domingo, 24 de julho de 2011

FÉRIAS

De quando em vez é preciso parar, para descansar e para refletir. Penso que há muito devia ter feito isto. Escrever todos os dias, para os meus blogues e não só, começa a pesar. Os meus amigos e leitores podem, porém, ficar cientes de que voltarei logo que possível... Até breve.

Fernando Martins

PÚBLICO: Crónica de Bento Domingues

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O Tesouro da Sabedoria




CHEIO DE ALEGRIA, AGARRA-SE AO TESOURO

Georgino Rocha

Atitude decidida e coerente, fruto de um coração inteligente e de uma vontade determinada. Atitude assumida com firmeza pelo homem que passa no campo e sente o seu olhar “golpeado” pelo brilho de um tesouro. Atitude emblemática de tantas outras que, ao longo dos dias, somos chamados a considerar e fazer nossas.
O homem da parábola concentra todas as energias na realização da maior aventura da sua vida: obter a preciosidade vislumbrada. Definida a meta dos seus desejos, reorganiza e reordena todas as suas rotinas, reelabora a sua escala de valores, redimensiona a distribuição do tempo. Nestas diligências, sente o seu ânimo transbordar de alegria e toma decisões arriscadas.
Por isso, prossegue sem demora o seu plano de acção: pôr a salvo o tesouro descoberto, desfazer-se dos bens a fim de conseguir a importância indispensável à compra, adquirir o campo onde está o achado. Em todo este processo, uma confiança revigorante galvaniza as suas forças anímicas e energias espirituais.

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 247



DE BICICLETA ... ADMIRANDO A PAISAGEM – 30


A CORRIDA DE BICICLETA

Caríssima/o:

Para variar, hoje vamos de banda desenhada. Creio não valer a pena desvendar a solução que o «Juvenil» trazia na página 37.







Manuel 

sábado, 23 de julho de 2011

Tolerância Positiva


RELIGIÃO NA RESPONSABILIDADE

Anselmo Borges

A caminho dos 93 anos, é um dos últimos sobreviventes daquela plêiade de gigantes políticos europeus que reconstruíram a Europa, souberam lidar com a Guerra Fria, contribuíram, sem tibieza, para o desanuviamento mundial, estabeleceram as bases da União Europeia. Quando a política não era mera Realpolitik, pois ainda se apoiava em saber e se movia por ideais. Foi ministro da Defesa, da Economia e das Finanças, chanceler federal. A sua influência continua hoje forte através do seu semanário DIE ZEIT. Falo de Helmut Schmidt.
Acaba de publicar Religion in der Verantwortung. Gefährdungen des Friedens im Zeitalter der Globalisierung (Religião na responsabilidade. Perigos da paz no tempo da globalização), reunião de textos de conferências em várias partes do mundo. Ficam aí algumas ideias marcantes.

Amália nasceu neste dia em 1920



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Figueira da Foz: “Cais da Memória I”



INAUGURAÇÃO AMANHÃ, SÁBADO, NO CAE

O Porto da Figueira da Foz e a cidade revisitados em fotos de outros tempos, numa exposição a inaugurar amanhã, sábado, 23 de julho, pelas 18 horas,  no CAE — Centro de Artes e Espectáculos. A exposição ficará patente até 21 de Agosto. Trata-se de um “primeiro episódio de uma viagem pela Figueira da Foz de outros tempos, olhando o vigor dos Homens que lhe ofereceram um porto, que lhe sangraram o belo estuário, pese a força indómita dos temporais que também por cá insistiram em esculpir ferrete”.
A exposição integra perto de uma centena de fotografias do Arquivo Histórico-Documental do Porto da Figueira da Foz (APFF, S.A.), num projeto desenvolvido por Bárbara Lopes da Fonseca.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Costa Nova: arte na esplanada


O bom gosto manifesta-se de muitas maneiras e em toda a parte. Oferecido pela natureza ou pelos artistas, populares ou eruditos. E quando assim, a vida tem outro sabor. Durante este verão, procure identificar motivos artísticos. E se quiser partilhar os seus registos comigo e com os meus visitantes, muito melhor.

Portugal está na ribalta




Forças ocultas 
numa sociedade distraída
António Marcelino

De vez em quando somos publicamente surpreendidos por notícias variadas que nos deixam perplexidades, desconfianças e até fundados receios. O mundo das pessoas não é transparente e os interesses em campo entrechocam-se. Há sempre vítimas destes jogos escuros. São os mais fracos, pessoas e países, os que, numa vida de muitas dificuldades, tentam sobreviver, sem que saibam depois quem lhes põe pedras no caminho ou mesmo quem lhes fecha o caminho para que não possam ir mais longe.
Quando tudo se passa às claras há sempre alguma possibilidade de prevenção e de defesa. Não, porém, quando se cultiva o secretismo e, à superfície, não aparecem senão boas intenções, propaladas competências e mesmo gestos de solidariedade. Normalmente gestos vistosos e publicitados de muitas maneiras. Em sociedades democráticas, nas quais ninguém deverá recear ninguém, o secretismo é incómodo e preocupante, mesmo que não se consigam vislumbrar os contornos das manobras em campo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Educação para a Cidadania

