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A mostrar mensagens de Março, 2017

Vale a pena ter nascido

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De uma visita à Serra da Boa Viagem, que tanto aprecio. E é deste sítio, mágico e desafiante, que eu tento ver o nosso Farol... sem nunca o ter conseguido. Dizem que é de noite que a sua luz, cadenciada e forte, deve chegar ao cimo da serra. Mas eu insisto, insisto sempre, em vê-lo com os meus próprios olhos de sôfrego amante das nossas paisagens de mar e ria. Um dia, de dia, hei de vê-lo. Bom fim de semana.

Maus tratos na infância

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Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré
Sábados | 1 - 8 - 22 -  29 | Abril


«A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Ílhavo (CPCJ) associa-se à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens e comemora, durante o mês de abril, o “Mês da prevenção dos maus tratos na infância”, através da realização de um conjunto de iniciativas previstas no Plano Local de Promoção dos Direitos da Criança de Ílhavo, que decorrerão na Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré.
Nos sábados de 1, 8, 22 e 29 de abril decorrerá o Ciclo de Workshops, de participação gratuita, dedicado a temas com especial relevância para a infância e juventude, dirigidos à comunidade em geral e, em especial, a pais, educadores e técnicos da área social, para além das crianças e jovens. Neste ciclo serão abordados temas relacionados com a segurança na Internet, educação para a sexualidade, a prevenção das dependências e o Bullying.»

Ler mais em CMI

Trans-humanismo e pós-humanismo (3)

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Crónica de Anselmo Borges  no Diário de Notícias

As novas tecnologias, que têm que ver com as NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, informática, ciências cognitivas, isto é, ciências do cérebro e inteligência artificial), não deixam de nos surpreender constantemente, de tal modo que transformar e melhorar a espécie humana deixou de ser ficção. A identificação do processo CRISPR/Cas9 permite modificar o mapa genético, escrevendo a este propósito a investigadora Maria do Carmo Fonseca: "Pode ser que pela primeira vez o homem seja capaz de mudar o seu próprio código genético e a longo prazo concretizar o sonho de melhorar a nossa espécie. Não vamos ser imortais, mas poderemos ser super-homens." E criar uma nova espécie, com a bifurcação da humanidade? Os êxitos da computação são igualmente estrondosos nas suas inovações. Assim, por exemplo, já se estreou o primeiro filme escrito por um robô e ninguém deu conta; um robô foi dando aulas online durante um semestre e ninguém se ape…

Carta Aberta a Lázaro de Betânia, Amigo de Jesus

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Reflexão de Georgino Rocha


Senhor Lázaro

Desculpe a minha ousadia, mas tenho necessidade de expressar os meus sentimentos a propósito do seu reviver após a morte. O Evangelho de João faz um belo relato, mas não regista nenhuma palavra sua. Indica apenas atitudes. Reina um silêncio que parece ser a linguagem única que emerge da gruta onde esteve sepultado. Ou, então, um convite a que não se perca o fundamental: Jesus de Nazaré, seu especial Amigo, tem poder sobre a morte e antecipa um sinal da ressurreição que irá viver, após a morte por crucifixão no Calvário.
Expresso a minha necessidade como padre católico. Vivo em Portugal, um cantinho da Europa junto ao Atlântico. Estudo as Escrituras há muitos anos e encontro sempre dimensões novas nos textos sagrados. O que se refere à sua família desperta-me especial interesse. Aprecio o ambiente de Betânia e admiro a mensagem que brilha na relação fraterna com as suas irmãs, especialmente quando cai doente. Quantos cuidados não teriam consig…

