terça-feira, 15 de abril de 2008

AVEIRO: Cidade há quase 250 anos






Aveiro completará 250 anos de cidade em 2009. Foi em 1759 que o rei D. José elevou Aveiro a cidade, poucos meses depois de ter condenado ao cadafalso o último duque, acusado de ter participado no atentado contra o rei. Será que esta elevação a cidade correspondeu, de algum modo, a um arrependimento real pela condenação à morte do duque?
O que se sabe, de concreto, é que no dia 11 de Abril de 1759, o rei, “considerando a situação natural, povoação e circunstâncias que concorriam na vila de Aveiro e nos seus habitantes, e folgando pelos ditos respeitos, e por outros que inclinaram a sua real benignidade, houve por bem elevar a dita vila de Aveiro, notável por mercê filipina, à dignificante categoria de cidade”. (Calendário Histórico de Aveiro)
Deixando isso, penso que Aveiro tem de celebrar este aniversário com acções abrangentes, desde culturais e artísticas, até sociais, religiosas e desportivas. Importante será, a meu ver, envolver toda a população, nomeadamente os jovens. Porque é preciso mostrar o esforço dos nossos antepassados, numa luta constante pelo progresso a todos os níveis.
Festas, celebrações, concursos de vária ordem, exposições, cortejo etnográfico, jogos desportivos e arraiais populares, reedições de obras de autores aveirenses do passado, de tudo um pouco deve haver nas festas da cidade. Que hão-de ser feitas.
FM

SEM PAZ, NÃO HÁ FUTURO!


Neste último sábado, dia 12 de Abril, Bento XVI, numa mensagem dirigida ao Conselho Pontifício Justiça e Paz, reunido no Vaticano, com o fim de debater e analisar o tema “Desarmamento, desenvolvimento e paz. Perspectivas para um desarmamento integral” no mundo, dirigiu um forte apelo a todos os participantes, neste seminário, para que se caminhe na direcção do desarmamento global, construindo, em simultâneo, as bases para uma “paz justa e duradoura”.
“Renovo o apelo para que os Estados reduzam as suas despesas militares para o armamento e tomem em séria consideração a ideia de criar um fundo mundial destinado a projectos de desenvolvimento pacífico dos povos” – afirmou o Papa.
Mais adiante, Bento XVI salienta que “A produção e o comércio de armas estão em contínuo aumento e vão assumindo um papel decisivo na economia mundial. Há uma tendência para a sobreposição da economia militar à civil.”
Admitindo que cada Estado tem o direito à sua própria defesa, o Papa não deixou de referir que este direito tem que estar sustentado nos “princípios da “suficiência” e da “proporcionalidade”, tendo em conta os “perigos que o Estado corre, pelo que não é lícito qualquer nível de armamento.”
“Podem existir – observa o Papa – guerras desencadeadas por graves violações dos direitos humanos, pela injustiça e pela miséria, mas não se deve esquecer o risco de autênticas guerras do bem-estar, isto é, causadas pela vontade de expandir ou conservar o domínio económico em prejuízo dos outros.”
“No plano económico é necessário o empenho das autoridades para que a economia seja orientada para o serviço da pessoa humana e da solidariedade e não só para o lucro. No plano jurídico, os Estados são chamados a renovar o próprio empenho, em particular o respeito dos tratados internacionais, já em vigor, sobre o desarmamento e o controlo de todos os tipos de armas, bem como a ratificação e a consequente entrada em vigor dos instrumentos já adoptados” – adianta Bento XVI na sua mensagem.
O Papa pede esforços contra a proliferação de armas ligeiras e de pequeno calibre, “que alimentam as guerras locais e a violência urbana, e matam, demasiadas pessoas, todos os dias, no mundo inteiro”, terminando a sua comunicação com palavras de esperança: ”Chegou a hora de mudar o curso da história, de recuperar a confiança, de cultivar o diálogo, de alimentar a solidariedade perseguindo o caminho de “um humanismo integral e solidário.”
Já o secretário do CPJP, D. Giampaolo Crepaldi, frisou que, no decorrer dos trabalhos, foi repetida uma posição favorável ao uso do nuclear, desde que “para fins pacíficos”, ao mesmo tempo que os seus participantes se mostraram preocupados com os “sinais inquietantes”, surgidos nos últimos tempos, que fazem temer uma “militarização do espaço”.
Ainda ontem, dia 14 de Abril, partilhava, com os caros leitores, um texto com o título “ONU: QUE FUTURO?”, em que procurava fazer uma breve reflexão sobre o papel desta Organização no fomento da paz, da justiça e do desenvolvimento dos povos e do mundo, que, como escrevi na altura, deixa, a meu ver, infelizmente, muito a desejar.
No mesmo dia, a Agência Ecclesia transmitia-nos notícias relacionadas com os trabalhos, neste passado fim-de-semana, do Conselho Pontifício Justiça e Paz, no Vaticano, os quais, de algum modo, estão interligados com o texto que escrevi.
O mundo atravessa, a vários níveis, uma crise séria e profunda e a tendência parece ser a do seu agravamento. Os cristãos e os homens de boa vontade têm um compromisso com a esperança e o amor, do qual não podem abdicar nem responsabilizar só os outros.

Vítor Amorim




segunda-feira, 14 de abril de 2008

CATÓLICOS ULTRAPASSADOS PELOS MUÇULMANOS


Notícias destes dias dizem que, pela primeira vez na história da era cristã, os católicos foram ultrapassados, em número, pelos muçulmanos. Os católicos, mas não os cristãos, que estes, com as várias Igrejas, ainda vão à frente. Os muçulmanos, que também estão divididos, foram considerados como um todo, nesta contagem, não obstante guerrearem-se entre si.
Penso que temos aqui uma boa razão para nos debruçarmos sobre o porquê de a Igreja Católica estar a ser ultrapassada, se olharmos, apenas, para os números das estatísticas. Há meses, os Bispos portugueses foram aconselhados pelo Papa, na visita Ad Limina, a reflectirem sobre a melhor maneira de os católicos se assumirem na sociedade, testemunhando a fé que dizem ter. A grande maioria dos portugueses afirmam-se católicos, mas na realidade sabe-se que não é verdade. Do dizer ao ser vai uma grande distância. E no mundo a situação deverá ser muito semelhante ao que se passa entre nós, salvo o devido respeito pelas diferenças históricas, culturais, políticas e sociais de cada povo.
Não há dúvida de que ainda temos muitos crentes que participam nas missas dominicais, mas todos reconhecerão que alguns deixam, nos templos, a fé que mostram ter. Na vida, admito, agem como se a mensagem evangélica não fosse para o dia-a-dia. E não havendo quem testemunhe, dificilmente se conquistarão adeptos e adesões.
Quando os bispos chegaram do Vaticano ouvi, entre certos católicos, que urgia reflectir sobre o posicionamento de cada um e de todos no mundo do trabalho, do lazer, da família, da cultura, das artes, da economia, da comunicação social (onde raramente os católicos se posicionam como tal), da solidariedade, etc. Contudo, e não obstante alguns esforços pontuais que decerto haverá para responder ao desafio do Papa, tudo continua como dantes. Eu sei que na Igreja, uma instituição com o peso de muitos séculos, as mudanças e as adaptações se processam muito cautelosamente. O pior é se, por causa dessas cautelas, não se avança mesmo nada. Mas como de pessimistas está o mundo cheio, vamos acreditar que o Espírito Santo não dorme e que alguns caminhos de renovação há-de suscitar em quem está no seio da Igreja, como primeiros responsáveis ou como simples baptizados, na certeza de que todos têm a obrigação de evangelizar e de catequizar.

