quarta-feira, 28 de junho de 2017

Júlio Cirino: Ilha Terceira — Monte Brasil





O Monte Brasil é outro lugar histórico da Ilha Terceira. Por lá encontramos a ermida de Santo António, vários miradouros de onde se vislumbram paisagens deslumbrantes, a cratera de um vulcão, trilhos bem arranjados para as pessoas passearem, um pequeno jardim zoológico com aves multicores e alguns animais, o Pico das Cruzinhas e veados que, habituados às pessoas, nos saem ao caminho corricando com graça. Porém, o monumento mais importante do Monte Brasil é a Fortaleza de São João Batista, mandada edificar por Filipe II, de Espanha, em 1567. Servia para defender a cidade e o porto de Angra dos assaltos dos piratas que por aqui apareciam para pilhar.
Mais tarde, já no século XIX, Gungunhana veio deportado para esta Fortaleza. Ganhando a confiança das autoridades militares, e também da população, com o decorrer do tempo as medidas de segurança foram-se amenizando até Gungunhana poder passear livremente no Monte Brasil e depois na cidade. 
Em 1899, Gungunhana seria baptizado e crismado na Sé de Angra, apadrinhado pela alta sociedade angrense.

Angra do Heroísmo, 25 de Junho de 2017

Júlio Cirino


Fotos:

- Vista aérea de Angra, tendo por pano de fundo o Monte Brasil onde se vislumbram as casernas e a Igreja de S. João Baptista.

- Igreja de S. João Baptista, implantada no Regimento de Guarnição n.º1 dos Açores.

- Pico das Cruzinhas.

- Casa onde Gungunhana viveu.



terça-feira, 27 de junho de 2017

Álvaro Teixeira Lopes — Ensinar piano com criatividade e rigor


«Formou várias gerações de músicos e grande parte dos professores de piano do país. Por isso, é muito provável que as obras, os aplausos ou os prémios conquistados pelos intérpretes nacionais tenham sementes cultivadas por Álvaro Teixeira Lopes. Professor de Piano e Música de Câmara no Departamento de Comunicação e Arte (DeCA) da Universidade de Aveiro (UA), quando se emociona ao ouvir a música dos alunos sabe exatamente que está a cumprir a missão de fazer crescer asas em cada um deles.»

Li e ouvi aqui


segunda-feira, 26 de junho de 2017

Espaço do Cidadão na Gafanha da Nazaré todas as segundas-feiras


O segundo Espaço do Cidadão do município de Ílhavo abriu portas hoje, 26 de junho, na Gafanha da Nazaré, disponibilizando à população mais de 70 serviços. Fernando Caçoilo, presidente da CMI, considerou esta iniciativa da autarquia de «importância vital para a comunidade da Gafanha da Nazaré», tendo  resultado do acordo estabelecido entre a autarquia ilhavense e a AMA (Agência para a Modernização Administrativa). Não está previsto instalar qualquer outro na área concelhia.
O autarca adiantou que a abertura deste balcão foi fruto da avaliação feita a partir do sucesso alcançado pelo Espaço do Cidadão na sede do concelho, que conseguiu atender, durante o primeiro ano de serviço, em 2016, mas de mil utentes. 
A partir desta data, aquele espaço vai funcionar na sede da Junta de Freguesia por «razões óbvias», ligadas à sua localização, inicialmente apenas às segundas-feiras, ficando garantido que, «se o balcão tiver sucesso», o tempo de atendimento terá de ser alargado, prometeu Fernando Caçoilo. 
Entre as dezenas de serviços, destacamos a revalidação da Carta de Condução, 2.ª via e substituição, a alteração de morada no Cartão de Cidadão, Cartão Europeu de Seguro de Doença, ADSE, do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), da CGA (Caixa Geral de Aposentações), do IMT (Instituto de Mobilidade e de Transportes) e da AMA (Agência para a Modernização Administrativa).
O Espaço do Cidadão vai funcionar às segundas-feiras, das 9  às 16 horas, com interrupção para almoço.
O presidente da Junta de Freguesia, Carlos Rocha, mostrou a sua satisfação pela abertura deste serviço público destinado às populações, tendo frisado o bom entendimento existente entre a Junta e a CMI, sempre aberta ao acolhimento de «propostas importantes para a nossa freguesia». Ainda formulou votos no sentido de que «este espaço possa começar, a partir de agora, a «ser utilizado pelo maior número possível de pessoas». O alargamento do número de dias de atendimento dependerá do sucesso do balcão ora inaugurado. 

