Visita à Rádio Renascença

Crónica de Maria Donzília Almeida

“A rádio foi a minha universidade” 

Fernanda Montenegro

Estúdio da Rádio Renascença
Capelinha interna da RR

Hoje, em pleno período de primavera envergonhada, mais parecendo um inverno tardio, partiu de Aveiro, com rumo a Vila nova de Gaia, um grupo da US para uma visita à Rádio Renascença. Escolhemos o comboio, o mais acessível transporte coletivo, usufruindo dos benefícios concedidos pela ReFer aos cidadãos aposentados.
Programada pelo Professor João Silva na disciplina de Comunicação, toda a viagem foi feita debaixo duma chuva miudinha, serena, que no linguajar dos tripeiros, é conhecida por “chuva molha tolos”.
O almoço, no El Corte Inglês de Gaia, saciou não só o nosso corpo cansado, mas sobretudo, alimentou o sonho/utopia de vivermos num país opulento, muito desenvolvido (!?), onde a sociedade de consumo ilude e atrai. Tudo é exibido com abundância e glamour, onde nada é omitido, para proporcionar bem-estar e conforto, ao cidadão português!
Após o repasto, visitámos a Rádio Renascença, uma estação de rádio nacional dirigida a um público adulto que se interessa por música e informação. Além de uma cobertura nacional em FM, a Renascença transmite igualmente através da internet, sendo uma das estações de rádio mais conhecidas em Portugal. Das grandes emissoras portuguesas nascidas na década de 1930, é a única que mantém inalterado o seu nome original.
Foi fundada por Monsenhor Manuel Lopes da Cruz e as emissões experimentais tiveram início, em Junho de 1936, com um emissor instalado em Lisboa. A 1 de janeiro do ano seguinte iniciaram-se as emissões regulares. Um mês depois do início das emissões diárias, os estúdios da Rua Capelo ficaram prontos e a Rádio Renascença instalou-se nesse local onde ainda hoje permanece.
Em 1975, no fervor revolucionário, foi ocupada por um grupo de trabalhadores, mas em dezembro desse ano foi devolvida à Igreja Católica e, ao contrário da quase totalidade das emissoras existentes, nunca chegou a ser nacionalizada.
Em 1986 a Rádio Renascença passa a emitir duas programações distintas, 24 horas por dia, através da Rádio Renascença, OM e FM nacionais e da RFM, FM nacional. Posteriormente, em 1998, cria a Mega FM, para o público mais jovem, e, em 2008, a Rádio Sim, para o público mais idoso.
Além destes canais a RR emitia programação de âmbito regional em OM e FM, a partir de estúdios próprios instalados sucessivamente em diversas cidades, como Braga, Chaves, Elvas, Évora, Leiria, Lisboa, Porto, e Viseu, até ao dia 4 de Agosto de 2008. A partir daí, as emissoras regionais converteram-se em emissores regionais Stereo da nova Rádio Sim, com programação pensada para a "Idade de Ouro", a nossa gloriosa 3.ª idade.
Alguns dos programas mais marcantes, da história da estação, foram o famoso Despertar, de António Sala e Olga Cardoso, criado no final dos anos 70 e Bola Branca. Este último mantém-se atualmente no ar, sendo um espaço de programação dedicado ao desporto, com ênfase no futebol. 
A antena da estação transmite também as orações do Angelus (ou toque das Ave-Marias) e do terço transmitido, diariamente, em direto da Capelinha das Aparições no Santuário de Fátima. Aos domingos, é transmitida a celebração da Eucaristia a partir de uma igreja portuguesa, no seu propósito de difundir a palavra de Deus.
Foi nos novos estúdios que mudaram do Porto para Vila Nova de Gaia, na Rua António Luís Gomes, em 2008, que contactámos com os meandros duma estação emissora: os diversos gabinetes onde as novas TIC (Tecnologias de informação e Comunicação) marcam a sua presença. Observámos toda a parafernália de equipamento eletrónico coadjuvante dos jornalistas, locutores e técnicos afins, que fazem chegar a nossas casas, o que se passa no mundo, engrossando o volume dos mass media. Ali mesmo, assistimos à transmissão do noticiário das 15:00 em direto.
Foi uma estação de rádio muito ouvida em casa dos pais, na minha juventude, pelo facto de veicular os princípios e dogmas da religião católica, de que eram fervorosos fiéis.
Foi um dia bem passado, em que o convívio e a salutar confraternização foram a tónica dominante, neste grupo sénior.
A chuvinha, ou morrinha à boa moda tripeira, foi a banda sonora de um dia primaveril diferente…

05.05.2016

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