FELIZES OS PUROS DE CORAÇÃO

Uma reflexão de Georgino Rocha 
para esta semana


Jesus sonha um homem novo, feliz, e faz a sua proposta de vida no ensinamento das bem-aventuranças. O local escolhido é a montanha que evoca o sítio em que Deus selou a aliança com o seu povo e lhe deu um código de comportamentos – os mandamentos. No Sinai, Moisés recebe a Lei. Neste monte, Jesus confirma o valor das promessas feitas por Deus e abre-lhe horizontes mais rasgados. 

O Reino – expressão usada para designar esta realidade – está já em realização e o coração prepara-se para o acolher e manifestar. Jesus vem não anular, mas potenciar; não denegrir, mas fazer brilhar; não aprovar os sinais exteriores, mas valorizar as atitudes interiores; não adiar a satisfação das aspirações, mas garantir que, desde já, a felicidade é possível se os ouvintes/discípulos viverem a sua proposta em todas as dimensões.


A novidade do seu discurso é tão grande que Jesus sente necessidade de fazer uma catequese por contrastes. E realiza-a em quatro níveis: as relações fraternas, a honestidade dos desejos, o amor fiel e a confiança sincera. 

A lei de não matar fisicamente, típica do Primeiro Testamento – que continua em pleno vigor - alarga-se a outras formas de eliminar alguém: a ira que irradia do coração, a imbecilidade e loucura que desconsideram e reduzem a dignidade do “irmão” em humanidade e na fé. Estes sentimentos negativos corroem o melhor do ser humano, da convivência social e da fraternidade cristã. Mantê-los ou cultiva-los degrada e desumaniza. Como sanear e pacificar o coração irado e restituir-lhe a energia da concórdia e da paz? Como repor a avaliação correcta do outro e restabelecer a relação fraterna? 

Só a reconciliação, fruto do perdão, pode conseguir tal benefício, realizar semelhante maravilha. E Jesus mostra como é sublime esta atitude, apreciando-a mais que o próprio culto ritual. Um coração limpo, puro, pacificado, torna-se espelho desta felicidade integral, manifesta a fonte inesgotável donde provém e augura o ambiente de harmonia que, no futuro, gozarão os que verão a Deus.

A honestidade nos desejos, o amor fiel e a confiança sincera surgem como concretizações daquelas relações fraternas. A mulher tem a sua dignidade feminina que deve guardar e cultivar, o matrimónio um “estatuto” a respeitar e qualificar, o amor fiel uma reciprocidade fecunda a valorizar, a confiança mútua uma estabilidade a fortalecer. Que alegria responsável velar pela sanidade do coração, sua pureza e transparência.

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