Jean Jacques Rousseau

Educar com o coração e não com o compêndio
Maria Donzília Almeida

A educação do homem começa 
no momento do seu nascimento; 
antes de falar, antes de entender, 
já se instrui. 
 Jean Jacques Rousseau 


Com o fim do ano, ficaram para trás as avaliações, os Planos de Recuperação, Planos de Acompanhamento, reuniões de Departamento, a rigidez dos horários e o burburinho dos alunos, que constitui a música de fundo de qualquer escola. 
Com dias maiores, plenos de sol e as nortadas a fustigarem-nos o rosto, apetece fazer as malas e partir para destino incerto. É salutar a mudança de ambiente geográfico, para melhor retemperarmos forças e para nos libertarmos do stress do dia-a-dia docente. 
Neste período intermédio entre a cessação das atividades letivas e o início de férias, a mente ainda é invadida por, ideias e questões relacionadas com a educação. 
Um dos pensamentos mais recorrentes, prende-se com o binómio sucesso/insucesso. Da minha experiência com a malta miúda, uma das coisas mais facilitadoras da aprendizagem, é o comportamento, em sala de aula. Quando a postura do aluno é de infração permanente às regras estabelecidas pelo Regulamento Interno da Escola, a aula funciona mal, há um enorme desperdício de energia, por parte do professor e todos saem prejudicados. 

Faça férias cá dentro


A falta de recursos não pode ser justificação para não gozarmos férias. Se optarmos por fazer férias cá dentro, mesmo ao pé da porta, haverá muitos centros de interesse, tanto de âmbito cultural como social  e desportivo. Por exemplo: se escolhermos o tema "descoberta do azulejo", teremos muito que fazer. Aqui fica uma simples amostra. Onde poderemos encontrar este painel, na cidade de Aveiro? Bom desafio...

Passagem por Fátima: desafio à nossa reflexão



Pedro Rolo Duarte passou por Fátima e não gostou muito do que viu. Um cético em relação a Fátima, deixou-nos a necessidade de refletirmos sobre algumas imagens que o Santuário revela ao mundo: muitos crentes, convictos, mas também muitos que ali vão em simples passeio, que não em peregrinação. Jamais esquecerei uma jovem que foi a Fátima com a família, num domingo, para cumprir uma promessa, mas não participou na eucaristia porque não constava da dita promessa. Depois de paga, em dinheiro vivo, seguiu-se o piquenique.
Pois Pedro Rolo Duarte ficou um tanto desiludido com o que viu. E lá mostrou a placa onde se anunciava a bênção dos veículos, como se eles precisassem de ser abençoados. Seria melhor, muito melhor, na minha ótica, se a bênção fosse dirigida aos condutores e passageiros. Pode ser que um dia alterem os dizeres da placa.
Mas vejam o texto do jornalista aqui.

FÉRIAS




Picasso: paisagem, paz

Vá para fora por dentro!
Margarida Alvim

Tempo de férias, tempo de paragem. Tempo de passear, de ler, de fazer o que se quiser. Ir à praia, fazer uma viagem, ir visitar os amigos, encontrar alguém da família. Também pode ser um tempo para ficar simplesmente em casa, de arrumar tudo o que se foi acumulando ao longo do ano, de fazer limpezas a fundo, de pôr as coisas de novo em ordem. Talvez este ano seja mesmo um tempo em que muitos ficarão mais por casa.
“Vá para fora cá dentro!”, ouvimos nos anúncios de promoção do turismo em Portugal. Em tempo de crise, esta é capaz de ser mesmo uma grande oportunidade de passear mais no nosso país, de descobrir toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas.
Férias são sobretudo um tempo de descanso, de reparação, de ganhar forças. Por isso, talvez fosse bom encarar estes dias não com a urgência de conseguir encaixar tudo o que se ansiou e sonhou ao longo do ano de trabalho, mas com a expectativa do que nos pode trazer cada dia, deixando-nos levar sem pressas. Em que é que descansamos? O que é que nos descansa de verdade? Pensava como por vezes estamos tão cansados interiormente, tão dispersos, com tanto ruído, com tantas preocupações que nos consomem e tiram ânimo, liberdade, lucidez. Nada que uns dias na praia não resolvam, pensamos nós. Sim, é verdade, os dias na praia com certeza que ajudam a acalmar. Mas o verdadeiro descanso precisa também de uma paragem e de um reencontro interior.

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terça-feira, 19 de julho de 2011

Schoenstatt na mata da Gafanha


Schoenstatt (Foto do meu arquivo)

Recanto de tranquilidade

Neste mundo de problemas, mais ou menos participados por todos nós, não há como uma fuga para um recanto de tranquilidade, que ainda é possível encontrar, por aqui e por ali, sem ser preciso pagar nada. Na Colónia Agrícola da Gafanha, no meio da mata, há um desses recantos, bafejado pela espiritualidade de Schoenstatt, nascido em 18 de outubro de 1914.
No santuário, cópia fiel do santuário original, em Schoenstatt, na Alemanha, pode sentar-se um bocadinho, depois de olhar o jardim cuidado, verdejante e florido, e experimentar como é bom estar ali. Depois, quando sair, sentirá que valeu a pena. Se não sentir nada da paz que por lá se respira, tente mais umas vezes. E mais uma. Até descobrir o que o impede de ser feliz.