FM

Na Linha Da Utopia


O ambiente da chama olímpica

1. A chama olímpica anda a tentar percorrer o mundo. O que seria um percurso de festa e sensibilização para o saudável espírito dos jogos olímpicos tem sido um complexo labirinto que reflecte as luzes e as sobras da actualidade. Para a causa do Tibete é a hora inadiável, para Pequim os Jogos começam mesmo a ficar mal assinalados, agora também que o Secretário-Geral das Nações Unidas confirma que, por motivos de “agenda”, não irá estar presente na inauguração oficial dos Jogos. Quanto à chama olímpica, essa, sem ter culpa nenhuma dos males dos homens, por diversas vezes teve de ser protegida para não ser apagada de vez, pois a sua passagem transporta bem mais que uma lamparina acesa... Afinal, a chama olímpica tem verdadeiro sentido quando existe o pressuposto da paz entre os povos; pelo contrário, antes de tudo e depois e tudo, não há ambiente para grandes festas quando é ferida a “chama humana” fundamental da dignidade da pessoa humana.
2. Não sabemos como será a chegada a Pequim da labareda olímpica. Sabe-se, pela ordem física das coisas, que para uma chama arder tem de ter condições ambientais de oxigénio. A China (como alguns designam de) a actual “fábrica do mundo”, para onde se foram deslocando na última década milhares de fábricas pela sedução da mão-de-obra barata, hoje respira um ambienta nada propício para festas e acontecimentos. Nestes dias que faltam até Agosto, o esforço é enorme; mas a sua sustentabilidade humana e ambiental continua duvidosa. Os alertas do próprio Comité Olímpico Internacional estão aí e, por exemplo, já referiram que, no caso de excessiva poluição que impeça condições razoáveis, a prova da maratona pode ter que ser adiada. Do esforço registe-se que algumas fábricas já pararam, que os automóveis estão a ser retirados de certas estradas; os cientistas botânicos chineses estão já há muito a trabalhar, tanto para haver mais árvores dadoras de oxigénio como para o embelezamento florido dos canteiros de flores em Agosto.
3. Tudo num país “acordado” que quer passar uma boa “imagem”. Mesmo num cenário em que as questões ambientais apresentam-se dramáticas, pois Pequim (com 17,4 milhões de habitantes) é uma das cidades mais poluídas do mundo, sendo que na China, segundo o relatório do Banco Mundial de 2007, a poluição do ar nas cidades causa, anualmente, próximo de 400 mil mortes prematuras e a má qualidade da água provoca mais de 60 mil. Números e realidades dramáticas que a chama olímpica quer destronar.
Não só para os jogos, mas para ficar gerando uma nova consciência humana e ambiental. Haverá condições para tal meta de sustentabilidade futura? Os próximos meses serão decisivos, ou talvez não. Os Jogos Olímpicos já muitas vezes foram “usados” como artimanha de poderio imperial e ilusão de imagem. Estes jogos não são bem vindos mas sim os jogos que querem representar projecto dignificante de humanização humana.

PAPA NOS EUA


Começa amanhã, terça-feira, a primeira visita do Papa Bento XVI aos EUA. A visita decorrerá até ao dia 20 de Abril, estando agendadas passagens por Washington e Nova Iorque.
Bento XVI discursará na ONU e visitará, num gesto extremamente simbólico, os locais dos atentados do 11 de Setembro. Tanto num local como noutro, segundo o Vaticano, os Direitos Humanos serão parte central das intervenções do Papa.
Estão previstos, entre outros, 11 discursos e homilias, encontros com o presidente Bush, universitários e jovens católicos, líderes cristãos e representantes de outras religiões. Na ONU, receberá, em privado, o Secretário-Geral, o Presidente da Assembleia-Geral e, ainda, 60 representantes daquela organização internacional.
Bento XVI será o terceiro Papa a visitar os EUA, estando garantida uma cobertura mediática, capaz de mostrar ao mundo o que pensa e aconselha o Santo Padre a todos os homens de boa vontade. Haverá, disso estou certo, razões para estarmos atentos.

A beleza do mundo animal


A beleza do mundo animal está bem patente nesta foto que me foi enviada pelo amigo das lides jornalísticas Carlos Duarte, fotógrafo por paixão. E aqui ficam os meus votos de que continue sempre em busca dos melhores ângulos.

ONU: QUE FUTURO?


“Nós, os povos das Nações Unidas, decidimos:
A preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que, por duas vezes, no espaço de uma vida humana, trouxe sofrimentos indizíveis à humanidade;
A reafirmar a nossa fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como das nações, grandes e pequenas;
A estabelecer as condições necessárias à manutenção da justiça e do respeito das obrigações decorrentes de tratados e de outras fontes do direito internacional;
A promover o progresso social e melhores condições de vida dentro de um conceito mais amplo de liberdade;”
Este texto consta da Nota Introdutória da Carta das Nações Unidas, assinada na cidade de São Francisco, a 26 de Junho de 1945, pelos Estados-membros seus fundadores.
Ninguém deixará de concordar com estes princípios e que a sua aplicação real seja feita, de modo a que cada continente, cada país, cada povo, cada etnia e cada homem se sintam, apesar das suas naturais diferenças, iguais entre si, em direitos e deveres, na medida que todos são cidadãos de uma mesma casa comum: a Terra.
Infelizmente, a realidade do mundo actual dá-nos conta de que, ao fim dos seus 63 anos, após a sua fundação – 24 de Outubro de 1945 –, a Organização da Nações Unidas (ONU) está longe de conseguir aplicar os princípios a que ela mesmo se propôs, assim como dá sinais, evidentes, de uma flagrante inoperância, incapaz de inverter a dinâmica de injustiças, conflitos, guerras, pobreza e doenças que, cada vez mais, se vão instalando um pouco por todo o mundo.
Desde há muito que se discute a eficácia real da ONU e a sua capacidade para fazer face aos problemas reais do mundo contemporâneo e esta questão já não é ignorada por nenhum dos seus actuais 192 Estados-membros.
De facto, como é possível que a ONU possa ter uma estrutura moderna e funcional, capaz de encontrar soluções e propostas para o mundo de hoje, se ela própria, ao longo dos seus quase 63 anos de existência, não sofreu nenhuma reforma de fundo, capaz de reavivar os princípios éticos e morais da sua própria Carta de valores.
É evidente que não é por acaso que isto sucede e se deixou chegar a ONU ao ponto em que chegou.
Teoricamente, todos os Estados-membros têm os mesmos direitos e deveres, só que, na prática, estes princípios não funcionam, havendo Estados-membros de primeira e de segunda categoria.
No dia 9 de Abril, do corrente ano, o antigo presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, numa conferência, no auditório da Fundação Serralves, no Porto, afirmava: “É urgente reestruturar as bases da ONU, para que adquira força de se impor ao mundo e não esteja dependente do veto de alguém, o que, muitas vezes, obriga que os Estados tenham que andar a negociar aquilo a que aspiram e lhes cabe por direito e justiça própria.”
Criada logo a seguir ao final da II Guerra Mundial e passando por todo o período da Guerra Fria (1945-1991), os pressupostos da sua criação e da sua posterior manutenção já não existem, nos mesmos termos de há 63 anos atrás. O mundo tem mudado muito.
Num mundo em que emerge, notoriamente, a ideia de que ninguém se entende sobre as grandes questões mundiais e onde faltam líderes fortes e mobilizadores da sociedade humana, a ONU tem que abandonar a mediocridade geral instalada e tornar-se numa Instituição credível e responsável, ao serviço de todos os povos e do mundo.
Vítor Amorim

domingo, 13 de abril de 2008

AÇORES - A minha homenagem

O João Paulo, cicerone, e a Lita

A colocação de um filho nos Açores, como professor, permitiu-me sentir, na pele e no espírito, a realidade da ausência. Eu sei que hoje a vida obriga a isso, como outrora obrigava à emigração, quantas vezes sem regresso. Não é o caso. Os Açores são Portugal, indubitavelmente. Pelas suas ilhas, que eu saiba, não há sinais de independência nem mal-estar em relação ao "continente" e aos "continentais".
A minha homenagem vai, então, para quantos, deixando o seu meio, são obrigados, por força das circunstâncias e por necessidade de trabalho, a dar um salto até aos Açores.

