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A mostrar mensagens de Agosto, 2015

Falta de água sugere reflexão

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A água é um bem escasso 
em muitas regiões do mundo As obras ligadas ao abastecimento de água, sem dúvida necessárias, privaram-nos hoje, durante o dia, desse precioso bem. E todos, certamente, sentimos quanto pesa no dia a dia, para os mais diversos fins, a água que nos é fornecida pela empresa abastecedora. Garrafões, alguidares, tachos e panelas, tudo serviu para armazenar água. Deu para perceber como é difícil viver sem ela. Quem ainda tem o motor para rega não deixou de o utilizar na emergência. Foi o nosso caso.
São conhecidas inúmeras histórias no nosso país de mortes provocadas pelos direitos adquiridos sobre as águas de riachos e ribeiros para rega de campos particulares. Um rego de água desviado podia dar em mortes. É que agua é vida. Também todos nós conhecemos nações onde a água é racionada e vale ouro. Um poço para abastecimento de água em certas aldeias é a maior riqueza a que um povo pode aspirar. 
Desde há muito que ouço que as guerras provocadas pela falta de água p…

Prazeres de férias

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Impressões de férias 
É óbvio que os prazeres de férias são diversos. Tenho para mim que não haverá duas pessoas com prazeres rigorosamente iguais. Também temos dias para nos sentirmos mais felizes que outros em tempo de férias. Eu gosto sobremaneira de silêncio, de paz interior, de estar com quem amo e por quem sou amado. Sinto-me bem a divagar por ruas tortuosas e a apreciar amplos horizontes. Gosto de identificar paisagens urbanas de tempos idos e de registar factos com história. Ler muito e variado, poesia, romance, ensaio e história. De tudo um pouco, afinal. Em férias, tenho apetência por me encontrar comigo mesmo e com Deus. E mais ainda: com minha mulher, a Lita, com filhos e netos e demais familiares. Também aprecio uns petiscos e comida típica das terras por onde passo. Pena é que os restaurantes, salvo raras exceções, se fiquem pelos pratos triviais de sabores iguais em qualquer canto. E assim cheguei ao fim destas curtas férias na Figueira da Foz, neste verão de 2015. Até …

Um poema de João de Barros

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Na romagem ao poeta figueirense





AQUELE MAR
Aquele mar da minha infância, bom camarada e meu irmão a sua voz, o seu olor, sua fragrância tanto os ouvi e respirei que trago em mim o seu largo ritmo, seu ritmo forte, como se as praias onde espuma quase me fossem praias sem fim dentro de mim ocultas praias, largas praias do tumultuoso coração…
Aquele mar meu confidente de horas idas tudo escutava e adivinhava do meu pueril e ingénuo anseio. Nada sonhei que o não dissesse – frémito de alma, grito ou prece –, às madrugadas e aos poentes, ao sol, às nuvens, ao luar, ora nascendo, ora morrendo nos longos, longos horizontes em que se perdia o meu olhar…
Aquele mar na calma azul, no temporal, nunca mentia: era um só beijo, hálito puro, largo harpejo que me entendia e respondia no seu inquieto marulhar… Moço e menino, solitário, rochas, falésias, areais eu coroava-os de alegria nos meus passeios matinais. Ou nalgum barco pescador, velas abrindo a todo o pano, do oceano então era senhor, largava a escota, navegava, no vão desejo de a…

Dever de quem pensa

«É dever de quem pensa não ficar do lado dos carrascos»
Albert Camus (1913-1960), escritor
Li no PÚBLICO de hoje

Sobre as eleições

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Crónica de Anselmo Borges no DN



Não costumo meter-me por estas bandas. Faço-o hoje, pouco sistemático, talvez um pouco desconexo.  São desabafos.
1. Vivemos num mundo conturbado e perigoso. A globalização surge num quadro caótico, sem parâmetros de orientação básica. Por isso, grandes sociólogos, como U. Beck, Z. Bauman, E. Morin, apresentam como características próprias deste tempo a insegurança, a incerteza, o risco, a vulnerabilidade, a inquietação. Participando da situação, a Europa também não está bem. Espiritualmente esvaziada, não acredita nela própria, nas suas raízes e valores. Quando num mundo globalizado se impunha uma Europa cada vez mais unida politicamente, o que se vê são fracturas crescentes. Veja-se a incapacidade de lidar juntamente com os fluxos migratórios imparáveis. Neste quadro, a política não está para entretenimento de medíocres nem comentários sofistas.

