O jovem escritor — Afonso Reis Cabral

Crónica de Maria Donzília Almeida

Maria Donzília com Afonso Reis Cabral

O dia 11 de setembro, dia de má memória, é duplamente uma data triste que eu recordo. Para além do ato terrorista que derrubou as Twin Towers no World Trade Center em 2001, nos EUA, provocando comoção em todo o mundo, evoca também a partida da nossa mãe, no mesmo dia, em 2008. Éramos todos de idade madura quando isso aconteceu, mas a perda de um ente querido é sempre irreparável.
Não devemos ser prisioneiros do passado, como convém, nomeadamente aos políticos que deixam para trás os erros cometidos, mas devemos sim, seguir em frente, concentrando-nos no presente e nos novos desafios que a vida nos aponta.

Nesta perspetiva, procuro sempre ver o lado positivo das coisas e tive neste dia a concretização do mesmo. A Biblioteca Municipal de Ílhavo comemorou, neste dia 11 de setembro de 2015, o 10.º aniversário da sua existência, com a realização de um Jantar Literário, nas suas instalações.
A minha participação neste jantar, como provavelmente a dos outros participantes, foi, acima de tudo, motivada pela curiosidade e grande desejo de conhecer o escritor que viria abrilhantar o evento.
O jantar decorreu em franca camaradagem, havendo subjacente às conversas, a partilha do gosto pela literatura e pelos livros.
A presença do jovem escritor Afonso Reis Cabral foi o ponto alto do convívio e toda a gente como eu o interpelou sobre a sua biografia e o livro vencedor do prémio LeYaO MEU IRMÃO. Antes de entrar propriamente na génese do livro, satisfez a minha curiosidade acerca do parentesco com o seu antepassado e vulto da nossa literatura, Eça de Queirós. Referi que o lera na adolescência, algumas obras eram de leitura obrigatória e que de tanto o ter apreciado, já as relera na idade madura, com outra análise, outro sentido crítico e com redobrado prazer.
Interpelado pela assistência, o ilustre escritor foi respondendo a todas as questões que lhe eram colocadas, com a sabedoria e a humildade de um génio. Do meu lugar, eu escutava com toda a atenção, bebia-lhe as palavras pejadas de sentido e profundidade.
E, na minha condição de ouvinte eu ia cogitando com os meus botões: estou perante um escritor, que pela sua juventude, mais parece um menino imberbe: bonito, simpático, galvanizador de plateias. Com apenas 25 anos, revela já, na sua eloquência, o talento de um grande escritor!
Tem uma vida pela frente com sonhos e projetos a realizar, mas começou aos nove anos a sua grande (a)ventura na escrita. Aos quinze anos, publicou o seu primeiro livro de poesia – Condensação!
— No seu caso, a genética funcionou! Disse eu, qual mãe embevecida, na contemplação do seu menino prodígio.
Sorriu beatificamente e confessou preferir não se pôr à sombra do seu trisavô.
O livro, pousado na mesa de cabeceira e autografado pelo autor, é o bombom que saboreio todas as noites, antes de mergulhar nos braços de Morfeu.

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