"Partida" no CNE — Corpo Nacional de Escutas

O fim de uma etapa é sempre o início de outra

Ana Rita e André Marçal
Ana Rita Simões e André Marçal foram os protagonistas da cerimónia da Partida, que ocorreu depois da missa das 19 horas, no sábado, 28 de fevereiro, na matriz de Nossa Senhora da Nazaré. O Agrupamento 588 do CNE (Corpo Nacional de Escutas — Escutismo Católico Português) estava em festa pelo significado da cerimónia, que nada tem a ver com a renúncia aos ensinamentos experienciados durante anos. Pelo contrário, a Partida representa a entrada na vida adulta, onde se torna importante levar à prática as promessas feitas e alicerçadas na Boa Nova de Jesus Cristo e nos valores propostos por Robert Baden-Powell. Na família, na sociedade, na profissão, na cultura, no desporto, no lazer, onde o «sempre pronto para servir» deve ser tónica dominante.
Na hora da Partida, o nosso prior, Padre Francisco Melo, lembrou que, na caminhava agora iniciada pela Ana e pelo André, há que ter em conta que «precisamos de nos acompanharmos uns aos outros» ao longo da vida, referindo que «o escutismo atinge a sua maturidade» nesta cerimónia, porque um dos seus grandes objetivos é preparar «cristãos para fazerem parte do mundo, sendo homens novos e mulheres novas».


Padre Francisco na entrega da  Bíblia
O André Marçal foi membro do Agrupamento 16 anos e a Ana Rita 14. O primeiro foi seduzido pelos colegas da escola, que lhe falavam, decerto com entusiasmo, das «experiências incríveis em que tinham participado nos fins de semana», e a segunda por querer imitar o tio João Vilarinho com «os seus pompons».
André considerou como uma mais-valia a «constante evolução que temos enquanto cidadãos e homens de amanhã», mas cedo percebeu «a oportunidade de podermos partilhar e expressar a nossa opinião e visão dos vários aspetos da vida». Disse que «experimentar e realizar os nossos próprios projetos com os nossos próprios objetivos» o marcaram positivamente. Já a Ana Rita considerou fundamental «o convívio, a união e o aprender fazendo», frisando a premência de fazer «amigos para a vida na grande escola que foi e é o escutismo». Descobriu, contudo, que é possível «prescindir de coisas básicas, como, por exemplo, os frigoríficos, a luz e a cama».

Padre Pedro José na entrega do pão
Por sua vez, o André salientou que os conceitos que mais o vincaram nestes anos todos foram a «perseverança, o aprender a dar o tudo por tudo mesmo quando as evidências mostravam que o insucesso seja o mais provável». E acrescentou: «Não considero que possa escolher se vou continuar o espirito escutista na minha vida, porque não imagino a vida de outra forma. A vida assim faz sentido, faz-me feliz a mim e a muitos outros e acaba por trazer um pouco mais de luz ao mundo.» E a Ana Rita refere: «vou levar na minha "mochila" tudo o que aprendi nestes anos, seguindo sempre o caminho de Deus.»
Ambos admitem vir a ser dirigentes, dizendo o André que talvez um dia sinta esse chamamento para uma «experiência que estaria disposto a passar, como mais um desafio deste movimento». E a Ana Rita também não exclui essa hipótese.
A chefe Fátima Simões, mãe da Ana Rita, evocou a vivência escutista de sua filha, referindo os passos significativos que porventura a marcaram, com altos e baixos, nomeadamente, o primeiro acampamento afastada da família, a passagem enriquecedora pelas diversas secções, os amigos com quem se cruzou e com quem se enriqueceu como ser humano e como cristã, com a indispensável ajuda dos chefes.
O mesmo fez Diogo Marçal em relação a seu irmão André, evocando horas felizes entre outras de alguma tristeza, que acabou por ultrapassar. Falou dos chefes que lhe serviram de modelo e lhe transmitiram a mística escutista dentro do CNE. Recordou como o André se divertiu «à fartazana» num acampamento. E adiantou que foram muitos os amigos com quem se cruzou, com quem riu e chorou e com quem cresceu como ser humano e como cristão.
O final da cerimónia ficou assinalado pela entrega da Vara Bifurcada, da Mochila, da Tenda, do Pão e da Bíblia, que hão de ser riquíssimos suportes durante a caminhada da vida, na certeza de que, o fim de uma etapa é sempre o início de outra.

Fernando Martins

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