S. Petersburgo – Palácios e Catedrais

Crónica de viagens de Maria Donzília Almeida 

Hermitage - Colunas
Peterhof - Grande Cascata 
Graças

Catedral Sangue Derramado
Peterhof 
Peterhof - Salão Verde
Petrodvorets
O ponto alto da nossa viagem foi, sem dúvida, a visita ao Hermitage, uma das grandes atrações de São Petersburgo, considerado um dos melhores museus do mundo. Para além do gosto pela arte, com um acervo de 3 milhões de peças, como polo de atração, o Hermitage retrata alguns dos mais lindos ambientes palacianos por esse vasto mundo. É composto por cinco edifícios, entre eles o sumptuoso Palácio de Inverno, construído na então capital da Rússia, S. Petersburgo, em 1754 e residência oficial dos czares por 150 anos, incluindo Catarina a Grande e a família Romanov.
São obras de arte como pinturas e esculturas, objetos decorativos e joias, distribuídos por 1.057 salas e 17 escadarias. Disse a guia que, se uma pessoa gastasse um minuto a contemplar cada peça, levaria “apenas” 11 anos para ver tudo.
As origens do Museu Hermitage remontam a 1754, quando a imperatriz Elizabeth Petrovna iniciou a construção de uma residência em estilo barroco que deveria ofuscar todos os palácios da Europa. Cabe lembrar que a cidade de São Petersburgo havia sido fundada em 1703 por Pedro o Grande, com o objetivo de assegurar presença no Mar Báltico, mas também como uma janela da Rússia para a Europa ocidental. Daí o seu estilo opulento, para demonstrar a riqueza do país, o seu poderio e superioridade.
A visita foi apressada dada a extensa superfície a percorrer e a imensidão de peças a observar. O brilho dos dourados, a opulência das pedras preciosas dos vasos ornamentais e outros motivos artísticos, quase ofuscavam a nossa vista já cansada. Num dos enormes salões onde havia uma coleção de pinturas de Rembrandt, detivemo-nos na apreciação do quadro do Filho Pródigo, onde o nosso pastor fez uma reflexão. As nossas cabeças eram cata-ventos que rodavam em todas as direções, tal era a rapidez com que nos movimentávamos e a vastidão das salas que passavam sob o nosso olhar. Aqui se podia ter a noção da riqueza e ostentação da monarquia czarista. Depois deste banho de arte, visitámos a Igreja do Sangue Derramado, inicialmente um memorial, famoso pelas suas abóbadas, em formato de cebola, sendo um dos cartões postais mais bonitos de S. Petersburgo. Foi erguida no local onde o Czar Alexandre II foi assassinado, vítima de um atentado em 1881 e contem lindíssimos frescos de cenas da Bíblia. Nem mesmo uma bomba conseguiu destruí-la e preservaram a calçada onde mataram o czar.
Soube-nos bem a pausa do almoço, ali próximo, em que descansámos da fatigante correria e saboreámos a gastronomia local, apresentada de forma original: uma sopa servida numa tigela com uma “tampa” feita de pão.
De tarde, visitámos a Catedral de Santo Isaac, com capacidade para 14 mil pessoas, sendo também a 4ª maior igreja do mundo, com 101,5 m de altura e 72 colunas monolíticas ornadas com pórticos gigantes. Inaugurada em 1858, durante a época soviética, serviu de museu do ateísmo. Oficialmente, ainda hoje é considerada um museu no qual abundam obras de arte do séc. XIX.
Na rota dos palácios, rumámos a Petrodvorets também conhecida como “Versailles-sur-Mer” famoso por ser a área residencial do Império criado por Pedro I. Integra o Grande Palácio utilizado para encontros oficiais dos Imperadores e está rodeado de belos jardins. Petrodvorets ou Peterhof (em russo: Петерго́ф), (eu ia aplicando os meus parcos conhecimentos do alfabeto cirílico) é um conjunto de palácios e jardins, distribuídos sob as ordens de Pedro o Grande. Fica situado nas proximidades de uma cidade com o mesmo nome, a cerca de trinta quilómetros da antiga capital russa, São Petersburgo com vista para o Golfo da Finlândia, um braço do Mar Báltico.
A maior e mais bonita fonte de todo o parque, A Grande Cascata, prolonga-se por um grande canal, o Canal do Mar, até ao Mar Báltico. Ao longo dos vários hectares de parque, o Peterhof tem mais de cento e vinte fontes, todas elas de grande beleza e imponência. Quase nos sentimos parte da aristocracia russa, doutros tempos, ao passearmos por esses jardins esplendorosos. Penso que toda a multidão de turistas, ao redor, teve a mesma sensação.
No final, com a chuva a refrescar as mentes, pejadas de informação e de beleza, ainda deu para uma breve visita à catedral de Kazan.
O ícone da Nª Sra de Kazan depois de várias vicissitudes, passou por Fátima, em Portugal e pelo Vaticano. Em 28 de agosto de 2004, o Papa João Paulo II, manifestando o desejo de promover as relações fraternas com a Igreja Ortodoxa Russa, devolveu ao Patriarcado de Moscovo este que é um dos ícones mais venerados pelos ortodoxos ao longo da história.
Apesar se todos reconhecermos que a esta opulência não corresponde a um equivalente nível de vida do povo russo, também é verdade que há toda uma indústria turística a viver deste património. O grande investimento da monarquia russa em obras de avultado valor artístico, ainda na atualidade traz enormes dividendos. Sendo que o estado faz questão de preservar os seus monumentos, de forma exímia, existe uma mole de gente empregada no setor turístico. Do que nos foi possível observar, os vigilantes nos palácios, que não deixam os turistas por o pé, em ramo verde, exibem rostos fechados, taciturnos, de quem não vê o sol há muito tempo. Ou será ainda reminiscência do domínio soviético, de que ainda não se libertaram? Inclino-me mais para a conjugação de ambas.
Afinal, os russos têm cerca de 80 dias de sol por ano, comparados com um exíguo país, Portugal, que desfruta do astro rei o ano todo.

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