Na Linha Da Utopia


A Vocação

1. A palavra “vocação” conduz-nos pelo sentido de uma “chamada”. Mas para esta ser atendida e escutada devidamente exige as justas condições de sintonia e identificação. Talvez, em tempos de uma certa sobrevivência apressada, a palavra “vocação” contenha hoje das dinâmicas mais importantes. Vale a pena começar por ir ao dicionário: «Vocação: s.f.: acto de ser chamado para um determinado fim; inclinação e predisposição para um certo género de vida, profissão, estudo ou arte; tendência; talento; jeito» (dicionário da língua portuguesa). Não é de forma instantânea e fácil que se obtém a plena realização humana; quantas vocações pessoais e profissionais são “aprendidas” ao longo do caminho da vida. Mas também esse sentir-se chamado a algo não se pode situar meramente naquilo que é o “si mesmo”, pois quando se diz que um profissional tem mesmo vocação para esta ou aquela forma de vida é porque serve bem a comunidade. Consciência de vocação é (viver para o) serviço.
2. Já quando as coisas estão desajeitadas, quando ‘a bota não dá com a perdigota’, pode-se ter motivo para dizer que não existe uma identificação plena e realizante com a função que se desempenha, ou então existem outros fins que não o serviço. Outras circunstâncias também existem de vocações (a determinadas profissões bem vistas socialmente ou a certas formas de vida do âmbito da conjugalidade) que, na onda do hábito, pesam mais pelo factor social que por uma opção consciente e escutada profundamente. A este propósito, por vezes, pode haver razão para se dizer, por exemplo, quantos casamentos realizados sem uma inteira vocação, sem levar inteiramente à consciência aquilo por que se opta...(?) Quantas vezes a superficialidade do mais fácil faz com que não se tenha mergulhado nas águas profundas do ser para se conhecer a si mesmo e iluminar na recta consciência os projectos de vida com as suas exigências…(?)
3. Um grande enriquecimento será a capacidade de se ir aprofundando todos os dias a sua própria vocação, o mesmo será dizer, ir pensando a vida e discernindo os caminhos do futuro. Este, hoje, é um valor fundamental que proporciona a identificação da vida de cada dia com o ideal sempre mais elevado que se procura. Sem a sabedoria desta viajem pode-se cristalizar no tempo, deixando apagar a luz interior que comanda uma vida com sentido. Talvez a sociedade, mais do que nunca, precise de uma reflexão transversal e estimulante sobre a vocação à vida e ao serviço, sobre o lugar das diversas vocações humanas e existenciais como riqueza espiritual e opcional de ser humano. Sendo que, por vezes, quando se fala do conceito “vocação” se leva (errada pois) exclusivamente para o campo do religioso, também talvez tal aconteça porque se lhe reconhece grandeza humana e espiritual que está bem acima das coisas práticas. Uma aspiração/convite a todos!
4. Na semana passada a Igreja Católica propôs-se à coragem de reflectir (45ª Semana), em todo o mundo, a problemática das vocações. Profetismo de renovação estrutural à luz do “essencial” ou simples manutenção de modelos? (Por exemplo: que concepção/acção ainda existe em relação ao “lugar” da mulher na Igreja? A sociedade ensina…) Claro que para quem quer “ver” é verdade inadiável, neste tempo, a aprendizagem do pluralismo no contexto das vocações como serviço dedicado à comunidade. Nada de novo que continua sendo tarde… Tudo depende (ou não) do querer, pelo menos, reflectir o futuro! Tem-se dado preferência ao passado…

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios - 18 de Abril

Do museu paroquial da Gafanha da Nazaré

"Considerando que a expressão cultural da religiosidade, enquanto dimensão humana universalmente presente, constitui um dos mais importantes componentes do património no mundo actual, e é uma das principais marcas da paisagem cultural portuguesa, propõe-se, no dia 18 de Abril de 2008, dedicar um olhar especial ao património religioso e aos espaços sagrados nas suas múltiplas dimensões - humana, social, cultural, simbólica e memorial."
NOTA: No dia 18 de Abril, Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, teremos, se quisermos, uma excelente oportunidade para reflectir sobre o nosso Património Histórico, de expressão religiosa ou outra. É sabido que as comunidades nem sempre estão vocacionadas para cuidarem e olharem para a riqueza cultural que integram no seu seio. E porque assim é, considero de fundamental importância a constituição de núcleos ligados às escolas, autarquias e demais instituições e entidades, com o objectivo, essencial, de preservar e divulgar o Património Histórico, marca indelével do passado e garantia cultural do presente e do futuro.
FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 73

A "casinha" da escola da Ti Zefa

AS CASAS DE BANHO

Caríssima/o:

Não é por acaso que hoje se mede a eficiência das autarquias pelos serviços de água e de saneamento. Curiosamente este até é o ano da água; e talvez ainda mais curioso é a ostentação da garrafinha para se ir bebericando o precioso e caro líquido.

Mas nem sempre foi assim. No nosso tempo de meninos e moços era vulgar matar a sede com a água que ficava pelas valetas e até pelas poças, afastando os ciscos e um ou outro peixe-sapo! Note-se que a água era límpida e corrente...

Quanto ao saneamento, bem: tenho dito!
Quer dizer: a terra consumia os dejectos que nela se lançavam. Pode dizer-se que havia equilíbrio biológico. Estava em voga aquela máxima: “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!” Tudo era reciclável!
Claro, de quando em vez, havia uma epidemia... [coisas do passado; hoje não as há, apenas endemias!]... que “limpava o sarampo” a uns/umas tantos/as.
Isto a propósito das “casas de banho”, propriamente chamadas “casinhas”.
- Senhor/a Professor/a, posso ir à casinha?- suplicava-se em ocasião de manifesta dificuldade.
E não é que numa dessas escolas era mesmo uma casinha de tábuas carcomidas e sem pintura? Aí fica a fotografia (creio que o Ângelo ainda se lembrará; já tem uns anitos: 1960!) e os comentários... por tecer.
Nas outras escolas a “desgraça” não era tanta, mas a higiene e a limpeza faziam-lhe parelha.

Este era, também e logicamente, o retrato do que se passava na maior parte das habitações da nossa terra; que nos lembremos que os campos de milho eram o mais frequentado quarto de banho dos nossos areais.

[ Seria interessante e muito proveitoso que outros/as participassem com as suas achegas, como alguns já fizeram. Atingir-se-ia mais exactidão e maior riqueza de pormenores. Os anos vão passando e há coisas que nos parecem incríveis... Com o meu abraço grato, aqui fica novamente o pedido: o espaço é vosso!]

Manuel

sábado, 12 de abril de 2008

Morreu o jornalista Ângelo Granja

O antigo jornalista Ângelo Granja faleceu este sábado, em Viana do Castelo, aos 67 anos, na sequência de complicações surgidas após uma operação cirúrgica aos intestinos. Natural do Porto, Ângelo Granja foi chefe de redacção do ‘Diário Popular’, em Lisboa. :
NOTA: Porquê esta referência no meu blogue? Pela simples razão de que Ângelo Granja foi o primeiro jornalista a fazer uma grande reportagem, para o “Diário Popular”, que foi publicada em 21 de Dezembro de 1966, defendendo a elevação da freguesia da Gafanha da Nazaré a vila. Veio a minha casa, com o jornalista Daniel Rodrigues, então correspondente daquele diário em Aveiro, para que o acompanhasse nas entrevistas que era necessário fazer. Dei-lhe as dicas necessárias, sugeri-lhe as pessoas com quem devia falar e mostrei-lhe a freguesia, viajando de carro por algumas ruas e passando por pontos estratégicos. No final, minha esposa preparou um lanche. A reportagem tinha por título “Do deserto nasceu um oásis... A Gafanha da Nazaré luta pela sua elevação à categoria de vila”. Dias depois, e tendo em conta que o "Diário Popular" era um jornal de grande expansão, Portugal ficou a saber que a Gafanha da Nazaré desejava ser vila. O presidente da Junta de Freguesia era o conceituado comerciante Albino Miranda e o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo era o Dr. Amadeu Cachim, ao tempo, também, director da EICA (Escola Industrial e Comercial de Aveiro.
FM

Acordo ortográfico


Já li o livrinho – atual O novo acordo ortográfico O que vai mudar na grafia do português – de João Malaca Casteleiro e Pedro Dinis Correia, que apresenta as alterações produzidas pelos países de língua oficial portuguesa. A primeira impressão com que fiquei diz-me que não haverá problemas nenhuns no futuro, e que tudo será ultrapassado com facilidade pelos que escrevem o português, um pouco por todo o mundo.
Já passei, ao longo da vida, por algumas alterações ao português, sob o ponto de vista ortográfico, e não morri. Em Portugal temos um certo prazer em contestar tudo o que seja novidade. Foi assim com a adoção da moeda única. Afinal, o povo depressa aceitou o euro. Com as alterações ortográficas, será o mesmo. E não vale a pena gritar muito, porque as línguas vivas têm de evoluir, adaptando-se à vida e procurando a simplificação, para melhor as pessoas se entenderem.
Qualquer dia, os computadores estarão disponíveis para nos ajudarem. Mais fácil, pois, tudo ficará.
Como é normal, neste curtíssimo texto já respeitei algumas regras, embora a isso ainda não esteja obrigado.

