Visita ao Porto Canal

Crónica de Maria Donzília Almeida

Estação Porto Canal

Prof. João Silva
Contemplando Valquiria

Relvado

Bancadas
Pessoas que têm medo de pensar (fronemofobia),
ligam a televisão, para desligar o cérebro!
Steve Jobs

Fazendo jus ao slogan “Por um envelhecimento ativo”, que tem o seu expoente máximo no Prof João Silva, pela dinâmica que imprime às suas aulas e pela energia que dele emana, partimos para mais uma Visita de Estudo, organizada por ele.
Mais uma vez, o destino foi a Cidade Invicta.
É sempre bom revisitar lugares e gentes, onde deixamos um pouco de nós, e trouxemos um pouco, das pessoas que conhecemos e das experiências que vivemos. Devo confessar, sem desprimor para ninguém, que tive alunos brilhantes na Invicta. E os pais? Alguns mereciam um cantinho no Quadro de Honra e Excelência. O Aslam Sadrudrine Jamal, o menino persa, ocupa esse lugar, na minha memória…
Começamos por visitar o Porto Canal, um canal de televisão português dedicado a todo o território nacional, com uma programação diversificada em diversas áreas: informação, desporto e entretenimento. De facto, embora detenha conteúdos relativos ao FC Porto, é um canal generalista, que trata temas de todas as áreas, abrangendo todas as matérias. Estas são transmitidas, ao público, através de uma programação de qualidade, sendo a única estação televisiva com praticamente 100% de produção portuguesa própria.

Atualmente possui dois estúdios: na Senhora da Hora (Matosinhos) e no Estádio do Dragão. No centro de produção, na Senhora da Hora, é emitida a maioria dos programas de informação. Entre diversas melhorias, o estúdio de Matosinhos foi recentemente dotado de vários cenários virtuais e requalificado com as mais modernas tecnologias. No novo estúdio, localizado entre o Estádio do Dragão e o Dragão Caixa, são emitidos os programas de entretenimento e os espaços relacionados com o universo FC Porto.
O Porto Canal inicia as suas emissões a 29 de setembro de 2006, com uma programação que contempla uma forte aposta na informação de interesse específico, para concelhos que integram o Grande Porto.
Em janeiro de 2012, Júlio Magalhães é nomeado por Jorge Nuno Pinto da Costa, para diretor-geral do canal.
Numa nova fase, em 2016, depois de adquirido pelo FC Porto, a estação televisiva aposta ainda em novos programas de entretenimento, informação e desporto.
Numa visita guiada, fomos conduzidos por vários corredores e observamos os meandros de uma estação televisa: a sala de produção, a sala de maquilhagem, a régie, os malabarismos que acontecem no estúdio, com os vários cenários que mudam num ápice, graças às avançadas tecnologias.      
Seguiu-se a visita ao Estádio do Dragão, localizado na freguesia de Campanhã, sendo neste recinto que a equipa de futebol joga as suas partidas em casa.
Por imperativos da modernidade tornou-se necessário o enriquecimento patrimonial do FC Porto, dotando-o de um estádio funcional, mais cómodo e mais bem ajustado às exigências do futebol de mais alto nível e da excelência do historial portista.
A realização do Euro 2004 proporcionou a mudança do Estádio das Antas e o Dragão, obra da autoria do arquiteto Manuel Salgado, nasceu, localizado um pouco abaixo daquele que, com respeito pelo passado e orgulho no presente, substituiu enquanto palco da distinção azul e branca.
O Dragão tem capacidade para 50.035 espectadores e é dotado de valências únicas que, enriquecidas pela colocação de espaços verdes e pela reestruturação das vias anexas ao complexo desportivo, residencial e comercial, materializam uma nova centralidade no Porto. O Dragão afirma-se como ponto de referência desportivo e cultural da cidade e da região. Para muitos tripeiros, é o ícone da sua cidade.
A cerimónia inaugural ocorreu a 16 de Novembro de 2003, tendo como ponto alto, o encontro particular, entre o FC Porto e o convidado de honra FC Barcelona, terminando com vitória azul e branca por 2-0. Posteriormente, o Estádio do Dragão acolheu o jogo de abertura do Euro 2004, disputado entre as seleções de Portugal e da Grécia e foi palco da deslumbrante caminhada portista, rumo à conquista da Europa, na época 2003/04.
O glorioso FCP que alimenta o bairrismo exacerbado de uma multidão de portuenses e ainda mais de portistas, absorve de tal modo a atenção/energia dos adeptos ferrenhos do desporto-rei, que estes esquecem momentaneamente, a crise, o défice…e toda a corrupção que grassa neste país. O ópio do povo, no dizer de Carl Marx?
Como parte integrante do “Dragão”, está o Museu do FCP, visitado exatamente, no Dia Internacional dos Museus, em que a entrada foi gratuita.
Reúne um acervo de 120 anos de vida, indo para além de uma exposição de troféus (171 taças expostas, de uma coleção de milhares em reserva). Com todos os truques das TIC, proporciona ao visitante uma experiência sensorial, numa viagem pelos tempos do clube, feita com memórias vivas e com uma apresentação inovadora em multimédia.
 Inaugurado a 28 de Setembro de 2013 , dia do 120.º aniversário do FC Porto, o Museu corporiza uma nova centralidade no Estádio do Dragão. A descoberta da história do clube é um caminho que se inicia antes da entrada na área de exposição permanente, prolongando-se por 27 áreas temáticas. A chegada ao Museu causa um impacto imediato, pela exibição de uma enorme estrela azul, que anuncia o espaço e pela área de receção, dominada pela Valquíria Dragão. A obra é da artista-plástica, Joana Vasconcelos, na qual se destacam mais de 300 troféus e muitos outros elementos associados ao FC Porto.
Perante esta demonstração de fausto, ostentação, direi mesmo de megalomania, o português comum, que não se deixa ofuscar pela glória, nem se deixa arrastar pela psicologia das multidões, interroga-se com perplexidade: _Este país, que está nas ruas da amargura, terá motivos para tanto fogo de artifício?

18.05.2016

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