Jesus de Nazaré, diz-nos quem és tu

Reflexão de Georgino Rocha



«Que brilhe em nós a alegria 
da experiência alimentada 
no encontro contigo»

A reprimenda de Jesus a Pedro é de lançar todas as esperanças por terra. “Vai-te, Satanás, porque não compreendes as coisas de Deus, mas só as dos homens”. Mc 8, 27-35. Pobre Pedro! Havia agido em coerência e proclamado em nome do grupo dos discípulos que Jesus “é o Messias de Deus”, havia achado estranha a recomendação severa que impunha silêncio sobre esta verdade, havia julgado prudente aconselhar o Mestre, a sós, contestá-lo no seu surpreendente anúncio: que tinha de sofrer muito, ser rejeitado, morto e ressuscitado. E Jesus acrescenta dirigindo-se à multidão: “Quem quiser seguir-Me tome a sua cruz… quem perder a vida por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á”.

Este incidente abre “a janela” de acesso à compreensão de quem é Jesus e do modo como realiza a sua missão. Estão em causa várias atitudes, mas fundamentalmente duas: a de quem deseja um messias glorioso, triunfante, miraculoso, exibicionista, poderoso; e a de quem acolhe a confidência de Jesus: enfrentar tudo o que se oponha à sua opção clara por levar “contra ventos e marés” o projecto que Deus Pai lhe encomendou – reconstruir a fraternidade humana de todas pessoas porque têm a mesma origem por natureza – a filiação divina. Esta decisão choca com “os interesses” instalados, a ordem político-religiosa estabelecida, as “venerandas” tradições legalistas.

Do choque, passa-se a tudo o que vai originando o processo de condenação à morte, à paixão dolorosa, ao abandono solitário e à sepultura em campanha alheia. Tudo parece acabado. Porém, Deus Pai faz triunfar a opção de Jesus de Nazaré na manhã festiva da ressurreição. O amor vence a morte. Jesus tem razão. A vida entregue é garantia de futuro feliz. Vale a pena confiar e prosseguir.

Qual a minha atitude fundamental? O que faço mostra a fé que tenho e comunico. O encontro pessoal com Jesus Cristo é fonte da minha experiência cristã, dá sentido a todo o meu agir? Este encontro faz-me/nos considerar Jesus como exemplo moral, pois as suas atitudes nos estimulam e nos moldam; como Bom Pastor, guia da consciência, verdade da inteligência, misericórdia do coração ferido; como Comunhão que nos une a si e nos faz Igreja, apesar de todas as fragilidades; como a Primícia mais qualificada do Reino em realização na história a caminho da plenitude na felicidade eterna?

Jesus de Nazaré, diz-nos quem tu és! A razão humana dá muitas respostas, prolongado e avolumando as de Cesareia de Filipe. O “mercado” religioso faz muitas ofertas. O pronto a servir oferece a medida a gosto de cada um. A conveniência e o momento estabelecem as regras da escolha. O coração saltita de experiência em experiência – qual mariposa – em busca de satisfação adequada.

“Se os cristãos fossem como o seu mestre já teríeis a Índia a seus pés” – afirma o poeta hindu Tagore. E Eddy Merck confessa: “Desejo dar a conhecer Jesus a todos aqueles que não o conhecem. Para mim Cristo tem uma presença contínua em toda a minha vida. Creio profundamente n’Ele, na sua história, na sua divindade”.

Diz-nos, Senhor, quem és tu. Que te escutemos com atenção. Que te comuniquemos com honradez. Que brilhe em nós a alegria da experiência alimentada no encontro contigo.

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