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A mostrar mensagens de Julho, 2017

Navio-museu Santo André - Camaratas

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«As camaratas de proa são um conjunto de 6 camarotes com capacidade para alojar 40 homens. Cada tripulante ocupa um beliche e um cacifo. Ao centro do camarote há um aquecedor a água, essencial para suportar o frio do Atlântico Norte.»
Li aqui

Júlio Cirino — Ilha Terceira – Carnaval

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O Carnaval ocupa um lugar de destaque nas festividades da ilha Terceira. O “bailinho”, designação popular para uma representação teatral acompanhada por música, é o principal entretenimento no Entrudo. “As chamadas ‘Danças de Carnaval’, às quais assistem milhares de terceirenses, são o maior encontro de teatro popular em língua portuguesa que se faz em todo o mundo.”  Os membros de cada “bailinho” criam o enredo, a música e a coreografia da peça. O traje também é da sua autoria. Estes grupos podem representar uma paróquia, uma casa do povo, uma sociedade filarmónica, uma instituição de solidariedade ou até um partido político.  Existem várias categorias de danças e “bailinhos”. As “danças de espada”, as “danças de pandeiro” e os “bailinhos” masculinos, femininos ou mistos.  O “bailinho” começa com uma cantiga acompanhada por tocadores de cordas e de instrumentos de sopro. Segue-se uma peça teatral sobre um tema escolhido e tudo termina com mais uma cantiga. Cada espectáculo tem a dur…

Praia da Barra em tempo de verão

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Mesmo com tempo sem sabor a verão, fui de fugida à Barra para me encontrar com um amigo e para apreciar o movimento próprio da época. Sem o sol que tanto aprecio, dei conta de centenas e centenas de pessoas de todas as idades que, apressadas, queriam beneficiar de algum calor iodado apesar do ventinho irritante. De trouxas às costas: mantas, cestos, guarda-sóis, toalhas, chapéus e roupas de agasalho, talvez adivinhando o pior, lá rumavam ao areal.  Quis estacionar o carro, mas nenhuma porta se abriu e fugi então para a beira-ria, onde o sossego era mais sentido e vivido. Gostei do que vi. E também por ali fiquei a contemplar a azáfama dos mariscadores, as águas calmas da laguna, uns pescadores na sua faina silenciosa e desprendida. E ao longe, não muito, está bem de ver, o casario do Forte, de S. Jacinto, do Farol e o  céu azul, com convites para que volte sem intenção de pisar a areia, que não aprecio. Boas férias para todos.

Georgino Rocha — Divorciados recasados

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A IGREJA EM MOVIMENTO DE AJUDA
“Vamos levar connosco a «Alegria do Amor» para, em férias, revisitarmos toda a exortação do Papa Francisco que, durante o ano, andámos a ler com um grupo de casais amigos”. E adiantam que “não se pode deixar passar, sem especial cuidado, mensagem tão importante.” Agradecia-lhes a informação, felicitei-os pela decisão tomada e anunciei-lhes que também eu a estava a reler e a tomar notas que, de vez em quando, dava a conhecer. Algumas dessas notas versam sobre os divorciados recasados que, sendo cristãos praticantes, querem viver a comunhão possível na Igreja. “Não é a «Amoris laetitia» que põe a família em crise. É a crise da família que põe a Igreja em movimento.” Esta afirmação pertence ao cardeal José Farrell, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida. E constitui uma chave de leitura que ajuda a ver com atenção o que vem a público sobre a recepção da “Alegria do Amor”, sobre a relação entre a família e a Igreja, sobre a clara opção es…

Aí o tens, boa amiga, o vasto, o poderoso Oceano! Procura conhecê-lo

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Uma leitura para este tempo é ou pode ser Ramalho Ortigão. Um clássico porventura a cair no esquecimento. Dele não conhecia muito. Umas Farpas e textos de antologias.  Graças à Editora Quetzal, estou a ler [2014] "As Praias de Portugal - Guia do Banhista e do Viajante", cuja primeira edição data de 1876. As nossas praias, Barra e Costa Nova, não lhe mereceram qualquer referência. Apenas diz que a Costa Nova era frequentada por algumas famílias de Aveiro e seus subúrbios. Nem o Algarve está no mapa.  De qualquer forma, o leitor fica ao alcance de bons nacos de prosa e de informação variada. E não faltam curiosidades científicas, decerto já ultrapassadas. Já lá vão uns 150 anos.  Deixo aqui um pedacinho dedicado às mulheres, que talvez possua um fundo de atualidade, com poesia para este tempo. Boas férias para todos.