Schoenstatt Tem Talento!



As Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) são um evento internacional, organizado pela Igreja Católica, que reúne jovens de todo o mundo e é presidido pelo Santo Padre. Vão dar-nos a oportunidade de sonhar com um mundo novo, cheio de paz e unidade, e contribuir para a Igreja do Novo Milénio, uma igreja que está viva!
Assim, a Juventude Apostólica de Schoenstatt está a organizar um novo espectáculo, com intuito de angariar fundos para a viagem rumo Madrid, onde terão lugar em Agosto as JMJ.
“Schoenstatt Tem Talento” é um espectáculo cheio de vida, com muita dança, música e teatro. A organização desta actividade permitiu fortalecer laços de amizade, ganhar sentido de organização e responsabilidade para com o grupo e para com a sociedade e a cultura.
Este evento terá lugar no dia 28 de Julho de 2011, pelas 21h no Centro Cultural da Gafanha da Nazaré. Informações para aquisição de bilhetes, contactar: 91 908 1760 ou 91 741 57 66.
Contamos com a presença de cada um para podermos partilhar esta alegria e vida!

Joana Santos

Macário Correia ao sabor da maré!



«Depois de ter sido um feroz opositor da introdução de portagens na Via do Infante no âmbito do programa de alteração do projecto, Macário Correia afirmou hoje, em declarações à TSF, que compreende o ponto de vista do Governo e que as portagens naquela via que cruza o Algarve são “inevitáveis”.»

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NOTA: Confesso que tinha uma certa simpatia pelo político Macário Correia, mas hoje cheguei à conclusão de que, afinal, não passa de um indivíduo que anda ao sabor da maré. Antes, no tempo do Governo PS, era um aguerrido inimigo das portagens na Via do Infante; agora, com o PSD/CDS no executivo nacional, já concorda com elas. Como explicação, adiantou que a conjuntura, com o país em crise, a isto o levou. Pois é. Há poucos meses, com o país a querer evitar a bancarrota, na douta opinião de Macário, não havia razões para portagens. Sempre há cada  sem-vergonha!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mandela Day



67 minutos 
para ajudar os outros

«Assinala-se hoje o Mandela Day, o dia internacional dedicado ao líder sul-africano que conseguiu, através do diálogo e da integração, mudar o futuro da África do Sul, no dia em que o estadista completa 93 anos. Neste dia, a Fundação Nelson Mandela pede a todos os cidadãos que dêem 67 minutos do seu tempo a ajudar os outros.»

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***

Tão pouco de cada um, multiplicado por milhões, seria (ou será) uma revolução capaz de virar o mundo para melhor. O problema está nos nossos comodismos que nos impedem de dar seja o que for. Viver a solidariedade e experimentar  a caridade podem fazer  a diferença nas sociedades que temos e que desejamos mais abertas a quem precisa. 

Novo Bispo de Bragança-Miranda




Manuel Monteiro de Castro 
é o mais novo bispo português



Nasceu em Luanda em 29 Maio de 1967 e em 1975 entrou no seminário menor da Diocese de Bragança-Miranda. Prosseguiu os seus estudos na Universidade Católica no Porto, onde concluiu a licenciatura em teologia, antes de ser ordenado Padre, a 16 de Junho de 1991. Foi reitor do Colégio Português em Roma.
Sobre a crise por que estamos a passar, disse: “Os momentos de crise, eu creio que são sempre momentos de purificação, de confronto, de renovação. Eu acredito no presente e no futuro de Portugal. Não ficarmos passivos à espera que as coisas aconteçam, que os problemas se resolvam por si. Eu acho que todos nós temos algo a dar, como contributo para a resolução dos problemas, em ordem à construção de uma civilização nova.”

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GAFANHA em 1915




Na “Ilustração Portuguesa”, em 1915, 18 de outubro, António Maria Lopes escreveu um texto muito bonito e ilustrado sobre a Gafanha. Vale a pena lê-lo e apreciá-lo aqui.
Para despertar o interesse dos meus amigos, transcrevo três bocadinhos:

A Gafanha é uma «terra pacífica, meiga e alegre como um beijo de mãe, caído nos lábios d’um filho, forma como que uma pequena pátria n’nesta grande pátria nacional.»

A Gafanha «é uma povoação moderna, de tipos fortes, loiros, requeimados pelo sol, vendendo saúde.»