A Palavra que iIumina o Coração

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Reflexão de Georgino Rocha
«É de dentro do coração da pessoa  que sai o que degrada ou enobrece  a dignidade humana»


Jesus continua a dar-nos boas notícias nos seus ensinamentos. Aproveita oportunidades que as situações da vida lhe proporcionam ou cria factos que realizam o que, depois, anuncia em narrativas estimulantes. Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23. Hoje surge no seu caminho um grupo de fariseus e de doutores da Lei. Os primeiros, muito zelosos em manter as tradições e em as observar escrupulosamente. Os segundos, conhecedores da Lei e das suas centenas de normas que examinam até ao pormenor. Reúnem-se à volta de Jesus, num espaço fora da sinagoga. Ao verem a atitude dos discípulos – comer sem lavar as mãos, atitude que contagia os alimentos, tornando-os impuros e, por isso, contrariando a tradição -, pedem-lhe explicações com a pergunta inquisitorial: Porque procedem assim, não respeitando os antigos nem as suas tradições sagradas?

Castelo de Pombal — Se puder, não deixe de visitar

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O meu fascínio pelos Castelos O meu fascínio pelos castelos vem desde a meninice.  Talvez por influência do meu professor primário, Manuel Joaquim Ribau, que recordo com muito afeto.  A história sempre me levou a sonhar e a refletir sobre o nosso passado como povo que soube criar o sentido de nação, embora tardiamente, e de estado. Que fique claro: nos idos de D. Afonso Henriques não havia uma coisa nem outra. Ele era o Senhor e isso bastava para fazer brotar raízes que germinassem. Deixemos isso para os historiadores, que esses é que sabem disto. E fui então nestas férias até Pombal.  A história, com lendas à mistura, pode ser lida na Net. Abençoada Net que nos abre tantas portas para o conhecimento. Contudo, não nos podemos fiar numa só fonte. 
O Castelo de Pombal vem do século XII, por iniciativa de Gualdim Pais, o Mestre da Ordem do Templo, que chegou a integrar as Cruzadas organizadas pelos Papas para a libertação e defesa da Terra Santa. Foi ampliado por D. Sancho I e muito depo…

O Bosque

"O bosque seria muito triste se só cantassem  os pássaros que cantam melhor".
Rabindranath Tagore (1861-1941)

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Em Pombal à procura do Marquês

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Um museu 
para recordar um pouco 
da nossa história

Ontem foi dia de ir a Pombal. Por lá passara vezes sem conta, mas sempre com pressa, quando utilizava a estrada antiga, antes das autoestradas. A Pombal, sim senhor, para ver se encontrava por lá o Marquês, uma personalidade histórica controversa. Amada por uns e contestada por outros tantos ou mais.  D. José I, o rei, confiava nele cegamente. Por ser um incompetente, politicamente falando, ou por razões que nos escapam. O homem, Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido por Conde de Oeiras e Marquês de Pombal, um adepto feroz do iluminismo, tudo quanto fez, e muitíssimo foi, seria por bem do povo e do país. Se não fosse a bem seria a mal. Um ditador feroz, segundo a minha ótica. E nós, os de Aveiro, nunca lhe perdoaremos ter condenado e executado o Duque de Aveiro, cujo palácio em Lisboa foi incendiado, arrasado e coberto de sal o terreno onde estava implantado, para que nada nele germinasse. Foi tudo isto e muito mais o que me vei…