FM

Bombeiros de Ílhavo celebram 115 anos


A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo celebra 115 anos de vida. Bonita idade, com muitas histórias para contar. Histórias de vidas salvas, de pessoas que sofreram as agruras das catástrofes naturais, de incêndios incontroláveis, de desastres terríveis. Mas também de alegrias de gente que ajudaram a nascer.
Confesso que tenho uma admiração muito grande pelos Bombeiros. Comovo-me até quando os vejo, na televisão, e na vida, em luta contra os fogos e na atenção com que prestam os cuidados necessários a pessoas acidentadas.
Abnegados até à exaustão, disponíveis 24 horas por dia e durante todos os dias das suas vidas, os Bombeiros dão-nos extraordinários exemplos de amor ao próximo e de disponibilidade para acudir a quem sofre. Merecem, por isso, todo o nosso carinho e apoio.
Os Bombeiros de Ílhavo, que são a nossa gente, merecem os nossos parabéns.

Papa apela a desarmamento global


Bento XVI deixou este Sábado um forte apelo à comunidade internacional, para que empreenda o caminho do desarmamento global, construindo as bases de uma “paz duradoura”. “Renovo o apelo para que os Estados reduzam as despesas militares para o armamento e tomem em séria consideração a ideia de criar um fundo mundial destinado a projectos de desenvolvimento pacífico dos povos”, apontou.
Ler mais na Ecclesia

O CARAMULO DE CASAL AMIGO


Tenho muitos amigos. Terei, decerto, também alguns inimigos. Dos primeiros lembro-me sempre. Dos outros, raramente. Dos amigos, frequentemente, aprecio a disponibilidade, a abertura ao diálogo, a franqueza, a compreensão e a paciência com que me ouvem.
Dos amigos recordo as conversas, as intimidades, os projectos em comum, os passeios partilhados, a atenção com que me acompanham nos momentos difíceis. De todos gostaria de contar histórias dessas amizades, mas reconheço que não é fácil. E alguns, disso estou certo, talvez nem gostassem. As intimidades de algumas cumplicidades são para ficar entre amigos.
Mas hoje, a propósito das fotos que publico do Caramulo, permitam-me que recorde momentos agradáveis em que um casal, servindo de cicerone, me mostrou a serra, levando-me a conhecer recantos que nem a minha imaginação poderia suspeitar. E com que disponibilidade o fez, de mistura com o prazer de quem mostra tesouros pouco vistos.

FM

APONTAMENTOS SOBRE RELAÇÕES IGREJA(S)-ESTADO (1)


1 A declaração do arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, reeleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa - "o Estado democrático não pode ser militantemente ateu" - só pode entender-se como manifestação de profundo desagrado face ao Governo actual. Mas é incorrecta e infeliz. De facto, vive-se, em Portugal - e bem - num Estado laico, portanto, com separação da(s) Igreja(s) e do Estado, de tal modo que este não pode ser militantemente ateu nem militantemente católico ou muçulmano, por exemplo. No domínio religioso, é sua função salvaguardar e defender a liberdade religiosa de todos.
Pode ler todo o artigo de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

EDUCAÇÃO, JÁ!


Foram necessárias umas imagens televisivas (neste caso gravadas por um telemóvel) para que os portugueses se pusessem a falar sobre a violência e a indisciplina que se vai fazendo sentir em alguns estabelecimentos de ensino, em Portugal.
A constatação de que vivemos numa sociedade apática ou conformada, cansada ou anestesiada, e que só se dá conta de que as coisas existem ou acontecem quando aparecem na televisão, parece evidente. Teremos que aguardar que novas imagens surjam, na TV, para continuarmos a falar deste ou de outros assuntos? Se resposta é sim, mal vamos!
E que dizer das 184 denúncias, por violência, recebidas pela linha SOS Professor? E das 7028 ocorrências, que vão do furto à agressão, registadas pelo programa Escola Segura? Tudo isto, e muito mais, são dados relativos, apenas, ao ano lectivo 2006-2007!
Provavelmente, para alguns, o mais fácil é dizer que a culpa é dos pais e as coisas já poderiam ficar por aqui, quanto a responsáveis.
Os sindicatos, dirão que os professores não têm meios para exercerem a sua autoridade profissional na escola e a culpa, sendo, também, dos pais, é, em primeiro lugar, do Ministério da Educação.
Se ouvirmos os pais, a responsabilidade é dos professores, que deviam exercer a sua autoridade, mesmo sobre os seus próprio filhos, apesar de existirem pais que, logo que podem, vão, eles próprios, agredir os professores, sempre que estes exercem a autoridade, resultante do exercício da profissão de educadores dos filhos. Paradoxos!
Há quem diga que o estatuto do aluno não fomenta a autoridade dos professores e das escolas, por ser demasiado brando, já que a sanção máxima prevista é a da transferência do aluno para um novo estabelecimento de ensino, o que pode ajudar a indisciplina.
Dizem, outros, que o sistema de sanções, além da transferência, é muito burocrático e moroso, o que desmotiva os professores em aplicá-lo, daí a permissividade.
Já no passado dia 3 de Abril, do corrente ano, o P.G.R. afirma que já há crianças, a partir dos seis anos, com pistolas nas escolas, para não falar das centenas de facas ou navalhas que circulam no interior e exterior dos estabelecimentos de ensino.
O Ministério da Educação, não podendo negar os factos, diz que está tudo controlado.
Se somarmos a isto a droga, que vive, lado a lado, com estes estabelecimentos, ou seja, com os alunos, temos uma situação muito preocupante na educação, em Portugal.
Talvez por nunca ter sido professor, não consigo entender como é que estes podem dar aulas quando têm medo dos alunos, dos pais e sei lá mais do quê! Serão mesmo aulas?
E mesmo que haja pais que não eduquem os filhos, isso implica que os professores deixem de ter autoridade para exercer as suas competências profissionais?
É verdade que a escola pública reflecte muito do bom e do mau que afecta a sociedade. Neste caso, um mal profundo, sinal de uma grave crise de valores, permissiva, sem referências de conduta e sem regras para uma socialização sã e solidária.
Há que dar, rapidamente, os instrumentos que devolvam às escolas e aos professores a legítima autoridade e disciplina, que devem exercer, em tempo útil e eficaz para todos.
Aos alunos e encarregados de educação devem ser dadas a conhecer as “regras da casa”, sempre simples, claras, de fácil interpretação e aplicação para todos.
Exigir resultados e objectivos bem definidos e rápidos a toda a comunidade escolar é o mínimo que se lhe deve pedir. Só assim, se podem separar os que teimam em não cumprir as regras estabelecidas, legitimamente, daqueles que cumprem e se esforçam em obter os melhores resultados escolares possíveis.
É tempo de se começar a saber com quem se conta para ensinar e disciplinar e com quem não se conta para aprender e obedecer.
Vítor Amorim
Nota: Foto do meu arquivo

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Imagens de Aveiro

 


Aqui fica um desafio, muito simples, para visitarem a cidade dos canais. Presentemente, o turismo cresceu imenso

Blogues aumentam transparência


Diz o Jornal de Notícias de hoje que o guru da blogosfera Bruno Giussani defendeu ontem, em Lisboa, nas Conversas da Unicer, que os blogues aumentam a transparência das empresas e a sua proximidade com o público, clientes e accionistas, dando-lhes a sensação de que conhecem, entendem e participam no funcionamento da companhia.
Para o investigador, empresário e ex-director de estratégia do Fórum Económico Mundial de Davos, o "blogging" é "um desafio" que precisa de ser interiorizado, fomentado e aprendido pelas empresas, até entrar na rotina.Apesar dos cerca de 20 mil "bloguistas" portugueses, as empresas nacionais ainda são muito cépticas na sua utilização, facto que Giussani atribui à relutância histórica e cultural quanto ao aumento da transparência. Admitiu riscos, raros, de divulgação de informações confidenciais.O primeiro blogue nasceu 1994, pelas mãos de Justin Hall. Hoje são mais de 112 milhões em todo o mundo.

