sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Já está no coração de Deus o P.e Júlio da Rocha Rodrigues

O Padre Júlio, como era conhecido entre familiares e amigos, de seu nome completa Júlio da Rocha Rodrigues, bateu à porta do céu, como me disse uma sua familiar e minha amiga, e já está  no seio  de  Deus que tanto amou. Foi pároco de Aradas quase toda a vida, terra que tinha no coração e onde deixou marcas indeléveis da sua determinação, que o hão de perpetuar no tempo. Durante a juventude, e sobretudo quando ingressou no seminário, já adulto, foi visita de nossa casa para trocarmos impressões. Depois, quando foi para Aradas, a vida não lhe permitiu grandes contactos connosco. Porém, mantivemos ao longo da vida laços de amizade que  as preocupações de cada um nunca interromperam.
Nascido em 4 de fevereiro de 1935, na Gafanha da Nazaré, e foi batizado no mesmo ano, no dia 13 de março. Teve como professor primário uma figura carismática da nossa terra, o professor Manuel Filipe Fernandes, que decerto muito o influenciou em muitas áreas. Trabalhou nas marinhas de sal, em oficinas  e no comércio. Iniciou, entretanto,  contactos com as fundadoras da Obra da Providência, Maria da Luz Rocha e Rosa Bela Vieira, desde os primeiros passos da instituição. Foi ordenado presbítero em 15 de agosto de 1970 por D. Manuel de Almeida Trindade, na igreja da Gafanha da Nazaré, onde celebrou a primeira missa, no dia seguinte. Em 4 de outubro do mesmo ano tomou posse, como coadjutor de Aradas, e em 1975 passou a ser o pároco.
Na festa do 50.º aniversário da Obra da Providência confirmou,  publicamente, a sua dedicação à obra,  nas breves palavras que dirigiu aos presentes, na cerimónia a que presidiu o então Bispo de Aveiro, D. António Marcelino. «Foi a partir desta obra, do trabalho feito em comunhão com Maria da Luz e Rosa Bela, que eu decidi ir para padre. Há muito tempo que eu tinha resolvido ir para sacerdote, andei a adiar, adiar, adiar; um certo dia fui a Fátima a pé [tinha 23 anos], também com elas, e depois regressei com a decisão tomada… Mas foi trabalhando com estas irmãs nossas, sobretudo com elas, que eu achei que a melhor maneira de servir os irmãos seria ser sacerdote; nunca fugi às responsabilidades para me integrar mais, para ser melhor testemunha de Deus.» 
As cerimónias fúnebres terão lugar amanhã, sábado, pelas 14h30, na matriz  da  Gafanha da Nazaré. Que Deus o acolha, carinhosamente, no seu regaço maternal.

Fernando Martins

1 comentário:

David Martins disse...

Trabalhei sempre de perto com o padre Júlio desde que ele veio para Aradas em 1970. Tínhamos uma intimidade e amizade muito grandes. Passou anos a pressionar-me para que eu me candidatasse à Junta de Freguesia - o que eu fui sempre recusando porque não queria de todo em todo. Mas uma coisa é o que nós queremos e outra são as situações que a vida nos cria. E foi assim que, em 2009, acabei por me candidatar e ser presidente da Junta. A primeira atitude que tomei, nessa condição, foi homenagear e condecorar o padre Júlio. Era para mim um imperativo de consciência. Por trabalhar estreitamente com ele durante tantos anos, eu sabia bem o quanto ele amava o povo de Aradas e os esforços que fez para que a Freguesia tivesse a resposta social que hoje felizmente tem. Para mim, o padre Júlio, por tudo o que fez, tanto no plano pastoral como no social, é uma das personalidades a quem Aradas mais deve. Tal como até aqui aconteceu, continuarei sempre a fazer tudo o que esteja ao meu alcance para que a sua memória seja preservada e honrada na nossa terra.