VIAGEM À TAILÂNDIA: UM DOMINGO APOTEÓTICO

Crónica de viagem de Maria Donzília Almeida
Dia 10 de agosto – domingo



De manhãzinha, bem cedo, saímos para visitar o emblemático templo Wat Rang Khun, conhecido como o White Temple, uma maravilha de desenho e arquitetura contemporânea, totalmente diferente de qualquer outro templo na Tailândia, por ter o seu “ubosot” (sala de reuniões sagrada) desenhado em cor branca onde foi usado, entre outros materiais, o cristal branco.
Situa-se no norte da Tailândia, em Chiang Rai, o mais belo e o mais excêntrico templo budista do mundo. O Wat Rong Khun encanta pela sua opulência e a cor branca simboliza a pureza do Buda. Projetado pelo artista tailandês Chalermchai Kositpipat, o White Temple começou a ser erguido em 1998 e só será concluído em 2070. De longe, tem um ar majestoso – a construção e o jardim são tão lindos que não parecem reais. Um belo lago cercado por simpáticas criaturas mitológicas completam a paisagem. Mas um olhar mais atento revela monstros, aliens e demónios por todos os lados.





Para entrar deve-se seguir o caminho frontal e passar pela ponte como um ritual de purificação. Há um mar de mãos desesperadas que representam o mal e as trevas. Seguem-se dois guerreiros em posição de ataque que impedem que o mal cruze a entrada do templo, onde ficamos surpreendidos com a estátua de cera de um monge meditando que parece real. A Norma esclareceu-nos! Nas paredes, é possível observar pinturas bem atuais de personagens como o Super-Homem e o Neo, de Matrix que podem ser interpretados como defensores do mal. Há também uma pintura de um avião chocando com as torres gémeas e muitas referências à cultura ocidental.
A presença de tantos elementos ocidentais é, ao mesmo tempo, o que causa estranheza e o que atrai turistas ao White Temple. Esse é um dos poucos locais do sudeste asiático em que não estamos cercados de símbolos religiosos e mitológicos que mal conhecemos. Conseguimos identificar os nossos próprios ícones – e talvez por isso o artista os explore de forma tão dramática, para tornar inevitável a reflexão.


Kositpipat explica que sua arte se refere ao “assassinato da inocência” e que nenhum super herói é capaz de nos salvar. 
O templo Wat Rong Khun é realmente fantástico, cheio de simbolismo e traz-nos muita informação sobre a religião budista.
Foi uma manhã de domingo muito intensa, mas apesar de nos termos dedicado a esta contemplação do budismo, também houve lugar à celebração da eucaristia numa igreja católica. A Tailândia é um país tolerante onde há lugar a outros credos e outras formas de venerar Deus.
De tarde, fomos transportados para o aeroporto de Mae Fah Luang onde tomámos o avião, de regresso a Bangkok.
Aí, na capital, para acabar o dia em beleza, fomos dar um passeio de barco no rio Chao Praya, onde nos foi servido um jantar a bordo, ao som de música tailandesa ao vivo. À noite, a temperatura é mais amena e já se respira outro ar. A leve e morna brisa do rio, afagava-nos o rosto, numa carícia muito apreciada. Seguiu-se a exibição de danças tradicionais do país, que arrebatou alguns companheiros de viajem para ajudarem à festa! Foi apoteótico!



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