«o ativo e forte gafanhão não emprega o seu tempo apenas no amanho do veludo macio das suas areias, dando-lhes a consistência precisa para a cultura por meio do moliço.»

domingo, 17 de julho de 2011

Aldeias Históricas de Portugal

Piódão

Sortelha

Alma cheia e espírito renovado 

Maria Donzília Almeida 

Quem conheceu as Gafanhas em meados do século passado e compara com o aspeto que têm hoje, pode dizer, à boca cheia, sem margem para engano: — Qualquer semelhança é pura coincidência! 
Na verdade, a Gafanha foi, outrora, um aglomerado rural e piscatório. A agricultura de subsistência praticava-se, paralelamente, com alguma atividade piscatória e ambas constituíam o sustento da população. Esta vivia em condições precárias e tinha um padrão de vida muito humilde. 
Gradualmente a aldeia foi-se descaracterizando, podendo-se dizer, hoje, que nem é peixe nem carne! O tecido social perdeu a sua homogeneidade e integrou gentes de várias origens e múltiplas formações. A característica principal deste povo laborioso e persistente perdeu-se neste mar de gente que povoa as nossas escolas numa massificação problemática. 
Fica uma palavra de apreço ao nosso presidente da Junta de Freguesia, que tem posto o seu dinamismo e energia ao serviço da comunidade que serve. Bem-haja! 
Foi neste pano de fundo que surgiu a ideia do passeio escolar às Aldeias Históricas, habitual todos os anos. 
Na madrugada de 13 de julho, rumou a terras de Aguiar da Beira o autocarro cheio de docentes e “paradocentes”, em ambiente de descontraída confraternização. 
Seguindo pela A25, passámos por Viseu e a primeira aldeia que visitámos foi Linhares, situada na vertente ocidental da Serra da Estrela, de origem medieval. Com um passado rico em história é um autêntico museu ao ar livre. As pedras das ruas contam histórias fantásticas, e são um repositório da importância que teve no passado. 

PÚBLICO: crónica de Bento Domingues


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Poema para este domingo



Figueira da Foz: Torre do Relógio


AQUELE MAR

Aquele mar da minha infância,
bom camarada e meu irmão
a sua voz, o seu olor, sua fragrância
tanto os ouvi e respirei
que trago em mim o seu largo ritmo,
seu ritmo forte,
como se as praias onde espuma
quase me fossem
praias sem fim dentro de mim
ocultas praias, largas praias
do tumultuoso coração…
Aquele mar
meu confidente de horas idas
tudo escutava e adivinhava
do meu pueril e ingénuo anseio.
Nada sonhei que o não dissesse
– frémito de alma, grito ou prece –,
às madrugadas e aos poentes,
ao sol, às nuvens, ao luar,
ora nascendo, ora morrendo
nos longos, longos horizontes
em que se perdia o meu olhar…
Aquele mar
na calma azul, no temporal,
nunca mentia: era um só beijo,
hálito puro, largo harpejo
que me entendia e respondia
no seu inquieto marulhar…
Moço e menino, solitário,
rochas, falésias, areais
eu coroava-os de alegria
nos meus passeios matinais.
Ou nalgum barco pescador,
velas abrindo a todo o pano,
do oceano então era senhor,
largava a escota, navegava,
no vão desejo de aventuras,
que não chegava a realizar…
Mas era meu, e eu pertencia-lhe,
àquele mar,
era seu filho, escravo e dono,
sorria à sua Primavera,
amava a luz do seu Outono,
o vivo lume dos estios
a violência dos Invernos
longos clamores de temporais.
Aflito voo das gaivotas
junto das negras penedias,
também como ele me perdias,
nas tardes tristes e sombrias,
na bruma gélida das noites…
E a eternidade então ouvia
humano sonho sempre esquecido
na eterna voz que fala o mar.

João de Barros

NOTA: Edição de “Mar Alto” – Figueira da Foz,
1 de Junho de 1969, no dia da Festa da Cidade ao poeta.

Festas


Lá vêm outra vez as festas

Não me deixam indiferente as despesas exageradas das festas em nome de santos. Não digo, de propósito, em louvor dos santos, porque não estou convencido que seja isso que pretendam a maior parte das festas populares.
O problema tem agora menos sentido ainda, ao vermos as dificuldades de muitas famílias a recorrer às instituições de solidariedade social para enfrentar o seu dia a dia. É verdade que não se podem resolver todos os problemas, mas há que dar alguma atenção ao testemunho, ainda por cima à sombra da Igreja, de esbanjar como supérfluo o que para outros, muitas vezes a mesma terra, seria ajuda. Que ao menos as comissões de festa se limitem nas despesas e considerem os mais necessitados da paróquia ou mesmo de fora como alínea que pode dar valor humano e solidário à festa. Esbanjar parece ser para alguns a regra. Nenhum santo se pode sentir honrado sempre qual aconteça. As festas não podem servir para alienação do povo, quando existem para união do mesmo. Seio bem das dificuldades dos párocos em evangelizar esta actividade e as pessoas que nela intervêm. Mas há que aproveitar os sinais incómodos e não desistir.

