terça-feira, 30 de junho de 2015

domingo, 28 de junho de 2015

A VIDA A PENSAR




«Aos 10 anos todos nos dizem que somos espertos, mas que nos faltam ideias próprias. Aos 20 anos dizem que somos muito espertos, mas que não venhamos com ideias. Aos 30 anos pensamos que ninguém mais tem ideias. Aos 40 achamos que as ideias dos outros são todas nossas. Aos 50 pensamos com suficiente sabedoria para já não ter ideias. Aos 60 ainda temos ideias mas esquecemos do que estávamos a pensar. Aos 70 só pensar já nos faz dormir. Aos 80 só pensamos quando dormimos.»

(Fala de Bartolomeu Sozinho, 
personagem de Venenos de Deus, Remédios do Diabo,
de Mia Couto, Editorial Caminho)

TODAS AS FAMÍLIAS

"Todas as famílias felizes são mais ou menos diferentes; todas as famílias desgraçadas são mais ou menos iguais"

Vladimir Nabokov (1899-1977), escritor russo

Li no PÚBLICO de hoje



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SÓ PARA DEPOIS DO JUÍZO FINAL

Crónica de Frei Bento Domingues 

 «A humanidade não pode continuar 
a envenenar o seu próprio futuro»


1. Dizem que o Papa Francisco não é um homem apressado, mas tem muita pressa. Tentarei compreender porquê. Para já, quero manifestar a alegria que vivi na leitura da primeira Encíclica de um Bispo de Roma, dirigida a cada pessoa que habita este planeta a reconhecer, a respeitar e a cuidar. Ele é a nossa própria casa. A humanidade não pode continuar a envenenar o seu próprio futuro. É um rio de muitos afluentes. Pelo horizonte, pelo conteúdo e pelo estilo é justo chamar a este texto a Carta Magna da ecologia integral [1].
Ao contrariar a liberdade de exploração egoísta dos recursos de todos, o Papa Francisco vai ter de enfrentar novas campanhas contra o seu pontificado, campanhas movidas por aqueles que procuram reduzir tudo a negócios de miopia. Pedem-lhe que se ocupe do Céu e esqueça os pobres. Mas este argentino continuará a protestar contra os vendilhões da terra de todos apenas para benefício de alguns.

sábado, 27 de junho de 2015

A brincadeira

"Os grandes erram sempre ao brincar com os seus inferiores. A brincadeira é um jogo, e um jogo pressupõe igualdade"

Honoré de Balzac (1799-1850), escritor francês

Li hoje no PÚBLICO


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TERAPIA DO ELOGIO

Crónica de Maria Donzília Almeida



A receção do postal foi o Leitmotiv para a dissertação sobre o tema. 
Trazia como mensagem escrita, um elogio rasgadíssimo ao meu rebento. 
O efeito foi tão intenso, quanto o inesperado da situação. 
Entregue em mão própria, teve a magia que só o elogio 
na sua verdadeira essência pode produzir. 


“Quem meus filhos beija, minha boca adoça!” Senti, na pele, a força do aforismo popular. Provinha de uma pessoa que eu mal conhecia, apenas de fortuitos encontros na vida social da nossa vila. Logo visualizei aquela senhora que, no meu imaginário, eu assemelhava a Christine Lagarde, pela elegância do porte e tom argênteo do seu cabelo. 
— Deve ter uma sensibilidade humana fora do comum! — pensei com os meus botões. Um simples gesto, postura ou apenas a espontaneidade do filho a terão induzido àquele discurso elogioso. 

DEMOCRACIA NA IGREJA

Crónica de Anselmo Borges 

«O Papa Francisco 
é uma autoridade 
político-moral global, 
universalmente reconhecida»



1. Não há dúvida de que o Papa Francisco é uma autoridade político-moral global, universalmente reconhecida. Impôs-se ao mundo pela simplicidade, pela bondade, pela entrega generosa ao bem da humanidade, a começar pelos mais pobres. Exemplo para todos os que exercem o poder. Com bondade e inteligência.
Muitos, porém, perguntam-se, com razão, o que poderá suceder a seguir ao seu pontificado. Não vai haver tentativas de restauração, como se ele tivesse sido apenas um parêntesis? Depois de reconhecer que o problema não é o papa, mas o papado absoluto, que exige reforma, com democracia real, divisão de poderes, escreve o teólogo José Arregi: "A reforma radical democrática será uma condição não suficiente, mas indispensável, para que a Igreja seja espaço de liberdade e de tolerância, lar de humanidade. Chegará até aí o Papa Francisco? O tempo corre contra ele."

MINHA FILHA, A TUA FÉ TE SALVOU

Reflexão de Georgino Rocha


«Superior ao rigor do castigo
está o impulso da necessidade,
a certeza do amor»



Jesus está à beira mar. Chega Jairo, um dos chefes da sinagoga de Cafarnaum e pede-lhe para ir a sua casa. No caminho ocorre um encontro singular que Marcos realça com pormenor e beleza. Mc 5, 21-43.
Uma mulher, sem nome, deseja ser curada da doença de fluxo de sangue, pois anda cansada de sofrer e estás prestes a desanimar. Já havia gasto “todos os seus bens “ nas mãos dos médicos. Ouve falar de Jesus e sente-se atraída pela sua fama. Decide meter-se na multidão e, destemida, ir avançando até se aproximar dEle e lhe poder tocar no manto. Este gesto era punido pela lei judaica. Mas superior ao rigor do castigo está o impulso da necessidade, a certeza do amor, a força da confiança que pressentem a possibilidade da cura desejada. E, de facto, assim acontece! O diálogo que se segue é enternecedor e pode ser condensado na declaração de Jesus: “Minha filha, a tua fé te salvou”.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A VERDADE


"Nada pode mudar a verdade, só se pode buscá-la, 
reconhecê-la e segui-la"

São Maximiliano Kolbe (1894-1941)