«Aí o tens, boa amiga, o vasto, o poderoso Oceano! Procura conhecê-lo. Ele será o teu melhor, o teu mais fiel amigo, o teu médico, o teu mestre, o namorado do te…

Um poema para tempo de férias de Rainer Maria Rilke

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Amo-te, ó lei mais suave,
na qual amadurecemos, quando com ela em luta estávamos;
ó grande saudade que não dominámos,
ó floresta da qual nunca saída encontrámos,
ó canção que em cada silêncio cantámos,
ó rede de obscuridade,
em que nossos sentimentos presos abrigávamos.

Tão infinitamente grande te começaste,
naquele dia em que nos começaste,
e tanto amadurecemos nos sóis de tuas horas,
tanto nos alargámos e nos plantámos profundamente,
que em Homens, Anjos e Nossas Senhoras
agora te podes cumprir descansadamente.

Deixa a tua mão na encosta dos céus pousar
e tolera em silêncio o que te estamos na sombra a preparar.

Rainer Maria Rilke (1875-1926)
In «O Livro de Horas», ed. Assírio & Alvim

Bento Domingues — Jesus não gostava de broa? (1)

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1. A interrogação desta crónica tem raízes ocultadas e persistentes na teologia dos sacramentos. Regressou devido a graves problemas alimentares e simboliza a marginalização de questões abafadas na reflexão e na prática da inculturação da fé cristã. Saltou para aqui por alguma falta de humor. O Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, dirigiu uma Carta aos Bispos diocesanos — ou àqueles que, por direito, lhe são equiparados — para lhes recordar o dever de vigiarem a qualidade do pão e do vinho destinados à Eucaristia e à idoneidade daqueles que os fabricam. Um amigo, pouco versado na linguagem litúrgica, reagiu: querem ver que a ASAE já chegou à Missa!? Acrescentei: ou será que já andam para aí a celebrar com broa de milho? Um padre, muito zeloso, não gostou nada dessas mansas piadas: não admito que se brinque com uma das realidades mais sérias da nossa fé! Quando tentei mostrar que a carta não era sobre a Eucaristia, mas apenas …

Georgino Rocha — A beleza do ministério e a fragilidade humana do padre

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O alarme chega de Dublin. Uma linha SOS-emergência foi pedida por uma associação de padres na Irlanda. A notícia adianta algumas razões do pedido, destacando o risco de crises graves que podem ser fatais. Crises a que não serão alheias situações como depressão, stress saturante, sobrecarga de responsabilidades, desproporção de recursos humanos face aos desafios a enfrentar, experiências de inadaptação às linguagens e culturas de hoje, sensação de inutilidade eclesial e de insignificância social. Entre outras, claro. O alarme disparou numa altura em que estava a acompanhar a informação de nomeações canónicas para novos serviços pastorais feitas em várias dioceses da Igreja portuguesa. A impressão mais marcante que me veio à memória e agita a consciência é a de que muitos padres estão disponíveis para o exercício do ministério, para a mudança de funções, para o “morrer no seu posto”. Atitude admirável em que a beleza do ministério brilha na fragilidade humana! Espelho de Igreja que pre…
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A Urbanização da Quinta da Barra, na Praia da Barra, Gafanha da Nazaré, passa a designar-se por «Parque Urbano Paulo Henriques “O Paulinho”», em homenagem ao Campeão Europeu e Mundial, mas também recordista do Guiness. Diz um comunicado da Câmara Municipal de Ílhavo que o atleta “Paulinho” conseguiu «estes feitos», os quais «são conquistas de um gigante atleta que tem a particularidade de ser portador de trissomia 21».  Ao homenagear deste modo o "Paulinho", a autarquia ilhavense apresenta-o como exemplo a seguir por toda a nossa juventude de todas as idades.  Os nossos sinceros parabéns.

Mons. João Gaspar — Uma palavra de gratidão

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Como é público, Mons. João Gonçalves Gaspar, Monsenhor apenas para os aveirenses e amigos, deixou a missão de Vigário-Geral da Diocese de Aveiro, dando lugar ao Padre Manuel Joaquim Rocha, recentemente empossado no cargo pelo nosso Bispo, D. António Moiteiro, depois de consulta ao presbitério aveirense.  Mons. João Gaspar desempenhou o cargo cerca de 30 anos com a delicadeza e proficiência que lhe são conhecidas, só próprias de pessoas simples, de alma lúcida e competência indiscutível. Todos quantos o conhecem sabem que Monsenhor cultivou na vida a arte de saber escutar e o espírito de gerar consensos e de animar relações de proximidade com toda a gente.  Conheço-o desde que começou a servir os Bispos da restaurada Diocese de Aveiro, sendo o braço direito e o conselheiro profícuo, ou não fosse ele um conhecedor profundo da área diocesana, cujos cantos e recantos cheios de histórias conhece como as suas próprias mãos. Vi-o ainda padre ao lado de D. João Evangelista, D. Domingos da Ap…

Ler um livro...