NOTA: Aqui está um tema interessante para reflectir. Há blogues com mais leitores do que muitos jornais, por exemplo. Com leitores fiéis e participativos, o que torna a comunicação mais rica. Quando houver uma maior desinibição e um maior reconhecimento da importância dos blogues, na difusão de ideias e na implementação do diálogo a nível global, passaremos a ter uma sociedade mais próxima. E se os blogues apostarem, de facto, no que as pessoas têm de mais positivo, mais fraternidade haverá no mundo.
FM

Multibanco chega ao telemóvel

O Jornal de Notícias informa hoje que os clientes dos três operadores móveis podem, já, efectuar nos seus telemóveis operações que habitualmente realizam nas Caixas Automáticas Multibanco, como o carregamento de telemóveis, a consulta do saldo bancário ou o pagamento de serviços.
Dia a dia somos surpreendidos, ao acordar, com avanços tecnológicos, quantas vezes muito longe da nossa imaginação. Na verdade, não podemos pôr de lado qualquer descoberta, por mais estranha que possa parecer. O problema, agora, está, realmente, em pensarmos no que possa acontecer amanhã, ao acordarmos.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Padre Fernandes morreu aos 97 anos

Fiquei hoje surpreendido com a morte do Padre Fernandes. Eu sei que todos caminhamos para o fim da vida terrena e que o antigo prior da Vera Cruz, em Aveiro, já estava com idade avançada. Mas a morte, por mais esperada que seja, surpreende-nos sempre.
O Correio do Vouga trouxe-me a triste notícia, o que me levou a recuar no tempo, para recordar muitos encontros que ambos partilhámos ao serviço da caridade cristã e da solidariedade social. Ele na qualidade de presidente do Centro Social Paroquial da Vera Cruz, de que foi fundador, e eu dirigente da Obra da Providência e da delegação em Aveiro da União das IPSS.
O Padre Fernandes foi um sacerdote que se deu por inteiro à Igreja e ao Povo de Deus que espiritualmente lhe estava confiado. Contudo, ele foi, entre nós, um pioneiro da acção social, cuja faceta não pode ser ignorada. E com que entusiasmo se deu à causa das famílias e pessoas que mais precisavam, quando se confrontavam com situações difíceis.
Homem atento, disponível, sempre aberto ao diálogo, dificilmente, porém, aceitou a idade como limite para o serviço da Igreja. Um dia, com aquela alegria no rosto de todos bem conhecida, garantiu-me, com alguma vaidade, que era o decano dos párocos diocesanos. E quando eu lhe sugeri que tinha uma linda idade para descansar, ficou sério e, de dedo em riste, disse-me: “Isso nunca; estarei ao serviço da Igreja até morrer.”
Boa resposta, esta, do Padre Fernandes. Que Deus o tenha na Sua glória.
FM

PS disponível para ouvir Igreja sobre a lei do divórcio

O PS manifestou-se disponível para ouvir a Igreja Católica sobre a nova lei do divórcio, em sede de comissão parlamentar, mas sublinhou que o projecto de lei apenas trata do casamento e do divórcio civil.
"Só estamos a tratar do casamento e do divórcio civil e tão-só", afirmou o líder parlamentar do PS, Alberto Martins, durante uma conferência de imprensa no Parlamento, onde foi apresentado o projecto de lei que os socialistas vão entregar hoje na mesa da Assembleia da República e que altera o Regime Jurídico do Divórcio.
Questionado sobre as críticas da Igreja Católica ao diploma, Alberto Martins assegurou que o PS "respeita a Igreja Católica e todas as outras Igrejas" e não recusará ouvir em sede de comissão parlamentar qualquer instituição que manifeste esse interesse.
"Se no âmbito da Assembleia da República se entender ser útil, não há objecções da nossa parte", acrescentou.
Na conclusão da Assembleia Plenária de Primavera, que decorreu em Fátima durante a semana passada, a Conferência Episcopal Portuguesa manifestou-se em relação às “as iniciativas legislativas referentes ao casamento e ao divórcio”, afirmando que se preocupa “com tudo o que fragiliza ainda mais a estabilidade social, que tem no casamento e na família o seu fundamento”.

Fonte: Ecclesia

Na Linha Da Utopia


O Tempo da Vida

1. É com este tema «O Tempo da Vida – quantos somos, como seremos» que decorrerá nestes próximos dois anos o Fórum Gulbenkian de Saúde (http://www.gulbenkian.pt/). A opção temática elaborada pelo reconhecido neurocirurgião professor João Lobo Antunes, versando sobre a problemática do envelhecimento humano, é extremamente positiva e estimulante. Como se sabe, a preservação da dignidade da pessoa humana na designada “terceira idade” é temática que, de forma crescente, se reveste de uma premente preocupação social. Diante das fragilidades sociais de relacionamentos, das inconsistências ou ausências da família, a comunidade dos irmãos “mais velhos” sofre (ou sofrerá) a solidão que transforma esse tempo de vida em tempo negativo e pessimista, pois que o futuro se apresenta profundamente incerto diante do presente solitário.
2. Esta jornada de dois anos da FCG (Fundação Calouste Gulbenkian) merece toda a visibilidade pública na sociedade portuguesa (e europeia). Não unicamente pelo facto da presença de grandes especialistas mundiais. Mas apresenta-se como “antídoto” de reflexão necessária e urgente para, nas exacerbadas políticas emergentes do pragmatismo e economicismo, não chegarmos às ondas generalistas de “eutanásia” como solução prática para o “mistério (terminal) da vida”. Esse pragmatismo vazio vai alastrando pela Europa, e representa, no fundo, a concepção que afinal se tem da própria vida. Sobre estas e todas as questões do bem comum, “questões de cidadania”, é urgente a reflexão de qualidade deste género para (in)formar as mentes sociais e para iluminar, com o justo e ético discernimento, as decisões no caminho da dignificação humana.
3. Vidas que não se sentem amadas, no passar dos anos e no chegar das “rugas” do tempo, são vidas de pessoas que, diante do sofrimento humano, sentem-se sós. E na desumana faceta “produtora” das sociedades actuais, ao deixarem de produzir correm o perigo de se sentirem (ou serem colocadas) na margem. Este é um dos dramas que cresce, e tanto mais cresce quanto a (bem-vinda) longevidade aumenta mas em que a “presença” fraterna e solidária diminui. Uma vida que é construída nos valores da fraternidade e da família, na cuidada preocupação de “semear” o jardim dos afectos e da amizade, pode acreditar mais na esperança de acolher o carinho, a presença e o conforto, mesmo diante das maiores fronteiras do sofrimento.
4. Como resposta a uma certa “coisificação” actual da vida, a reflexão sobre a qualidade de TODO o tempo da vida, especialmente nas fronteiras do envelhecimento, é mais que uma reflexão, é preparar e oferecer uma luz para o caminho nas horas em que já não dependemos de nós. Há dias alguém estudado dizia que a facha etária que mais está na “margem” social são as gerações mais idosas (já as crianças são sempre mais amparadas…). Reflectir socialmente para actuar solidariamente, seja este um lema de vida com qualidade… Até ao “fim” sereno, natural e pacífico (que é ponte de passagem, numa esperança que deseja vencer a própria matéria. Já hoje…!)