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quarta-feira, 24 de junho de 2015

terça-feira, 23 de junho de 2015

Postal Ilustrado — Vitral na Residência Paroquial

 UM CONVITE À MEDITAÇÃO 

Vitral -  Foto de Gabriel Faneca

Qualquer pessoa, por mais simples ou erudita que seja, precisa de um espaço em sua casa, recatado, que convide à oração, se for crente, e à reflexão. E se a casa for residência de padres que exercem o seu múnus sacerdotal em vários setores, muito mais se torna necessário um recanto acolhedor que permita a meditação.
Este mês, para Postal Ilustrado, fomos visitar a capela da residência paroquial da Gafanha da Nazaré, onde vivem os padres Francisco Melo (pároco), César Fernandes e Pedro José, responsáveis pelas paróquias das Gafanhas da Nazaré, Encarnação e Carmo. O vitral que ornamenta a capela empresta tonalidades variegadas ao ambiente interior, qual convite à harmonia que gera partilha de sensibilidades, saberes e experiências.
Com projeto do artista plástico Manuel Ângelo Correia, o vitral suscita a quem chega um apelo às nossas raízes, desde o início da fixação do povo nas dunas até aos nossos dias. Nossa Senhora, padroeira das Gafanhas, com o Menino, o sol, a estrela e a cruz, o peixe e espigas, barcos e velas enfunadas pelo vento que sempre varreu terras e rostos. A vela  estai como proa de navio, enfrentando as ondas do mar quantas vezes bravio, protege Nossa Padroeira com o Menino, proteção essa que se estende à nossa paróquia.
Manuel Correia foi-nos debitando informações da proposta do nosso prior, que sugeriu para tema os símbolos da paróquia, até à execução do seu projeto, trabalho a cargo do artista Arnaldo Fraga, de Viseu, que fez obra digna de registo, seguindo técnicas ancestrais. Os vidros coloridos, que não pintados, são protegidos por outros vidros, o anterior e o posterior, tudo bem enquadrado por tiras de liga de chumbo soldadas.
O vitral, que se deixa invadir pelo sol desde o seu nascimento até ao ocaso, fornece ao interior matizes acolhedores, conforme as horas do dia e a intensidade da luz natural. E ainda de noite, qualquer foco luminoso ou o simples luar filtrados valorizam o convite ao silêncio e à oração.

Fernando Martins


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Se eu quiser falar com Deus



Se eu quiser falar com Deus
tenho que ficar a sós,
tenho que apagar a luz,...
tenho que calar a voz...
Tenho que ter as mãos vazias,
ter a alma e o corpo nus...
Tenho que me aventurar,
tenho que subir aos céus.
Sem cordas p'ra segurar
tenho que dizer adeus,
dar as costas caminhar
decidido, pela estrada
que ao findar vai dar em nada
do que eu pensava encontrar.

Gilberto Gil


Nota: Por gentileza do Gaspar Albino, que manifestou desejos de ver voar este poema.

Notas sobre a encíclica do Papa Francisco

"Laudato si'": 
Os grandes temas da "encíclica verde" 
do papa Francisco

Criação das águas e dos peixes (mosaico, det.) | Mark Ivan Rupnik |
 Sacristia-mor da catedral de Santa Maria Real de Almudena, Espanha | 
Detalhe da capa da encíclica "Laudato si'" publicada pela Paulinas Editora | D.R.

A terra, nossa casa, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo

O papa fala da «pobreza da água pública», que se verifica «especialmente na África». Perante a «tendência para se privatizar este recurso escasso, tornando-se uma mercadoria sujeita às leis do mercado», recorda que «o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal»


A solução não passa pela «redução da natalidade», que se quer atingir inclusive com «pressões internacionais sobre países em vias de desemvolvimento». Existe, acrescenta, uma verdadeira «dívida ecológica» entre Norte e Sul



«Os poderes económicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras»; hoje, «qualquer realidade que seja frágil, como o meio ambiente, fica indefesa face aos interesses do mercado divinizado, transformados em regra absoluta»

Francisco convida a considerar o ensinamento bíblico sobre a criação, recordando que «a ciência e a religião, que fornecem diferentes abordagens da realidade, podem entrar num diálogo intenso e frutuoso para ambas»

É evidente a incoerência de quem luta contra o tráfico de animais em risco de extinção, mas fica completamente indiferente perante o tráfico de pessoas, desinteressa-se dos pobres ou procura destruir outro ser humano de que não gosta

Nalguns círculos, defende-se que a economia atual e a tecnologia resolverão todos os problemas ambientais», do mesmo modo que se afirma que «os problemas da fome e da miséria no mundo serão resolvidos simplesmente com o crescimento do mercado»

A cultura ecológica «deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático»



O documento não esquece o problema dos transportes e a poluição causada pelos automóveis nas cidades, assim como a prioridade que deve ser dada aos transportes públicos, que todavia devem ser melhorados, dado que em muitas cidades assiste-se a um «tratamento indigno das pessoas


Os progressos sobre as alterações climáticas e a redução dos gases com efeito de estufa «são, infelizmente, muito escassos», também «por causa das posições dos países que privilegiam os seus interesses nacionais sobre o bem comum global»


A salvação dos bancos a todo o custo, fazendo pagar o preço à população, sem a firme decisão de rever e reformar o sistema inteiro, reafirma um domínio absoluto da finança que não tem futuro e só poderá gerar novas crises depois duma longa, custosa e aparente cura

A espiritualidade cristã «encoraja um «estilo de vida profético e contemplativo, capaz de gerar profunda alegria sem estar obcecado pelo consumo». E «propõe um crescimento na sobriedade e uma capacidade de se alegrar com pouco»

NOTA: Destaques selecionados pelo SNPC, como pode confirmar aqui

Ler encíclica do Papa Francisco aqui

Festival de Folclore da Gafanha da Nazaré

Em 4 de julho, 
no jardim 31 de Agosto

(Foto do meu arquivo)

O Festival Nacional de Folclore da Cidade da Gafanha da Nazaré vai realizar-se no dia 4 de julho próximo, com organização do Grupo Etnográfico da nossa terra. O acolhimento aos grupos e ranchos convidados terá lugar, pelas 17 horas, na Casa Gafanhoa, seguindo-se uma visita guiada àquele espaço museológico integrado no Museu Marítimo de Ílhavo. 
A cerimónia de boas-vindas e a entrega de lembranças, com a presença das autoridades locais, será depois da visita guiada. O jantar servido aos grupos, ranchos e convidados, na cantina da Escola Preparatória da da Gafanha da Nazaré, antecede o desfile dos grupos participantes até ao Jardim 31 de Agosto, onde decorrerá, pelas 22 horas, o festival, aguardado, como sempre, pelos amantes do folclore e da etnografia. 

Mais um gesto significativo do Papa


Francisco evocou mais de oito séculos 
de divisão e apontou a caminhos concretos 
de unidade ecuménica


O Papa Francisco visitou hoje a Igreja Valdense em Turim, tornando-se o primeiro pontífice a entrar num templo desta denominação cristã nascida no século XX, e pediu “perdão” pelos confrontos do passado.
“Da parte da Igreja Católica, peço-vos perdão pelas atitudes e comportamentos não cristãos, por vezes não humanos, que tivemos contra vós, na história. Em nome do Senhor Jesus Cristo, perdoai-nos”, apelou, neste segundo dia de visita à cidade do norte da Itália.

Li aqui 

Ver também Igreja Valdense

domingo, 21 de junho de 2015

Chegou o verão

O meu neto rega muito bem!