Pintura de João Teles no CAE da Figueira

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Patente até 27  de setembro



Quando estou na Figueira da Foz, não prescindo de passar por este espaço de cultura e arte. Longe das horas de espetáculos, enquanto se aguarda a abertura da porta do anfiteatro, o silêncio é absoluto. Percebe-se que aqui é obrigatório respeitar quem está. Hoje, por exemplo é assim. Tomado o café no bar-restaurante caffe, com empregados simpáticos e acolhedores, passei com olhares curiosos por duas exposições aqui patentes. A primeira que visitei, "Pontos de Vista" de João Manuel Teles, surpreendeu-me porque, sendo o artista natural de Aradas, Aveiro, onde nasceu em 1939, não fazia parte da lista dos meus conhecidos artistas aveirenses.  Segundo as indicações promocionais do CAE (Centro de Artes e Espetáculos), este artista emigrou cedo para os Estados Unidos, onde desenvolveu as suas atividades profissionais, "mantendo sempre o seu interesse pela pintura e pelo desenho". E acrescenta que João Teles tem trabalhos em coleções particulares…

O Padre César é o novo prior da Gafanha da Nazaré

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Uma palavra amiga na hora da entrada


Por razões já justificadas no texto que escrevi sobre a saída do Padre Francisco Melo, não pude estar presente na cerimónia de tomada de posse do novo prior da Gafanha da Nazaré, no passado dia 16 de agosto. Já expliquei ao meu amigo Padre César, como gosta que o tratem, a mágoa que senti pela minha ausência, explicação que ele compreendeu muito bem. É que a presença de paroquianos e amigos num ato relevante da vida de um qualquer sacerdote que assume funções de responsabilidade por mandato do Bispo Diocesano, para além de um gesto fraterno e solidário, simboliza um apoio efetivo e afetivo, que se há de manifestar tanto nas horas boas como nas horas menos boas. Tenho presente a recomendação do Padre Francisco Melo no momento da sua partida, em que nos aconselha não só a apoiar e a colaborar com o Padre César, mas ainda a viver com ele uma lealdade saudável, fundamental para quem tem de liderar a nossa paróquia. Lealdade foi a palavra certa na hora …

Na Figueira da Foz, de passagem, há 50 anos

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No dia do nosso casamento  — 7 de agosto de 1965
Há 50 anos mais uns dias, eu e a Lita passámos, apressados, pela Figueira da Foz. Foi no dia do nosso casamento, 7 de agosto de 1965, no Bunheiro, depois da boda que se realizou em Pardilhó em casa das tias Zulmira e Aidinha, quais mães solícitas como a tia Lurdes. Íamos a caminho da lua de mel numa residencial das Irmãs Concepcionistas, por sugestão de um casal amigo.  Não importa agora falar do casamento, cuja cerimónia foi presidida pelo nosso comum amigo Padre Lé. Isso ficará para outra ocasião. Hoje quero tão-só recordar o motivo por que a Figueira da Foz ficou nas nossas memórias.  A madrinha Zulmira, atenta, preocupada e solícita, havia preparado um bom farnel para a viagem e, eventualmente, para o jantar, com um pouco do muito que havia na mesa da boda. Ela garantiu-nos que nada faltaria e estou em crer de que assim seria. Saímos de Pardilhó no velho Skoda, carro duro mas sempre operacional. Naquele tempo não se dava tanta impor…

Subir... Subir sempre

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Aprecio gente que gosta de subir na vida, deixando para trás comodismos e melancolias. Subir, subir sempre, é desafio que deve ser assumido por todos, mesmo que isso implique esforço e coragem. A minha mulher, a Lita, mostra aqui que aceita desafios e tentou chegar ao cimo desta torre, pequena embora, na Serra da Boa Viagem. E não deixou de sorrir por ter chegado onde chegou. E prometeu mais.... Fica para a próxima.
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As mulheres nas religiões

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Crónica de Anselmo Borges  no Diário de Notícias



«Que caminho longo a percorrer  até à dignidade na igualdade  e à igualdade na dignidade!»

