A nossa gente — Júlio Pinheiro



Neste mês de agosto, em que se realiza a edição 2016 do Ílhavo Sea Festival, a rubrica “a nossa gente” é dedicada a Júlio Pinheiro, Chefe dos Pilotos da Barra de Aveiro.
Júlio Pinheiro nasceu a 3 de novembro de 1958, na Freguesia de S. Salvador, Município de Ílhavo. Concluído o ensino primário na antiga Escola Primária Ferreira Gordo, em Ílhavo, prosseguiu os seus estudos no Ciclo de Ílhavo e mais tarde, no Liceu José Estêvão, em Aveiro.
Oriundo de uma família ligada ao Mar, o seu sonho sempre foi ingressar na Escola Náutica em Lisboa, o que aconteceu em 1977.
Três anos depois, este ilhavense embarcava em navios de pesca do bacalhau por mares da Terra Nova, Gronelândia, Noruega, entre outros. Seis anos depois, regressou à Escola Náutica para frequentar o Complementar que lhe deu equivalência à licenciatura. Voltou ao mar por mais quatro anos, até que, em 1991, concorreu para Piloto da Barra do Porto de Lisboa, onde entrou em fevereiro desse ano. Nesse mesmo ano, concorreu para Piloto da Barra do Porto de Leixões, dando assim, em agosto, o primeiro “salto” para se aproximar de casa. Em 1996 concorreu novamente e foi transferido do Porto de Leixões, onde permaneceu cinco anos, para o Porto de Aveiro.
Chefe dos Pilotos da Barra de Aveiro desde 2007, Júlio Pinheiro afirma que este é um porto muito difícil, com fundos muito dinâmicos, fortes correntes de água e exposto a todo o tipo de ondulação. É gratificante para si, assistir a um aumento sustentado da tipologia de navios que atualmente demandam o porto, o que tem grande reflexo no crescimento e no desenvolvimento da Região.
Antigamente “a menina dos seus olhos” era um porto bacalhoeiro, mas segundo Júlio Pinheiro “estamos noutra era”. “Este inverno de 2016 foi o primeiro em que o porto manteve a navegação a navios com um comprimento até 175 metros e calados até 9,50 metros, tendo agora como objetivo os 180 metros de comprimento e os 10,5 metros de calado. Já foram manobrados, até esta data, vários navios com 170 metros de comprimento e calados de 10 metros, o que é meio caminho andado para atingir o objetivo.
“Cerca de 40% da carga movimentada a nível mundial é contentorizada, sendo que, neste momento, o Porto de Aveiro, manobra navios com uma capacidade de manobra muito mais reduzida e com cargas muito mais perigosas do que os navios que transportam contentores”. Para Júlio Pinheiro, seria uma mais-valia para toda a Região de Aveiro, a implementação de linhas regulares de contentores que contemplassem este porto.
Depois da Regata dos Grandes Veleiros, em 2008, e da primeira edição do Ílhavo Sea Festival, em 2012, Júlio Pinheiro juntamente com o Comandante Martins da Cruz voltam a coordenar, com o Departamento de Pilotagem, a entrada e saída dos navios, em que o fator mais preponderante são as correntes de água, uma vez que alguns dos veleiros têm uma capacidade de manobra muito reduzida e vão chegar numa data de marés muito vivas, o que irá dificultar e restringir a navegação para perto das estofas (águas mais paradas). Mas está tudo devidamente preparado e acautelado para bem receber os mais belos veleiros, de 5 a 8 de agosto, dependendo apenas de S. Pedro a boa visibilidade, para que todos possamos apreciá-los à entrada e à saída do Porto de Aveiro.

Nota: Não tenho o prazer de conhecer Júlio Pinheiro, Chefe dos Pilotos da Barra de Aveiro, o homenageado deste mês referido na agenda “Viver em…” da CMI. O seu currículo é elucidativo e as suas qualidades humanas justificaram garantidamente a sua inclusão na rubrica “A nossa gente”.
Penso que as autarquias devem exercer um papel pedagógico na sociedade, apresentando aos nossos concidadãos aqueles que, pelos seus méritos, servem indiscutivelmente de exemplo a todos os que lutam por um mundo mais solidário. Daí o meu gosto em ler e divulgar a referida agenda.
Os meus parabéns a Júlio Pinheiro, com votos, neste mês de agosto, de excelentes férias.

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