Uma hora no Jardim Oudinot

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Hoje à tarde andei pelo Jardim Oudinot a gastar algumas calorias que vêm da vida muito parada que tenho levado. Tinha uma hora livre para o fazer e aproveitei a oportunidade para caminhar por lá, sem vivalma que me distraísse nem me interrompesse. E foi muito bom. Apenas uns pescadores de cana e anzol à cata de alguns robalos para uma boa caldeirada marcaram presença nesta tarde de primavera com um sol tímido.  Num outro canto da larga avenida uns homens gozavam o prazer do convívio, num jogo cujo nome desconheço. Sei que atiram umas bolas de aço, suponho eu, direcionadas para um taco, na tentativa de acertarem nele, o que raramente acontece. Mas acontece de vez em quando. Depois medem as distâncias das bolas, para confirmarem o vencedor. Penso que é assim.  Volta e meia por ali, sem pressas nem correrias, ainda deu para tirar umas fotos que aqui ofereço aos meus leitores, na esperança de que passem pelo Jardim Oudinot, mesmo em dias ainda longe do verão.

6.º Encontro das Comunidades Portuárias

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Amanhã, quarta-feira, 29 de março

O Porto de Aveiro vai acolher amanhã, quarta-feira, 29 de março, o 6.º Encontro das Comunidades Portuárias, estando presentes, para além da comunidade anfitriã, as Comunidades Portuárias da Figueira da Foz, Leixões, Lisboa, Setúbal, Sines e Viana do Castelo. O início dos trabalhos está previsto para as 14h30, sendo a coordenação de João Fugas, Presidente da Comunidade Portuária de Aveiro.
Fonte: CPA

Santa Maria Manuela: Um navio, muitas opções

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«O Santa Maria Manuela (SMM) foi construído em 1937, pertenceu à lendária Frota Branca e enfrentou as adversidades do mar do Norte durante as duras campanhas da pesca ao bacalhau. Agora, totalmente renovado, é um veleiro único com excelentes condições para viagens, eventos e experiências náuticas.»
Ver mais aqui 

O CIEMar-Ílhavo comemora o seu 5.º aniversário

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«O CIEMar-Ílhavo comemora o seu 5.º aniversário no dia 1 de abril, com um programa multifacetado. De manhã o Museu mostra a sua polivalência, com a realização de uma aula de yoga no Aquário dos Bacalhaus e com uma oficina de modelismo náutico. A sessão comemorativa começa às 17:00, com um conjunto momentos de grande interesse: a inauguração da exposição "Ílhavo - Memória e Identidade", um projeto académico da Universidade de Aveiro; a apresentação da publicação “História e Memória do Porto Bacalhoeiro”; a abertura da remodelação da exposição de modelos de navios na Sala dos Mares; e a apresentação do Boletim digital n.º 5 do CIEMar-Ílhavo. Este será mais um dos momentos da comemoração do 80.º aniversário do Museu Marítimo de Ílhavo, que se prolongará até ao fim do ano.

Jardim 31 de Agosto em obras

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O Jardim 31 de Agosto, uma das salas de visitas da Gafanha da Nazaré, está a ser submetida a obras de manutenção pela CMI, o que muito me agrada, como decerto agradará a todos os gafanhões. Digo isto porque não gosto de uma sala de visitas desarrumada, inestética e tristonha. Qualquer pessoa com sentido do belo e do agradável deve valorizar o que tem digno de nota, divulgando, aos quatro ventos, tudo o que nos enriquece. Neste caso, o nosso Jardim 31 de Agosto, mesmo com poucas flores, deve merecer continuamente a nossa atenção. Já agora, permitam-me que volte a lembrar as placas inerentes à estátua do nosso primeiro prior e lutador acérrimo pela criação da  freguesia e paróquia da Gafanha da Nazaré, em 1910.

1.º encontro de Universidades Seniores da região de Aveiro

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Uma organização do Centro Social  Paroquial Nossa Senhora da Nazaré
O Centro Social Paroquial da Gafanha da Nazaré, através da sua Universidade Sénior, está a organizar o 1.º encontro de Universidades Seniores da região de Aveiro, no dia 26 de Maio. Haverá várias comunicações às 14h, na Casa da Cultura de Ílhavo, para as quais é necessária inscrição, a fazer no cartório paroquial, e um sarau cultural às 21h no grande auditório da Reitoria da Universidade de Aveiro, cuja entrada é livre.  Este congresso, que é o primeiro do género na região aveirense, será uma mais-valia para todos os que se empenham na criação e dinamização das universidades abertas aos mais velhos, garantindo ocupações de âmbitos diversos aos que muito deram, e continuam dar, à sociedade. Daqui louvamos o Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Nazaré pela oportuna organização daquele evento.

