25 de Abril de 1974 — O Grito da Liberdade

Salgueiro Maia na linha da frente da liberdade
 Ao contrário do que alguns pensam, é sempre oportuno e necessário evocar a revolução dos cravos, que permitiu, com natural heroísmo, mas também com alegrias incontidas, oferecer a liberdade aos portugueses, muitos deles sem nunca a terem sentido e experimentado. E é oportuno e necessário, porque a liberdade pode correr o risco de se perder, levada pela nossa incúria e pela voracidade de ditadores em potência, que pululam por aí. 
Não falta quem vista a camisola contra o 25 de abril, contra as amplas liberdades, contra o atraso económico, contra as injustiças sociais, contra a corrupção e contra a fome que grassa em cada canto deste país “à beira mar plantado”. São protestos com razão, é certo, porque 43 anos são tempo que baste para erradicar as injustiças, mas também é verdade que na sociedade que eu respirei na meninice e na juventude o atraso económico e social era notório. Hoje, apesar de tudo, contrariando os céticos, a sociedade está muito melhor do que antes da revolução.
Antes do grito da liberdade, o analfabetismo tolhia os horizontes do nosso povo, obrigando-o a fugir, pela calada da noite, para sobreviver longe desta Pátria que muito pouco lhe dava. Muitos portugueses desapareciam a salto, calcorreando caminhos nunca vistos, serras e montes inóspitos, traídos muitas vezes por passadores desumanos, deixando para trás a família à espera de pão. E instalavam-se clandestinamente em bairros de lata nos subúrbios de Paris. Anos depois, as casas novas das Gafanhas e de outras terras portugueses ostentavam sinais evidentes das cores e formas que os impressionaram à chegada a França.
A guerra colonial, incompreensível já no mundo civilizado de então, massacrou sonhos e vidas de muitos compatriotas. A cegueira de uns tantos políticos da época anterior ao 25 de Abril espezinhou quem se opôs à utópica bandeira do proclamado Império Português idealizado por lunáticos do chamado Estado Novo. Com o 25 de Abril, finalmente, Portugal descobriu que o mundo não se confinava aos curtos horizontes que bloqueavam os olhos do entendimento do povo luso. De olhos abertos, soube e pôde gritar bem alto… Viva a Liberdade! Viva o 25 de Abril!

Fernando Martins

Comentários

  1. O teu comentário, Fernando, é um Hino à Liberdade que o 25 de Abril ofereceu ao Povo Português, mas que muitos por razões ideológicas, teimam em não admitir!!!

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