O Papa João Paulo I disse que Deus tanto é Pai como Mãe e, estando para lá do sexo, também poderia ser representado como mulher. O Vaticano não gostou. Mas é neste contexto do feminino e Deus que se conta uma estória. Ao contrário do que se lê e diz, Deus criou primeiro Eva e não Adão. Eva aborrecia-se, sentia-se só e pediu a Deus alguém semelhante a ela, com quem pudesse conviver e partilhar. Deus criou então Adão, mas com uma condição: para não ferir a sua susceptibilidade, Eva nunca lhe diria que foi criada antes dele. "Isso fica um segredo entre nós..., entre mulheres!"
As primeiras figurações da divindade foram femininas, por causa da fertilidade e maternidade. Depois, explica o filósofo F. Lenoir, com a sedentarização segundo um modelo maioritariamente patriarcal, aconteceu com as religiões o mesmo que com as aldeias e as cidades: &quo…

Acreditamos que Tu és o Santo de Deus

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Reflexão de Georgino Rocha


O discurso do pão da vida atinge o auge, no desabafo de Jesus, que João formula na pergunta dirigida aos Apóstolos: “E vós também quereis ir-vos embora?” A sinceridade denota um sabor de amargura. A preocupação manifesta um receio fundado. O risco é evidente e virá a ser concretizado na paixão. A circunstância, aliada ao tom da voz e ao brilho do olhar, provoca a resposta eloquente de Pedro: “A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”. Jo 6, 60-69. 
A crise atinge o auge: as multidões deixam de andar na sua companhia e perdem o gosto de o ouvir; os nobres judeus, após discussões intensas, “viram-lhe as costas”, deixando palavras mordazes; os discípulos, “escandalizados” pela vivacidade crescente e realista da mensagem anunciada, cansam-se e desanimam, dispersando-se. Resta o grupo dos Doze. Jesus sente o abandono, mas não cede em nada, não suaviza o alcance do discurso, não faz uma religião à medida do gosto de cada um nem das tradições lega…

Figueira da Foz — Poesia na Cidade

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No Jardim Municipal da Figueira da Foz encontrei hoje poesia nos bancos onde por vezes descanso das caminhadas. Boa ideia para nos desafiar a buscar a harmonia da vida, que sem ela ficamos mais pobres e mais indiferentes às belezas que nos cercam. Boas leituras neste período do ano, com destaque para a poesia.

O sábio é sempre rico

"O rico nem sempre é sábio,  mas o sábio é sempre rico"
Tales de Mileto (624 a.C.- 546 a.C.)
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Partida do Padre Francisco Melo

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Uma dívida  que eu tinha para saldar


No passado dia 16 de agosto, na Eucaristia de tomada de posse do novo pároco da Gafanha da Nazaré, pelas 10.30 horas, Padre César Fernandes, e consequente despedida oficial do Padre Francisco Melo, não pude estar presente por motivos de saúde. Tive muita pena pela saída de um amigo e gostaria de marcar presença na entrada de outro para a nobre missão de timoneiro desta mais que centenária barca da comunidade católica, que tem por padroeira Nossa Senhora da Nazaré.
Se não tive a oportunidade de pessoalmente dizer ao Padre Francisco, na hora certa, quanto apreciei o seu labor pastoral e a sua intervenção cívica, social e humana, não quero deixar cair em saco sem fundo essa minha obrigação. Faço-o, pois, agora e aqui, em espaço de férias, muito embora pudesse ter outro sabor a palavra amiga de viva voz. 
Desde há muito que nutro pelo Padre Francisco muita estima e consideração, vendo nele um padre frontal, justo, dinâmico e compreensivo, mas acima de t…