Alexandre Cruz

FAROL DA BARRA DE AVEIRO





O Farol da Barra de Aveiro merece ser visitado. Sobretudo no Verão.
Clicar nas fotos para ampliar

A TELENOVELA CONTINUA...

Todos sabem que as telenovelas são atractivas porque nos enchem a nossa imaginação e nos fazem sonhar. Por isso, as televisões gastam rios de dinheiro com elas. Mas como sabem que os temas podem começar a cansar, logo procuram outros, que criem interesse junto dos telespectadores. Há dias, o tema mais escaldante, que deu pano para mangas, passando vezes sem conta nas televisões, foi o da luta entre uma aluna e uma professora por causa de um telemóvel. Foi de tal monta o interesse que houve debates, reportagens, inquéritos, notícias, artigos de opinião, etc. etc... Como foi assunto que deu leitores, ouvintes e telespectadores, há que repetir a dose. Agora com o vídeo de umas jovens a sovar uma colega, para passar, depois, no You Tube. Não é verdade que crime atrai crime? Não é verdade que alguns crimes, à força de tanto serem vistos, podem suscitar outros em cadeia? Os comportamentos, por reflexo, não podem multiplicar-se? Pois aí os temos.
FM

ANO INTERNACIONAL DA BATATA


Com uma lógica muito mais pertinente do que a da batata, a ONU proclamou 2008 como Ano Internacional da Batata (além de Ano Internacional do Planeta Terra).
Parece estranho escolher um alimento para focar nele as atenções, mas o que acontece é que uma boa parte da humanidade sofre de desnutrição, pelo que a ONU quer sublinhar que a batata tem “potencial para vencer a fome”. Vejamos: algumas das 5000 variantes da batata produzem-se em locais onde a terra é reduzida e pouco fértil; a batata requer relativamente pouca água (ao contrário do arroz e de outros cereais); 85 por cento do seu peso é comestível (50 por cento para a maior parte dos cereais); é um alimento muito nutritivo.
Estimando-se que nos próximos 20 anos a população mundial aumente 100 milhões de pessoas por ano, a batata pode desempenhar o importante papel de fornecer sustento sem delapidar o ambiente.
Como o objectivo da declaração dos anos internacionais é, em primeiro lugar, sensibilizar o público, aqui fica um alerta. Quando trincar um destes tubérculos que veio dos Andes (cordilheira da América do Sul), lembre-se que é um alimento em que o mundo põe grande esperança.

J.P.F.
Fonte: Correio do Vouga

ENTRE O SOL E A CHUVA, ONDE ESTÁ DEUS?


Neste passado domingo, dia 6, o tempo estava primaveril e eu e a minha mulher, com mais quatro casais amigos, decidimos desfrutar da tarde, amena, com um piquenique à mistura, conversando das coisas correntes da vida de cada um.
A dada altura, o Jorge refere que o calor que se faz sentir é de mais para a época do ano e que vai fazer mal a algumas culturas que tem no seu quintal.
- A continuar assim, amanhã, já vou ter que ir regar e não me convinha nada, pois estou cheio de trabalho. Pode ser que chova, amanhã – acrescentou.
O Luís, adianta que se prevê, a partir de segunda-feira, chuva, coisa de que ele não gosta muito, mas que para o Jorge era um bom sinal.
- Isso é mesmo verdade? – questiona, pouco convencido, o Jorge.
O Balseiro, disse que tinha combinado, para o dia seguinte, ter lá em casa um empreiteiro, para umas pequenas obras de reparação de um beiral dos arrumos e, se chovesse, teria que cancelar tudo.
O Paulo, o único agnóstico do grupo, juntamente com a sua esposa, culto, sadio provocador em questões religiosas, mas com uma grande dimensão espiritual e de generosidade, vira-se para mim, a sorrir, e diz-me:
- Vítor, lá tens que falar com o teu Deus para ver se Ele consegue safar o pessoal todo!
Virado para o Paulo, mas com todo o grupo a ouvir, disse-lhe que na Igreja Católica não temos deuses feitos por medida nem ao gosto dos crentes. Há um Deus único, que nos ama a todos, que não faz distinções entre homens e dá a estes plena liberdade para optarem pelas acções que melhor acharem para a sua vida e muito menos é um gestor de interesses particulares.
Desiludam-se se acham que o Paulo ficou calado. Não, não ficou. Não é hábito nele.
Como o Paulo é um homem culto e sabedor, começou a falar de toda uma série de práticas que, segundo ele, são correntes na Igreja Católica, como sejam as promessas do tipo “dás-me aquilo e eu dou-te isto”, passando pelos vários humores que temos, enquanto cristãos, na nossa relação pessoal com Deus, indo buscar exemplos do género: “Se a vida vos corre bem, Deus é bom. Se a vida vos corre mal perguntam que mal fizeram a Deus para serem castigados, logo Deus é mau, e isso é decidido por vós.”
Pouco depois, a conversa terminou e a comida e as bebidas, descontraidamente, chamavam por nós, o que muito nos confortou para o convívio poder continuar.
Uma conversa, banal e fortuita, sobre o estado do tempo e as expectativas que cada um tinha sobre o mesmo, para dia seguinte, de acordo com as suas necessidades, revelava até que ponto somos frágeis na nossa fé e nos esquecemos do Criador.
Entre o sol para uns e a chuva para outros, senti que se caminhava, ali, naquela hora, mais depressa para a manipulação de Deus do que para a compreensão do semelhante.
As dificuldades que os homens sentem em adaptarem-se a Deus são imensas, pelo que, alguns, estão sempre prontos a tentar ver se Ele se adapta a eles, mesmo não o pensando. A tentação é grande e só não o sabe quem ainda não a experimentou.
Durante alguns minutos, só se ouvia a minha voz e a do Paulo. Nem ele nem eu chegámos a saber o que o restante grupo pensava.
“Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Bem basta a cada dia o seu trabalho” (cf.: Mt 6,34).
Seria nisto que o restante grupo estava a pensar? E nós, no que pensamos?

Vítor Amorim

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Forte da Barra em ruínas espera pela recuperação


"Estão degradadas e ao abandono as instalações do antigo Forte da Barra, na freguesia da Gafanha da Nazaré, Ílhavo, um imóvel classificado de interesse público pelo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), sobranceiro à ria de Aveiro, que se estima ter sido construído em 1640, durante a Guerra da Restauração.
"O estado em que aquilo se encontra é fácil de ver, é só passar por lá e pela sua área circundante, com a erva a crescer por todo o lado, no meio de restos de comida que parece ser a alimentação de gatos ou de ratos ou de outro tipo de animal sem dono", desabafou, ao JN, António Angeja, do Clube Natureza e Aventura de Ílhavo. O coronel na reserva, que na sua vida profissional esteve colocado no Museu Militar, em Coimbra, preocupa-se com a história da região.
"Aquilo está tudo abandonado e acho que alguma coisa poderia ser feita", considera António Angeja, que recorda que não há muito tempo chegou a alertar os deputados eleitos para a Assembleia da República por Aveiro, "mas até agora não tive resposta nenhuma", afirmou. "Mandei-lhes um e-mail onde se diz 'Pobre Forte da Barra de Aveiro, belo ao longe mas em ruína'", contou. "Aquilo está mesmo ao lado do Jardim Oudinot, onde se tem gasto muito dinheiro em recuperação", disse.
Para António Angeja, as instalações do Forte da Barra poderiam ter bastante interesse para muitas coisas, inclusive para um Museu da Ria". "Era um óptimo local", refere."
Pode ler todo o trabalho de Jesus Zing, no Jornal de Notícias

ÍLHAVO: Serviço de Atendimento Social

Entrou em funcionamento no passado dia 8 de Abril o novo Serviço de Atendimento Social Integrado do Município de Ílhavo. Esta iniciativa permite aos utentes poderem tratar de todos os assuntos relacionados com a área social.