Chegou hoje o verão. Já era tempo de a vida dar um salto, que a temperatura ajuda. Os sorrisos são mais abertos, as roupas mais leves tornam-nos mais jovens (?), os corpos precisam do sol que rejuvenesce se moderado e o contacto com a natureza enriquece a nossa sensibilidade e anima o sentido solidário de cada um. A natureza, de per si, exibe, e de que maneira, a sua capacidade de acolhimento e de partilha. Com o verão, somos outros porque somos diferentes.
Onde estou a escrever, com arvoredo e relva fresca a convidar-me a uma caminhada descalço sobre ela, curta que seja, para descarregar energias acumuladas, sinto a liberdade em pleno que me descontrai e desafia a uma proximidade mais franca com a Mãe Natureza. 
Com este verão, agora enriquecido com a encíclica do Papa Francisco — Louvado sejas! — precisamente sobre a Casa Comum que precisa de ser cuidada, ao jeito de um outro Francisco, o de Assis, temos um grande desafio pela frente: ler e meditar sobre o apelo do Papa, não apenas por curiosidade, mas para assimilarmos a verdade que a riquíssima mensagem papal nos desafia a ter em conta na nossa vida. 
Bom verão para todos. 

NOVOS OLHARES SOBRE O CASAMENTO (2)

Crónica de Frei Bento Domingues 



«As doutrinas e as instituições 
da Igreja só valem na medida 
em que, à luz do Evangelho, 
respeitarem e promoverem 
o bem da família»


1. Entrei numa Igreja paroquial para a celebração do casamento de uns noivos, meus amigos, para a qual tinha recebido jurisdição do respectivo pároco. Ao dirigir-me à sacristia para me paramentar, deparei com uma senhora que me perguntou se os noivos se tinham confessado. Respondi que não sabia nem queria saber.
Se não se confessaram a V. Reverência, aqui também não. Havia um pedido do casamento com Missa, mas não haverá Missa. Não posso ser cúmplice de dois sacrilégios.
Procurei saber que sacrilégios eram esses. A informação foi rápida: o primeiro já é inevitável - os noivos vão-se casar em pecado mortal; o segundo é deixar os noivos comungar nessa situação. Este vou impedi-lo, pois não haverá Missa.
Como as noivas chegam, quase sempre, um bocado atrasadas, julguei que tinha algum tempo para uma breve catequese.
Disse-lhe, então, que eram louváveis os seus cuidados com a alma dos outros, mas o seu zelo parecia-me pouco informado e nada esclarecido.

sábado, 20 de junho de 2015

CUIDAR DA MÃE TERRA

Crónica de Anselmo Borges 


«Faz falta voltar a sentir 
que precisamos uns dos outros, 
que somos responsáveis 
pelos outros e pelo mundo»


Naquele 13 de Março de 2013, ao ouvir o nome que o cardeal Bergoglio escolhera para si como Papa - Francisco -, fiquei convencido de que, mais tarde ou mais cedo, apareceria uma intervenção forte sobre a ecologia. Ela aí está, na encíclica "Laudato si", palavras iniciais do Cântico das Criaturas, de São Francisco de Assis: "Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe Terra, que nos sustenta e governa."

Impossível fazer aqui uma síntese minimamente adequada da sua riqueza. Trata-se de um texto poderoso, argumentado, contundente, também com belas passagens poéticas, articulando a ecologia do meio ambiente e a ecologia humana, um marco histórico para o futuro do planeta, que se impõe debater e meditar. Não é por acaso que aparece nesta data, antes da viagem aos Estados Unidos e no contexto da preparação de um novo tratado sobre o clima numa conferência das Nações Unidas, em Dezembro próximo, em Paris. Por isso, já começaram as críticas por parte, nomeadamente, de grandes poderes relacionados com a energia e a banca. O líder republicano Jeb Bush, possível candidato à presidência dos Estados Unidos, por exemplo, que se converteu ao catolicismo há 25 anos, arremeteu contra Francisco: "Não deixarei que os meus bispos, os meus cardeais ou o meu Papa me ditem a política económica"; a religião deveria ocupar-se mais de "tornar as pessoas melhores e menos de questões que têm que ver com aspectos políticos". Francisco, porém, pensa ser seu dever dirigir-se a crentes e a não crentes, "a cada pessoa que habita este planeta", para a defesa da "casa comum" ameaçada, tanto mais quanto as alterações climáticas afectam sobretudo os mais vulneráveis, estão em causa a paz e as gerações futuras, e o Deus criador entregou a Terra ao cuidado responsável de todos.

FEZ-SE GRANDE BONANÇA

Reflexão de Georgino Rocha

Mar da Galileia
Vamos navegar no rumo certo, 
apesar dos ventos furiosos 
e das marés contrárias!


A travessia do mar da Galileia constitui um momento privilegiado para Jesus mostrar aos discípulos quem é por meio das acções que faz. Mc 4, 35-41. Serve igualmente de “cenário” do ambiente de turbulência e perseguição em que vivem as comunidades a que o autor dirige a narrativa. Projecta luz sobre a relação do homem com as forças da natureza, as tempestades ambientais e a bonança do equilíbrio recuperado. Deixa em aberto a pergunta expectante dos discípulos: “Quem é este homem a quem o vento e o mar obedecem?”

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Busto do Padre Lé no Dia da Comunidade Paroquial

Gratidão da Gafanha da Encarnação 
ao pároco que mais anos a serviu


PADRE
MANUEL RIBAU LOPES LÉ
NASCIDO EM 04-08-1922, GAFANHA DA NAZARÉ
ORDENAÇÃO PRESBITERAL, 20-09-1947 BUNHEIRO
PÁROCO DA GAFANHA DA ENCARNAÇÃO, 27-10-1957
VIVEU ATÉ 24-05-2010 NA GAFANHA DA ENCARNAÇÃO


«Nós somos aquilo que somos porque houve homens e mulheres que nos antecederam na vida e na fé e nos ensinaram a ser capazes de dizer obrigado pela comunidade que somos e pela igreja que fomos capazes de reconstruir», afirmou o padre Francisco Melo na abertura da Eucaristia de encerramento das atividades do ano pastoral, que teve lugar no dia 30 de maio, sábado, pelas 18 horas, na restaurada igreja dedicada a Nossa Senhora da Encarnação, repleta de fiéis e amigos do Padre Lé. 
O padre Francisco referiu que o nosso obrigado vai ainda para os párocos da Gafanha da Encarnação já falecidos que a serviram, nomeadamente, os Padres Resende, António Diogo e Manuel Lé, cujo busto seria descerrado no exterior do templo, depois da procissão dedicada a Nossa Senhora, como é tradição no mês de maio.
Referiu o Padre Francisco, coordenador da equipa sacerdotal que inclui os Padres César Fernandes e Pedro José Correia, que o obrigado do povo da Gafanha da Encarnação vai, contudo, de forma muito especial, para «Esta Mulher que aqui está, Nossa Senhora da Encarnação, Mãe de Deus, Mãe da Igreja e nossa Mãe», porque — frisou — «acredito firmemente que hoje chegámos aqui porque Ela intercedeu por nós junto de Deus e nos acompanhou», mas também porque «foi um exemplo de tenacidade, de coragem e de ousadia para levarmos até ao fim os projetos em que acreditámos».

