sexta-feira, 13 de maio de 2005

Um poema do Bocage

Posted by Hello Já Bocage não sou! Já Bocage não sou!... À cova escura Meu estro vai parar desfeito em vento... Eu aos céus ultrajei! O meu tormento Leve me torne sempre a terra dura. Conheço agora já quão vã figura Em prosa e verso fez meu louco intento. Musa!... Tivera algum merecimento, Se um raio da razão seguisse, pura! Eu me arrependo; a língua quase fria Brade em alto pregão à mocidade, Que atrás do som fantástico corria: Outro Aretino fui... A santidade Manchei!... Oh! Se me creste, gente impia, Rasga meus versos, crê na eternidade! ::
NB: Em 2005, celebram-se duas datas, referentes ao poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage, natural de Setúbal: 240 anos do seu nascimeto e 190 anos da sua morte.
Bocage, também conhecido por Elmano Sadino, não é, como muitos pensam e dizem, o poeta das anedotas. Ele é, de facto, um grande poeta português, cultor do soneto como poucos, e senhor de uma grande sensibilidade. E talvez essa sensibilidade tenha sido apurada pelo infelicidade de uma vida difícil.
Penso que Bocage merece que todos os portugueses leiam os seus poemas.

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