Valdemar Aveiro lança mais um livro

Uma obra com histórias pitorescas e picarescas

Capitão Valdemar, ao centro, com  amigos

Valdemar Aveiro lançou hoje, 20 de dezembro, no anfiteatro do Museu Marítimo de Ílhavo, o seu mais recente livro, “Ecos do Grande Norte — Recordações da Pesca do Bacalhau”, que foi «um filho tardio», porque «julgava já não ter disposição de espírito para escrever». O autor, que ontem completou 80 anos de vida, afirmou tratar-se de um trabalho que teve «seis meses de gestação», o que prova à evidência a sua capacidade de trabalho, alimentada por excelente memória e vontade de comunicar vivências dos ílhavos «num deserto de água salgada».
O capitão Valdemar, como é mais conhecido, viveu 65 anos ligados ao mar, entre moço e oficial, mas ainda como membro da Administração da Empresa de Pescas S. Jacinto.
Ao encerar a sessão do lançamento do seu livro, criticou as contrapartidas da UE que levaram «ao desmantelamento da nossa frota». «Deram-nos dinheiros para não produzirmos», afiançou.
Evocou épocas em que Ílhavo pontificava na oficialidade dos navios, para além dos contramestres, cozinheiros e motoristas, que também eram ilhavenses. Nessas alturas, Ílhavo era uma terra de «passagem de modelos» nas ruas, pela forma como as mulheres  se arranjavam. «Muitos estrangeiros ficavam por cá atraídos pelas sereias», frisou. Mas presentemente, Ílhavo «é uma terra descaracterizada», disse.


Na sessão do lançamento da obra “Ecos do Grande Norte — Recordações da Pesca do Bacalhau”, marcou presença o presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, estando na mesa Álvaro Garrido, consultor do Museu Marítimo, que escreveu o prefácio, Artur Aguiar que apresentou o livro e Batista Lopes, em representação da Âncora Editora, para além do autor.
Artur Aguiar enalteceu o prefácio, «excecionalmente bem feito», acrescentando que no trabalho de Valdemar Aveiro «há histórias pitorescas e picarescas que alimentam uma certa forma de estar; histórias simples do dia a dia, sem tristeza ou desalento». E disse que o autor, «não estando no mar está lá todos os dias». Também considerou como de grande interesse as diversas fotografias publicadas, tal como o glossário, no fecho do livro, onde o autor explica palavras e expressões do linguajar bacalhoeiro e outros homens do mar. 
Álvaro Garrido realçou, parafraseando Jorge Luís Borges, que «os bons livros não precisam de prefácios», até porque «são escritos no fim e postos no princípio». Referiu que «há cada vez mais homens do mar a escrever as suas memórias, o que é muito bom», pois que «a grande saga da pesca do bacalhau é desconhecida dos portugueses». E homenageou Valdemar Aveiro, «homem reto, profundamente incisivo e radicalmente ético».
Batista Lopes falou do autor e da sua obra, com quatro títulos na Âncora Editora, manifestando o desejo de que outros trabalhos venham no seguimento de “Ecos do Grande Norte — Recordações da Pesca do Bacalhau”.
Fernando Caçoilo aplaudiu Valdemar Aveiro pela obra lançada no Museu de Ílhavo, «que é a nossa casa de tudo quanto diz respeito ao mar», lembrando que esta terra «é a capital do bacalhau». Afiançou que «em todas as nossas casas se fala da pesca do bacalhau, porque todas as famílias têm ou tiveram alguém ligado ao mar e à pesca». E informou que a Câmara de Ílhavo já ofereceu este livro a todos os funcionários e membros da autarquia, esperando que não seja a última obra do capitão Valdemar.

Fernando Martins

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