Festa da Primeira Comunhão na Gafanha da Nazaré

As crianças podem falar com Jesus 
tal como falam com um amigo


No domingo, 8 de maio, na Eucaristia das 10 horas, celebrou-se a Festa da Primeira Comunhão. Vestidas de branco, 92 crianças receberam Jesus Sacramentado, depois de três anos de catequese adequada às suas idades, graças à dedicação de 13 catequistas. Coordenou todo o trabalho a catequista Isabel Simões.
À homilia, o nosso prior, Padre César Fernandes, ao dirigir-se às crianças, que circundavam o altar, sublinhou que importa testemunhar a nossa fé, «sem vergonha nem medo, mas também sem respeitos humanos». Recordou que Jesus nos prometeu, antes de partir para o Pai, que «nos enviaria o Espírito Santo para compreendermos melhor que temos de fazer o bem e cumprir as nossas obrigações». «Jesus quis ficar connosco ainda sob a forma do pão e do vinho, porque é nosso amigo», disse. E recomendou às crianças que podem «falar com Jesus», tal como falam com um amigo.
Aos pais, os primeiros responsáveis pela formação dos seus filhos, o Padre César lembrou que «educar é também dar-lhes o sentido do divino, do sagrado, orientando-os para os caminhos da verdade e da vida».
A coordenadora da catequese que conduz à Primeira Comunhão, Isabel Simões, adiantou que os catequizandos são encaminhados para a figura principal, Jesus Cristo, ao mesmo tempo que são ajudados a «assumir atitudes de louvor e agradecimento a Deus, que tanto gosta de nós». São motivados para a descoberta de que «o Pai de Jesus é também nosso Pai», enquanto vão ficando abertos para o «Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos seus discípulos». Frisou que as crianças são ajudadas a «seguir Jesus» com «a consequente inserção na Igreja». 
Garante a coordenadora que a catequese preparatória da Primeira Comunhão se esforça por despertar nos catequizandos o sentido da «educação moral da consciência» e da participação ativa «na vida litúrgica», enquanto são estimulados a fazer «experiências de Oração». Ficam a conhecer os sete Sacramentos e a sua celebração, «com relevância para o Batismo (se ainda o não receberam) e para a Reconciliação e Comunhão ou Eucaristia.
Isabel Simões reconhece que há pais responsáveis que se preocupam com a educação religiosa dos seus filhos, participando nas reuniões e acompanhando-os à Eucaristia, mas há outros pouco assíduos. As situações mais complicadas surgem com pais separados, sobretudo se houver divergências quanto à formação religiosa dos filhos. E há pais que somente se interessam com a formação para a Primeira Comunhão, esquecendo que a adesão à fé é tarefa para toda a vida do cristão.
O abandono das crianças da catequese deve-se, em sua opinião, «aos novos contextos socioculturais, novas filosofias sobre a família e a não transmissão da vivência da fé aos filhos. Reza-se muito pouco nos lares cristãos. A palavra comove, mas o exemplo arrasta», disse.
Isabel Simões sente que «os catequistas se preocupam com a sua formação nesta área específica», como noutras, salientando que «a paróquia tem proporcionado encontros mensais, para quem tem vontade e disponibilidade de participar». 
Garantiu, entretanto, que «os catequistas agradecem a Deus o terem tido a possibilidade de, ao longo destes três anos, acompanharem e valorizarem estas 92 crianças, assim como os seus pais». E concluiu, frisando: «Nós, catequistas, acreditamos que semeamos; Deus faz crescer e os frutos aparecerão a seu tempo, no tempo de Deus e não no tempo dos nossos projetos.»
Depois da Eucaristia, seguiu-se a procissão com Jesus Sacramento. Foi seguido um trajeto mais curto do que o habitual porque o tempo, de chuva quase permanente, não permitiu outra hipótese. 
Ensaiou e dirigiu os cânticos Marlene Cirineu.

Fernando Martins

NOTA: Texto preparado para o jornal Timoneiro do mês de maio.

Comentários