Na Linha Da Utopia


Entender (o que move) a Ásia

1. A medicina chinesa tem cinco mil anos. A religião mais antiga do mundo, o Hinduísmo (posteriormente reinterpretado em diversas variantes) nasceu na Índia há seis-oito mil anos. Nos tempos pós-medievais e nos inícios da chamada Idade Moderna, o “sonho” era chegar à Índia, a terra nas novas promessas, concretização dos povos europeus que coube à comitiva portuguesa de Vasco da Gama. O pós-guerra de meados do século passado começa a ver um Japão erguido na base da tecnologias de vanguarda que, então, seduziam a América do norte.
2. Na actualidade a banca americana entra na “dependência” chinesa; os tecidos e louças da Índia e China “rebentam” com os modelos tipificados ocidentais; o Japão afirma-se como potência que soube captar o segredo da visibilidade aplicada às vanguardas da eficácia científica e tecnológica da imagem. No ano 2000 das dez torres mais altas do mundo (tidas “sinal” civilizacional de progresso), oito estavam erguidas no mundo asiático. Em termos demográficos o contraste entre a Ásia e o resto do mundo “obriga” à diáspora cultural do oriente pelo mundo fora. Mas na bagagem, discreta para ir bem mais longe, não se renega a essência cultural; esta é vivida e assumida (na generalidade) com orgulho preservador.
3. O chamado mundo ocidental (se é que esta designação em tempo global ainda faz sentido…) já parece resignado; o que há décadas parecia “estranho” hoje “entranha-se”. Ainda por cima num clima que parece desordenado em relação ao mundo do trabalho, do ambiente, da dignidade da pessoa humana. Os “novos-ricos” asiáticos, após as gerações escravas precedentes, sabem lidar no tabuleiro do xadrez global, tirando partido da necessidade (a caminhar para a dependência) que o resto do mundo começa a ter do oriente. A sua diáspora estendida por todo o mundo, num mundo ocidental que “não” tem filhos, vai fazer com que daqui a algumas décadas eles estão “em casa” em todo o planeta. Nada de mal, será um facto; desde que exista “casa para todos” na matriz cultural de cada um, mesmo para os que hoje habitam este lado do mundo…
4. A questão cultural das identidades e pertenças talvez se venha proximamente a colocar como nunca na história humana. Porque como nunca viajámos tanto e tão rápido. O desafio do “entendimento humano” das diversidades na base de uma “razão” aberta na sensibilidade à cultura, ergue-se como a “chave” que pode, apesar de tudo, preservar a concepção (tida para nós como) inalienável da dignidade da pessoa humana. Este aprofundamento, agarrando “asas” de transversalidade, pode ser a “nossa sabedoria” ocidental a confrontar criativa e inclusivamente estabelecendo diálogo e “parceria” com o potencial das imensas sabedorias asiáticas. Se não tivermos “sabedoria” um dia seremos estrangeiros, desidentificados, em nossa casa. O ser e o tempo não perdoarão a distracção ocidental! E o mundo precisa da preservação aprofundada dos valores que estão nas raízes do ocidente… O diálogo (não ausência) precisa de todas as partes em presença…

UM PAÍS DESENCONTRADO


"Em nome de um laicismo que nada tem a ver com uma laicidade correcta e com um pluralismo esclarecido e construtivo, o Estado legisla à margem de exigências, põe-se do lado de quem adultera e despreza valores e princípios, sem pensar que está a caminhar para a sua ruína e a arrastar no mesmo sentido muita gente. O que está a acontecer, por força de leis, em relação ao casamento e à família, parece-nos de uma inconsciência sem limites. Outros não pensam assim. Mas, se a família tem o valor social que tem, torna-se urgente um diálogo construtivo e não uma tolerância vazia."


António Marcelino, no Correio do Vouga

CASA GAFANHOA

Bento XVI lembra raízes cristãs da Europa


Bento XVI lembrou hoje o papel do Cristianismo na construção europeia, com destaque para o impacto do monaquismo medieval na cultura e na vida espiritual europeias. O Papa falava aos milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral desta semana, dedicada a Bento de Núrsia, o Santo que inspirou a sua escolha de nome para o pontificado.

Clique aqui para ler mais.

POBREZA EM PORTUGAL


"O cenário da pobreza em Portugal está a registar uma alteração significativa. O pobre já não é tanto o miserável, sem qualquer rendimento e sem abrigo, mas o trabalhador que não ganha o mínimo para sustentar a família."
João Paulo Guerra, In Diário Económico
NOTA: Toda a gente sabe disto. Tanto por experiência própria como pelo que pode apreciar à sua volta. Se cada um de nós olhar para as despesas que tem no dia-a-dia e no que sobra do ordenado ao fim do mês, compreenderá, facilmente, que a vida está muito difícil. E se, a partir daí, olhar para os salários e pensões de reforma da maioria dos portugueses, de imediato entenderá que há mesmo muita pobreza na nossa sociedade. O problema está em ultrapassar esta situação, sabendo-se, como se sabe, que o individualismo conduz quase sempre ao esquecimento dos outros. Impõe-se, pois, a cultura da solidariedade. Leia mais sobre a necessidade de se Acabar com a Fome.
FM

Igrejas de Santo António e de S. Francisco


Recuperação com solução à vista?

"Na sequência de reuniões promovidas pela autarquia aveirense, em que a ADERAV tem participado, começa a ganhar consistência a possibilidade da recuperação das igrejas geminadas de Santo António e de São Francisco, em Aveiro, integrar uma candidatura ao QREN no âmbito do projecto 'parque da sustentabilidade'", anuncia a ADERAV.
Médicos de centros de saúde voltam a estar disponíveis para ir fazer consultas a casa
Domicílios foram desaparecendo porque médicos não são pagos pelo acto e têm que custear a deslocação. "População habituou-se a chamar a ambulância e ir para o hospital", diz Luís Pisco
Estar doente e ter um médico que vai a casa fazer a consulta tornou-se uma raridade nas últimas décadas. As excepções quase só são abertas para pessoas acamadas. A partir de Maio há médicos que vão passar a receber 30 euros por cada um destes actos. Mas os efeitos do novo modelo organizativo de centros de saúde (Unidades de Saúde Familiar - USF) neste tipo de consulta já se nota, revela um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa).
In PÚBLICO online, na página 4

terça-feira, 8 de abril de 2008

PORTUGUESES NO MUNDO


“O Lago Azul”

Ler é um prazer. E quando as leituras incidem sobre livros bem escritos, em toda a linha, então o prazer sai redobrado. Mais ainda: quando se trata de bons romances históricos, na minha óptica, que não passo de um leitor comum, maior é o prazer de ler.
Depois destes condimentos, que à partida garantem um gosto enorme, “O Lago Azul”, de Fernando Campos, não podia deixar de me levar até ambientes de tempos que já lá vão, há muito, com guerras e interesses de toda a monta a traçarem destinos de nações e pessoas. Pessoas que na altura ditavam leis, quantas vezes bélicas, que envolviam, naturalmente, a arraia-miúda. E os portugueses, neste caso, derrotados cá por casa, por lá andavam, quais mercenários, servindo senhores ao sabor de quem melhor pagava.
O primogénito de D. António, Prior do Crato, casa na Holanda com uma princesa. Um católico casa com uma calvinista, por amor. Mas depois…
Depois, a filha mais velha, Maria Bélgia, que também casou por amor, ao sentir-se traída pelo marido, vinga-se. O fio do romance, entretecido na história da época, fica para quem gostar de ler.
Só mais uma consideração: Os romances são, reconhecidamente, os melhores retratos dos que construíram a história das nações e dos povos. Neste caso, os leitores ficam com uma ideia interessante e mais ou menos conhecida: os portugueses andaram mesmo por todo o mundo, ao sabor do vento que lhes convinha, é certo, mas também aderindo a jogos contraditórios, nem sempre compreensíveis.

FM

COSTA NOVA ANTIGA





Para os mais saudosos, mas também para os curiosos.
Clicar nas fotos para ampliar

Na Linha Da Utopia




E o lugar das grandes questões?