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Ler um livro de pensamento exigente
com um forte desejo da verdade
sem avidez em saber
sem pretensão de disputar
mas por gosto, por amor da verdade
Abrir a porta profunda
a todo o pensamento que emerge
e deixá-lo permanecer em paz
de modo que ele venha a dar o seu fruto.


Maurice Bellet
In Cahiers pour croire aujourd'hui,  Novembro 1993

Anselmo Borges — O ateísmo libertino

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1. Marion Gräfin Dönhoff, uma prestigiada jornalista e intelectual alemã do pós-guerra, co-editora do semanário Die Zeit, escreveu, pouco tempo antes de morrer: "O fixar-se exclusivamente no aquém, que corta o Homem das suas fontes metafísicas, e o positivismo total, que se ocupa apenas com a superfície das coisas, não podem dar às pessoas um sentido duradouro e estável, e, por isso, levam à frustração."
2. Paradoxalmente, Nietzsche, o profeta do ateísmo, é testemunha disso. Aquele que, filho de um pastor protestante, fora uma criança piedosa e estudara Teologia, havia de proclamar publicamente, em 1882, através de um louco, em A Gaia Ciência, a morte de Deus: "Deus morreu! Deus está morto! E fomos nós que o matámos!" E continua: "Conta-se ainda que o louco entrou nesse mesmo dia em várias igrejas e aí cantou o seu requiem aeternam deo. Expulso dos templos e interrogado, ripostou sempre apenas isto: "Que são agora ainda estas igrejas senão os túmulos e o…

Georgino Rocha — Diz Jesus: Deixai-os crescer juntos até à ceifa

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Jesus quer mostrar à multidão os segredos do Reino que anda a anunciar. E aproveita para dar aos discípulos explicações complementares em ordem a consolidar a sua formação. As parábolas são um recurso pedagógico frequente entre os mestres dos judeus. Oferecem oportunidades únicas que Jesus sabiamente aproveita. O campo onde, juntos, crescem até à ceifa o trigo e o joio, a sementeira de um e de outro, a relação que se estabelece entre ambos, a reacção sensata e oportuna dos servos contrariada pela atitude paciente do dono constituem elementos preciosos que dão rosto à mensagem a transmitir. E pelo rosto se vai ao coração dos segredos de Deus.
O final das parábolas é, normalmente, surpreendente. O desfecho é provocante. A novidade aparece interpelante. A narração vai deixando elementos que despertam os ouvintes para o inesperado e provocador. E surge a pergunta desestabilizadora: O Deus em quem acreditamos é realmente o Deus de Jesus, o verdadeiro “Abbá”, como Lhe chamava? Aquele que man…

Um conto de Valdemar Aveiro — Heróis que o tempo não apaga

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“Heróis que o tempo não apaga — Um conto real de vida” é mais um trabalho de Valdemar Aveiro, em edição da Fundação Gil Eanes, com apoio da Jerónimo Martins. Trata-se de uma publicação bilingue (Português e Inglês) destinada, decerto, a leitores e estudiosos da saga dos bacalhaus, de que foram protagonistas muitos dos nossos antepassados, os tais heróis que não podem cair no saco do esquecimento porque o autor, como outros, não deixa que tal aconteça. A edição, capa dura, papel de luxo e muito ilustrada é um regalo para os olhos e lenitivo para quem ainda transporta na alma as dores da solidão, do trabalho sem horário e sem descanso, da ausência da família, da impossibilidade ao menos de um simples contacto. José Maria Costa, presidente da Fundação Gil Eanes, na Apresentação, diz que o autor nos descreve «a angústia destes bravos pescadores que, para além de viverem em condições desumanas, com enormes carências, experimentaram a fragilidade dos dóris, rezando para que o número de hom…

