O fascínio da Ria de Aveiro

Marina do Oudinot

Não sei nadar. Na idade de aprender, num qualquer rego do Esteiro Oudinot, que ladeava o jardim do mesmo nome, na zona do pomar, estava eu doente dos pulmões. À época, não era como agora, em que os doentes se curam como se nada fosse. Mais ou menos, claro. Mas nem por isso perdi o fascínio pela Ria e suas ilhotas. Algumas, vistas de longe, exerciam sobre mim um fascínio especial, como a do Rebocho. 
Ainda hoje, quando contemplo a laguna, azul como o céu e com barcos ou sem eles, imagino-me a navegar e depois a correr mundo, qual navegador solitário, em busca de novas terras e novas gentes. Nem só nem acompanhado. Estou condenado a cultivar o meu imaginário. Ao olhar para esta imagem, com barquinhos serenos e em posição de deixar as amarras, hoje vou de abalada num deles, apenas pela nossa Ria, para sentir de mais perto a maresia que me alivie as dores de cabeça que me incomodam nesta manhã. Pode ser que os sonhos se sobreponham aos incómodos.
Bons sonhos para o fim de semana que se avizinha.

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