LAUDATO SI — Papa Francisco lança apelo a todo o mundo

Encíclica alerta para ditadura 
da finança, da tecnologia 
e do mercado



«Não quero prosseguir esta encíclica sem invocar um modelo belo e motivador. Tomei o seu nome por guia e inspiração, no momento da minha eleição para Bispo de Roma. Acho que Francisco é o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria e autenticidade. É o santo padroeiro de todos os que estudam e trabalham no campo da ecologia, amado também por muitos que não são cristãos. Manifestou uma atenção particular pela criação de Deus e pelos mais pobres e abandonados. Amava e era amado pela sua alegria, a sua dedicação generosa, o seu coração universal. Era um místico e um peregrino que vivia com simplicidade e numa maravilhosa harmonia com Deus, com os outros, com a natureza e consigo mesmo. Nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior.»

Ler a encíclica aqui


terça-feira, 16 de junho de 2015

Precisamos de uma iniciação ao silêncio


«O silêncio é um traço de união mais frequente do que se imagina, e mais fecundo do que se julga. O silêncio tem tudo para se tornar um saber partilhado sobre o essencial, sobre o que nos une, sobre o que pode alicerçar, para cada um enquanto indivíduo e para todos enquanto comunidade, os modos possíveis de nos reinventarmos. Mas para isso precisamos de uma iniciação ao silêncio, que é o mesmo que dizer uma iniciação à arte de escutar.»

Da Crónica de José Tolentino Mendonça no EXPRESSO


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Feira do Livro em Aveiro


Durante 16 dias, teve lugar no Mercado Manuel Firmino, em Aveiro, a Feira do Livro.
Por estranho que possa parecer aos meus amigos, este ano não visitei o certame, que tem por finalidade principal promover o livro, estimular a leitura e proporcionar o convívio entre pessoas que gostam de ler. A verdade é que nunca encontrei, nestes dias, qualquer predisposição para sair de casa, nem que fosse apenas para ver as capas dos livros expostos. Agora tenho de compensar o que perdi passando pelas livrarias, já que o gosto pela leitura não se foi.
Apesar das críticas que se escrevem e dizem, lamentando a falta de atividades culturais, sinto que há uma certa injustiça, pois aprecio a grande quantidade de projetos para todas as idades, de iniciativas pessoais, institucionais e outras. Iniciativas que nem sempre são aproveitadas por nós. 
Quando hoje li a notícia do fecho da Feira do Livro, fiquei deveras incomodado pela minha atitude. Se quem gosta de ler não der o exemplo, que moral tem para dar conselhos? 


Recordando um passeio — Arganil em 2005

Arganil: Consultório de Adolfo Rocha

No Hospital de Arganil procurámos o “Consultório” do Dr. Adolfo Rocha. Não foi difícil. Já sabíamos que ele estava lá, mas não sabíamos em que espaço. À nossa pergunta, uma transeunte respondeu logo: "No portão de ferro, lateral, logo à entrada, lá encontra o “Consultório” de Miguel Torga." E assim foi. Quem conhece a obra de Miguel Torga, sabe que ele trabalhou em Arganil alguns anos e que sempre ficou indelevelmente ligado à terra e suas gentes. A foto mostra o possível e na base, em placa explicativa, pode ler-se: “Material doado pelo Doutor Adolfo Rocha (Miguel Torga) ao Hospital de Arganil, onde trabalhou muitos anos.”

Julho de 2005

 E agora, um poema 



CONQUISTA

Livre não sou, que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
Teimosia
É quebrar dia a dia
Um grilhão da corrente.

Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!

Miguel Torga

In "Cântico do Homem"
NOTA: Quando me não apetece escrever, lanço o desafio às minhas memórias. Hoje, sem saber porquê, fui até Arganil, em julho de 2005.

Dádiva preciosa

"O ensino deve ser de modo a fazer sentir aos alunos 
que aquilo que se lhes ensina é uma dádiva preciosa 
e não uma amarga obrigação"

Albert Einstein (1879-1955)


domingo, 14 de junho de 2015

Novos olhares sobre o casamento

Crónica de Frei Bento Domingues
no PÚBLICO

«Nota-se pouca atenção aos seus modelos culturais e religiosos, 
no passado e no presente. Mesmo no âmbito da tradição cristã, 
podem observar-se diversos paradigmas.»
Frei Bento Domingues

1. Quem decide casar, seja pelo civil seja pela Igreja, é obrigado a marcar uma data. É por isso que existe um antes de casados e um depois de casados. Banalidade das banalidades. As instituições têm normas. Mas esta evidência jurídica não deve esconder as misteriosas dimensões humanas e cristãs de laços que se desenvolvem no tempo e que nenhum tempo explica.
O casamento é um processo infinitamente mais complexo do que o processo civil e religioso. Para não morrer, tem de ir crescendo sempre nos noivos e no casal. Aquilo a que normalmente se chama o casamento é apenas a Festa de uma realidade que só pode ser bem conjugada no gerúndio. As pessoas que se acolhem como casal serão lúcidas se perceberem que ganham em ir casando cada vez mais, nas diferentes etapas da vida, preparando-se, nos dias calmos, para o imprevisível.

sábado, 13 de junho de 2015

Fogo do Amor


«Por mais duro que alguém seja, derreterá no fogo do amor. 
Se não derreter é porque o fogo não é bastante forte»

 Mohandas Karamchand Gandhi 
(1869-1948) 

A Igreja com que Francisco sonha

Crónica de Anselmo Borges 
no Diário de Notícias

Papa Francisco

Como Francisco de Assis, o que o Papa Francisco encontrou foi uma Igreja em ruínas. Daí, o seu empenho, sem hesitações, na sua transformação e conversão.
O teólogo Agenor Brighenti acaba de apresentar preocupações e modelos fundamentais, em ordem a uma mudança radical, citando Francisco.

1. "De uma Igreja autorreferencial a uma Igreja nas periferias". É essencial pôr termo a uma Igreja autocentrada e, por isso, da exclusão, para passar a uma Igreja que acolhe os que se encontram marginalizados nas periferias: os considerados perdidos, os que pensam de outro modo, longe das certezas eclesiásticas, os das periferias da dor, das injustiças, da miséria, os pobres e analfabetos, os sem--abrigo, os presos, os drogados, os homossexuais, as famílias monoparentais, os recasados que não podem comungar, os padres casados, e tantos tantos outros...