Uma discussão brava sobre a cegueira

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Crónica de Frei Bento Domingues  no Público

«Andam por aí algumas pessoas e movimentos  a dizer que este Papa, por querer alterar preceitos desumanos,  coloridos de falsa religião, é herético»
1. Já fui solicitado, várias vezes, para acompanhar peregrinações à Terra Santa. Nunca me foi possível e nunca fiquei com muita pena. Não me desagradaria ter os olhos povoados com esses lugares. Até teria algumas vantagens para ler os Evangelhos e conhecer a geografia das viagens missionárias de S. Paulo. Não tenho nada contra o chamado ”turismo religioso” e os seus negócios. Negócio é negócio e pode dar trabalho honesto a muita gente. Confesso que a minha branda alergia resulta da própria leitura dos atrevidos textos do Novo Testamento acerca do culto, dos seus tempos e lugares sacralizados.  No passado Domingo, S. João não deixou escapar absolutamente nada [1]. Desvalorizou, de forma radical, a importância dos templos: o de Jerusalém, dos judeus, e o de Garizim, dos samaritanos. A água do poço do …

A galinha

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Crónica de Maria Donzília Almeida


Estava eu com as mãos na massa, no sentido literal do termo, quando toca a campainha. Não estava a amassar o pão, em concorrência desleal com o diabo que já amassou muito, algum do qual lhe tenha tomado o gosto. Estava apenas a dar uma ajudinha à massa, antes de a pôr na máquina de fazer pão. Uma volta à massa evita que a farinha aglomere nos cantos redondos da cuba e o pão ficando por cozer. Com os avanços da tecnologia, houve uma redução drástica no trabalho das donas de casa, que agradecem, restando-lhes assim mais tempo para a família. Há uma diversidade de eletrodomésticos que facilitam, agilizam e economizam tempo e dinheiro, revertendo a morosidade e fadiga das tarefas domésticas em tempo de exercício e convívio familiar. Tiro as mãos da massa e vou à porta ver quem chamou. Para meu grande espanto, deparo com algo tão insólito quão inesperado: um jovem, cheio de piercings e tatuagens e um corte de cabelo que está na berra – com um rabicho no al…

Coisas que não interessam a ninguém

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Uma crónica de Vítor Bento 
para nos levar a pensar 
um pouco 


«Portugal tem uma das perspectivas demográficas mais desfavoráveis da Europa, quando esta já as tem mais desfavoráveis face ao resto do mundo. Segundo projecções da Nações Unidas, a população portuguesa deverá reduzir-se pelo menos até 2050, sendo a redução particularmente acentuada no segmento etário entre os 20 e os 64 anos. Por outro lado, e como consequência do envelhecimento da população, o segmento com idade igual ou superior a 65 anos continuará a crescer.» (...) «Há 50 anos, existiam cerca de 5.5 pessoas com idade entre os 20 e os 64 anos (potenciais contribuintes líquidos do Orçamento) por cada pessoa com idade igual ou superior a 65 anos (potenciais recebedores líquidos do Orçamento). Actualmente, essa relação andará na ordem dos três para um e em 2050 prevê-se que seja de 1.4 para 1 (isto é, metade da actual).»
Ler mais no DN

"Espelho d'Água", telenovela filmada em Aveiro e Ílhavo

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Para já, tanto quanto me é dado saber, Ílhavo e Aveiro vão andar nas bocas do mundo, graças a uma nova telenovela, já batizada com o nome "Espelho d'Água" e destinada à SIC. Vai custar uns bons milhares de euros às autarquias, na certeza de que as nossas terras e gentes vão estar, julgo que diariamente, nos ecrãs televisivos das casas de muitos telespetadores   O nosso turismo sairá destes investimentos beneficiado? Julgo que sim. Tratar-se-á de uma prioridade? Também penso que sim, até porque o turismo emprega cada vez mais pessoas, e isso é muito bom.

