quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Ouvir o Padre Américo em tempo de crise



OUVIR O PADRE AMÉRICO
Paulo Rocha

Foi com surpresa que, no meio do trânsito, ouvi a voz do Padre Américo.
Na rádio pública evocam-se, nos "27 mil dias de rádio", os 75 anos de emissões. Entre os muitos registos que agora se voltam a ouvir, os arquivos da RDP guardam alguns minutos com a voz do fundador das Casas do Gaiato.
São gravações de 1946. Não identificam as circunstâncias em que o Padre Américo falava entusiasticamente de projectos que levava por diante. Afirmava a urgência da iniciativa e a necessidade de se abrirem mais casas para acolher, educar e formar rapazes "sem nome" de meados do séc. XX.
"Muitos que batem à porta, não sabem identificar-se, não comeram nunca alimentos preparados ao lume, vêm totalmente despidos de hábitos humanos. São de terras de ninguém".


O tom penafidelense do Padre Américo coloca muita paixão na descrição daqueles que mereciam afecto. Revela ainda mais dedicação a uma obra que, como começa por dizer, "nasceu pequenina". Não por falta de recursos ou pouca ousadia. Mas porque é esse o "costume das coisas grandes". Diz, de uma só vez, o Padre Américo, com saber feito de muito trabalho desenvolvido: "A nossa obra nasceu muito pequenina, como é costume das coisas grandes".
Nesta circunstância, a voz do Padre Américo, ouvida pela rádio, não é pretexto para avaliar pedagogias ou episódios, os felizes e também os menos felizes, que fazem parte da história de 70 anos das Casas do Gaiato. Antes para fixar a determinação de Américo Monteiro de Aguiar, do Padre Américo, num projecto de ajuda muito concreto, capaz de devolver a merecida dignidade às histórias de vida que conheceram o seu ideal. Também àqueles que, pela sua influência, beneficiaram de actos efectivos de ajuda na freguesia, na proximidade.
Hoje, cresce a ambição de resolver os problemas a partir do local onde quase todos nascem: o escritório. Encontros multilaterais, grupos de 8, 10 ou 20 países e muitas cimeiras... Infelizmente para muito aparato, algumas conclusões e poucas consequências reais na vida das Nações e das relações entre elas.
Do Pe. Américo fica um modelo transformador da sociedade porque capaz de mudar pessoas, devolvendo-lhes dignidade, tornando-as obreiras de justiça.
Como em 1946 disse o Pe. Américo, depois de muita obra feita, também hoje é pertinente afirmar: "nós somos hoje uma palavra nova que se levanta em Portugal. Que todos os portugueses se levantem também

Lugares da Gafanha da Nazaré

Cruzeiro antigo "A Gafanha da Nazaré estava dividida em diversos lugares, fundamentalmente para definir a residência dos seus moradores...