Um livro da Fernanda Matias


"De mangas arregaçadas pela escada da vida"

Fernanda Matias com Luís Loureiro, no momento dos autógrafos

No sábado, 24 de agosto, à noite, na Casa José Engling, junto ao Santuário de Schoenstatt, foi apresentado um livro de Fernanda Matias, conhecida gafanhoa que à sociedade se deu com entusiasmo, espalhando e criando imensas amizades. Daí os amigos, cerca de 200, de diversos quadrantes, que quiseram manifestar-lhe a sua simpatia, direi mesmo o seu carinho, tanto mais que ela foi, durante décadas, uma dedicada catequista, deixando em cada catequizando e nos seus familiares genes de ternura para toda a vida. 
Lurdes Matias, filha da autora, afirmou na abertura da sessão que o livro de sua mãe «não é nada de especial», mas não deixa de ser um seu irmão «que vai nascer hoje». E acrescentou: «Ao fim de 50 anos ter um irmão é uma festa.» Ainda frisou que para si é uma alegria grande saber que a sua mãe «tem muitos amigos».


"De mangas arregaçadas pela escada da vida" é um livro de 173 páginas cheias de recordações da autora, ao jeito de quem fala, não se coibindo de, bem ao seu estilo, enredar histórias umas nas outras, como quem tem medo de as perder pelo caminho. As suas memórias, que o são de facto, saem enriquecidas com fotografias que retratam facetas dos seus quotidianos. Isto mesmo diz Fátima Pina, redatora do escrito de Fernanda Matias, que um dia, à mesa, sem meias tintas, lhe atirou frontalmente: «E se eu escrever um livro tu passa-lo para o computador?» 
Num caderno grande, de capas pretas, a Fernanda escreveu, escreveu, e a Fátima cumpriu o prometido e o livro nasceu, vindo a lume com testemunhos de amigos que desfiaram a dedicação, a força, a coragem, a alegria e o otimismo da autora, que teve de enfrentar imensos sacrifícios, sozinha, para criar a filha Lurditas, pois o marido, o José Maria, faleceu no naufrágio da traineira Praia da Atalaia, em 24 de novembro de 1963. Estiveram casados dois anos apenas. 
Fátima Pina evocou os desafios que a Fernanda Matias lançava na Catequese aos meninos e meninas que orientou nos primeiros passos da procura e vivência da fé, sendo garantido que em todos os momentos a alegria estava presente, como sempre está onde quer que ela esteja. 
O trabalho ora publicado não se limita às memórias da autora, pois não faltam as suas reflexões, conselhos e relatos de uma existência cheia. "De mangas arregaçadas pela escada da vida" traduz as dificuldades de outros tempos, enquanto mostra que «a nossa vida é uma caminhada, onde nos vamos transformando e aprendendo com as coisas boas e com as coisas menos boas», sublinhou Fátima Pina.
Ribau Esteves, que falou na qualidade de amigo da Fernanda, quis deixar duas notas muito simples: A primeira, para lhe agradecer «a partilha, a aposta e o engenho patente no livro», acrescentando que «a história das terras é o somatório das histórias da sua gente». E na segunda nota dirige um desafio a todos «os construtores das nossas terras», para fazermos estes «exercícios de solidariedade», para que possamos ao longo do tempo «deixar algo que mostre como crescemos e como nos desenvolvermos». «Uma das pobrezas da nossa terra é estar muito pouco escrita; é muito importante que daqui a um século ou dois quem cá estiver não diga o mesmo», referiu Ribau Esteves.
Animou a sessão a Magna Tuna Cartola da Universidade de Aveiro, a que pertence o neto da Fernanda Matias, Pedro Gabriel.

Fernando Martins


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