domingo, 7 de junho de 2026

Somos livres?

Esta é a pergunta decisiva. De facto, se não somos livres, o que se chama dignidade humana pode ser uma convenção, mas não tem fundamento real. Mas quem nunca foi assaltado pela pergunta: a minha vida teria podido ser diferente? Para sabê-lo cientificamente, seria preciso o que não é possível: repetir a vida exactamente nas mesmas circunstâncias. Só assim se verificaria se as “escolhas” se repetiam nos mesmos termos ou não. Não há dúvida de que a liberdade humana é condicionada. Mas ela existe ou é uma ilusão? Não vêm agora neurocientistas dizer que, mediante dados da tomografia de emissão de positrões e da ressonância magnética nuclear funcional, se mostra que afinal as nossas decisões são dirigidas por processos neuronais inconscientes?
De qualquer modo, em 2004, destacados neurocientistas também tornaram público um “Manifesto sobre o presente e o futuro da investigação do cérebro” – cito Hans Küng, no seu Der Anfang aller Dinge (O princípio de todas as coisas) -- revelando-se prudentes no que toca às “grandes perguntas”: “Como surgem a consciência e a vivência do eu? Como se entrelaçam a acção racional e a acção emocional?

Paço Ducal de Vila Viçosa


 Já lá vão uns anos! Andámos pelo Alentejo e visitámos Vila Viçosa. Eu e a Lita ficámos encantados com o que pudemos apreciar. Agora, com o peso dos anos, limitamo-nos a recordar. Recordar não é reviver?

Escrever ao ritmo das marés

Tenho para mim que os escritores são como os cavadores. Quer uns quer outros, se cruzarem os braços, ficam incapazes de trabalhar. Daí, o esforço que terão de fazer no dia a dia para não perderem o ritmo. É por isso que a esta hora da noite, cerca da uma hora da manhã, estou a preparar um texto, curto embora, para o meu Pela Positiva.

Dia a dia vou sentindo, pelo número de visitantes, que há centenas de leitores do que edito, quantas vezes ao ritmo das marés. Porém, os comentários não são o que eu esperava. Gostaria, por isso, que não ficassem pela simples leitura. Avancem, por conseguinte, por favor, com sugestões que me levem a buscar informações úteis para todos.

sábado, 6 de junho de 2026

Para recordar...

De  cada popa se vê um Portugal diferente



“É certo que de cada popa se vê um Portugal diferente, conforme a latitude: verde e gaiteiro em cima, salino e moliceiro no meio, maneirinho e a rilhar alfarroba no fundo. Camponeses de branqueta e soeste a apanhar sargaço na Apúlia, marnotos a arquitectar brancura em Aveiro, saloios a hortelar em Caneças, ganhões de pelico a lavrar em Odemira, árabes a apanhar figos em Loulé.
Metendo o barco pela terra dentro, é mesmo possível ir mais além. Assistir, em Gaia, à chegada do suor do Doiro, ver transformar em húmus as dunas da Gafanha, ter miragens nos campos de Coimbra, quando a cheia afoga os choupos, fotografar as tercenas abandonadas do Lis, contemplar, no cenário da Arrábida, a face mística da nossa poesia, ou cansar os olhos na tristeza dos sobreirais do Sado. Mas são vistas… Imagens variegadas dum caleidoscópio que vai mudando no fundo da mesma luneta de observação.”


Miguel Torga, in PORTUGAL

Um poema de M. C. Pinto


ELÓQUIO

A fome
é a comida dolorosamente saborosa
do pobre!
A opulência
é a comida voluptuosamente insípida
do rico!
A riqueza,
A fome...
Quanta riqueza
esfomeada eu tenho visto...

M. C. Pinto

In Jornal Miradouro

Nota: Com um abraço do colega de banca, Fernando Martins

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Dia Mundial do Ambiente - 5 de Junho



“A promoção da paz é claramente um ato ecológico, de promoção e de cuidado do ambiente, do cuidado do clima, do cuidado da casa comum, que é mais do que simplesmente o ambiente”

Juan Ambrosio, Teólogo

domingo, 31 de maio de 2026

CÁRITAS - Compromisso com o outro

"Comecei a perceber que a Cáritas é um pouco mais que um serviço, é um compromisso com o outro, com as suas necessidades, com a sua dignidade. Na Cáritas procuram-se alimentos, roupa, outros bens essenciais, mas no silêncio da espera percebemos que nas palavras mínimas e nos olhares, de quem nos procura, há sentimentos que pedem mais, pedem que os traduzamos... 
Todos os que ali chegam têm um lugar na alma... Quando recebemos um olhar que pede sem pedir, e nos devolve um sorriso tamanho quando alguém lhe dá a mão, não esquecemos que este é o caminho. Para muitos utentes apoiados, os alimentos que recebem são apenas uma das razões do sorriso, e do motivo porque vão ter conosco. Estou grata. E quanto carinho fui sentindo destas famílias, destes meninos... alguns são meus netos, porque de forma amorosa me abraçam e chamam de avó. 
Sigam em frente. Só assim podemos ampliar este espaço que acolhe, abriga, orienta e faz vislumbrar a confiança no amanhã, onde não há fins de histórias mas recomeços, onde as janelas se podem abrir e ver o sol entrar...! "

Rosa Varanda, voluntária da Cáritas Paroquial 
de Torres Novas, Diocese de Santarém

Nota:  Da Cáritas Portuguesa

A paz é possível

“Neste tempo de tensões e conflitos, a paz torna-se possível quando se quer escutar o grito de quem está privado dela: crianças inocentes, mães e pais angustiados, prisioneiros maltratados, refugiados, pessoas sofredoras de todas as idades. Todos têm nos lábios uma só palavra: paz!”

