Padre António Maria entre nós

Padre António (foto da CMI)

Padre António Maria cantou 
 e encantou na Gafanha da Nazaré


O Padre António Maria Borges cantou e encantou mais uma vez na Gafanha da Nazaré, a convite da Câmara Municipal de Ílhavo, na sexta-feira, 23, no Jardim 31 de Agosto, à noite. De certa forma, foi um concerto integrado nas Festas da Padroeira, Nossa Senhora da Nazaré, que habitualmente se realizam no último domingo de Agosto e este ano sem a componente profana.
Bem conhecido dos gafanhões e não só, o Padre António trabalhou na paróquia como coadjutor do prior Padre Miguel Lencastre, entre 1977 e 1981. Aliás, o Padre Miguel foi o responsável pela sua vinda para a paróquia.
O Padre António Maria brindou a numerosa assistência com canções que perduram na memória de quem o conheceu e com ele privou. Canções carregadas de mensagens de amor e paz, mas também da sua incondicional devoção a Nossa Senhora, a Mãe Admirável que sempre o acompanhou no seu sacerdócio e na sua vida artística.


Durante o concerto, o artista soube intercalar entre as canções recordações dos tempos em que viveu entre nós, mantendo vivo o bom humor que o caracteriza, sem dispensar mensagens de fervor espiritual, marcadamente mariano. Agradeceu a amizade e o carinho de quantos compareceram para o ouvir, deixando o «quentinho» das suas casas, numa noite com chuviscos que incomodaram os mais comodistas. E convidou toda a gente a «mexer-se» ao som e ao ritmo de a «Festa», não esperando que ele o faça muito com medo de «deslocar alguma coisa». Um concerto é, afinal — sublinhou —, «a festa do encontro». E acrescentou: «Festa começa com fé; e felicidade também.»
O Padre António Maria ainda interpretou, entre outras canções e melodias, muitas das quais ocupam um lugar especial nas nossas memórias, a célebre «Nossa Senhora» de Roberto Carlos, seu particular amigo. Foi um momento especial com todo o povo a acompanhá-lo com muita ternura. Mas não deixou de frisar que esta visita à Gafanha da Nazaré lhe permitiu visitar quatro senhoras com quem partilhou inúmeras tarefas pastorais, sociais e caritativas, e que se encontram doentes: Maria da Luz Rocha, «a nossa querida velhinha», Maria Vieira, «a nossa querida Belinha» [Rosa Bela Vieira] e Maria Bola.
O Padre António Maria exerceu o seu múnus sacerdotal junto de toda a gente, ou não tivesse ele o dom do acolhimento e da solicitude, a par da simplicidade e carinho que brota naturalmente do seu coração de amigo e confidente. A juventude, que ele atraía sem esforço, teve no Padre António Maria o homem bom e compreensivo que soube suscitar desafios e estimular projetos. Nessa linha, dinamizou os Festivais da Canção Mensagem, que se iniciaram em 1978, acompanhando com entusiasmo o Grupo da Juventude Masculina de Schoenstatt, iniciativa aquela que teve como objetivos principais incentivar o aparecimento de novos compositores, autores de letras e intérpretes, chegando longe a sua fama.

Fernando Martins



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