2.º Volume da Bíblia traduzida por Frederico Lourenço

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Já nas livrarias 




Ainda não terminei a leitura do 1.º volume, quer inclui os quatro Evangelhos, e já chegou às livrarias o 2.º volume, para completar o Novo Testamento. Tenho muito que ler, sem contar outras novidades literárias que estão à minha espera.

Frederico Lourenço, sublinha, conforme li no Diário de Notícias:«A tradução completa do Novo Testamento é o melhor trabalho que fiz até hoje.» E sobre as críticas referentes ao 1.º volume, diz: «Nenhuma me irritou porque senti que o acolhimento foi muito positivo. Houve a expressão de um ponto de vista previsível, vindo de um determinado setor religioso, mas isso é normal. Cada denominação do cristianismo tem a sua maneira de abordar a Bíblia. A minha tradução não está pensada para nenhuma delas, portanto tem potencial para desagradar igualmente a católicos, a protestantes, a mórmones ou a Testemunhas de Jeová. Ao mesmo tempo, dentro desses quadrantes religiosos, houve pessoas que se interessaram pela minha abordagem e que acham que es…

Eu fui, lavei-me e comecei a ver

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Reflexão de Georgino Rocha

«Acreditar em Jesus  é acreditar no ser humano,  como ele sempre faz.  Em todas as circunstâncias.» 

A clareza da afirmação deixa perceber a grandeza do acontecido. A simplicidade da resposta reenvia o sentido da pergunta. A brevidade da frase indicia o início de um longo processo. A cura do cego operada por Jesus de Nazaré manifesta as maravilhas de Deus e gera um dinamismo interpelante em círculos humanos progressivamente alargados. Surge um novo modo de ver que marca a caminhada na fé de quem faz o itinerário de iniciação ao baptismo, à vida cristã. (Jo 9, 1-41). Jesus anda em missão. Encontra um cego de nascença. Os discípulos que o acompanhavam ficam inquietos e querem saber o por quê da situação. Pensam que, de acordo com a moral judaica, a doença é fruto do pecado, que tem de haver alguém responsável e era preciso repor a justiça ferida. Não descortinam outros horizontes nem alvitram novas hipóteses. Jesus tem outro olhar. Em vez do por quê, responde com …

Hoje acordei assim

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Hoje acordei assim. Nem podia ser de outra forma, ou não fôssemos nós influenciados pelo ambiente que nos envolve. Que nos envolve e que faz de cada um de nós seres tristes ou alegres, otimistas ou pessimistas, satisfeitos ou insatisfeitos, comunicativos ou taciturnos. E as pedras também sabem dar-nos recados ou refletir verdades. Nuas e cruas, como diz o povo na sua sabedoria sem limites. O frio, próprio do inverno, está a fazer mossa nas pessoas e noutros seres vivos. E até em seres inanimados. O frio estraga tudo. Dá-nos cabo da paciência: Acicata as dores ósseas e musculares, afeta o nosso pensar e agir, obrigando-nos a ficar por casa no aconchego dos cobertores ou dos aquecedores, para quem os tem ou pode ter. Mas ele há de cansar-se de nos incomodar. E a primavera virá, mais tarde ou mais cedo.

Dia Mundial da Água — Razões para refletir

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CARTA ENCÍCLICA LAUDATO SI’
DO SANTO PADRE FRANCISCO
SOBRE O CUIDADO DA CASA COMUM






29. Um problema particularmente sério é o da qualidade da água disponível para os pobres, que diariamente ceifa muitas vidas. Entre os pobres, são frequentes as doenças relacionadas com a água, incluindo as causadas por microorganismos e substâncias químicas. A diarreia e a cólera, devidas a serviços de higiene e reservas de água inadequados, constituem um factor significativo de sofrimento e mortalidade infantil. Em muitos lugares, os lençóis freáticos estão ameaçados pela poluição produzida por algumas actividades extractivas, agrícolas e industriais, sobretudo em países desprovidos de regulamentação e controles suficientes. Não pensamos apenas nas descargas provenientes das fábricas; os detergentes e produtos químicos que a população utiliza em muitas partes do mundo continuam a ser derramados em rios, lagos e mares.
30. Enquanto a qualidade da água disponível piora constantemente, em alguns lugares cres…

Arqueologia na Casa da Cultura de Ílhavo

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PAPALAGUI — O homem branco

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Não tardes, Primavera!