Figueira da Foz: Palácio Sotto Mayor

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Uma visita obrigatória


O palácio Sotto Mayor, que fica na rua Joaquim Sotto Mayor, na Figueira da Foz, é, ou deve ser, visita obrigatória para quem reside ou passa férias por estas bandas. Foi mandado construir por Joaquim Sotto Mayor, natural de Valpaços. Emigrado no Brasil, aí enriqueceu. De passagem pela Figueira da Foz, de tal modo gostou desta terra que resolveu edificar este palácio onde passou largas temporadas, com os seus familiares e muitos criados. É curioso registar que esta rica moradia, de inspiração francesa do princípio do século passado, demorou 20 anos a ficar completa. Sem me deter muito sobre a beleza do palácio, permitam-me que destaque da decoração os trabalhos de António Ramalho, Joaquim Lopes, Dórdio Gomes, António Carneiro, entre outros artistas de renome da época. O primeiro arquiteto, Gaston Landeck, era gaulês.  Em 1967, o palácio Sotto Mayor foi adquirido pela Sociedade Figueira Praia, sendo hoje um dos mais interessantes museus, pois retrata uma época on…

Estar na Figueira da Foz

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Em férias, é claro

Estar na Figueira da Foz, mesmo por curtos períodos de tempo, é sentir-me longe de algumas rotinas que cansam. Outros ambientes, embora com ventos semelhantes aos das minhas terras de origem, as Gafanhas, que a ria e o mar acarinham, dão-me uma certa tranquilidade, que para mim vale oiro. Chegámos à tardinha. Eu e a minha Lita já por cá não passávamos há meses, por estranho que possa parecer. A vida é assim. Arrumadas as malas, sacos, saquinhos e saquetas, cai a noite. Na varanda, agora, com a cidade iluminada, indícios de que há muita gente em férias, ensaio o programa de amanhã. Na lista consta uma visita ao mar, de passagem apenas, já que é o mesmo nas nossas praias da Barra e Costa Nova, seguindo depois para a foz do Mondego, bem emoldurado por obras recentes. Depois direi e mostrarei. A Figueira da Foz, a praia da moda de há décadas, não terá a fama que lhe acrescentou vida social e económica. Mantém, contudo, marcas indeléveis desse tempos áureos, de que apres…

Papalagui - um livrinho para férias

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Ontem, alguém me telefonou antes de partir de férias para o Algarve, pedindo-me um livro emprestado para sugerir como leitura a um jovem. O livro, que li há décadas, estaria na minha desorganizada biblioteca. Livro fininho, que se lê de um trago, estaria perdido porque não o via há muito. Procurei durante bastante tempo e lá o achei. Li umas passagens para recordar. E seguiu viagem, com votos (meus) de que inspire em quem o vai ler uma vida mais contida neste mundo de consumismo desenfreado.  É uma leitura simples e rápida? É, sim senhor. Terá interesse nos dias de hoje? Julgo que sim. Ao menos faz-nos pensar no exagero do consumismo que nos estraga... Todo o exagero estraga.  Boas férias
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Voz político-moral global (2)

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Crónica de Anselmo Borges  no Diário de Notícias

«Francisco acaba de designar  o dia 1 de Setembro como  Dia Mundial de Oração  pelo Cuidado da Criação»

O Papa Francisco tem consigo a missão decisiva de pôr ordem e renovar a Igreja. Mas sobre ele pesam igualmente responsabilidades históricas para com a humanidade toda, e também aqui o seu desempenho tem despertado, como disse Raúl Castro, "admiração mundial". Aliás, ele é um grande diplomata, afirmando o embaixador britânico junto da Santa Sé, Nagel Baker: "Nunca tivemos tanto trabalho. Todos os governos nos pedem continuamente in-formações sobre os movimentos do Papa Francisco." Na continuação do texto de Sábado passado, apresento outros sinais da sua influência global.

Heranças em perigo para filhos indignos

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Quem maltratar os pais 
será impedido de receber herança



Li que os filhos que maltratam os pais podem ficar privados das heranças dos seus progenitores. Acho muito bem. É que há filhos que se esquecem inúmeras vezes dos cuidados devidos a que tanto os amou. Sei que muitos "atiram" os seus idosos para os lares e que depois vão às suas vidas, ignorando-os por completo. Nem sequer os visitam regularmente. Essas atitudes são, por vezes, a maior forma de violência.
Ler aqui

