrativas constam na Bíblia, e muitos cristãos encaram-nas como factos históricos. Mas, "sobre a infância de Jesus, a começar pelo seu nascimento, modo e circunstâncias, nada sabemos. Os evangelhos da infância não são história factual, mas funcional. A Bíblia não é um absoluto". Estas afirmações foram ontem proferidas por Joaquim Carreira das Neves, na Universidade Católica, em Lisboa, no seu "adeus" à Faculdade de Teologia. O maior especialista português em exegese bíblica, de 71 anos, apresentou a sua lição de jubilação.
Foram 40 anos de docência e investigação bíblica iniciados quando o Concílio Vaticano II (1965) anunciava uma nova relação da fé com a realidade humana. Carreira das Neves sintetizou ontem o seu pensamento, que o distinguiu ao longo dos tempos, segundo o qual o Jesus da fé é imperceptível sem o estudo do Jesus histórico.
Esta ideia trouxe-lhe dissabores. "Levei alguma pancada e continuo a receber. Mas valeu a pena porque a verdade vem sempre ao de cima", disse aos jornalistas.
A história de Jesus, contada pelos evangelistas, apresenta-se sem "concordismo interno". Por isso, algumas narrativas, como as da infância, da concepção virginal, ou mesmo as da ressurreição, "são sempre uma questão de fé e não história factual", afirmou o exegeta durante a sua lição.
Estamos a falar de construções literárias? Sim, "construções mas não invenções". Os evangelhos, na realidade, "aparecerem por necessidade interna das primeiras comunidades cristãs", à medida que morriam as testemunhas oculares do Jesus histórico. Depois, o seu resultado final "corresponde a esse evangelizar contínuo, e a leituras e releituras do Antigo Testamento, já que o desígnio final de Deus tinha que passar pela realização profética e messiânica das Escrituras Hebraicas". Em suma, os evangelhos são uma catequese da Igreja sobre o "Jesus total", o ressuscitado, perceptível apenas com a fé.
Mas, também há muita histórica factual nos Evangelhos. Para Carreira das Neves, é preciso estudar, "sem medo", o Jesus histórico", - "ainda que isso crie algum mal estar" - de modo a que "as pessoas possam fazer opções existenciais e racionais", defendeu.
Texto de Licínio Lima, no Diário de Notícias
Santa Sé pede promoção dos idosos junto da ONU
É preciso aproveitar as experiências e os conhecimentos das pessoas mais velhas
O Núncio Apostólico nas Nações Unidas, D. Celestino Migliore, afirmou que é necessário "criar um amplo leque de oportunidades para usar o potencial, experiência e conhecimentos das pessoas mais velhas", ao referir-se ao papel dos idosos na actualidade. Diante de representantes de todo o mundo na sede da ONU, o prelado indicou que "esta perspectiva e atitude permitir-lhes-á continuar ligados à sociedade e fazer a diferença no mundo".
"Há três anos, em Madrid, a Santa Sé descreveu os idosos como ‘os guardiães da memória colectiva, conservadores das relações intergeracionais e transmissores de valores autênticos que definiam a sua existência’", lembrou o observador permanente da Santa Sé junto da ONU.
D. Migliore destacou o importante papel que tem a família na "segurança integral, bem como na saúde, mental, física e espiritual" dos idosos. "Por essa razão, a Santa Sé oferece o seu apoio, através de diversos programas de assistência. Actualmente, as agências e organizações católicas em todos os continentes dão assistência a idosos em mais de 13 mil lugares, incluindo mais de 500 centros na África, 3 mil na América e mil e 400 na Ásia", acrescentou.
O Núncio informou também que, "de acordo com as estatísticas, existem hoje mais de 600 milhões de pessoas acima de 60 anos; estima-se que, para o ano de 2050, haverá mais de 1,8 mil milhões". "Esta tendência mostra duas coisas: primeiro, que qualquer país deve chegar a ser e manter-se –como o documento de Madrid de 2002 afirmava– ‘uma sociedade para todas as idades’; e segundo, devemos ser muito cautelosos quando as políticas fiscais e internacionais se referem ao âmbito da engenharia humana", precisou.
Fonte: Ecclesia
SÍNODO DOS BISPOS: Divorciados recasados em debate
Alterações litúrgicas têm proporcionado amplo debate entre os padres sinodais
A quarta Congregação Geral da XI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, ficou marcada pela proposta do arcebispo neozelandês de Wellington, que sugeriu que os divorciados recasados pudessem voltar a comungar. «Enriquecíamos as nossas Igrejas se pudéssemos convidar os católicos comprometidos, e actualmente excluídos da Eucaristia, a voltarem à mesa do Senhor. Aqueles cujo primeiro matrimónio terminou de forma triste», mas que «nunca abandonaram a Igreja», explicou D. John Dew.
O prelado disse mesmo que «o Sínodo deve ter um enfoque pastoral» e que, por isso, «há que avaliar as formas de incluir aqueles que têm fome do Pão da Vida. É necessário enfrentar o escândalo daqueles que têm fome do alimento eucarístico, tal como se deve encarar o escândalo da fome física ».
O discurso de D. John Dew surgiu num dia em que o jornal Il Foglio, dedicado exclusivamente ao comentário de notícias e considerado como um dos mais informados de Itália, assinalou que alguns grupos de pressão estão a tentar influenciar as conclusões do Sínodo. Il Foglio refere que o Papa Bento XVI elegeu pessoalmente figuras «conhecidas pelas suas posições mais tradicionalistas, tal como o alemão Joachim Meisner, o australiano George Pell e o canadiano Marc Ouellet».