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Flores do meu jardim 








Chegou tímida, muito tímida, a Primavera deste ano. Sol ausente a contrariar a nossa ansiedade, talvez para nos ensinar a esperar, a ter confiança no ciclo da vida a que estamos habituados. A natureza, no seu pensar e agir, tem destas coisas: Gosta de intervir, exercendo o seu papel pedagógico em nosso proveito. A capacidade de espera e a paciência  tranquila são virtudes um pouco desvalorizadas.  A Primavera, a autêntica, sobre a qual fazíamos redações no Ensino Primário cantando a sua beleza, com o desabrochar da vida, das plantas e demais seres vivos, do sol ameno e temperaturas gostosas, hoje muito pouco nos disse.  Agasalhado, saí do meu sótão de máquina em punho. Teimosamente à descoberta de sinais anunciadores de que a Primavera, mais dia, menos dia, estará a bater-nos à porta para nos garantir que vem para ficar. E confirmei que ela vem mesmo a caminho.Oxalá venha depressa. 
F.M.

Primavera - 2017

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O brinde do Google para esta primavera

O meu pai

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Para o meu querido pai, 
com imensa saudade da sua presença física


O meu pai está sempre presente na minha vida. Faz parte integrante do meu pensar e agir. Nunca o vi zangado e quando a minha mãe, Facica de temperamento, lhe dizia alguma coisa menos agradável, o que acontece, aliás, com qualquer casal normal, era certo e sabido que o meu pai reagia com um sorriso. Era um sorriso que nos envolvia e contagiava pela sua serenidade. O meu pai, Armando Lourenço Martins, Armando Grilo como era mais conhecido, foi menino para a pesca do bacalhau. Nunca teve tempo para brincar, muito menos para estudar. E por lá andou enquanto pôde e a família exigia. A sua grande preocupação concentrava-se no bem-estar da mulher e filhos. E como gostava ele de me ver brincar com o meu irmão, três anos mais novo do que eu… E às tantas dizia: «Chega por hoje, também é preciso fazer outras coisas, vamos ajudar a mãe.» Tenho a certeza de que Deus, que meu pai me ajudou a descobrir pela porta da bondade, da ternur…

Não rezem como os gentios

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Crónica de Frei Bento Domingues 
no PÚBLICO




Seria grossa asneira supor que Deus é o substituto da investigação científica, da organização do Estado, do bom funcionamento do ensino, do serviço nacional de saúde, de hospitais de qualidade, do funcionamento da Justiça, da solidariedade, etc.

1. Dizem-me que, hoje, no campo religioso, a espiritualidade é a sua expressão mais chique e o esoterismo, a mais democrática pela numerosa oferta de expedientes, sem os aborrecidos mandamentos das religiões. Há espiritualidades para tudo e mais alguma coisa. Cada uma das ordens e congregações religiosas reclamam-se de uma espiritualidade original, marca da sua identidade. Os diferentes movimentos do laicado católico alargaram esse pluralismo ao apresentar e justificar os seus caminhos e mediações pretensamente inconfundíveis. Redescobriu-se, no diálogo inter-religioso, que o divino Espírito não é propriedade privada de ninguém. Existem movimentos agnósticos e ateus que se reclamam de uma profunda sabe…

Transhumanismo e pós-humanismo (1)

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Crónica de Anselmo Borges  no DN

