XXXII Festival de Folclore na Gafanha da Nazaré

O Etnográfico dá-nos garantias 
de podermos preservar 
a nossa identidade


José Augusto Rocha foi intérprete junto do grupo francês

No sábado, 4 de julho, realizou-se o XXXII Festival de Folclore da Gafanha da Nazaré, este ano enriquecido pela participação do Grouype Folklorique “Terre Baugeoise”, uma comunidade do oeste da França, situada no departamento de Maine-et-Loire. Os outros grupos, para além do anfitrião, Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré (GEGN), foram o Grupo Folclórico de Santa Maria de Moure (Barcelos), Rancho Regional de S. Salvador de Folgosa (Maia) e o Grupo Folclórico de Danças e Cantares “O Cantaréu” (Vila Real), que atuaram, à noite, no jardim 31 de Agosto, animando quantos apreciam as tradições dos antepassados de cada região representada.


 Ferreira da Silva na abertura do festival

A propósito do grupo francês, que nos visita pela terceira vez, Alfredo Ferreira da Silva, fundador e presidente do GEGN, disse que os contactos com o folclore de “Terre de Baugeoise” vêm de há muito, graças à colaboração de um emigrante gafanhão, radicado naquela localidade. Depois, seguiu-se o intercâmbio cultural, baseado já em amizades que perduram. E referiu: «Este intercâmbio só é possível porque há famílias, cá e lá, que acolhem os membros e dirigentes dos grupos folclóricos». 
Disse que os franceses visitaram o Museu de Ílhavo e o Navio-museu Santo André, adiantando que as refeições foram fornecidas pelas famílias que os acolheram e pelo GEGN. José Augusto Rocha, do Etnográfico da Gafanha da Nazaré, assumiu s responsabilidade de prestar assistência ao grupo, na qualidade de intérprete do essencial nas cerimónias e nas visitas efetuadas.
Beatriz Martins, vereadora da Câmara Municipal de Ílhavo (CMI), valorizou a importância do interesse pelas tradições dos nossos avós, afirmando que «não podemos seguir em frente, rumo a um bom futuro, sem conhecermos o que temos de bom da nossa história», acrescentando que, «sem raízes, a árvore não se segura nem pode dar frutos».
A vereadora salientou a mais-valia das permutas com o folclore de outros países, frisando que os grupos «acabam por levar as nossas tradições extrafronteiras». Ainda reconheceu que «os jovens têm mais prazer em participar, tanto na música como nas danças e cantares, do que propriamente em assistir aos festivais de folclore». 
O presidente da Junta de Freguesia, Carlos Rocha, disse que «o trabalho feito ao longo dos anos pelo GEGN mostra a essência do nosso povo», adiantando que, «quem não consegue reconhecer um passado de excelência não consegue ter uma vivência com projetos de futuro». E referiu que o Etnográfico, com o seu trabalho de pesquisa e estudo, «dá-nos garantias de podermos preservar a nossa identidade».
Carlos Rocha afirmou que «todo o carinho que possamos dispensar a uma coletividade desta natureza será pouco para podermos levar por diante a manutenção dos usos e costumes dos nossos antepassados». 
Miguel Almeida, coordenador do Conselho Técnico Regional de Viseu, Beira Alta e Região de Lafões, da Federação do Folclore Português, é figura marcante, desde há 30 anos, nos festivais de folclore do GEGN. Apresenta os espetáculos com serenidade e saber, dominando uma área em que se tornou especialista, muito embora tenha começado pelo teatro, como ensaiador e ator. 
Sobre a evolução do folclore e estudo da etnografia, sectores que se sobrepuseram às artes de Palma, Miguel Almeida garante que tem melhorado substancialmente, sobretudo a partir das exigências da Federação, que passou a exercer um papel pedagógico na defesa da «autenticidade, da verdade e da postura dos ranchos e grupos». 
Nos últimos três anos, a organização cimeira do folclore nacional passou a classificar os grupos e ranchos com as categorias de efetivos e aderentes, tendo em conta se representam bem, muito bem ou não representam suficientemente bem. Neste último caso, baixam para a categoria de aderentes. E anunciou que este ano vai haver novas classificações, passando «as exigências do crivo para as exigências de uma paneira mais fina». Mas ainda garantiu que os conselheiros «não são fiscais, mas orientadores dos caminhos a seguir para se atingirem os melhores patamares».

Fernando Martins

NOTA: Texto em espera desde o dia do festival, por razões que já expliquei, 
em  nota publicada neste mesmo dia, aqui no meu blogue.

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