Segundo o diário romano, «o bispo Donald Trautman – que preside à Comissão de Liturgia do Episcopado norte-americano – atacou duramente o Instrumentum laboris, considerando- o indigno e criticando a sua posição conservadora ». Para Il Foglio, «a ala progressista dos bispos procurará abrir uma brecha na chamada pastoral dos divorciados recasados, para que estes voltem a comungar ». «A pressão parece vir especialmente da França», dado que «esta questão foi mencionada pelos bispos beneditino Robert Le Gall de Mende e Roland Minnerath de Digione», que participam nos trabalhos sinodais.
«Será interessante seguir o desenvolvimento do debate sobre este tema», porque «pela primeira vez na história dos sínodos se reservou um tempo para perguntas e respostas entre os padres sinodais», conclui o diário italiano.
(Para ler mais, clique Ecclesia)
quinta-feira, 6 de outubro de 2005
ABORTO: Bispos portugueses vão pronunciar-se sobre referendo
A Conferência Episcopal Portuguesa vai tomar um posição, no dia 11 deste mês, sobre o referendo ao aborto
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O porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa e Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, garantiu à Renascença que vai ser divulgada, no dia 11 deste mês, uma declaração do Conselho Permanente, sobre o referendo ao aborto.
"Do ponto de vista doutrinal, a posição da Igreja é clara: não achamos que o referendo fosse necessário, mas a haver, será uma ocasião para que as pessoas tomem mais consciência dos seus comportamentos, das suas atitudes, e se responsabilizem de modo social", sublinha D. Carlos Azevedo.
Recorde-se que o Presidente da República enviou para o Tribunal Constitucional o projecto de referendo ao aborto, aprovado no Parlamento.
Fonte: Rádio Renascença
Um artigo de D. António Marcelino
D. António Marcelino
Pessoa e comunidade, horizonte permanente da igreja
Sempre me fez impressão ao ouvir os avisos da semana, no princípio ou fim das eucaristias dominicais, como tudo se reduz, normalmente, às missas e às muitas reuniões das diversas actividades pastorais. Quem tal ouvir pensará que a Igreja tem apenas preocupação com as coisas do culto e as actividades de cariz religioso.
De facto, não se deveria nunca esquecer que os leigos são cristãos no mundo e é aí que realizam a sua vocação de ser luz e fermento do Evangelho na sua vida familiar, profissional, social e política. A vida de um cristão não se esgota no interior do templo, mas processa-se em mil lugares e ocasiões que significam apelo a uma vivência da fé, de testemunho e de compromisso de acção.
A Igreja será sempre um espaço e um lugar a apontar o horizonte inesgotável da vida concreta. A sua luz vem-lhe do Deus em que acredita, que outra coisa não quer dela senão que seja servidora permanente das pessoas e das comunidades. Isso faz-se de muitas maneiras, também nas actividades do templo pela pregação, pela catequese das diversas idades, pelas próprias celebrações que despertam para a partilha solidária. Porém, torna-se cada vez mais necessário que as paróquias e os movimentos laicais se preocupem em programar actividades que ajudem a responder às questões que hoje se põem às pessoas no mundo complexo em que vivem.
Questões da vida, da família, da educação e da cultura, da justiça no trabalho, dos direitos e deveres que fluem da condição de cidadãos, da necessidade de diálogo com gente que pensa de modo diferente, têm de ser cada vez mais questões do dia-a-dia de uma comunidade cristã.
Actividades que ajudem a ler a vida, a abrir-se aos problemas e a dialogar sobre eles, a colaborar, seja com quem for, para que se encontrem as soluções possíveis para os problemas que, no dia-a-dia, constituem para muita gente um peso difícil de suportar e de levar, devem fazer parte da vida de uma paróquia, viva, atenta e servidora.
Os problemas sociais, dos profissionais aos políticos, requerem a participação, dada de modo diferente, mas que pode ser sempre complementar, quer dos cristãos mais conscientes, quer dos outros cidadãos que não são ou já se não dizem cristãos. Cada um deve formar-se para traduzir a sua opinião e a sua participação, segundo os princípios que enformam a sua vida e procuram o bem de todos. A diversidade justificada e qualificada é sempre uma riqueza.
A doutrina social da Igreja constitui um enriquecimento iluminador da acção dos cristãos na sociedade. Está acessível, de muitos modos, e torna-se urgente encaminhar para onde se ensina ou promover iniciativas no mesmo sentido.
O ano pastoral que começa convida-nos a ser cada vez mais uma Igreja que serve as pessoas e a sociedade, esforçada por compreender a realidade e os problemas, empenhada em encontrar respostas válidas e em promover colaboração. Ser cristão e ser Igreja no mundo não tem um recorte meramente religioso, mas sim humano e social, que o Evangelho ilumina e a que dá sentido de empenhamento iniludível.
Deus não faz história de salvação, nem à margem, nem paralela à história das pessoas e das comunidades. Entra nela, adapta-se ao ritmo dos seus protagonistas, abre-se às situações novas que vão surgindo, alarga o leque dos colaboradores, põe no caminho servidores preparados e incondicionais, não marca prazos, mas também não aceita senão as delongas inevitáveis. A sua pedagogia deve ser a da Igreja, pois a história é a mesma.
“A Igreja no mundo contemporâneo”, que traduz o título “alegria e esperança” de uma constituição conciliar, designa um estilo novo de ser Igreja no mundo, porta sempre aberta à compreensão, à responsabilidade, ao desafio à construção de um mundo mais humano e mais fraterno, porque só esse corresponde ao projecto do Criador.
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