O MEU LUGAR NA PAIXÃO DE JESUS

Uma Reflexão de Georgino Rocha 
para este tempo

José de Arimateia



Aproximam-se os dias da Páscoa e Jesus procura um local condigno para a sua celebração. Encarrega os discípulos desta tarefa e dá-lhes instruções precisas. Vão à cidade, encontram a pessoa indicada, (possivelmente amiga), transmitem-lhe o desejo de Jesus e esta aceita ser hóspede do grupo. 
A celebração da ceia pascal acontecesse fruto desta colaboração generosa em que muitos intervêm, sobretudo Jesus que realiza a suprema maravilha da Eucaristia, antecipa para “sinais” o que vai suceder e abre horizontes de esperança aos limites do tempo.
A narração da ceia abre praticamente o processo da paixão e ressurreição de Jesus por onde passam cenários emblemáticos da “história” humana e dos seus protagonistas: A garantia do amor fiel até ao fim, a força da tentação e a vulnerabilidade da fragilidade humana, a “convulsão” dos interesses religiosos, as manobras simuladoras do poder político, a manipulação plebiscitária das multidões, a deserção dos amigos em horas de provação, a angústia de morte das vítimas e o requinte de malvadez dos algozes, a confiança filial do homem justo, os gestos misericordiosos de quem tem um coração sensível e compadecido.


A história é feita de pessoas com nome e de factos com sentido. Jesus também aqui se distingue pela excelência do seu comportamento de testemunha fiel. A cena do Getsémani ilustra bem o risco da debilidade. Anás e Caifás, de parceria com Herodes, dão rosto às manobras feitas a coberto da religião. Pilatos é o actor político que se desdobra em diligências para agradar às “maiorias” e acaba por ir contra a própria consciência. O plebiscito mostra a farça urdida e habilmente explorada pelos anciãos; quer “legitimar” a opção de morte por inveja. O pequeno grupo junto à cruz, deixa no “ar” a pergunta: onde estão os amigos e os inúmeros socorridos por tantas acções benfazejas de Jesus. A vil miséria das vítimas espelha-se no rosto desfigurado e no corpo trucidado do crucificado. A nobreza de sentimentos de uma humanidade agradecida está patente nos gestos de José de Arimateia e das mulheres sentinelas de uma aurora pressentida. ´

“De facto, Ele era mesmo o Filho de Deus” – reconhece o oficial romano e os soldados que o acompanham ao verem o sucedido. Que bela conclusão! Que proclamação de fé! Que capacidade de passar do visível ao Invisível. E de o manifestar. Feliz de quem se esforça por conseguir a fé em Jesus, o Filho de Deus, que nos deixou, como memorial da sua paixão e ressurreição, a eucaristia dominical.

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