VIAGEM À TAILÂNDIA: UMA VERDADEIRA AVENTURA

CRÓNICA DE VIAGEM DE MARIA DONZÍLIA ALMEIDA
Dia 8 de agosto – 6ª feira





No final de cada dia, seguíamos as diretrizes da Norma, quanto ao vestuário e calçado a usar para que o dia seguinte fosse bem sucedido. Para hoje recebemos a recomendação de que deveríamos ir muito práticos pois esperava-nos um dia de aventura e muita emoção.
Partimos, de manhã, para Mae Ping e mal chegámos ao campo de elefantes, subimos para uma plataforma, donde montámos, em pares, diretamente para o dorso do elefante, numa cesta aí instalada. Íamos munidos de molhinhos de cana de açúcar, para premiarmos o esforço do paquiderme, durante o trajeto.
Seguimos em manada, para o rio, que os elefantes atravessaram em marcha pachorrenta mas regular e sem sobressaltos.
Foi uma verdadeira aventura, com a água a chegar à barriga do animal e nós, refasteladamente, a apreciarmos a selva, das alturas! Tudo correu segundo a Norma, exceto um pequeno e insólito incidente. Devido à excitação e movimentos largos de um companheiro de jornada, caiu-lhe, ao rio, o boné que lhe protegia a cabeça da canícula da selva. Sem se fazer esperar, imediatamente o tratador deu ordem ao elefante, que prontamente estendeu a tromba e resgatou o boné das águas barrentas do rio. Houve uma ovação geral o séquito continuou a marcha.





Os Mahots treinaram os seus elefantes para revelarem as sua incríveis capacidades, como dançar, tocar instrumentos musicais e jogar futebol e basquetebol. É espetacular ver como um elefante pontapeia a bola para uma baliza, à distância. Cada vez que mete um golo, é aplaudido com generosidade pelo público presente, mas ainda nenhum conseguiu alcançar a destreza do nosso Cristiano Ronaldo!
É impressionante o tato e a sensibilidade dum paquiderme ao efetuar uma massagem aos voluntários que se oferecem para o efeito. Com a pata direita da frente, o elefante é destro(!), vai massajando delicadamente o dorso do recetor, que fica deitado num colchão, de costas para cima. Ainda estive para me voluntariar… mas havia outras pessoas com prioridade – que sofrem de lombalgias, maleita que felizmente não me afeta.
Vimos também a habilidade com que um elefante segura o pincel na tromba e pinta quadros com uma perícia que faz inveja a muitos alunos de Educação Visual. Os elefantes, certamente aprenderam bem o que os seus mestres lhes ensinaram, sem nunca terem boicotado as aulas! Cada pincelada certeira ia concretizando o projeto inicial concebido e posso garantir que cada quadro é peça única. Ficam depois expostos para venda na loja de souvenirs que existe ali ao lado.




Também eram tiradas fotos de quem quisesse sentar-se na tromba do elefante. Incrível a força que eles têm nesse apêndice. Depois de me sentar, levantou a tromba, erguendo-me no ar, como se eu fosse uma peninha! Havia quem pesasse ainda mais que os meus modestos 54 kg!
Após o show, os elefantes aproximam-se da pessoas que assistem ao espetáculo, fazem-lhes um afago com a tromba e recolhem algumas notas que os turistas, conhecedores do truque, lhes metem no orifício – mas por estranho que pareça, não comem as notas! Depositam-nas na mão dos tratador. Conhecem a cor do dinheiro!
Depois da exibição de todas estas habilidades, passei a olhar estes paquidermes, por outro prisma: são o refinamento da tolerância, da capacidade de encaixe, enfim, da paciência…ficando apenas um nisquinho aquém…dos professores!
No final, seguimos num passeio pelo rio, em pequenas jangadas de bambu e fomos visitar as tribos da montanha. Aí, observámos o seu quotidiano, o local onde vivem e manufaturam os mais diversos objetos de artesanato. Fazem de tudo e tecem mantas, echarpes, etc e vivem do produto das suas vendas. Até as crianças colaboram na venda aos turistas que as acolhem com carinho.
Ficámos a conhecer as mulheres girafas, criaturas que enrolam aros de cobre à volta do pescoço alongando-o e criando um aspeto singular, que nos surpreendeu pelo desconforto que deve constituir, já que dormem com todo esse peso no pescoço.
De origem africana, ainda que em menor número hoje em dia, a explicação desse hábito, na Ásia, tem várias interpretações lendárias:
O colar espantaria forças sobrenaturais para as quais os birmaneses animistas e até mesmo budistas constroem altares por baixo de grandes árvores;
O colar teria sido uma punição para as mulheres adúlteras de antigamente; os homens teriam feito isso com as mulheres para torná-las feias, evitando que fossem raptadas ou, ao contrário, ornamentavam-nas dessa maneira para mostrar a sua riqueza e se fazerem respeitar;
Uma proteção para as camponesas contra os tigres que as atacavam na garganta para beber o seu sangue quando trabalhavam nos campos;
Uma das explicações é que, para os Padaungs (principal tribo de mulheres girafas), o centro da alma é o pescoço. Assim, para proteger a alma e a identidade da tribo, as mulheres protegem o pescoço com aros, entre cinco e 25, cada qual com 8,5 milímetros de diâmetro, antigamente de ouro e, hoje, de cobre ou latão.
Após o passeio, partimos em direção a Thatorn, uma cidade nas margens do rio Kok e embarque a bordo de uma piroga para aceder à aldeia de minoria étnica de Bann Pa Tai, durante o qual se pode desfrutar de uma vista soberba do rio. Prosseguimos viagem para Chiang Rai, com paragem para visita às tribos do norte. Estas vivem e trabalham no seu habitat natural, merecendo todo o respeito das autoridades políticas locais. Um exemplo para o mundo!


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