Trajes, danças e cantares enriqueceram o festival da Gafanha da Nazaré






Aspeto da assistência 

Acácio Nunes e Miguel Almeida, conselheiros da FFP
«Qualquer turista que venha à cidade de Aveiro dá a sua voltinha de moliceiro e depois vem para o município de Ílhavo, em especial para as praias da Barra e Costa Nova, para apreciar o Farol mais alto de Portugal e as Casinhas às Riscas», afirmou o presidente da Câmara, Fernando Caçoilo, na abertura do XXXIV Festival de Folclore da Gafanha da Nazaré, que se realizou no sábado, 8 de julho, na “Casa Gafanhoa”, habitação de lavrador rico dos anos 20 do século passado. A atuação dos grupos aconteceu no Jardim 31 de Agosto, com desfile por volta das 21 horas, tendo por cenário a “Casa Gafanhoa”. 
A organização do Festival pertenceu, como desde a primeira hora, ao Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, cujo presidente, Alfredo Ferreira da Silva, saudou os grupos convidados, oferecendo-lhes lembranças e votos de boa estada entre nós. 
José António Arvins, secretário da Junta de Freguesia, manifestou o desejo de que os visitantes se sintam bem na nossa terra. «Desfrutem de cada momento que vão passar entre nós, e mais logo, quando regressarem às vossas terras, levem convosco boas recordações da Gafanha da Nazaré.» Ainda felicitou o GEGN «pela sua já longa história e pela forma cuidada e fiel com que tem preservado os usos e costumes, promovendo-os e divulgando-os». 
O XXXIV Festival de Folclore contou com a participação, para além do grupo anfitrião, dos ranchos de Santa Maria da Touguinha, Vila do Conde; Folclórico de Cabeça Veada, Porto de Mós; “Os Camponeses” de Malpique, Constância; e Folclórico Rosas do Lena, da Batalha. Atuaram a partir das 22 horas  no tablado montado no Jardim 31 de Agosto para agrado dos que apreciam as tradições etnográficas de terras diversas, sobressaindo os trajes, danças e cantares apresentados por Miguel Almeida, conselheiro da Federação do Folclore Português (FFP), instituição que congrega mais de 300 grupos e ranchos. 
Na Casa Gafanhoa, o autarca ilhavense frisou a importância destes festivais que nos permitem conhecer outros usos e costumes do nosso país, desde o litoral até ao interior, mas não deixou de lembrar que o município de Ílhavo é hoje mais marítimo, com «gente que se habituou no passado à pesca do bacalhau, que teve uma importância vital». «Nesta terra, em que os homens iam para a pesca do bacalhau, as mulheres ficavam a tratar dos filhos e das terras, transformando o areal em terra de cultivo». Presentemente, sublinhou Fernando Caçoilo, «semear e plantar é coisa do passado», apresentando-se a Gafanha da Nazaré muito mais urbanizada. 
Dirigindo-se mais aos visitantes, adiantou que o GEGN «tem sido uma referência na área das nossas tradições», apesar de ser uma freguesia muito recente, com pouco mais de 100 anos».
Miguel Almeida, que apresenta o Festival de Folclore da Gafanha da Nazaré há mais de 30 anos, disse que os grupos e ranchos filiados na FFP «não têm outros remédio senão responder às exigências da federação», adiantando que «está em curso uma “vigilância” por parte dos conselheiros, os quais avaliam os grupos filiados constantemente, de forma pedagógica». Quando há desvios, os referidos conselheiros «vão chamando a atenção, no sentido de se proceder às correções devidas, porque é preciso primar pela qualidade». Contudo, afiançou que tem havido sempre diálogo até se atingir o consenso. E sobre o surgimento de novos grupos, confirmou que têm aparecido alguns, mas reconhece que «manter os que existem já é um ato heroico». 

Fernando Martins

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