1. São as grandes perguntas que conduzem às grandes respostas. Frequentemente, em trabalhos com as mais novas gerações, deparamo-nos com um “sinal” destes tempos: muitas vezes estamos tão preocupados e preparados em dar as grandes “respostas”, todavia, a perguntas que nem sequer existem… Quantos caminhos de possíveis e urgentes reflexões a serem realizadas não partem do ponto de partida? Quantas oportunidades perdidas (ou pelo menos adiadas) em darmos passos adiante naquilo que é o reflectir para desenvolver mais e melhor a qualidade de humanismo, de valores, das relações, da própria democracia em pluralismo, e, em última (e primeira instância), do próprio sentido da vida?!
2. A par da resposta de que “não há tempo”, a onda vai mais no sentido das “coisas” que da ordem do pensar as grandes questões do nosso tempo. De quando em quando, isso sim, quando uns “safanões sociais” lideram as notícias, então aí apercebemo-nos de que temos de construir alicerces…mas logo tudo passa! Das coisas mais alarmantes quanto ao futuro, algo talvez nunca visto (até porque as “juventudes” são fenómeno recente na vida das sociedades), é um vazio “à deriva” em termos de ideias e práticas. É um facto preocupante que, para além de haver sempre uma elite solidária esforçada em causas (claro!), a “grande massa” recebe pouco dessa chama e vive uma indiferença aprendida também por gerações precedentes e pelos “fáceis” modelos sociais reinantes.
3. O próprio valor das palavras vai-se abrindo a novas dimensões, e mesmo aquilo que era o “entretenimento” há uma década, hoje, em determinados quadrantes de vidas, ocupa um lugar não periférico mas é centro da vida. Como que a “brincar”, as coisas vão mudando, e caminhando para a superficialidade do não se perguntar sobre os “grandes porquês”. Dizemo-lo sem pessimismos…como se o “antes” fosse sempre melhor; falamos com realismo preocupante no sentido de que parece que tardamos a compreender que os problemas deste século XXI não são tecnologias nem ciências, são sim “relacionamentos”. Ou será que só na tempestade dos “11 de Setembro” despertamos para além do visível?...
4. Enquanto não conseguirmos criar uma “ponte” que ilumine de referenciais estimulantes a “massa social” em torno das grandes questões (que são culturais e éticas), o tempo da vida fica aquém, ou vai-se mesmo distanciando, de um ideal de fraternidade; valor este proclamado no estado de direito há mais de dois séculos, mas só numa iluminação superior de há bem mais séculos é que se pode inspirar, compreender e viver. As grandes questões têm de existir, se não existem têm de se provocar. A fim da apatia anémica não triunfar. Afinal, é o desígnio de uma sociedade aberta, participativa e solidária, o decisivo teste às juventudes de hoje!

Alexandre Cruz

HOMENAGEM AO PADRE ANTÓNIO VIEIRA

Na Biblioteca Municipal de Aveiro, 17 de Abril




O Grupo Poético de Aveiro vai homenagear, no próximo dia 17 de Abril, quinta-feira, pelas 21.45 horas, na Biblioteca Municipal de Aveiro, o Padre António Vieira, com uma comunicação de Joaquim Correia.
Sublinha o Grupo Poético que se trata de uma homenagem a “um homem notável”, que foi, “para além de um orador sacro e fiel à sua condição de jesuíta”, um missionário e defensor dos fracos, “combatendo a sua exploração e escravização”. Ainda “lutou pela abolição da distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos, entrando em conflito com a Inquisição”. Morre a 18 de Julho de 1697, com 89 anos, no Brasil.
O Grupo Poético de Aveiro lembra, no convite que dirige a toda a gente, que Fernando Pessoa o considerou o “Imperador da Língua Portuguesa”.
Entrada livre.

Museu Marítimo de Ílhavo mais rico


Uma colecção do Capitão Marques da Silva enriquece, desde sábado, o acervo do Museu Marítimo de Ílhavo e pode ser visitada até 27 de Abril. Não pude estar presente na sessão de abertura, como era meu desejo, por razões pessoais ligadas a uma outra actividade, marcada há muito tempo, mas nem por isso quero deixar de frisar a importância desta exposição, que hei-de ver por estes dias.
Há muito que aprecio o envolvimento do Capitão Marques da Silva em actividades culturais ligadas ao mar, de que é profundo conhecedor e grande divulgador, por várias formas. Por isso, esta colecção não pode deixar de ser apreciada por quantos, de algum modo, se identificam com os temas marítimos.
Diz Álvaro Garrido, director do Museu, que “As peças de sua [Capitão Marques da Silva] autoria que agora confiou ao Museu Marítimo de Ílhavo exprimem talentos diversos que acrescentam ao seu curriculum de mar as facetas de modelista exímio e de pesquisador metódico, sempre preocupado com o alcance pedagógico dos seus modelos, desenhos e estudos de carácter monográfico sobre embarcações tradicionais”. Por tudo isto, não deixe de passar pelo Museu de Ílhavo.
FM
Nota:Ilustração do "site" do Museu Marítimo de Ílhavo

Uma imagem de Portugal


Que Augusto Brázio é um fotógrafo fabuloso já o sabíamos. Diante da difícil prova que é fotografar um rosto ele sai quase sempre vencedor. E eu diria que é porque não o quer capturar. Mesmo próximos, os rostos mostrados por Brázio, mantêm a sua distância e reserva. Olham para nós, mas a partir do que lhes é próprio. Por isso, nunca são planos, nem banais. Porém, mesmo sabendo isso, a fotografia com que ele acaba de ganhar o prémio fotojornalismo de 2008, tirou-me, por momentos, a respiração. Sem perceber como, os olhos já estavam embaciados, e o tempo corria sem que eu tivesse coragem de passar à notícia seguinte.
A legenda da imagem diz: «O INEM presta assistência a uma mulher de 19 anos cujo terceiro filho acaba de nascer em casa. Lisboa, Fevereiro de 2007». «A mulher de 19 anos» é uma rapariga de um dos bairros pobres da capital, estendida numa maca de ambulância, a cabeça reclinada ao lado direito, presa a uma máscara de oxigénio, enquanto abraça com delicada firmeza o seu recém-nascido. Ela tem uma camisola ou um roupão rosa e o filho está (como o Outro Filho, de que reza a história) «envolto em panos», de cor azul.
Quem já contemplou uma «Madona con il Bambino», de Rafael, Boticelli ou de qualquer um dos grandes mestres já viu tudo o que aqui tem diante dos olhos. O mesmo grito impávido, um inenarrável desamparo, o mesmo abraço fragilíssimo e poderoso àquele que gerou. E a certeza de que nenhuma história é mais humana e mais sagrada do que esta. Mas, nem por isso, perante esta fotografia nos deixa de sobrevir uma vontade de chorar.
Portugal é um país estranho. As estatísticas dizem que o número de pobres não deixa de crescer, e o desnível económico entre os grupos sociais é um dos mais altos entre os países da Comunidade. As notícias sobre compensações e reformas milionárias chocam-nos cada vez mais remotamente. A euforia de um liberalismo arcaico, travestido de modernidade, aparece como receituário. E a inconsciência social ganha espaço como se fosse uma fatalidade. A imagem de Augusto Brázio vale por milhares de palavras.

José Tolentino Mendonça

BENTO XVI: Três anos de pontificado


Um balanço de Guilherme d'Oliveira Martins

Suceder a João Paulo II seria sempre uma tarefa muito difícil. Está bem presente nas nossas retinas o exemplo do Pontífice peregrino, interveniente e activo (mesmo na doença), sobretudo preocupado com as tarefas pastorais. Não poderemos, porém, fazer uma apreciação das realizações actual Papa com base numa comparação – quer pela longa duração do anterior pontificado, quer pela diferenciação de prioridades de duas personalidades tão diferentes. Também não deveremos centrar-nos no confronto entre expectativas e concretizações, uma vez que há uma claríssima distinção entre as funções anteriores do Cardeal Ratzinger, na Congregação para a Doutrina da Fé, e o magistério do Sumo Pontífice.
:
Clique aqui para ler todo o texto