IGREJA: RESTO OU RESÍDUO?

Reflexão de Georgino Rocha 


«Queremos ser uma Igreja “resto” de fiéis 
ou um “resíduo de tradições religiosas 
progressivamente insignificantes?»

Um homem lança a semente à terra, um grão de mostarda é colocado na horta. Mc 4, 26-34. Neste cenário tão simples, Jesus dá a conhecer o “mistério” do reino: a sua presença discreta, a energia fecunda da sua seiva, a tendência universal do seu crescimento, a certeza inabalável da sua realização em benefício do ser humano chamado a adoptar, livremente, a atitude responsável mais congruente. Que contraste com a forma tradicional de apresentar o reino de Deus! Que impacto não começa a provocar na gente ilustrada e curiosa que acorria a ouvir Jesus para examinar a sua ortodoxia!
As árvores frondosas e robustas cedem lugar a simples grãos de semente. O messias “arrasador” surge como um humilde semeador de hortas e campos, amigo de excluídos sociais pelos líderes políticos e religiosos. As técnicas vitoriosas não têm a ver com a manipulação indiscriminada das sementes nem com o controle hegemónico do sistema alimentar ou a quantidade numérica da produção; tem a ver sobretudo com a proximidade, o cuidado, o serviço e a confiança. Os frutos apetecidos manifestam-se no acolhimento aberto a todos, na fecundidade generosa, na aceitação humilde das leis do crescimento, na qualidade do relacionamento.

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Alegria de viver

Crónica de Maria Donzília Almeida



“La joi de vivre est un produit de beauté!”

(A alegria de viver é um produto de beleza!)

A frase saltou-me à vista, quando peguei no saco para depositar os produtos de cosmética que adquirira ali na Body Shop. Tirei-o da carteira pois prescindi da embalagem, vendida pela loja. Está ali sempre à mão, para uma potencial necessidade, a lembrar-me uma mensagem tão preciosa. 
E, já que a beleza é um tema tão caro à mulher moderna…e ao homem da atualidade, que se preza, resolvi discorrer sobre este particular produto de cosmética, ao alcance de todas as bolsas. 
Confrange-me o aspeto crispado de tantos rostos com me cruzo no meu labor diário, que mais parecem carregar a dívida conjunta de Portugal e da Grécia! Como não tenho pretensões de endireitar o mundo, partilho apenas a minha quota parte com dez milhões de portugueses.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Responsáveis católicos acolhem mal as mudanças do Papa Francisco

Um texto de J.P.F. no Correio do Vouga

O jornalista António Marujo, 
na Feira do Livro de Aveiro, 
destacou as mudanças de Francisco 
e lamentou que nas estruturas locais 
não sejam seguidas com entusiasmo


António Marujo



0 Papa Francisco "está a fazer grandes mudanças no Vaticano", mas "não está a ser acompanhado" em muitas dioceses, paróquias e outras estruturas da Igreja católica, captando, com frequência, mais o interesse de quem está fora da Igreja do que de muitos cristãos com responsabilidades — é a convicção de António Marujo, partilhada numa conversa na Feira do Livro, na noite do último sábado, a convite da Livraria Sana Joana. O jornalista, coautor de "Francisco, pastor para uma  nova época" (Paulinas), um dos primeiros títulos publicados em português sobre o Papa Francisco, apontou a reforma do IOR (Instituto para as Obras Religiosas — vulgo "banco do Vaticano") como exemplo das mudanças provocadas por Francisco, ainda que, na sua opinião, fosse preferível a extinção do banco. Como sinal profético do homem que é reconhecidamente o grande líder moral global, apontou a primeira saída do Papa para visitar a ilha de Lampedusa, onde são acolhidos os imigrantes africanos que procuram a Europa.

A nossa cultura — A nossa gente



«A Associação Recreativa e Cultural CHIO PÓ-PÓ, na divulgação e defesa do património cultural ilhavense, tem a honra de convidar V.ª.Ex.º para assistir ao evento cultural A NOSSA CULTURA A NOSSA GENTE, dedicado a ANA MARIA LOPES, no dia 13 de Junho de 2015, pelas 21h30, no Auditório do Museu Marítimo de Ílhavo.»

Nota: Trata-se de uma homenagem justa e muito oportuna. conheço há anos Ana Maria Lopes, ilhavense ilustre, conhecidíssima e inspirada estudiosa de tudo quanto diz respeito às nossas terras e gentes, com obra publicada e, decerto, com muito por publicar. Os seus temas favoritos, tanto quanto posso perceber, são a ria e o mar, com tudo quanto lhe está associado. Os meus parabéns aos promotores desta homenagem bem como à homenageada. 

quarta-feira, 10 de junho de 2015

10 DE JUNHO


10 de junho. Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Dia para pensarmos isto tudo com otimismo. Um pensar coletivo que nos libertasse de pesadelos. Fico-me pela minha modesta participação individual intramuros. Família por aqui em convívio, que é o melhor que a vida tem. Não houve tristezas. Marcou presença a alegria, uma riqueza para cultivar dia após dia. Sentimentos de partilha à flor da pele. 
Não falámos de Portugal, de Camões e muito menos das Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo. E podíamos ter falado disto tudo, porventura para chegarmos a banalidades. De que Portugal e os portugueses, divididos pelos quatro cantos da terra, são o melhor do mundo. Deitaríamos para trás das costas o porquê de tantos emigrantes com saudades destes nossos ares, por não terem trabalho e oportunidades como lá fora. 
Não ouvimos nem vimos as cerimónias oficiais. Sempre mais do mesmo, como já confirmei. Discursos, condecorações, paradas militares que me não dão gozo. E amanhã volta tudo ao ramerrão da vida. As medalhas vão para uma gaveta. Um dia poderão ser vendidas a antiquários. Ou vendidas a peso, se houver muitas. 
Nenhuma sacrificada mãe de família numerosa foi distinguida. O mesmo direi de um pai.
Gosto do feriado porque gosto da família. Tudo o mais não me diz nada. Os discursos oficiais geram aplausos tímidos e chacota para a comunicação social fazer títulos bombásticos. E gastaram-se muitos milhares de euros. Por mim, acabava com isto tudo. E as famílias podiam conviver. Sempre era mais saudável.

