Crónica. Sansões e Dalilas

Crónica e foto do Observador


«Nem o Governo tem a força de Sansão para enfrentar as instituições europeias, nem a direita foi uma Dalila traidora que entregou o poderoso Sansão aos filisteus porque não cumpriu o défice de 2015. Na Europa hoje só há poderes moderados – não há Sansões – com a exceção da Alemanha, da França que é a França, e dos que se vão embora, os britânicos. Como Portugal é Portugal – e António Costa não tem super-poderes para enfrentar Bruxelas –, o debate de hoje foi a cantiga do tempo que volta para trás. “O tempo não volta para trás”, disse o primeiro-ministro a Passos Coelho. “Desista de se manter em 2015 porque o mundo está em 2016”. Assistimos a uma bela sessão de passa culpas.»

NOTA: Sou dos que estão cansados de ouvir a lengalenga do costume nos debates sobre o Estado da Nação. É sempre o mesmo. Uma pasmaceira sem nada de novo com vista ao futuro deste recanto à beira mar plantado. Quem governa acusa sempre o passado e quem está na oposição acha que Portugal não tem legitimidade para escolher os seus governantes. Vai daí, surge o insulto, a grosseria, a mesquinhez, o berro, o ataque gratuito. Só conseguem ver nos adversários políticos inimigos a abater, a qualquer preço. E ninguém se lembra que o país e o povo precisam que se olhe, com coragem, para a frente. O passado é passado. Enterrem-no, por favor. E governem melhor, se souberem. Nas próximas eleições o povo tirará as suas ilações. 

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