Festival do Bacalhau de portas abertas

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A festa começou


A festa começou. Não faltando à chamada, cumpri um dever. O dever de participar no encontro e reencontro que a festa proporciona. As festas são especialmente para isso. Revi amigos que não via há muito, alguns que nem sequer imaginava cruzar-me no Jardim Oudinot — Gafanha da Nazaré. Este ano, pelo que vi e foi anunciado, a festa está mais apelativa, toda ela à volta do “fiel amigo” de outros tempos. “Fiel amigo” porque era o peixe dos mais pobres. Hoje, o bom bacalhau é prato de ricos.  Assisti à alegria de quem gosta do Festival do Bacalhau com tudo quanto ele encerra. De música, de artesanato, de informação e exposição alusiva ao tema, de animação para todos os gostos. E saboreei uma feijoada de samos, uns bolinhos de bacalhau fofinhos, bem temperados e com sabor ao dito, com uma pada de Vale de Ílhavo e um fininho. Tudo com conta peso e medida, que a organização (Câmara Municipal de Ílhavo e Confraria Gastronómica do Bacalhau) não brinca com coisas sérias. Hoje à no…

Postal ilustrado — Pia Batismal

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Símbolo da fé  dos nossos ancestrais

Quem entra na igreja matriz da Gafanha da Nazaré talvez não consiga identificar o símbolo mais genuíno, na minha opinião, da fé do nosso povo. Hão de reparar, decerto, na imagem de Nossa Senhora da Nazaré, em lugar de honra a que tem direito, na parte frontal da capela-mor, sem dar grande importância à pia batismal que está junto do altar.  Criada a freguesia e paróquia por decretos de D. Manuel II, o último rei de Portugal, em 23 de junho de 1910, e do Bispo de Coimbra, D. Manuel Correia de Bastos Pina, Bispo de Coimbra, a cuja diocese pertencíamos, em 31 de agosto do mesmo ano, a matriz funcionou numa capela que existia na Chave. No dia 11 de setembro, ali se realizou o primeiro batizado, de Alexandrina Cordeiro, provavelmente na pia batismal que veneramos, como fonte de fé de todos os gafanhões desde aquela data. Em 14 de janeiro de 1912, dia da inauguração da atual igreja matriz, é quase garantido que a pia batismal tenha sido transportada na v…

Agosto: Tempo de férias

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Olhou para mim e perguntou:  — Não me conheces? — Não! — respondi. Olhei melhor e a sua expressão dizia-me qualquer coisa. Nem assim consegui reconhecê-lo. Foi então que ele me disse de quem era filho. E de imediato tudo se tornou claro. Era o João. Aí começou a animar-me a minha memória. Que me visitava frequentemente quando na juventude estive doente dos pulmões e acamado. Que gostava de conversar comigo e dos truques que eu fazia para entreter os amigos que vinham saber da minha saúde. Só não conseguiu perceber como é que eu fazia desaparecer a moeda que caía no copo de água.  — Ainda hoje me lembro desse truque e nunca descobri como é que fazias aquilo. — São truques… — adiantei eu. Falou-me dos pais, dos filhos e da reforma que está a viver.  Disse-me que muitas vezes se tem cruzado comigo sem nunca ter tido a coragem de me interpelar. Ralhei com ele e disse-lhe que nunca mais fizesse isso. Gosto que me falem ajudando-me a recordar o passado. Não faz sentido passar por alguém q…

Supera a agressão

“Supera a agressão com a suavidade, e a malícia com a bondade”
Santo Isidoro de Sevilha (560-636)

Maria

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Crónica de Maria Donzília Almeida
Do alto do seu pedestal,  sua majestade o Farol da Barra  assistiu, abençoou e piscou o olho  a mais esta cena da vida real

Tomar um banho nas águas bem frescas, do Oceano Atlântico, na orla que abraça a nossa praia da Barra, é um ato que só os corajosos empreendem. Ouço, a cada passo, os banhistas queixarem-se que são águas geladas, que afugentam a maioria das pessoas. Menosprezam o efeito revigorante das suas temperaturas baixas em favor de águas mais temperadas e quase mornas, na costa vicentina do Algarve. Aqui, o mar parece ”caldo”, no dizer de alguns friorentos. Apesar de apreciar muito o nosso Algarve por muitas e variadas razões, não subestimo as nossas praias de areia branca e macia, beijadas pelo ímpeto de altas ondas que arrojam ao areal as conchas e burgos que muitos colecionam.

