A ausência do patriarca

6 de Janeiro


DIA DE REIS
Maria Donzília Almeida

A celebração católica do Dia de Reis está associada à tradição natalícia, segundo a qual, três magos do oriente, chamados Gaspar, Belchior e Baltazar visitaram o Menino Jesus, na noite de 5 para 6 de Janeiro, trazendo-lhe de presente, ouro, incenso e mirra.
Segundo a tradição, nesta festividade, volta a reunir-se a família, encerrando-se assim, o ciclo dos festejos de Natal. Repetem-se na Noite de Reis, as iguarias de Natal: bacalhau com batatas, bolo-rei, pão-de-ló, rabanadas, sonhos, entre outras, que atropelam os propósitos de muita boa gente que perde a linha, nesta quadra de excessos gastronómicos.

É também o dia em que se cantam as Janeiras, uma tradição enraizada na nossa cultura de país católico, com mais incidência nos meios rurais. O nosso cantor/poeta Zeca Afonso foi um divulgador do tema, numa canção que o imortalizou: “vamos cantar as Janeiras...”
É neste momento de rescaldo da quadra natalícia, com todo o seu glamour de marketing e consumismo desenfreado, que apetece fazer o balanço da nossa vida e ganhar energias para a caminhada dum novo ano que temos pela frente.
Reportando-me à minha vivência pessoal deste Natal devo referir com amarga tristeza que não foi um período feliz. Foi este ano, o primeiro em que a ausência do patriarca Zé da Rosa se fez sentir de forma impressiva. Habituados que estávamos, à sua presença viva e marcante, na mesa da consoada, foi-nos difícil festejar e viver o espírito natalício, sem esta referência familiar. A vida é mesmo assim, um processo descontínuo que nos obriga, a cada instante, a novas adaptações e reformulações das nossas experiências pessoais.
Resta a convicção aconchegante que no lugar onde estiver, em paz, continua a velar pela união e conciliação da família, valores por que sempre pugnou, durante a sua passagem pela terra.
Na mesa da consoada, o seu habitual lugar foi mantido e respeitado e uma oração foi elevada, em sua memória. Paz à sua alma!

06.01.2014

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