Aniversário da República Portuguesa

5 de outubro — o feriado que já não é

O meu amigo Zé,  republicano dos quatro costados, ou coisa parecida, lançou-me há pouco uma pergunta pertinente, em jeito de brincadeira mas a falar a sério…. “Olá, Manel: Estás à espera do regresso do D. Sebastião? Em dia de nevoeiro: VIVA A REPUBLICA!” 
Pois é… Tinha-me esquecido. Esta coisa de se acabar com os feriados marcantes da vida nacional e do povo português tem que se lhe diga. Já não há respeito pela História Pátria. Os feriados não são só dias de descanso para quem trabalha, para quem luta pela sobrevivência em tempos de crises graves. Eu sei, todos sabemos, que pouca gente está disponível para celebrar os dias dignos de registo, mas sempre haveria hipótese de evocar acontecimentos que, de alguma forma, nos posicionaram no mundo. Éramos monárquicos e depois virámos republicanos, para o bem e para o mal. 


É verdade que os republicanos de 1910 não se entenderam lá muito bem… e desse desentendimento sobreveio uma ditadura de meio século, a que o 25 de Abril pôs cobro, oferecendo-nos a liberdade no pensar, a responsabilidade no agir, a democracia política, social e cultural. O desenvolvimento, que também se apresentou nos ideais de Abril, foi sendo adiado e está pelas ruas da amargura. Contudo, ainda podemos protestar, contestar e escolher quem nos governe ou desgoverne. Há dias, vivemos as eleições autárquicas. 
Os portugueses, na posse dos seus direitos cívicos, legítimos e inalienáveis, foram iguais, não havendo rico ou pobre, nem sábio ou humilde, frente às urnas, o que raramente acontece. Todos puderam optar por este ou por aquele partido, sem interferência de ninguém. E daqui a uns tempos, voltaremos às mesmas posições para escolher os que devem sentar-se no Parlamento e nas cadeiras do Governo. Oxalá saibamos assumir as nossas responsabilidades republicanas, regime em que vivemos. 
Respondendo ao meu amigo Zé, dir-lhe-ei que nunca esperei por um qualquer D. Sebastião. Não acredito em salvadores terrenos, em promessas irrealizáveis porque demagógicas, em arautos de paraísos na terra. Espero, isso sim e há muito, por políticos à altura da nossa História, do tamanho das nossas reais necessidades, dos nossos anseios de um mundo de mais justiça social, abertos ao progresso sustentado, atentos aos feridos da vida, aos injustiçados, aos famintos, aos sem emprego e sem abrigo… Afinal, respeitadores de uma república de fraternidade democrática, de igualdade de oportunidades, de liberdade responsável. 

Fernando Martins


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