Parque Infante D. Pedro: 26 de junho de 1927


“Foram inauguradas as obras da construção do Parque do Infante D. Pedro, levadas a efeito pela Câmara Municipal de Aveiro, da presidência do Dr. Lourenço Simões Peixinho (O Democrata, 2-7-1927) – J.”

Calendário Histórico de Aveiro”, 
de António Christo e João Gonçalves Gaspar

Nota: Enquanto as atuais gerações deambulam, em horas de folga das suas escolas e universidade de Aveiro pelo Fórum, grandes superfícies, cafés e bares, a minha geração passeava pelo Parque Infante D. Pedro, com o seu lago, arvoredo e jardim superior. Não havia trânsito que incomodasse e por ali se circulava à vontade. Na altura da Feira de Março, era ela com os seus desafios que concentrava todas as atenções da juventude escolar. 
Guardo mais recordações do parque, onde de vez em quando até remávamos em barquinhos fáceis de governar. Um dia, medi mal a distância quando quis pôr pé em terra, e molhei-me um pouco. Tempo quente secou-me as calças e os sapatos, num já. A minha saudosa mãe nem deu por ela. 
Há dias visitei-o.  Acho que passei por todos os recantos para matar saudades. Vi pouca gente, é certo, mas eu, nesse dia, fiz a desejada viagem no tempo para recordar amigos de há uns sessenta e tal anos.                                  

domingo, 25 de junho de 2017

Ampliação do molhe norte — 25 de junho de 1981


“Na sede da Junta Autónoma do Porto de Aveiro, foi assinado o contrato das obras do porto de Aveiro – 1.ª fase – em que se incluiu o prolongamento do molhe norte, a construção de um novo cais comercial e a regularização hidráulica do canal de navegação (Correio do Vouga, 3-7-1981) – J.”

"Calendário Histórico de Aveiro” 
de António Christo e João Gonçalves Gaspar

NOTA: Depois da abertura da Barra, em 3 de abril de 1808, sempre houve necessidade de a melhorar para facilitar, com segurança máxima, a entrada e saída de navios, sobretudo de grande porte. O assoreamento tornou-se uma constante e as correntes marítimas atacavam, em especial nas marés vivas do inverno, as praias do Farol e as demais que se prolongam a caminho da Vagueira, para as proteger. Em 1981 iniciou-se o prolongamento do molhe norte, 1.ª fase, lado de S. Jacinto. Depois prosseguiu.. 

Maria Teresa Horta — Ninguém me castra a poesia


 Ninguém me castra a poesia
se debruça e me põe vendas
censura aquilo que escrevo
nem me assombra os poemas

Ninguém me paga os versos
nem amordaça as palavras
na invenção de voar
por entre o sonho e as letras

Ninguém me cala na sombra
deitando fogo aos meus livros
me ameaça no medo
ou me destrói e algema

Ninguém me aquieta a escrita
na criação de si mesma
nem assassina a musa
que dentro de mim se inventa