António Marcelino

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS - 246



DE BICICLETA ... ADMIRANDO A PAISAGEM – 29



BICICLETAS E PADRES...
Caríssima/o:

Certamente ainda se recordam do ano em que se realizou a primeira Volta à França em bicicleta. Para mim foi curioso ler este apontamento:

«De repente, começaram a chegar bicicletas do estrangeiro - para os endinheirados.
Contestação ou remoque encontraram, contudo, nas primeiras vezes em que se atreveram à estrada. Por exemplo, Guerra Junqueiro escreveu que “a bicicleta era o único veículo em que a besta puxava sentada” - e, em 1896, a polícia de Lisboa entrava na roda da chacota quando via transeuntes a insultar quem se atrevia a pedalar pelas ruas.
O Diário de Notícias lançou petição contra as bicicletas, achando que se “tornava cada vez mais perigoso o trânsito na cidade devido à velocidade dos pedalantes”.
E um industrial têxtil do Linhó, nos arredores de Sintra, foi selvaticamente agredido por ter cruzado a localidade de “byciclo” durante uma festa religiosa, porque os fiéis julgaram que... «ia montado num carro do Diabo».
Contudo, cinco anos depois, em 1903, o Patriarcado decidiu comprar bicicletas aos padres que as quisessem para melhor se deslocarem nas suas missões!»

Este pedacinho da história da bicicleta aguça o apetite para desenvolver um pouco o último tema aí mencionado.
Sim, porque, embora para alguns custe a acreditar, a minha geração ainda viveu os tempos em que o transporte dos senhores priores, reitores ou abades era... andar a pé!
Quem conheceu outro ao Prior Guerra?
Ou, no Bunheiro, quem se recorda  das viagens que o Reitor Domingos fazia entre a sua paróquia e a vizinha Pardilhó, sua terra natal?

Mas de bicicleta aí temos dois documentos a atestar o uso frequente e quase exclusivo para visitas a fregueses desses dois saudosos padres: Manuel José Costeira e Manuel Ribau Lopes Lé.
O primeiro nunca teve outro meio de transporte.
O segundo, embora usasse para viagens longas outros (teve o seu carro... e as suas motas!), não dispensava a bicicleta nas voltas mais caseiras.

E quantos mais se podiam recordar!...

Concluindo, vem a propósito o  provérbio:
"O mais eloquente de todos os sermões é o exemplo".

                                   Manuel  

Tolerância




DEIXAI-OS CRESCER ATÉ À CEIFA

Georgino Rocha

Sábia sentença que revela o coração do dono do campo onde, a par do bom trigo, cresce o joio daninho. E põe igualmente a descoberto o coração de todos os humanos. A vida é um bem precioso que não se pode beliscar e, menos ainda, eliminar. O crescimento é resultado da seiva vigorosa e das condições envolventes favoráveis. Se não houver atropelos, a vida desenvolve-se com naturalidade em todas as dimensões.

Além do reconhecimento do valor da vida, o proprietário desvenda outras atitudes que tornam mais humanas as relações familiares, laborais e sociais: espírito empreendedor, confiança num bom resultado, aceitação do ritmo dos factos, paciência nas turbulências, e contrariedades, diálogo concertado com os trabalhadores que o questionam, capacidade de tomar decisões arriscadas, respeito pelas leis do tempo, definição do método de avaliação, sensatez pedagógica em todo o processo.

sábado, 16 de julho de 2011

Regata dos Portos do Centro



Para unir Aveiro e Figueira da Foz


A 4.ª Edição da Regata dos Portos do Centro vai voltar este ano a Aveiro e à Figueira da Foz, nos dias 23, 30 e 31 de Julho. Duas dezenas de embarcações de cruzeiro e mais de uma centena de velejadores são esperados nesta prova que se vai disputar em três classes – ANC1; ANC2 e classe de cruzeiros.
A prova será apresentada a 20 de Julho, às 15 horas, pelo Presidente dos Conselhos de Administração do Porto da Figueira da Foz (APFF) e do Porto de Aveiro (APA), José Luís Cacho; apresentação em parceria com o Presidente da BP Portugal, Francisco Vieira, e o Director do Casino da Figueira da Foz, Domingos Silva.

Poesia para este sábado



Feliz Dia para Quem É

Feliz dia para quem é
O igual do dia,
E no exterior azul que vê
Simples confia!

Azul do céu faz pena a quem
Não pode ser
Na alma um azul do céu também
Com que viver

Ah, e se o verde com que estão
Os montes quedos
Pudesse haver no coração
E em seus segredos!

Mas vejo quem devia estar
Igual do dia
Insciente e sem querer passar.
Ah, a ironia

De só sentir a terra e o céu
Tão belo ser
Quem de si sente que perdeu
A alma p’ra os ter!

Fernando Pessoa,
in "Cancioneiro"

Citador

Crise de valores


“Don’t worry, be happy!” 

Maria Donzília Almeida 

Com o espírito mais liberto e o tempo menos espartilhado entre mil e uma tarefas, até a música tem outro encanto. A melodia citada em epígrafe, desde os tempos remotos, de 1988, em que apareceu, está aí de novo, sempre repetida e tão sentida. O cantor Bobby McFerrin readquiriu a força que o lançou e o refrão da canção anda aí, na boca de toda a gente. 
Cada um atribui à canção o sentido que a sua vida lhe permite. A mim, evoca uma cena sui generis, que ficará nos anais de uma Mulher! 
Fui solicitada a acompanhar uma amiga, à última morada. Não ao cemitério, mas a um tribunal, onde iria ser lida a sentença que poria termo à sua família. Uma morte anunciada, havia muito tempo. 
Merece-me, aqui, fazer umas breves considerações acerca da efemeridade das famílias atuais, que parece estar a acentuar-se, a olhos vistos. As estatísticas falam por si e apresentam um panorama muito negativo. As relações pessoais são precárias, as pressões da sociedade são muitas e há uma crise de valores como não há memória.

