A nossa gente: Valdemar Aveiro


Valdemar Aveiro
(Foto do meu arquivo)


Neste mês de dezembro dedicamos a rubrica “a nossa gente” ao Capitão Valdemar Aveiro cuja coleção de fotografias, que deu origem à Exposição “Mares e Marés”, está patente no Museu Marítimo de Ílhavo, com entrada gratuita.
Valdemar Aveiro nasceu em Ílhavo, a 19 dezembro de 1934, no seio de uma família de pescadores.
Terminada a instrução primária, começou a trabalhar como aprendiz de barbeiro. Passados dez meses empregou-se numa oficina de serralharia e, mais tarde, na construção civil.
Em 1950, então com 15 anos, concorreu à Escola Profissional de Pesca em Lisboa, onde frequentou um curso de formação técnico profissional, ministrado aos futuros pescadores de dori. Durante o curso ganhou uma bolsa de estudo que lhe permitiria mais tarde tirar o Curso Geral dos Liceus e seguir depois para a Escola Náutica. Entretanto fez uma viagem à pesca do bacalhau, na condição de Moço, a bordo do lugre motor “Viriato”, da praça de Lisboa.



Chegado de viagem, em outubro de 1951, iniciou a sua vida académica em Lisboa, com residência no Stella Maris, zona de Belém, obra criada pelo Dr. Constantino Varela Cid e um grupo de amigos, para apoio aos marinheiros estrangeiros em trânsito ou aguardando embarque.
Uma vez terminado o Curso Geral do Liceu, seguiu para a Escola Náutica, tendo concluído o Curso de Pilotagem em julho de 1957 e embarcado de seguida a bordo do arrastão Santa Mafalda, da Empresa de Pesca de Aveiro, como Praticante de Piloto. No ano seguinte foi promovido a Piloto a bordo do mesmo navio, passando a Imediato do arrastão Santa Joana em 1960.
Emigrou para o Canadá em 1964, na persecução de se licenciar em Medicina, um sonho que não logrou cumprir, tendo regressado a Portugal em outubro de 1965.
Em 1966 embarcou como Imediato no arrastão São Gonçalinho para, no ano seguinte, mudar para um navio moderno, o Santa Isabel, comandado pelo Capitão David Calão.
Em 1970 assumiu o comando do mais velho arrastão português, o Santa Joana, e, dois anos depois, foi convidado para comandar o arrastão Coimbra, então em construção nos Estaleiros de S. Jacinto.
Em agosto de 1988 retirou-se definitivamente por doença.
Depois de recuperado, foi convidado a colaborar com a Administração da Empresa de Pescas de S. Jacinto, sendo, desde 1991, membro do seu Conselho de Administração, lugar que ainda ocupa na atual data.
Autor de um opúsculo escrito em 1970, “Os Ílhavos e as suas origens”, publicou posteriormente três livros memoriais sobre a pesca do bacalhau, que ilustrou com expressivas fotografias. São eles “80 Graus Norte”, “Histórias Desconhecidas dos Grandes Trabalhadores do Mar” e “Murmúrios do Vento”, preciosos testemunhos da vida a bordo dos navios em faina nos mares setentrionais, vida que viveu intensamente, bem à sua maneira e a seu gosto, em equipa, em família, com a sua tripulação, como faz questão de realçar.

Li na Agenda “Viver em dez’13”

Nota: Congratulo-me com o destaque merecido dado ao Capitão Valdemar, como é conhecido entre nós, na rubrica "A nossa gente" da agenda "Viver em dez'13",  da CMI. Trata-se de uma  pessoa que me merece todo o respeito e muita consideração pelos seus diversos talentos e capacidades, quer na área profissional e artística, quer na sociedade, mas também como pessoa profundamente humana e generosa. Um exemplo para quantos acreditam que é possível vencer obstáculos à custa de sacrifícios. Uma outra faceta merece ser sublinhada: O Capitão Valdemar nunca escondeu a sua origem humilde e muito menos a sua ligação à nossa terra, por onde andou e brincou em menino, acompanhando sua mãe, a Tia  Maria Polónia, que por aqui vendia legumes e caiava casas.
Um abraço para o amigo Valdemar Aveiro.


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