Eva Cristina não saberia viver sem música

Eva Cristina Ribau
e o prazer de ensinar a cantar


Eva Cristina Ribau


Liturgia sem boa música é uma tristeza

«Liturgia sem boa música é uma tristeza», garante Eva Cristina Ribau em entrevista ao Timoneiro, quando referiu a importância da “rainha das artes” na vida das pessoas. «Todos nós estamos envolvidos pela música: o tique-taque do relógio, a trovoada, o caminhar na rua, o vento que zune e tantos outros sons que nos enchem os ouvidos», sublinha.
Começou a gostar de música desde sempre e aos seis anos a mãe matriculou-a na escola de música. E conta que, em pequena, quando foi operada, sua mãe notou que ela batia com os dedos na perna engessada, como se estivesse a tocar piano. Deduziu que a Eva teria inclinação para a música. E assim foi o princípio de uma vida dedicada às artes musicais. Por isso, conclui a professora Eva, «os pais devem observar os filhos desde pequenos, no sentido de identificarem alguns sinais que indiciem certas propensões».




Eva Cristina fala dos seus gostos musicais

Por volta dos 12 anos esteve ligada ao Movimento de Schoenstatt e nas reuniões, orientadas pela Irmã Eugénia, a música não faltava, porque a Irmã tocava guitarra. «Um dia, mais tarde, aí pelos meus 16 anos, a Irmã, que havia notado como eu cantava afinadinha, pediu-me para eu cantar um salmo, o que me levou a descobrir o gosto pelo canto», afirma.
Nessa altura, a Eva resolve tirar o curso de canto no conservatório, onde chega a ser aluna de uma sua colega brasileira, Juracyara Batista, cujo nome recorda com um sorriso expressivo. Posteriormente passa a receber aulas particulares, pois não é pessoa que ponha de lado a sua valorização contínua. E reafirma que, para além de professora, será sempre uma aluna, porque a aprendizagem é para toda a vida, seja na música como em qualquer atividade profissional.
Mais tarde, o jazz surge na sua carreira, recebendo lições que lhe são muito úteis na profissão, seja em que área for. O porquê do jazz está relacionado com a necessidade de compreender e de sentir uma nova técnica de cantar.
Sobre os seus gostos musicais, a Eva Ribau faz questão de dizer que aprecia toda a boa música, nela incluindo «os Queen nas melodias mais líricas, que não nas músicas mais pesadas», entre outros artistas, mas a grande paixão, aquela música que mais mexe com ela, é a de João Sebastião Bach. «O que me apaixona em Bach são as harmonias e as melodias que realmente nos levam a Deus», frisa. E acrescenta: «Até gosto de ouvir Bach de olhos fechados para conseguir interiorizar melhor todas as sonoridades que ele nos transmite; para ele compor da forma como o fez teve decerto um coração muito bom.»
Tem imenso prazer em ensinar a cantar, embora reconheça que é «muito complicado ensaiar pessoas que nunca cantaram nada». Sente, contudo, que tem muita paciência e defende o princípio de que o ensino e a aprendizagem «são feitos aos poucos, porque muita gente nem sequer tem noção nenhuma do que é a colocação da voz». A técnica que segue no ensino passa necessariamente pelo exemplo e pela demonstração da maneira de respirar adequada ao canto, entre outros pormenores.
A nossa entrevistada defende que o canto devia ser iniciado desde os primeiros anos da escolaridade com professores suficientemente conheceres do essencial nesta disciplina. «Só cantando se aprendem as técnicas do canto, se afinam as cordas vocais, se educam para a audição da música e se afinam as sensibilidades, aprendendo também a descobrir a diferença entre o agradável e o desagradável», refere.
A Eva garante que não saberia viver sem melodias musicais e adiantou que as crianças que aprendem música e executam qualquer instrumento captam e assimilam mais tarde, com grande facilidade, o que lhes é transmitido.

Fernando Martins

NOTA: Entrevista elaborada para o "Timoneiro"

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