Vaticano II: discriminação deve ser eliminada




Sobre a ordenação de mulheres

Anselmo Borges



Nas últimas duas semanas, a ordenação de mulheres alcançou grande relevo nos media. Por causa de declarações inesperadas do cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo. Numa entrevista publicada no Boletim da Ordem dos Advogados declarara que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação de mulheres. A recusa está baseada apenas na tradição.
A declaração teve eco em importantes órgãos de informação estrangeiros. Tanto mais quanto aparecia pouco tempo depois de um bispo australiano ter sido demitido devido à mesma abordagem do tema, e o vaticanista Andrea Tornelli fez notar que a declaração ia contra a doutrina afirmada por João Paulo II e Bento XVI.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Português e Matemática




A comunicação social noticia que os exames de Português e Matemática, do 12.º ano,  denunciaram a má preparação dos alunos. Os resultados foram negativos, sendo de sublinhar que na disciplina de Português não se viam notas destas há 14 anos. A Matemática, já nem se fala, pois os nossos alunos, na sua grande maioria, continuam a olhar para os números com horror.
Estou longe de saber de quem será a culpa. Normalmente, atribui-se aos alunos a responsabilidade das más notas em Matemática; os professores ficam à margem, como se fossem todos pedagogos notáveis. Ora, eu acho que os professores deviam fazer um exame de consciência, no sentido de descobrirem se da parte deles haverá capacidade e arte para motivar alunos. O mesmo poderá ser dito aos professores de qualquer área.
A nível do Português, também não me espanta a situação. Pelo que tenho sabido, os nossos jovens leem pouco; muitos fogem dos livros como o diabo da cruz. E sem leituras, na área das Línguas como noutras, não se vai a lado nenhum.

Uma pequena estória

Alçada Baptista era um bom contador de estórias. Incisivas e com graça. Como esta:

«O meu querido Raul Solnado quis ser simpático com o filho de um amigo, um rapaz de 23 anos. Achou que se devia interessar pelas suas preocupações. Disse-lhe:
— Então, rapaz, tens lido alguma coisa? Gostas de ler?
Ele pensou só um bocadinho e respondeu:
— Evito.»

Figueira da Foz: Abadias à vista


No CAE (Centro de Artes e Espectáculos), Figueira da Foz,  no bar interior, os olhos de quem saboreia um café ficam inundados de luz, que se torna desafio para passear. O Parque das Abadias, verdejante e acolhedor, é sempre um bom princípio para quem reconhece a importância da caminhada frequente, compassada e lenta para os mais idosos, frenética para os mais jovens.

Anglicanos



Responsável teme fim da Igreja em 20 anos

«A Igreja Anglicana poderá deixar de existir, como uma estrutura funcional, dentro de 20 anos, a manter-se a actual tendência. Reunidos em Sínodo Geral, os representantes da Igreja ouviram graves avisos sobre o futuro. O reverendo Patrick Richmond, da Diocese de Norwich, alertou para a avançada idade da maior parte dos fiéis e a continuada perda de jovens nas celebrações dominicais.
“A tempestade perfeita que vemos aproximar-se no horizonte são as comunidades envelhecidas. A média de idades é agora de 61 anos, com muitos acima disso”, disse Richmond, referindo 2020 como o ano a partir do qual se vai sentir a queda no número de fiéis.»

Em RR

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Semana Jovem Ílhavo 2011




Entre 15 e 23 de julho, vai realizar-se, no município de Ílhavo, mais uma edição da Semana Jovem, destinada a rapazes e raparigas de todas as idades. Nela estão envolvidas associações e voluntários que aceitaram o desafio de viver uma semana de jovens e para jovens.
Haverá concertos, atividades noturnas, teatro, animação de rua, desporto, praia, dança e fotografia, entre outras iniciativas.
Ver programa aqui.

Foi identificado novo quadro de Leonardo da Vinci

"Salvator Mundi"


«Um quadro que se julgava perdido de Leonardo da Vinci foi identificado numa colecção privada norte-americana e vai ser exposto em Londres, na National Gallery, já em Novembro. A recente descoberta da obra de arte, intitulada “Salvator Mundi”, datada de meados de 1500, representa a figura de Cristo. A última vez que um quadro foi atribuído a Leonardo da Vinci foi em 1909 com a obra de arte “Benois Madonna”, exposta, actualmente, no Museu Hermitage em São Petersburgo, na Rússia.»


Ler no PÚBLICO

Sabores na Figueira da Foz


Na Figueira da Foz, numa zona, junto ao casino, que atrai turistas e veraneantes, não faltam  pevides, tremoços, amendoins e doces de chupar e de comer, estes últimos vedados a diabéticos. Pacientemente, os vendedores esperam os gulosos e os que gostam de roer sabores sempre agradáveis. Dizem que os tremoços não fazem mal, porque  não terão açúcar nem gorduras. Até me afiançaram que os podemos comer à vontade porque o nosso organismo os rejeita completamente. Então, vamos a isso, sem abusos.

