O meu pai

Para o meu querido pai, 
com imensa saudade da sua presença física


O meu pai está sempre presente na minha vida. Faz parte integrante do meu pensar e agir. Nunca o vi zangado e quando a minha mãe, Facica de temperamento, lhe dizia alguma coisa menos agradável, o que acontece, aliás, com qualquer casal normal, era certo e sabido que o meu pai reagia com um sorriso. Era um sorriso que nos envolvia e contagiava pela sua serenidade.
O meu pai, Armando Lourenço Martins, Armando Grilo como era mais conhecido, foi menino para a pesca do bacalhau. Nunca teve tempo para brincar, muito menos para estudar. E por lá andou enquanto pôde e a família exigia. A sua grande preocupação concentrava-se no bem-estar da mulher e filhos. E como gostava ele de me ver brincar com o meu irmão, três anos mais novo do que eu… E às tantas dizia: «Chega por hoje, também é preciso fazer outras coisas, vamos ajudar a mãe.»
Tenho a certeza de que Deus, que meu pai me ajudou a descobrir pela porta da bondade, da ternura e do amor, o tem no seu regaço maternal, onde espero encontrá-lo um dia. Aí, teremos todo o tempo do mundo para conversar, na companhia da mãe Rosita Facica e do Armando, o nosso Menino.

Fernando Martins

Nota: O meu pai nunca usou barbas, mas um dia, quando chegou da viagem, apresentou-se assim para espanto de todos nós. Perante a nossa reação, logo esclareceu: «Calma, é só para tirar a fotografia.» E lá foi a Aveiro resolver a situação.  

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