Leão XIV

sábado, 30 de maio de 2026

O Homem: criado à imagem de Deus?

Crónica semanal de Anselmo Borges


Parece estender-se cada vez mais a tentação de pensar que o Homem é um animal entre outros. Se diferença houvesse, não seria essencial e qualitativa, apenas de grau. Mas quem anda atento reconhecerá com certeza que a diferença entre o Homem e os outros animais não é apenas de grau, mas essencial e qualitativa. Pelo menos, é preciso manter a pergunta.
Também o Homem é corpo, mas um corpo que fala e que diz eu. Ora, um corpo que produz sons duplamente articulados, portanto, transportando sentido, é um corpo que transcende a animalidade. Que o ser humano não fica submerso na instintividade da vida prova-o o facto de, por exemplo, ao contrário do animal, no domínio da sexualidade, ser capaz de pesar razões, abster-se, pensar no que é melhor para si e para o parceiro, ter inventado o erotismo e também a pornografia, procurar técnicas anticonceptivas... O ser humano é dado a si mesmo como um eu único, senhor de si, em autoposse... Aí está a liberdade, a moralidade e, consequentemente, a responsabilidade: como diz a palavra, responde por si e pelos seus actos...

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Efeméride gafanhoa - Para não cair no esquecimento

Joana Rosa de Jesus
nasceu em 7 de Setembro de 1788


Em 7 de Setembro de 1788 nasceu Joana Rosa de Jesus, também conhecida por Joana Maluca ou Joana Gramata. Viria a falecer em 1878, com 90 anos de idade, portanto.
O apelido Maluca veio de seu marido, José Domingos da Graça, a quem chamavam “o Maluco”, no dizer do primeiro pároco da Gafanha da Encarnação, padre João Vieira Rezende, autor da Monografia da Gafanha.
Quando faleceu, Joana Maluca deixou nove filhos e 66 netos, que chegou a conhecer, tendo todos eles deixado prole.
Diz o Padre Rezende: “É claro que, uma geração tão numerosa e florescente, entroncada numa idade tão provecta, e a quem ela assistia como senhora, e rainha, deu-lhe o direito de crismar a sua povoação, a Gafanha-da-Gramata, com a alcunha que ela tinha recebido do marido. Era de justiça o privilégio, que os lugares circunvizinhos lhe concederam. Aparecer no local mal povoado uma macróbia, chefiando um povo de 66 netos, dava direito a consagração que ficasse marcando nas gerações futuras – mesmo como aproveitável lição contra as nefandas práticas do maltusianismo, agora em moda.“Ainda hoje [1944] existem na Gafanha da avó Maluca, na Gafanha-da-Maluca, muitos Domingos da Graça, seus descendentes, mais conhecidos por Malucos. Desta vez foi a Joana maluca quem deu o nome a esta Gafanha."

A caminho de casa

 

Um espetáculo entre Aveiro e Gafanha da Nazaré. E não resisti. Aqui fica o apontamento.

São Pedro do Sul

 
Hoje, por esta foto, fui de abalada até São Pedro do Sul e por lá andei e reviver momentos inesquecíveis!

domingo, 24 de maio de 2026

Surf - um desafio de verão


Aqui fica, para aventureiros, um desafio para este Verão...

Aveirenses Notáveis


Hoje apetece-me recomendar o livro que divulgo neste meu espaço. O título diz tudo.... Aqui fica uma sugestão. Acho que vale a pena. Bom domingo.

sábado, 23 de maio de 2026

PÁRA E PENSA: Onde e quando é a vida eterna?

Crónica semanal de Anselmo Borges
Padre e professor de Filosofia

Lembro-me perfeitamente. Eu estava em Tubinga, Alemanha quando, pela manhã, fui surpreendido por este título na primeira página do jornal: “O Presidente visita o Filósofo”.
François Mitterand fora falar com o filósofo Jean Guitton a sua casa, para perguntar-lhe o que é a morte. “Qual é a última barreira?” “Senhor Presidente, é muito simples. A última barreira é a morte”. “Mas... e depois da morte?” “Depois da morte é o que se chama o Além”. “Mas o que é o Além?” Aí, o conhecido filósofo católico, discípulo de Bergson, amigo de Paulo VI, observador no Concílio Vaticano II, respondeu que não sabia; precisamente “porque é o Além”.
Outro grande filósofo do século XX, Ernst Bloch, o filósofo ateu da esperança, deixou escrito que “o cristianismo, na concorrência com outros profetas da imortalidade e da sobrevivência, venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: ‘Eu sou a Ressurreição e a Vida’. No século primeiro depois do acontecimento do Gólgota, a ressurreição foi referida ao Gólgota de uma forma inteiramente pessoal, de tal modo que pelo baptismo na morte de Cristo se experiencia a ressurreição com ele. Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível.” 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Praia do Farol - um desafio


A Praia do Farol da Barra de Aveiro, na Gafanha da Nazaré, é um desafio para residentes e visitantes. Com esre sol brilhante, o desafio está lançado. Temos mesmo de aproveitar!

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Tranquilidade da nossa Ria!


De quando em vez, gosto de recordar a tranquilidade da nosso RIA. Pedaços da minha memória são tão saborosos!...

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