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A nossa Gente: João Resende


João Resende



Neste mês de maio, em que a Câmara Municipal de Ílhavo promove a Feira da Saúde, dedicamos a rubrica “a nossa gente” a João Resende, médico e ex-delegado de Saúde de Ílhavo, atualmente reformado.
Nascido a 6 de Novembro de 1944, João Resende vive, desde sempre, em Ílhavo, onde iniciou estudos na Escola de Cimo de Vila. Anos mais tarde prosseguiu para o Liceu de Aveiro, ingressando, depois, na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, onde, em 1980, completou a formação em Medicina, com a especialização em Saúde Pública. 
Ainda durante os estudos foi chamado à tropa, tendo-se tornado professor, após esse período. Ao longo da sua carreira, deu aulas de saúde pública, ciências e educação física, em várias escolas: no Ciclo Preparatório e na Escola Secundária Dr. João Carlos Celestino Gomes, no Magistério Primário e no ISCIA (Instituto Superior de Ciências da Informação e Administração). 
Durante 23 anos, entre 1985 e 2008, foi delegado de saúde de Ílhavo, tendo colaborado com a Câmara Municipal de Ílhavo. Foi médico no Centro de Saúde de Ílhavo, no Hospital Distrital de Aveiro e em três empresas (onde ainda exerce): a Teka, a Heliflex e a Torbel. 
Durante cerca de 16 anos, João Resende foi médico da equipa B e da equipa sub21 da seleção nacional de futebol, com quem foi aos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Ao longo de mais de uma década, foi médico do Beira Mar, bem como de vários clubes ilhavenses, como o Illiabum Clube e A.C.D. “Os Ílhavos”, com colaborações pontuais no Grupo Desportivo da Gafanha e no NEGE. No Illiabum Clube desempenhou quase todas as funções, inclusive jogador de basquetebol, tendo sido campeão nacional pela equipa principal, na época de 1963-1964.
A nível associativo, foi presidente do Illiabum Clube e dos Ílhavos, bem como presidente da Assembleia Geral dos dois clubes, da A.R.C. Chio Pó-Pó e dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo (função que ainda desempenha). Também como médico, colaborou com quase todas as Instituições Particulares de Solidariedade Social de Ílhavo, como o CASCI (onde chegou a pertencer à direção) e o Lar de S. José. 
João Resende demonstrou sempre muita iniciativa, tendo sido uns dos médicos fundadores do CAT (Centro de Apoio a Toxicodependentes) de Aveiro, onde trabalhou durante 15 anos. Foi, ainda, sócio fundador e primeiro presidente do Rotary Club de Ílhavo e foi um dos sócios-fundadores dos Amigos do Museu de Ílhavo. 
A nível político, foi candidato independente a presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, nas eleições de 1983, tornando-se vereador, após essas eleições. Foi, também, candidato pelo Partido Socialista a presidente da Assembleia Municipal. 
Atualmente com 70 anos, reformado desde 2008, continua a ser presidente da Assembleia Geral dos Bombeiros Voluntários de Ílhavo, é médico de três empresas, e encontra-se em recuperação física, após uma amputação de um membro inferior, na sequência de uma infeção agravada pela diabetes. “Há doenças que se não forem descobertas e tratadas atempadamente, nem os médicos escapam”, alerta João Resende.

Fonte: Agenda "Viver em..." de maio, da CMI

NOTA: Os restos mortais de João Resende vão hoje a enterrar em Ílhavo, sua terra natal. O seu historial, como médico e como cidadão, rico e variado, diz bem do seu empenhado envolvimento na nossa sociedade, e mesmo para além dela, tal a natureza da sua participação em prol do povo a que pertence e a que se deu de corpo e alma. Homem afável e compreensível, irradiava simpatias e facilmente criava amizades, nomeadamente, entre os diversos quadrantes da nossa vida politica local. Todos, tanto quanto me apercebi, o estimavam, também pela sua faceta de homem bom, atento, disponível e solidário.
Estou certo de que Deus já o tem no seu regaço maternal.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Os ovos-moles de Aveiro têm de ser respeitados

Tribunal defende 
genuinidade dos ovos-moles 
de Aveiro

(Foto de Paulo Ramos, no Diário de Aveiro)
«O Tribunal acaba de proibir a produção de ovos-moles e a comercialização em hóstias idênticas ou iguais às que prevê o Caderno de Especificações e não permite a utilização da expressão ou designação Ovos-moles na comercialização deste produto. As empresas comerciais autoras do processo utilizam figuras de hóstia com outros formatos: signos, ovos, amêndoas, pai natal, cachos de uvas, milho, ânforas, cordeiros ou pintainhos, semelhantes em aspecto de apresentação, tamanho e cor aos modelos tradicionais com motivos marítimos.
Após quatro anos de luta judicial, a APOMA congratula-se com a decisão judicial e informa que “os ovo-moles continuarão a ser berbigões, ameijoas, navalheiras, peixes, conchas, mexilhões, barricas, barricas de aduela, bóias marítimas, nozes e castanhas” e, em comunicado, vai mais longe, “as imitações que tentaram confundir os consumidores, diluir a histórica e tradicional marca identificativa de Aveiro e desrespeitar o cumprimento da legislação nacional e comunitária viram proibida a sua presença no mercado”.»

Li e transcrevi, com  a devida vénia, do Diário de Aveiro

NOTA: Concordo, obviamente, com a decisão do Tribunal, que peca por tardia. Tenho muitas dificuldades em perceber as razões de tanto tempo de atraso para resolver um assunto tão simples e tão importante. Tão importante, porque os milhares de turistas não saborearam os genuínos ovos-moles de Aveiro durante todo este período. 

As aulas de EMRC, um projeto de vida

Nota Pastoral do Bispo de Aveiro



«A tarefa da educação é missão específica da Família, por isso, lançamos o desafio aos pais para que não prescindam e desperdicem este tempo e este espaço da aula de EMRC, que é, sem dúvida, um excelente complemento à educação recebida em casa e na comunidade paroquial. Com a mesma sistematização e métodos dos outros saberes escolares, a disciplina de EMRC entra em diálogo com as demais aprendizagens e fornece ao aluno instrumentos para melhor compreender a realidade pessoal e social, e para nela intervir com comportamentos éticos e morais que o dignificam como pessoa.»



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Na morte pode haver vida



Mesmo na morte pode haver vida. Como é o caso destes pedaços de árvore, ressequidos, cortados e para ali atirados, ao acaso, à espera de outro destino. Fui a tempo de os ver partir para a espera do inverno, onde terão de alegrar a nossa existência com o calor reconfortante.

domingo, 7 de junho de 2015

RETIRO II


«Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.»

Canto  IX dos Lusíadas


1. A literatura de fim de semana está cheia de propostas para dias bem passados. Porque descontrair é preciso, que a azáfama da vida é por demais cansativa e stressante. Os jornalistas especializados da área do lazer e cultura, que os temos de muito nível, brindam os seus leitores com propostas aliciantes que nos arrebatam. 
Leio com gosto o que escrevem e aprecio as ilustrações que acompanham os textos, embora saiba que muito do que apregoam não se adequa à minha bolsa, nem à do comum cidadão. Contudo, consola-me conhecer o que vai pelo mundo de belo e original. Ouvindo Camões, no canto IX, dou-me por satisfeito:
"Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo."

