O mais antigo templo das Gafanhas



A Capela de Nossa Senhora dos Navegantes 
completa 150 anos de existência 



Em 3 de dezembro de 1863, completam-se agora 150 anos, deu-se início no Forte da Barra à construção da capela de Nossa Senhora dos Navegantes, conforme escreve o Padre João Vieira Resende no seu livro “Monografia da Gafanha”. Diz o primeiro prior da Gafanha da Encarnação que as obras decorreram «sob a direção do engenheiro Silvério Pereira da Silva, a expensas dos Pilotos da Barra, sendo então piloto-mor um tal senhor Sousa». 
As obras importaram 400 mil reis e na parede, refere o Padre Resende, tem uma lápide que diz “Património do Estado”, acrescentando: «Há de interessante e invulgar nesta capela as suas paredes ameadas e a ombreira da porta principal, de pedra de Ançã, lavrada em espiral com arco de ogiva. Celebra-se a sua festa na última segunda-feira de setembro com enorme concorrência de forasteiros das Gafanhas, de Ílhavo, Aveiro e Bairrada. Nesse dia, Aveiro é um deserto por se terem deslocado para ali muitos dos seus habitantes. A procissão ao sair do templo segue por sobre o molhe da Barra e regressa pela estrada do sul que vem do Farol. A festa é promovida pela Junta Autónoma da Barra.»
A Capela do Forte da Barra foi reconstruída em 1996, mantendo-se ainda ao culto a cargo da paróquia da Gafanha da Nazaré. Antes da reconstrução e mesmo depois celebrava-se a eucaristia vespertina, quer para os residentes, quer para os demais gafanhões, que nutriam, certamente, alguma devoção por Nossa Senhora dos Navegantes. 

Fernando Martins

NOTAS: 

1.Tenho estado a averiguar quem é o «tal senhor Sousa», que era ao tempo piloto-mor da Barra. Quem souber, pode dar-me uma ajuda,  para eu evitar algum esforço nas pesquisas;

2. No dia 3 de dezembro, se Deus quiser, passarei por lá, em jeito de homenagem a Nossa Senhora dos Navegantes, ao tal piloto-mor e a quem contribuiu para a sua construção e manutenção;

3. Permitam-me que evoque o senhor Germano e sua família, que durante muitos anos cuidaram da capela. Certamente, outros o fizeram, mas julgo que não há registos. Se conheceram alguém que desempenhou essa tarefa, seria interessante que mo comunicassem, para complementar estas notas. 



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