"Não se pode compreender nada actualmente,  passando ao lado das revoluções tecnológicas."
Embora pouco debatido, está em marcha todo um projecto para modificar o homem, no limite, pensando até na imortalidade, e cientistas trabalham nele, com o apoio financeiro de grandes grupos, como o Google, que tem em Raymond Kurzweil, um génio informático, autor de The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology, o seu mais afirmado profeta. É, pois, relevante que o filósofo Luc Ferry, que já foi ministro da Educação em França, venha, numa obra exigente e pedagógica, La Révolution Transhumaniste, alertar para a urgência da reflexão sobre tão complexa temática: "Não se pode compreender nada actualmente, passando ao lado das revoluções tecnológicas."
1. O transhumanismo, explica Ferry, é um filho da terceira revolução industrial, a do digital e das NBIC: nanotecnologias, biotecnologias, informática, ciências cognitivas, isto é, ciências do cé…

A água de Jesus sacia a nossa sede

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Reflexão de Georgino Rocha

O encontro de Jesus com a samaritana contém uma riqueza admirável de ensinamentos. Pelo que mostra e pelo que simboliza. Para todos os tempos. Centrado nas sedes humanas, envolve outras dimensões pessoais e colectivas, conjugais e familiares, étnicas e religiosas, espirituais e transcendentes. Centrado em dois protagonistas – o judeu Jesus e a anónima samaritana – decorre em ambiente de diálogo pedagógico esclarecedor. Quem necessita passa a dar ajuda e quem dispõe de meios acolhe os que lhe são oferecidos. João, o evangelista encenador e narrador do episódio do poço de Jacob, em Sicar da Samaria, elabora uma excelente catequese que a Igreja integra na preparação dos candidatos ao baptismo, início da vida cristã. (Jn 4, 5-42). Era cerca do meio dia, hora avançada para quem madruga. Jesus anda em missão pelas terras áridas da Samaria. Sente-se cansado e aproxima-se de Sícar. Senta-se à beira do poço de Jacob. Fica só, pois os discípulos vão à procura de alime…

Márcio Walter: Minhas andanças por Portugal

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Texto e fotos partilhadas por Márcio Walter
O título do livro “Viagens na minha terra”, de Almeida Garrett, sempre me chamou a atenção por dois motivos: a ação (viagens são coisas que sempre gostei de fazer desde pequenino) e o lugar (“na minha terra”). Obviamente, Garrett falava sobre sua jornada entre Lisboa e Santarém, dentro do Portugal do século XIX, num período de guerra entre liberais e miguelistas. Todavia, no meu imaginário, essas viagens seriam atemporais e sem dissensões.  Como bisneto de portugueses por ambas as partes de minha família, Portugal sempre foi uma memória presente para mim – memórias tidas por outros num passado próximo e contadas por terceiros que as narravam vividamente como se tivessem feito parte delas. Daí, minha sensação de que as terras das quais Garrett falava também eram minhas. Por isso o desejo de um dia entrar num comboio (ou trem, como dizemos pelas bandas de cá do Atlântico) e de sua janela observar os olivais, o mar português, os rios, os montes…

Passagem pelo Parque Infante D. Pedro

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Hoje fui matar saudades ao Parque Infante D. Pedro, onde não ia há anos. De carro e mesmo a pé passei várias vezes, mas nunca me ocorreu entrar para apreciar a vegetação, o lago, os painéis cerâmicos com motivos aveirenses e a Casa de Chá que já serviu vários fins. Hoje estava com sinais de algum abandono. Não subi as escadarias para apreciar o jardim superior, porque as pernas não davam mais. E então contornei o lago de águas esverdeadas, dois patitos marrecos ou de raça desconhecida, o arvoredo variegado. Mas nada de cisnes como antigamente. Um pombal no meio do lago servia de hotel aos pombos que decerto se deleitavam com árvores e arbustos para todos os gostos. Pouca gente por ali andava. Alguns estudantes à conversa, um grupo de idosos de chapéu amarelo lanchava sob os cuidados atentos de funcionárias, um ou outro, como eu, fotografava e nada mais. As passadeiras superiores não estavam a ser muito frequentadas para conduzir as pessoas para o outro lado das rua de trânsito intens…