Júlio Cirino — Ilha Terceira: Touradas

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Há coisas que se fossem combinadas não correriam tão bem. O tema que escolhi para esta semana foi a “tourada à corda”. O Prof. Fernando Martins pensou no mesmo, por o seu filho Pedro estar de visita aos Açores. Ainda bem, pois um trabalho complementa o outro. Assim sendo, passo a dar a conhecer o que já tinha escrito a este respeito.
Touradas
A ilha Terceira é terra de touros e touradas. Em Angra do Heroísmo existe uma praça de touros frequentada por muitos aficionados. Os irmãos Pamplona, a cavalo, e os “Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica” (de Angra) e os “Forcados Amadores do Ramo Grande (da Praia da Vitória)” são dos nomes mais sonantes na ilha. Mas a verdadeira paixão dos terceirenses são as “touradas à corda”, realizadas nas ruas da ilha entre 1 de Maio e 15 de Outubro de cada ano. Durante este período realizam-se mais de 400 touradas que atraem milhares de aficionados à “festa brava”.
O primeiro registo de um evento desta natureza ocorreu em 1622, ano em que a Câmara Munici…

À memória do diácono José Luís Macedo da Silva

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Após uns breves instantes de reflexão sobre a notícia chegada, logo me veio o convite amável da parábola dos trabalhadores do campo a quem o dono da propriedade havia confiado a missão. “Servo bom e fiel… Entra na alegria do teu Senhor”. De facto assim é. O tempo da labuta e da dor terminou. Foi vivido com paciente espera e grande sofrimento nos últimos anos. O Luís exerceu uma notável diaconia: a do progressivo despojamento e a da entrega confiante na misericórdia do Senhor Jesus. Este longo período veio coroar uma vida de dedicação e serviço. Período em que a esposa nos deu também testemunho admirável. Muitos de nós o acompanhámos com solicitude. Com ele fomos caminhando na esperança e vendo como a fase dolorosa da vida nos ajuda a burilar as asperezas da cruz sempre prontas a afirmarem-se. Com ele, podemos agora louvar o Senhor da missão e pedir-lhe que interceda pela nossa Igreja Diocesana, especialmente pelas vocações ao ministério ordenado. Com ele, vamos acompanhando a Esposa G…

Celebração dos 75 anos da Obra das Famílias em Schoenstatt

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No domingo, 16 de julho, no Santuário de Schoenstatt, na Eucaristia das 18 horas, foi evocada a fundação da Obra das Famílias, que ocorreu há 75 anos, numa época em que, na Igreja Católica, não havia atividades para casais. «No próprio Movimento, as pessoas casadas só podiam integrar-se separadamente: o marido no ramo dos homens e as mulheres no ramo das mães.» Isto mesmo foi lembrado antes de se iniciar a celebração eucarística para situar a realidade humana e eclesial daquele tempo. No mesmo texto, salienta-se que o fundador do Movimento de Schoenstatt, Padre Kentenich, sentia que faltava «uma estrutura que pudesse ajudar cada casal a crescer», no sentido de os esposos serem mais santos. «Ele estava convicto de uma nova sociedade humana e um novo tipo de homem passava pela criação e multiplicação de sólidas famílias schoenstattianas», foi também frisado na abertura da celebração. A missa foi presidia pelo padre Carlos Alberto Pereira de Sousa, dos Padres de Schoenstatt, que à homil…

Gaspar Albino partiu sem avisar

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Gaspar Albino partiu sem avisar. Serenamente, como sempre viveu. Serenamente, mas nunca indiferente à vida, à sua cidade e suas gentes. Deixou-nos órfãos da sua riquíssima e multifacetada sensibilidade. Desde muito jovens se fez homem no pensar, no agir, no estar em sociedade, no assumir responsabilidades, no enfrentar desafios.  O seu percurso de vida, por mais notas de vários tons que acrescentemos à lista longa do que sonhou e fez ficará sempre incompleta e muito pobre, face aos modestos contributos de todos nós na luta por um mundo mais belo, mais solidário, mais fraterno. Homem de sete ofícios e saberes, nunca deixou a humildade de lado como timbre que se projetou na sociedade aveirense que ele tanto amou e dignificou. Tão saborosas eram as suas recordações de infância como sábias se mostravam as suas considerações sobre o que era justo ou injusto para que Aveiro saísse honrada.  Neste momento de dor pela sua partida, resta-nos a certeza de que a sua memória, a sua sorridente bo…

Um poema para a aridez que nos envolve às vezes

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Leio as tuas cartas que não existem mas leio sempre até à última linha precisamente naquela em que educadamente te despedes depois torno a dobrar exactamente pelos mesmos vincos sem jamais os virar ao contrário e meto no sobrescrito ah! já se não diz meto no envelope e com cautela e meticulosidade rasgo-as e os pedacinhos como folhas sem sentido caem no cesto dos papéis que também não existe
como eu gosto de ler as tuas cartas
Francisco D’Eulália, ‘Lelo’, In “Canto Longo & Outros Poemas”, Modo De Ler setembro de 2015

NOTA: Por sugestão do Caderno Economia do EXPRESSO