A visita

Crónica de Maria Donzília Almeida


“Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, 
considera os seus caminhos e sê sábio” 

Salomão
                                                                                    
Mourejava eu como a formiga, quando fui surpreendida por aquela visita. Aprovisionando no verão para os rigores do inverno, as formigas são um bom exemplo de animais gregários.
Sempre me impressionou como estes seres minúsculos interagem e se organizam em colónias.
As formigas são pequenos insetos que podem ser encontrados em todas as partes do mundo, desde regiões ao nível do mar, desertos, até no alto de grandes montanhas.
O tamanho pode variar de alguns milímetros a alguns centímetros. Há um grande número de espécies, que pode atingir mais de 12.000. Elas pertencem à ordem dos himenópteros e variam muito, tanto em relação às suas formas, quanto aos seus costumes ou hábitos. 
São consideradas insetos sociais, porque vivem em colónias, altamente organizadas e eficientes. Formadas por milhares de formigas, divididas em classes, cada uma tem a sua função específica na organização dessas comunidades.

Para que possam manter esse sistema de vida no formigueiro, necessitam comunicar-se umas com as outras, transmitindo mensagens através de substâncias químicas. Também os sinais olfativos e táteis desempenham um papel importante na comunicação entre si.
A rígida organização de um formigueiro compõe-se de três classes ou categorias básicas: as rainhas, os machos e as operárias. As rainhas, as fêmeas operárias e os machos são bastante diferentes no aspeto. A rainha é a maior formiga do formigueiro. Possui quatro asas, mas elas caem após o voo nupcial, quando elas são fecundadas pelo macho. A sua única função é por ovos. De acordo com a sua espécie, ela pode viver 10 ou até mesmo 20 anos.
Nas épocas de reprodução, em determinados períodos do ano, os machos aparecem, mas sempre com asas, para cumprir a sua única missão no formigueiro, que é de fecundar as fêmeas e morrem logo após o acasalamento. 
As operárias são as mais numerosas do formigueiro. A sua função é a de trabalhar, assumindo todas as tarefas, na busca e transporte de alimentos para a sua colónia. São todas fêmeas, mas não se reproduzem, porque não poem ovos e não possuem asas. 
As formigas coabitam com o homem, em todo o lado. Muitas vezes, a convivência é harmoniosa, mas também pode ser hostil para ambos. Podem ser consideradas como "pragas" na lavoura, por destruírem folhas, mas também podem ajudar no combate a outras pragas. Existem muitas espécies de formigas daninhas, que precisam ser combatidas para que não prejudiquem as atividades agrícolas. Podemos citar entre elas a formiga cortadeira, que destrói folhas e utiliza as plantas para cultivar fungos. Há, também, a formiga carpinteira, que cava galerias nas árvores sadias, destruindo a madeira.
Por terem muitos inimigos naturais, possuem certos mecanismos de defesa, que podem variar de acordo com a espécie. Algumas possuem um ferrão, responsável pela inoculação de um veneno, outras com poderosas mandíbulas, como forma de defesa contra inimigos.
Todos os dias surpreendo estas criaturas minúsculas, no jardim ou na horta, que afanosamente preparam o celeiro para a comunidade. Um bom exemplo a seguir pelos humanos que seria muito do agrado de alguns elementos da classe política: hierarquia e hábitos de trabalho sem reivindicação de regalias sociais. As formigas não precisam de sindicatos para as defenderem do patronato!
Estava eu absorta na contemplação de uma colónia, quando vejo um carro parar em frente. Dele sai um jovem sorridente que se dirige a mim, identificando-se como tendo sido meu aluno, num passado longínquo. De imediato, não o reconheci, pois o tempo tinha operado mudanças no seu aspeto físico, fazendo dele um homem.
— Sou o Raul, o seu aluno de há vinte anos!
Aí, a memória transportou-me aos finais do século XX e visualizei aquele menino tímido que aprendia Inglês com entusiasmo e dedicação.
— Ainda te lembras da tua teacher desses verdes anos?- indaguei curiosa.
— Só recordo aqueles professores de quem gostei! — respondeu com um sorriso maroto.
Travámos ali um amistoso diálogo, sobre a sua ocupação atual, os seu projetos de futuro e a importância da língua inglesa, no seu mundo da informática.
Assim, fiz uma pausa no trabalho e na evocação das formigas!

Comentários