Ainda o exemplo de Maria José Nogueira Pinto



Não me recordo da morte de alguém ter suscitado tantos testemunhos de apreço como aconteceu por estes dias com Maria José Nogueira Pinto. De todas as áreas políticas vieram elogios ao seu testemunho, à sua coerência e ao seu exemplo de mulher de fé. Vasco da Graça Moura, ateu ou agnóstico confesso, também não escondeu como apreciou a vida intensa de Maria José. Contudo, uma simples frase de José Pacheco Pereira, hoje na "Sábado", interpelou-me mais do que muito do que tem sido dito. Diz assim: «Ela [Maria José Nogueira Pinto] fez mais pela fé em que acreditava do que uma Igreja inteira.» É verdade, penso eu.
Há muitos anos li um livro que deve estar no meio de outros das minhas estantes, cujo título e teor (estou a citar de cor),  "Cristo desceu à rua", me interpelaram bastante na altura. Da leitura ainda recordo uma ideia que me ficou para a vida, e que era mais ou menos assim:  quando muitos passam fome (guerra?), há uns que vão rezar para a igreja, pedindo a Deus que os ajude, enquanto outros vão dar-lhes de comer. É isso. Se a oração é importante, os testemunhos concretos na vida são-no muito mais.
Pacheco Pereira, na sequência da frase que me serviu de mote a estas considerações, salienta: «o valor da propaganda pelo exemplo, uma expressão de origem anarquista, é o mais poderoso de todos.»

NOTA: Como estou de férias, não poderei confirmar, com rigor, a ideia que me ficou do livro que li. Não poderei precisar se se tratava de fome ou guerra. No fundo, seria uma situação complicada que necessitaria de  intervenção humana imediata. 


Toda a gente tem opinião acerca de tudo


Um mundo de interrogações 
incómodas mas necessárias 

António Marcelino

É inevitável, no agir do dia-a-dia de cada pessoa, o confronto entre os tempos já vividos e os que se vivem agora com o futuro no horizonte. Só no presente podemos ter memória do que se vivemos antes e abertura realista para projectos novos. O presente, porém, aparece-nos cada vez mais confuso e inquietante. Há menos memória, mas mais possibilidades para muitas coisas e mais problemas a enfrentar. São mais difíceis as relações e a comunicação pessoal atenta, pela abundância dos canais massificadores e porque o mundo de muitas pessoas e os valores em causa não coincidem em aspectos essenciais. Toda a gente tem opinião acerca de tudo, do que conhece e do que não conhece. E, quanto menos se conhece, mais se é dogmático nas afirmações e menos respeitador das opiniões alheias. Constroem-se mais muros que pontes, no dia a dia, na política, nas opções desportivas, que só no aspecto religioso se vai notando o contrário. Há mais diplomas de escola, mais festas e passeios de finalistas, mas menos conhecimento de coisas essenciais da vida. Por sistema, alguns vão apagando o passado e pensam, como ideal, um presente de imediatos, sem horizontes, sem projectos que se justifiquem a longo prazo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

ÍLHAVO: cidade há 21 anos





Hoje, 13 de julho, assinala-se o 21.º aniversário da elevação de Ílhavo a cidade, com um conjunto de ações centradas no programa de Regeneração Urbana do Centro Histórico da Cidade, que está em execução. A sessão evocativa terá lugar, pelas 19 horas, no edifício da Escola n.º1 de Ílhavo (Rua Ferreira Gordo), na qual será feita a visita ao edifício e a apresentação pública do projeto da “Casa da Música de Ílhavo”, conforme anuncia a câmara municipal.

***

É sempre salutar celebrar datas marcantes, não apenas para chamar a atenção dos mais distraídos para factos históricos, mas também para anunciar caminhos do futuro.
Quando se fala na extinção de autarquias, câmaras e juntas de freguesia, por imposição da troika e por imperativo de altos interesses do país, é bom que tomemos consciências de que há casos e casos. Realmente, há autarquias que talvez não tenham razão de existir, por força da desertificação de algumas regiões. Face a essa realidade, que é bem visível, creio que não podemos nem devemos cair na tentação de meter a cabeça debaixo da areia. Nessa linha, não creio que o concelho de Ílhavo, câmara e suas quatro freguesias, esteja na situação-limite de sofrer as consequências do corte em estudo. De qualquer forma, entendo que devemos estar atentos, tendo em vista a defesa dos nossos legítimos interesses.

FM

Poesia para começar o dia



Oração para o tempo de férias

Senhor, seja este o tempo
de nos relançarmos em aliança mais pura com o real
convictos daquilo que a hospitalidade
paciente e fraterna do mundo
em nós revela

Que saibamos apreciar a imediatez flagrante em que a vida se dá,
mas também as suas camadas profundas, escondidas, quase geológicas.
Que no instante e na duração saibamos escutar,
hoje e sempre,
o vivo, o desperto, o fremente
e o seu esperançoso trabalho.