7 DE AGOSTO: UM DIA MUITO ESPECIAL

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Ontem vivemos um dia muito especial. Eu e a Lita celebrámos os 50 anos do nosso casamento, que se realizou, concretamente, em 7 de agosto de 1965, no Bunheiro, Murtosa. Foi um dia muito especial vivido com filhos e netos, que nos manifestaram todo o amor e ternura que têm por nós, como nós temos por eles. E como essas manifestações de carinho, embora esperadas, nos comoveram! Foram 50 anos cheios de trabalhos, canseiras, alegrias sem conta e algumas mágoas, que vida sem tudo isso será uma monotonia desenxabida. Não são as mágoas que nos fazem crescer? Os momentos bons deram-nos muito prazer; os menos bons tornaram-nos mais unidos.  Dizem alguns, nestas circunstâncias, que nunca se arrependeram do que fizeram na vida. Eu não partilho dessa opinião. Fiz, decerto, muitas coisas boas, mas também cometi alguns erros, dos quais me arrependo. Nem sempre fiz o bem que queria, mas o mal que não queria, no dizer do apóstolo Paulo. A fragilidade humana é assim. Revemo-nos nos filhos e netos que…

Voz político-moral global (1)

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Crónica de Anselmo Borges  no Diário de Notícias

«O centro da Igreja é o ser humano,  sempre frágil e necessitado de compreensão e ternura»

"A descrição do Papa como um super-homem, como uma estrela, é ofensiva para mim. O Papa é um homem que ri, chora, dorme tranquilamente, e tem amigos, como as outras pessoas." Quem isto diz é o Papa Francisco, dessacralizando o papado, citado por R. Draper num artigo na National Geographic deste mês, com o título provocador: "O Papa vai mudar o Vaticano? Ou o Vaticano vai mudar o Papa?" À partida, digo que estou convicto de que é o Papa que vai mudar o Vaticano. Seria péssimo para a Igreja e para o mundo se fosse ao contrário. Ele sabe que ninguém é perfeito: "Existimos apenas nós, pecadores." Mas também sabe que "Deus não tem medo de coisas novas! É por isso que nos surpreende continuamente, abrindo-nos o coração e guiando-nos por caminhos inesperados."

Passeios

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Em moda estão as caminhadas e os passeios de bicicleta. De manhã e à noitinha, não faltam ranchos que caminham tranquilamente. E fazem-no com animação, conversando e rindo. Por razões de saúde e de convivência, está bem de ver. E os ciclistas terão os mesmos objetivos. Então, propomos que de em vez em quando, nestas férias, se peregrine aos santuários de Schoenstatt e de Santa Maria de Vagos. O primeiro, com a finalidade de sentir a serenidade que ali se experimenta, associando-lhes a oração que possa brotar de cada coração agradecido pelas dádivas do céu. O segundo, em homenagem às principais raízes das gentes gafanhoas, num ambiente agradável. Santa Maria de Vagos ali está acolhedora desde a fundação da nacionalidade.

Sofrer

"Sê capaz de sofrer. Mas não digas nada que possa  perturbar o sofrimento dos outros"
Léon-Paul Fargue (1876-1947)

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Um sorriso

"É necessário muito pouco para provocar um sorriso  e basta um sorriso para tudo se tornar possível."
Gilbert Cesbron (1913-1979)

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Museu de Ílhavo e Navio Santo André

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As estatísticas respeitantes ao Museu Marítimo de Ílhavo e ao Navio-museu Santo André mostram a mais-valia que representam aqueles espaços museológicos para a nossa cultura e turismo. Importa aproveitar o que nos é oferecido a preços módicos ou em dias de portas franqueadas para nos apercebermos do que temos de bom. E as férias são uma excelente oportunidade para nos cultivarmos. 
Ler mais  aqui 

