Novo bispo de Porto quer ser “apóstolo da bondade, da proximidade e da simplicidade”

Li na Rádio Renascença online
Texto de Eunice Lourenço


D. António Francisco dos Santos despede-se de Aveiro 
com gratidão e vai para o Porto com alegria e confiança 

D. António Francisco (Foto FM)



“Servir a todos a chegar a todos, com simplicidade”, são as prioridades de D. António Francisco dos Santos, o bispo de Aveiro escolhido pelo Papa Francisco para liderar a diocese do Porto. Em entrevista à Renascença, conta como vive esta surpresa, dá graças pela Igreja do Porto e começa a despedir-se da diocese em que, diz, aprendeu a ser bispo e serviu durante oito anos. 


Como é que recebeu esta nomeação?
Como uma surpresa. Perante a decisão do Santo Padre, só consegui colocar-me de joelhos diante de Deus e colocar-me nas mãos de Deus. Esta surpresa inquieta e ao mesmo tempo desafia.
Por outro lado, sentia-me e sinto-me tão feliz em Aveiro, ao ver esta Igreja de Aveiro caminhar. Aqui vivi e trabalhei e servi como bispo durante oito anos, senti esta Igreja crescer na alegria do Evangelho, mobilizar-se para a missão nessa experiencia extraordinária que foi a missão jubilar. 
Diante de mim, nos projectos humanos, tinha desafios a envolver toda a comunidade cristã e toda a diocese, mas esta surpresa de Deus obriga-me e desafia-me a colocar-me nas suas mãos, como é o meu lema episcopal. 
Apesar da dor da separação desta igreja de Aveiro, agora é tempo de olhar o futuro com confiança e partir com alegria ao encontro da Igreja do Porto.





Neste momento, o que gostaria de dizer àquela nova parcela do povo de Deus que lhe vai ser confiada, que é a Diocese do Porto? 
Gostaria de lhes dizer que estou com eles em nome de Deus, para os olhar com os olhos de Deus, para os servir como Deus os ama e para ser próximo, testemunhar a alegria da fé e o anúncio do Evangelho e caminhar nesta missão da Igreja, em comunhão com o Papa Francisco e agradecendo a Deus pelo dom maravilhoso que é a Igreja do Porto. 
A alegria e generosidade com que vou ao encontro desta Igreja diz-me que é grande o testemunho cristão da Igreja do Porto e que é imensa a missão que se depara pela frente. Por isso, conto com todos aqueles que espelham no seu rosto o amor de Deus e aqueles a quem é necessário levar este testemunho. Queria ser apóstolo da bondade, da proximidade e da simplicidade, ao jeito terno e materno de Maria e fazer da Igreja este rosto de presença e este rosto do amor de Deus, que chegue a todos, que vá a todas periferias: as periferias do coração, da existência, das realidades temporais.
Desde já agradeço a Deus o dom que constitui a Igreja do Porto e peço a todos que me abençoem para ser bispo ao jeito de Cristo, Bom Pastor 

Quais serão as suas prioridades para a Diocese do Porto?
Essencialmente, dar- me de coração generoso, a tempo inteiro, ao serviço de todos para o bem de todos. Ser presença do amor de Deus no coração da cidade, das aldeias e das vilas, ser testemunho e irmão junto dos sacerdotes, dos diáconos, dos consagrados e dos leigos. Trabalhar na comunhão fraterna com os bispos auxiliares e com todos quantos constroem a beleza do Reino de Deus no Porto. 

O seu lema episcopal é “In manus tuas”. É um lema que vai manter no Porto?
É um lema que me acompanha em todo o meu caminho de cristão, de irmão, de servidor e de bispo. É um lema que exprime os sentimentos que me unem a cristo e à sua cruz e me colocam sob o olhar da Mãe de Jesus, a Senhora da Conceição, padroeira do Porto. 


Ao longo destes anos, pelos cargos que foi desempenhando na conferência Episcopal, esteve sempre muito ligado à educação e às vocações. São áreas a que vai manter uma ligação especial? 
São prioridades essenciais de toda a missão da Igreja. A educação da fé e o serviço da pastoral vocacional são realidades transversais a toda a vida da Igreja.

Nesta hora que também é de despedida de Aveiro, que palavras gostaria de deixar aos seus diocesanos? 
Queria dizer obrigado ao Senhor pela beleza da diocese de Aveiro. Em Aveiro, aprendi a ser bispo para eles e irmão com eles, com todos. Não há palavras que esgotem a dimensão da minha gratidão e a alegria de ser bispo nesta Igreja de Aveiro e de daqui partir, ajudado e ancorado pela oração pela amizade pelo testemunho e pela certeza de uma presença permanente de todos os diocesanos de Aveiro, desde os sacerdotes, aos diáconos, aos consagrados, aos leigos e à sociedade civil com que vivi uma relação de diálogo, activo e interventivo. 
Aveiro permanecerá no meu coração e eu sei que também permaneço na amizade e na oração de todos.

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