Maria Teresa Horta,
“Resistência”,
in “Poesis”, D. Quixote, 2017

Por sugestão do Caderno Economia do EXPRESSO

Bento Domingues — Francolino Gonçalves, Um investigador original

Frei Francolino Gonçalves
1. Carolina Michaëlis de Vasconcelos (1851-1925) diz que, no período medieval, “a literatura portuguesa, em matéria de traduções bíblicas, é de uma pobreza desesperada”. Esta afirmação tem sido repetida, mas nunca desmentida. A primeira tradução da Bíblia, a partir de hebraico e do grego, foi realizada por João Ferreira d’Almeida, que tinha passado, aos 14 anos, do catolicismo ao protestantismo (Igreja Reformada Holandesa). A sua tradução foi publicada e corrigida entre os séculos XVII e XVIII.
José Nunes Carreira sintetizou a história da Exegese Bíblica em Portugal [1] nos seus momentos altos e baixos. Frei Francolino Gonçalves foi um dos seus momentos mais importantes. Fez parte dos grandes investigadores da famosa Escola Bíblica de Jerusalém (EBJ), a responsável, desde os finais do séc. XIX, pelo estudo científico da Bíblia, no campo católico. Para dar a conhecer as dificuldades desse grande salto, aconselhou que fosse editada, em Portugal, uma obra incontornável do seu fundador, Marie-Joseph Lagrange, O.P. [2]
Frei Francolino morreu, em Jerusalém, no dia 15 de Junho. Nasceu em Curujas, Macedo de Cavaleiros, a 28 de Março de 1943. Professou na Ordem Dominicana em 1960.
Nunca procurou fazer carreira. Seguiu o caminho de preparação para ser uma testemunha lúcida do Evangelho. Depois dos estudos curriculares, em filosofia e teologia, em Portugal e no Canadá, foi enviado para a EBJ. Aí e durante 43 anos, trabalhou como investigador e professor. Considerou-se, até ao fim, como um estudante. Foi solicitado para fazer cursos e conferências em Paris, Berlim, Salamanca, Roma, Portugal, Tóquio, Quebec, Cusco, Lima, Santiago do Chile, México, mas as suas responsabilidades de investigador, de preparação de novos investigadores e de publicações científicas estiveram sempre ligadas à EBJ. Era a sua casa, de vida e trabalho, num contexto de atentados permanentes contra os direitos humanos.
Reconhecido nos meios da investigação bíblica como uma das suas grandes figuras, de alcance internacional. Ao ser convidado para Membro da Comissão Bíblica Pontifícia, e reconduzido pelo Papa Francisco, alguns meios de comunicação católica portuguesa acordaram para uma realidade que ignoravam.
Em Portugal, foi premiado, em 2011, pela Academia Pedro Hispano, é membro da Academia Portuguesa de História, do conselho científico de CADMO, da Revista Lusófona Ciências das Religiões, do ISTA e da Associação Bíblica Portuguesa.
Quem desejar conhecer a sua bibliografia pode recorrer ao site Bibliothèque St Étienne de Jérusalem – École Biblique et Archéologique Française [3]. Em Portugal foi, sobretudo, nos Cadernos ISTA que publicou alguns dos seus estudos mais significativos [4].
Espero que, em breve, sejam publicados em livros. Todas as vezes que tentei que isso acontecesse, dizia-me sempre que gostaria ainda de rever o conjunto, como obra unificada. A sua insatisfação nada pôde contra a morte.
2. Frei José Nunes, O.P., na celebração da Eucaristia de evocação de Frei Francolino, referiu-se a um dos seus estudos decisivos e inovadores sobre as representações de Deus nas duas religiões iaveístas do Antigo Testamento (AT) [5], isto é, a existência de dois iaveísmos diferentes. Esse estudo é muito extenso e muito analítico. A eleição de Israel, a sua libertação do Egipto e a aliança que Iavé fez com ele são os artigos fundamentais da fé iaveísta.
Esta era a opinião comum que fazia das relações entre Iavé e Israel a matriz do iaveísmo. Tornou-se, para vários autores, uma posição insustentável. Era contestada a opinião corrente liderada por uma grande figura da exegese, von Rad. A própria constituição dogmática Dei Verbum, do Vaticano II, deve muito à teologia desse teólogo luterano. Mas, na sequência de outros investigadores, Frei Francolino mostrou, pelo contrário, que o AT contém duas representações diferentes de Iavé. Segundo uma, ele é o Deus criador que abençoa todos os seres vivos; segundo a outra, ele é o Deus que está ligado a Israel, o seu povo, a quem protege e salva.
Segundo o Fr. Francolino, os exegetas não prestaram a atenção que mereciam estas vozes discordantes. A esmagadora maioria parece nem as ter ouvido. Por isso, ficaram sem eco, não tendo chegado ao conhecimento dos teólogos, dos pastores nem, por maioria de razão, do público cristão. “As minhas pesquisas, nesta matéria, confirmaram, essencialmente, os resultados dos estudos que referi e, além disso, levaram-me a propor uma hipótese de interpretação do conjunto dos fenómenos religiosos do AT, que é nova. A meu ver, o AT documenta a existência de dois sistemas iaveístas diferentes: um fundamenta-se no mito da criação e o outro, na história da relação de Iavé com Israel. Simplificando, poderia chamar-se iaveísmo cósmico ao primeiro e iaveísmo histórico ao segundo. Contrariamente à opinião comum, a fé na criação não é um elemento recente, mas constitui a vaga de fundo do universo religioso do AT.”