Leituras de férias

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O hábito da leitura continua a beneficiar quem o pratica. Os livros são riquíssimas fontes de cultura e de saberes. Mas este mês ficaríamos de mal com a nossa consciência se não recomendássemos a leitura de dois preciosos livros do Papa Francisco: “A Alegrias do Evangelho” e a sua segunda encíclica, “Louvado Sejas”. Ambos apreciados por personalidades de todos os credos e culturas. A propósito deste último, Carlos Fiolhais, físico e professor universitário, nos dez livros que recomendou para estas férias, diz no PÚBLICO: «A segunda encíclica do actual Papa é um extraordinário ensaio sobre a atenção que devemos à nossa casa comum, o planeta Terra. Não é só a ecologia, mas também a economia que nos deve preocupar.»


"Francisco quer ações, não meras palavras na questão do ambiente"

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Autor de uma biografia fundamental sobre o Papa,  Austen Ivereigh falou ao DN sobre a primeira encíclica de Francisco,  o seu percurso, preocupações e o concílio em que foi eleito

As ações humanas produzem a degradação do ambiente?
A importância da encíclica é que toma posição no debate científico sobre a questão, reconhecendo que as alterações climáticas são resultado da ação humana, mas as evidências em que se baseia surgem mais do testemunho dos pobres, sintetizadas através das declarações de conferências episcopais. Isto é deveras importante, porque o Papa está a afirmar que o povo de Deus está a sofrer e que sente e vê esse sofrimento. E a ciência sustenta esta evidência. O que não tem sido entendido por muitos nos EUA que dizem não ser admissível o Papa tomar posição sobre a ciência quando ele, de facto, diz que a evidência vem do sofrimento dos pobres.
Pode ler a entrevista no Diário de Notícias

Confiança

"Aquele que não tem confiança nos outros não lhes pode ganhar a confiança"

Lao-Tsé (-570-490), filósofo da China Antiga

Li no Público


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Liberdade e dignidade

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Crónica de Anselmo Borges  no Diário de Notícias

«Mas quantos são verdadeiramente donos, senhores,  de si e não escravos das paixões e das coisas,  sobretudo do dinheiro e da opinião pública  e do politicamente correcto?»


Apesar de todos os debates à volta de se saber se somos livres ou não, vivemos na convicção de que o somos, o mesmo acontecendo com as sociedades. Caso contrário, como se explicariam as leis, as normas, os louvores, os julgamentos, as penas, as prisões? Há uma experiência de fundo: o ser humano não é objecto, coisa. Olhamos para as coisas como um "isso", mas olhamos para os seres humanos como um "alguém". Alguém que é um "tu" como "eu" e, ao mesmo tempo, um tu que não sou eu: outro eu e um eu outro, formando um "nós". O outro, no seu rosto e olhar, impõe-se-me como um "alguém corporal", a visibilidade de uma interioridade inacessível que se mostra, afirma e impõe.

Deixar Deus ser Deus

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Reflexão de Georgino Rocha
A partir do que digo,  ajustem o vosso modo de pensar,  alterem a vossa compreensão,  conformai a vossa vida


Os judeus caem em si. A condição social de origem de Jesus não condizia com o reconhecido estatuto de Mestre e, menos ainda, com o seu discurso após a multiplicação dos pães. Jo 6, 41-51. E, coerentemente, interrogam-se sobre o que está a acontecer: Um artesão de Nazaré da Galileia ser o enviado de Deus? O filho de José e de Maria, bem conhecidos na terra, declarar-se pão da vida? O deslocado de Cafarnaum ensinar, com linguagem dura, “coisas estranhas” na sinagoga? Donde lhe vem tal autoridade? Jesus não entra “no jogo” de pergunta-resposta. Os factos estão à vista, são públicos. A explicação é clara, persuasiva e respeitadora. A mensagem é apelativa, mas não surte efeito. Em vez de se deixarem atrair por Deus e entrar na novidade que o ensinamento de Jesus comporta, começam a murmurar e “estancam” no seu rígido pensar e nos seus velhos hábitos, distancia…