domingo, 18 de agosto de 2024

O que diz o silêncio das Pedras

Abro as janelas dormentes
Das insónias,
O cinzento pesa nos meus ombros
E o vento
Rodopia entre mim e as rochas
Que acabaram de acordar.

Vou para lá, porque já estou lá
Se sair do lugar onde estou.
Este é o espaço anónimo de mim,
O meu caminho
Pedregoso e também anónimo.

Nele existe a porosidade da carne
Sem que eu sinta a permanente fidelidade
Das suas palavras
Que são anónimas.

Já te vi por entre os espaços
Que não existem
Porque são luzeiros abertos
Quando sentem
que tudo o que existe
É uma harmonia pedregosa e anónima.

Inocêncio Paulo Moreira

Nota: Do livro “O que diz o silêncio das pedras” de Inocêncio Paulo Moreira, de Fafe.

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