NATAL DA FRATERNIDADE





1. Desde tenra idade, já com mais de sete décadas, habituei-me a sentir que Natal é tempo de fraternidade e de paz. Lembro-me bem da expressão “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”, expressão que continua presente no meu espírito. Durante o ano, várias vezes a pronuncio, qual compromisso que assumi para a vida.
Quando ouço dizer que Natal é quando o homem quiser e não apenas e só no dia 25 de dezembro de cada ano, julgo que haverá muita razão para assim pensar. Contudo, como crente, entendo que a festa do nascimento de Jesus, carregada de simbologia, terá muito sentido, como ponto de partida, ano a ano anunciado, para um renascimento espiritual nesta sociedade de matriz cristã que é a nossa. Para mim e decerto para muitos outros, o cântico “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade” tem de fazer parte integrante da nossa identidade cristã, vivida em todas as circunstâncias e contra ventos e marés, no respeito absoluto pelos que não comungam dos nossos ideais.

2. Também desde sempre associei o Natal à festa da família por excelência. A família reúne-se quando calha, formal ou informalmente, nos aniversários, na Páscoa, nas festas dos padroeiros, na chegada de algum membro após tempos de ausência, nos batizados, casamentos e nos aniversários, na celebração de certas datas e em tantos e diversas ocasiões, porém, não há dúvida de que a consoada é muitíssimo congregadora. É a festa da família que torna a noite mais silenciosa do ano. Nas ruas, ontem como hoje, a noite é marcada pela ausência de trânsito automóvel e circulação de pessoas. 
Todos, à volta da mesa, falam, evocam, riem e discutem cenas do dia a dia, do ano, do que se fez e não fez, do que urge fazer. Enquanto se come e bebe com alegria, normalmente sem exageros, que a vida longa de alguns não pode ir por abusos. 

3. À roda da mesa, sem lugares marcados, não falta quem fique por momentos silencioso. Há lugares vazios com memórias dos que fisicamente já não podem falar da qualidade do bacalhau, dos dulcíssimos bilharacos e rabanadas, do vinho que se bebe, das prendas “magicamente” postadas no borralho, debaixo da chaminé bordejada por papéis ou adereços de pano coloridos. Não podem, mas nesses momentos sagrados nós ouvimo-los, temos presente as suas opiniões, as suas estórias, os seus sacrifícios e canseiras para que nada nos faltasse nas nossas infâncias e juventudes.
Sem medo de errar, julgo que as festas natalinas são as mais propícias às recordações daqueles que têm lugar garantido nos nossos corações e à harmonia familiar.

4. Para os crentes, o Natal tem de ser um desafio a permanentes e ousados gestos de partilha e paz interior que transborde para tudo quanto nos cerca. O Natal tem de ser luz que irradie ternura, bondade e caminhos de verdade, de justiça e amor. Jesus não é a nova Luz da Humanidade?

Bom Natal na alegria de Jesus Renascido

Fernando Martins


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