3. Qual é a importância da descoberta de dois iaveísmos? Julgo-a de grande alcance para todos os leitores do AT e considero-a uma das raízes do universalismo cristão. É a diferença entre um Deus universalista, Deus de todos os seres humanos e da criação, casa comum de todos, e a representação de um Deus nacionalista que confunde o Mundo com os interesses de um povo, capaz não só de o defender, mas de se tornar inimigo dos outros povos, podendo até mandá-los exterminar.
É esta distinção que nos pode ajudar a compreender o sentido e o absurdo da violência de muitas páginas da biblioteca do povo de Israel. Colocou-se na boca de Deus os interesses de um povo contra os outros povos. Não pode ter sido o Deus do Universo a escrever essas blasfémias.
Quando tropeçamos nessas passagens, devemos perguntar: que causas e interesses defendem?

Frei Bento Domingues, O. P.
no PÚBLICO deste domingo

NOTA: Poderá encontrar mais referências a Frei Fracolino e à sua obra no Google

[1] Exegese Bíblica, Dicionário de História Religiosa de Portugal, C-I, Círculo de Leitores, 2000, pp 221-229
[2] Recordações pessoais. O Padre Lagrange ao serviço da Bíblia, Biblioteca Dominicana, Tenacitas, 2017
[3] http://biblio.ebaf.info/cgi-bin/koha/opac-search.pl?q=au:Gon%C3%A7alves%20Francolino%20J
[4] http://www.ista.pt/1/upload/ista_25_2012.pdf, pp 92-136; Artigos Fr. Francolino, p117
[5] Iavé, Deus de justiça e de bênção, Deus de amor e salvação, ISTA, n.º 22, 2009, pp 107-152, ver, sobretudo, pp 114-115

sábado, 24 de junho de 2017

A UA explica... como podem as florestas resistir aos incêndios?


A história repete-se todos os anos. Sobem as temperaturas e o tema dos incêndios regressa às capas dos jornais e às aberturas dos noticiários. Desaparece o verde que dá colorido às nossas paisagens e as cinzas tomam conta das nossas matas. A pergunta fica a pairar no ar. Pode a nossa floresta resistir a tantos incêndios? Pode. Como? O professor Jan Jacob Keizer, no Departamento de Ambiente e Ordenamento, avança com algumas pistas para podermos contornar este flagelo.


Deixa-me dar-te o verão


O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras.

José Tolentino Mendonça
In "A Noite Abre Meus Olhos"

Pergunta Henrique Raposo: Como é que Deus permite isto?


«Como é que se articula a evidente imperfeição da cidade dos homens com a ideia de um Deus misericordioso? Ou seja, como é que Deus permite desgraças como a de Pedrógão Grande? Se Deus nos ama, porque é que permite que uma família de quatro morra sufocada e queimada num Renault ou num Opel numa estrada à vinda da praia? Como é que Deus permite uma aflição assim? Como é que Deus permite que um pai veja o seu bebé morrer queimado? Como é que Deus permite que o corpo de um bebé se funda com o alcatrão? Como? É o drama de Job e Eclesiastes, dois dos grandes romances da Bíblia.»

Para ler tudo aqui