Faleceu o António Gandarinho

O Gandarinho já repousa 
no coração maternal de Deus


A triste notícia do falecimento do António Gandarinho apanhou-me de surpresa esta tarde. Todas as mortes de familiares e amigos próximos, como é o caso, deixam-nos perplexos, não obstante sabermos que somos finitos e apesar da fé nos garantir que depois da vida terrena ingressamos no seio maternal de Deus. 
A amizade que me unia ao António Gandarinho vem desde a juventude, quando convivemos na JOC (Juventude Operária Católica), onde ele exerceu, pela ação e pelo exemplo, funções diretivas, testemunhando, no dia a dia, ele no mundo do trabalho e eu no mundo académico, a fé em Jesus Cristo, na esperança da ressurreição em Cristo. Não era dos que falavam muito, mas sabia ouvir, indicar caminhos de bem, propor soluções de justiça, de verdade e de vida alicerçada na sua qualidade de batizado e de militante cristão, pugnando pela justiça social em favor de todos os trabalhadores e de todos os homens de boa vontade.
Sempre vi o António Gandarinho como um servidor da Igreja, dando o exemplo de simplicidade e disponibilidade, atento aos mais sofredores, orante, generoso, solidário e amigo de toda a gente. E como dirigente da Ação Católica inquietava-se quando algum jocista faltava às reuniões. Era preciso que todos vivessem, no mundo do trabalho, e não só, o famoso e ainda atual método do fundador da JOC, Joseph Cardijn, assente no Ver, Julgar e Agir, que levava ao conhecimento dos problemas dos jovens trabalhadores, analisando-os à luz dos princípios cristãos, para depois se atuar em conformidade, tendo em conta a doutrina social da Igreja. A meta fundamental seria a dignificação da juventude operária, numa época em que não havia sindicatos livres e à altura de defenderem, com legitimidade, os seus interesses e valores. 
Depois de casado, o seu dinamismo de cristão não diminuiu, integrando-se ou colaborando com associações, irmandades e instituições da paróquia. Passou para a LOC (Liga Operária Católica), foi Ministro Extraordinário da Comunhão mais de 30 anos, membro da antiga Comissão Fabriqueira e do Grupo Bíblico, defendendo que, «sem conhecimento da Palavra de Deus, os católicos não podem dar grande fruto, através do testemunho» — confidenciou-me numa entrevista que um dia me concedeu.
Recordo já com saudade o António Gandarinho, e nesta hora, dolorosa em especial para a família, apresento os meus pêsames com as minhas orações pela sua alma à esposa, Evangelina Filipe Teixeira, e aos filhos, Maria da Nazaré, Paulo Manuel, Dorinda Maria, Marco António e Carla Patrícia, bem como aos restantes familiares e aos muitos amigos. 

Fernando Martins

NOTA: O funeral realiza-se na igreja matriz da Gafanha da Nazaré na próxima segunda-feira, 23 de maio, pelas 15h30. A missa de 7.º dia terá lugar na próxima sexta-feira pelas 19h00 e será presidida pelo nosso bispo, D. António Moiteiro.

Comentários

Anónimo disse…
Que los obreros muertos en el campo del honor del trabajo descancen en paz...