RETIRO



Hoje, domingo, estou em retiro. Frequentemente preciso de estar em silêncio. Mas os meus retiros não são muito exigente, ou talvez sejam. Não preciso de me recolher em conventos ou em casas criadas para isso. Basta-me o aconchego de um recanto com natureza à vista. O resto sai da minha sensibilidade. 
Está um dia maravilhoso. Sol quanto baste, o arvoredo que tenho por companhia reforça o oxigénio puro de que preciso e o arrulhar das rolas e o chilrear da passarada garantem-me a sinfonia que tranquiliza. 
A cadeira em que me recosto, oferta da minha Lita, permite-me a posição adequada para o repouso na hora própria. Umas leituras para não perder o hábito que em mim se instalou há muitos anos, ainda miúdo, completam o esquema que durante a noite idealizei. Que mais quero eu? 
Se me aprouver, de algumas coisitas darei nota durante o dia. Bom domingo.

ESPÍRITO CRIADOR

Crónica de Frei Bento Domingues 

Frei Bento Domingues


1. Há pessoas que fazem profissão de optimismo. Olham sempre, ou fingem olhar, para o “lado positivo” de tudo e, perante qualquer desgraça, repetem: ainda podia ter sido muito pior! São capazes de recuar até à pedra lascada para mostrar que agora estamos no melhor dos mundos. Se alguém, mais sensível à questão social, por exemplo, observa que 20% da população detém 80% dos recursos mundiais, a resposta já está pronta: as desigualdades são a principal fonte de progresso para todos.
Quem não quer ser acusado de negativista refugia-se no prestigiado casamento do pessimismo da inteligência com o optimismo da vontade. Por não apreciar esses tranquilizantes, o filósofo espanhol, Xavier Zubiri, apressa-se a declarar que durante toda a sua vida só conheceu a emoção do puroproblematismo.
Um dos alimentos principais da filosofia são as interrogações. Mas a problematização contínua é o luxo de quem não tem que decidir. As decisões não podem esperar ver todas as dúvidas resolvidas. A concepção aristotélica da prudência – virtude da decisão bem ponderada – recomenda-se tanto aos “tontos com iniciativa”, como aos eternos hesitantes.

sábado, 6 de junho de 2015

A grande evasão

Crónica de Vasco Pulido Valente

"O futebol, a obsessão com a cozinha e os concertos de música popular são três maneiras de resistir à realidade doméstica e ao desespero a que ela nos reduziu"




A geoestratégia de Deus

Crónica de Anselmo Borges 

Anselmo Borges

Na sequência dos trágicos acontecimentos de Paris, o jornal australiano Weekend Australian publicou um desenho com humor sábio. Intitula-se "Rezemos". Jesus segura o Alcorão e diz a Maomé: "Já te disse que o Alcorão precisa de um segundo volume, como nós temos o Antigo Testamento seguido do Novo Testamento." Maomé, que segura um jornal declarando em letras garrafais: "O mundo em guerra", atira a Jesus: "Ir lá abaixo, à Terra, escrever o segundo volume? Seria crucificado."

No contexto do meu livro Deus ainda Tem Futuro?, realizei recentemente, no Porto, um debate, com a participação do general Ramalho Eanes e do eurodeputado Paulo Rangel, sobre o tema em epígrafe: "A geoestratégia de Deus".
A geoestratégia de Deus pode ser vista no enquadramento do genitivo subjectivo, isto é, no sentido de perceber qual é a geoestratégia que Deus tem. Ora, olhando para o Novo Testamento, percebe-se que essa geoestratégia, a partir de Deus, é o amor, a compreensão universal entre todos, na justiça e na paz, a plena realização da humanidade, o Reino de Deus.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

FESTA DO CORPO DE DEUS

Reflexão de Georgino Rocha



TOMAI E COMEI O PÃO DA VIDA


A ceia pascal de Jesus com os seus discípulos é narrada por Marcos de modo sóbrio e substancioso. Mc 14, 12-16 e 22-26. Nada a mais é dito que possa distrair do seu núcleo central e dos seus gestos significativos, bem como da disposição radical do seu único protagonista. Tudo se conjuga e converge na entrega do corpo e no derrame do sangue feitos generosamente por Jesus em prol de um mundo novo, fruto de uma nova aliança. Tudo se centra no pão que é partido e repartido e no vinho que é tomado e bebido. Pão e vinho, frutos da terra e do trabalho humano que, pela força do Espírito Santo, se convertem no corpo e no sangue do Senhor Jesus. Que maravilha de simplicidade e clareza! Que beleza de atitudes e sentimentos! Que riqueza de sentido intencional e de discreta presença amorosa!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

UMA JANELA PARA O SAL

Um livro de Ana Maria Lopes|Etelvina Almeida
|Paulo Godinho – Fotografia




UMA JANELA PARA O SAL é um livro de Ana Maria Lopes|Etelvina Almeida|Paulo Godinho – fotografia que se lê com muito prazer. Pelas informações que presta, pelo que nos leva a recordar, pelo texto e pelas fotos «recolhidas nos anos 80». Mas o texto, em prosa poética de muita sensibilidade, só próprio de quem sente de modo muito especial a Ria de Aveiro, a nossa serena laguna, esse merece ser lido e relido para dele extrairmos as cores, os cheiros, os gestos, as alegrias e as dores dos que viveram a safra salgada. 
As janelas que nos mostram o sal, quais vitrais multicoloridos bem definidos, espelham o céu que se mistura com os cristais salinos, refletindo na  região aveirense uma paisagem única com montes pontiagudos feitos à custa de esforço e arte de marnotos e moços. Há anos, antes da morte do salgado, nunca nos cansávamos de contemplar os cones de sal, como riqueza para alguns à custa de canseiras sobre-humanas para muitos.
Tudo ou quase tudo se foi. Porém, se não houvesse estudiosos de vários quadrantes e apaixonados pelas nossas culturas, esse património que faz parte integrante das raízes lagunares aveirenses perder-se-ia para sempre. Mas afinal temos quem nos ofereça marcas indeléveis desse património, que pode ser lido, recordado e mantido à tona das agradáveis memórias de quem nasceu à borda-d’água e não só.
O poema, como o classifiquei no início deste modesto texto, sai enriquecido em todo o livro, desde a abertura até à Nota final e ainda ao glossário sucinto, pelo que me dispenso de retirar dele alguma frase ou expressão. É que nele se incluem, nos vinte capítulos, palavras, expressões, notas históricas e termos técnicos, tudo a condizer com a safra do sal que nos tempera a nossa identidade.
Os meus parabéns aos autores.

