PERGUNTA CRUCIAL, RESPOSTA SUBLIME

Uma reflexão semanal de Georgino Rocha

O ser humano tende a fazer perguntas que saciem a sua curiosidade e fome de saber. É sinal dos limites da natureza finita e da aspiração infinita do seu espírito. Faz perguntas desde a mais tenra idade e sobre os mais diversos assuntos, chegando normalmente a interrogar-se sobre o sentido da vida, a identidade pessoal, a convivência em sociedade, o futuro após a morte, Deus, Jesus Cristo, Igreja, família.
Tem tendência a interrogar Deus, a pedir-lhe explicações dos seus actos, a julgá-lo no “tribunal da razão” pelas suas ausências e cumplicidades.
A pergunta do ser humano é um eco das perguntas que Deus lhe faz ao longo da história: Adão, onde estás? Caim, que fizeste do teu irmão? Povo meu, que te fiz eu? Responde-me – suplica por meio do profeta. E vós, quem dizeis que eu sou? – indaga Jesus aos seus discípulos.


Este modo de ser manifesta a relação mais profunda e o diálogo mais salutar que, naturalmente, se estabelece entre ambos: criatura e criador, ser carenciado à deriva e salvador com todos os recursos, ser peregrino na história e senhor do tempo e da eternidade.
Deus dá sempre resposta à interrogação do ser humano, embora possa não ser a que este espera. Importa estar atento. O ser humano nem sempre responde às perguntas feitas por Deus à consciência pessoal e social. Daí, a necessidade de reconsiderar e de reorientar a atitude assumida, desfazendo o desvio e procurando a sintonia.
Jesus, fiel intérprete de Deus e do homem, entra na lógica da pergunta e da resposta. E, dirigindo-se aos discípulos, questiona-os algumas vezes, sobretudo quando pretende verificar o reconhecimento da sua identidade e da sua missão. (Mt 16, 13-20) Que dizem a meu respeito? E para vós quem sou eu? Perguntas feitas junto ao mar de Tiberíades e que têm repercussões universais, interpelação dirigida a um grupo e que se destina a toda a humanidade, ao longo dos tempos.
Ontem como hoje, as respostas são várias, denotando uma diversidade de posturas face ao reconhecimento de quem é Jesus e da missão que realiza. Coincidem todas em identificá-lo com algum dos grandes profetas.
O resultado desta recolha é excelente. O estatuto de Jesus havia evoluído de humilde filho de artesão e atingido a dimensão dos maiores profetas de Israel. Mas, fica manifestamente aquém da verdade. Por isso, vem a insistência: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Pedro, cheio de entusiasmo espontâneo, exclama: “Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo”. Acerta em cheio e, por isso, é declarado feliz. O acerto fica a dever-se a uma revelação recebida do Pai celeste.
A pergunta de Jesus é dirigida, agora, a cada um de nós. Que resposta lhe damos? A dos jovens que vibram com a novidade da mensagem, a beleza das atitudes, a valentia da contestação, a determinação em ir até ao fim, o amor confiante no Pai, mesmo nas horas mais difíceis? Ou a dos que o vêem como um guru espiritual, um bom narrador de parábolas à maneira dos mestres de Israel? Jesus é tudo isto, mas por ser o Messias, o filho de Deus. Esta é a verdade suprema e bela que convém alcançar.
Outras pessoas assumem atitudes diferenciadoras: Jesus, o libertador das classes oprimidas, o hippy extravagante num sistema social estratificado.
A resposta de Pedro fica como modelo de quem reconhece Jesus, verdadeiro Filho de Deus. E, por isso, se converte em pedra firme pela fé que professa, em edifício humano com o coração aberto pelas chaves do amor, em árvore enraizada que aguenta todo o vendaval da provação e, confiante, aguarda o tempo de dar frutos apetecidos e saborosos. Como em Pedro, o apóstolo; como, assim esperamos, em tantos cristãos.



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