Como isco dirigido aos meus amigos ou para abrir o apetite a toda a gente, aqui deixo um curto poema que ilustra no livro a foto que  encima este meu escrito:



Mãos de moço-homem és, rasoila!

E é com ele que, todos os dias mergulhas na moira, e te arrastas por essas praias de sal num vaivém interminável.

São ambos matéria que se curte e entranha em duro ambiente, entre elementos de água, sol e vento — entre o sal.

Ai moço, quão belo, mas cruel é esse salgado que te rouba a inocência, que te corrói o corpo e a alma, mas que te dá o pão da vida e te faz homem — são as «chagas da vida», dizem…

Ao tempo, com o tempo, curtes a tua cútis, endureces-te e moldas-te ao sal — só assim sararão essas feridas, que agora tingem de vermelho o branco sal.

É esse sal, que escorre entre teus pés, que te tempera, te corta, te marca, te retesa essa pele de tenro menino e a enruga antes do tempo, curtindo-a de bronze salgado.

A seu tempo, moço, «homem de sal» serás!


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NOTA: Este livro vai ser lançado em Aveiro, na quinta-feira, à noite, dia 4, pelas 21 horas  e trinta, no edifício da antiga Capitania.

António Marujo na Feira do Livro de Aveiro

No próximo sábado, pelas 21.30 horas
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Ruas com obras na Gafanha da Nazaré


Quem vive ou passa pela Gafanha da Nazaré sabe bem que há obras em diversas ruas. De muitas pessoas que falam comigo, tenho ouvido comentários pouco agradáveis pelos transtornos que máquinas e pessoal provocam, por impedirem a livre e habitual movimentação de automóveis. Outros tantos vão concordando com as obras, cujos melhoramentos há muito eram esperados. É-se preso por ter cão e por não o ter, em tempos como este em que cada um arranja motivos para as opiniões.
É claro que obras em ruas, ruelas e caminhos são fundamentais ao bem comum, sob pena de não acompanharmos o progresso geral. Têm que ser feitas. Saneamento, gás, redes de comunicação e outros serviços não podem ser feitos pelo ar.
Naturalmente, penso que talvez fosse possível mais agilidade e rapidez nos processos, mas se calhar ainda não chegámos, julgo eu, a esse nível de execução de obras públicas. Contudo, apesar dos transtornos que estes trabalhos provocam, vale a pena algum sofrimento e compreensão dos moradores e visitantes. 

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A nossa Gente: Joana Soeiro

Joana Soeiro

Neste mês de junho, em que a Câmara Municipal de Ílhavo volta a promover o Desportílhavo (dia 11) dedicamos a rubrica a “nossa gente” à jovem atleta Joana Soeiro.
Joana Soeiro nasceu a 24 de janeiro de 1995, na Gafanha da Nazaré, onde estudou até ao 8.º ano de escolaridade, tendo passado por Vagos, Aveiro e Lisboa até finalizar o ensino secundário.
O gosto pelo Basquetebol começou quando Joana, com apenas 6 anos de idade, quis seguir os passos do irmão que jogava no Grupo Desportivo da Gafanha.
Inscrita no G.D. Gafanha na época 2001/2002, esta atleta nunca mais parou. Dia após dia, e depois de dois anos de Centro de Treino, o sucesso começou a chegar e, com este, a vontade de chegar mais longe nesta modalidade. O primeiro título de Joana Soeiro foi o Campeonato Distrital de Sub 14, seguindo-se o Campeonato Distrital de Sub 16, entre outros. Em 2009, foi convocada à Seleção Nacional, jogando como Base em diversos países pela Europa fora.
Desde então, Joana marcou sempre presença nos Campeonatos Europeus do seu escalão (no ano de 2012, realizou dois Campeonatos Europeus no mesmo verão), contribuindo para a subida à melhor Divisão Europeia e para a manutenção da equipa na Divisão A. O seu pico individual foi, sem dúvida, a atribuição do título de Melhor Base do Campeonato da Europa de Sub 16.
Já ao serviço do Sport Algés e Dafundo (desde 2012), realizou a sua primeira época na Liga Feminina e conquistou diversos títulos, sagrando-se campeão nacional pela referida equipa lisboeta.
Depois de vários convites de diversas universidades americanas, com direito a bolsa - Scholarship,
Joana Soeiro ingressou na Universidade de Marian, no Estado de Indiana, Estados Unidos da América, onde joga pela equipa da Universidade e estuda Gestão. 
Deixar a família, os amigos e a Terra que a viu nascer foi o que mais custou a Joana, mas as oportunidades são para se agarrar e Joana seguiu o seu sonho, considerando-se recompensada pelas conquistas alcançadas e pelo fortalecimento da relação que mantém com os seus pais e irmão. 
O Basquetebol é uma paixão que Joana alimenta com muito empenho e dedicação: treina 2 horas diariamente e três vezes por semana tem treinos adicionais, antes de ir para as suas aulas, para aperfeiçoamento de técnicas individuais (lançamento e controlo de bola). 
Com todo o seu esforço e entusiasmo e ciente do trabalho que tem pela frente, Joana Soeiro tenciona atingir a linha máxima do Basquetebol. Já este ano, recebeu o título de Campeã de Conferência pela sua Universidade e foi nomeada para All Freshmen Team (5 atletas mais valiosas da Conferência).
A sua equipa foi apurada para o Campeonato Nacional e bateu mais três recordes históricos: maior número de jogos ganhos em casa (15) e menor número de jogos perdidos (1), bem como o maior número de jogos ganhos numa só época (28). Joana Soeiro continua muito ligada à família, aos amigos e ao G.D. Gafanha, tendo muito recentemente deixado uma mensagem de apoio e carinho, destacando-se aquilo que faz dela um exemplo para todos os jovens do Município: trabalho e dedicação, atitude, responsabilidade e o querer vencer.

Fonte: Agenda “Viver em…” da CMI

NOTA: Sempre apreciei os que ultrapassam dificuldades  e lutam por uma sociedade melhor, apostando com coragem e determinação em projetos pessoais e comunitários. A Joana Soeiro é uma dessas pessoas. Não a conhecendo pessoalmente, embora seja amigo da sua família, tive o gosto de a entrevistar há bom tempo para o nosso jornal Timoneiro. E nessa entrevista, feita por e-mail, que a Joana já estava nos EUA, percebi a força de vontade desta nossa conterrânea e, mais do que isso, a sua personalidade. A Joana sabe mesmo o que quer.
Oportuna é, pois, esta homenagem que a CMI lhe presta, apresentando-a como modelo a seguir à nossa juventude, não tanto,  certamente, aos jovens  que trilham caminhos semelhantes ao seu, mas àqueles que, nada fazendo para si próprios e para a sociedade, passam a vida com futilidades.

Ver entrevista aqui 

FM