Recebe, de nós,
a aurora e o verde azulado dos bosques.
Recebe o silêncio intacto dos espaços.
Recebe a música oceânica do vento.
Mas recebe igualmente a marcha desencontrada da história,
o desenho inacabado da nossa conversa terrena,
esta espécie de parto que,
entre dor e alegria,
nos une.

Sejam os nossos quotidianos gestos
mergulhados na vivacidade da troca,
abertos ao que de todos os pontos
da humanidade e do mundo converge,
impelido pelo teu Espírito.

Que a frágil chama de amor hoje acesa
Ilumine tudo por dentro:
desde o coração da menor partícula
à vastidão das leis mais universais.
E tão naturalmente invada
cada elemento, cada mola, cada liame,
florescendo e amadurecendo
toda a vida que em nós vai germinar.

José Tolentino Mendonça

Em Ecclesia

terça-feira, 12 de julho de 2011

RÁDIO TERRA NOVA: 25 anos de projetos e sonhos



Vasco Lagarto, a alma da Terra Nova

Tozé Bartolomeu, uma saudade 


A Rádio Terra Nova (RTN) celebra hoje as suas Bodas de Prata. São 25 anos ao serviço dos sem vez nem voz, os que nunca aparecem nos órgãos de comunicação social de amplitude nacional. Quem está atento minimamente à ação diária desta rádio com sede na Gafanha da Nazaré, sabe perfeitamente que é assim. E por força das novas tecnologias da informação, a Terra Nova pode ser ouvida e lida em todo o mundo, por emigrantes e não só. Nessa linha, torna próximos quantos têm raízes nestas terras beijadas pela Ria de Aveiro.

***

Recordo hoje, com alguma emoção, o dia 12 de julho de 1986. Havia no ar, há uns tempos, a febre das chamadas Rádios Piratas, e a Cooperativa Cultural da Gafanha da Nazaré até se tornara associada da Rádio Oceano, nascida em Aveiro. Numa assembleia-geral, quando o Vasco Lagarto anunciou essa posição da nossa cooperativa, eu próprio lancei o repto: E por que razão não avançamos nós para uma rádio na Gafanha da Nazaré? O Vasco sorriu e não adiantou grande conversa. Tempos depois, conhecedor profundo dessa área tecnológica, a rádio, sem nome, foi para o ar.
No dia 12 de Julho, fui alertado por um filho (estavam lá o Fernando e o Pedro, tendo sido a voz deste último a primeira a ouvir-se nas ondas hertzianas, com fonte na sede da Cooperativa Cultural) e corri para lá. Assisti a toda a azáfama, enquanto se diziam umas coisas e se punham no prato os LP, porque era preciso estar no ar.
Recordo que choveram alguns telefonemas. E no final da tarde, numa espécie de mesa-redonda, no improvisado estúdio, foi possível conversar, com algumas pessoas que entretanto chegaram, sobre a importância de uma rádio, ensaiando eu o lugar de entrevistador.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Grupo Columbófilo da Gafanha nasceu há 59 anos



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Adelino Pina com filho de campeão



O pombo-correio dá-nos lições espantosas 
de resistência e do sentido de orientação

O Grupo Columbófilo da Gafanha (GCG) foi fundado em 1952. É, provavelmente, a mais antiga instituição criada na nossa terra. Tem uma longa história gerada à volta da paixão pelos pombos-correios, porém, pouco conhecida de muitos gafanhões. Imerecidamente, diga-se de passagem.
Adelino Pina, atual presidente da direção, defende como objetivos fundamentais para o desenvolvimento da columbofilia entre nós, mas não só, a obtenção de uma nova sede que garanta mais visibilidade e funcionalidade, mas ainda deseja a construção de um columbódromo, com finalidades pedagógicas. O GCG também deseja instalar um pombal numa Instituição particular de solidariedade social, preferencialmente com crianças portadoras de alguma deficiência, pois é conhecida a importância educativa no contato com animais. Para a concretização destes sonhos, que são pertinentes para o GCG, a associação regista o apoio da Câmara Municipal de Ílhavo, cujo presidente, Ribau Esteves, tem mantido um diálogo muito frutuoso com os dirigentes.

Oliveira com 2850 anos


A mais antiga árvore de Portugal é uma oliveira, com os seus 2850 anos de existência. É obra! Mora em Santa Iria de Azóia, Loures, e a sua idade foi cientificamente determinada. Já tem a certidão de nascimento, como convinha a quem gosta da verdade. Cá para mim, não hão de faltar turistas e outros curiosos para ver idosa com ganas de continuar entre nós, portugueses. As azeitonas lá estão a atestar o que digo Veja mais no EXPRESSO.

Dois campeões nacionais de atletismo são da Gafanha da Nazaré



Diana Hernandez e Ricardo Freitas 
vencem lançamento de peso e disco 


Realizaram-se, este fim-de-semana, na Pista do Estádio Universitário de Lisboa, os Campeonatos Nacionais de Juniores. Neste evento tomaram parte Diana Hernandez (da Barra ) e Ricardo Freitas (da Cale-da-Vila). Estes dois atletas do GRECAS (Vagos), não deixaram os seus créditos por mãos alheias. 
A Diana ganhou a prova do lançamento do peso e foi vice-campeã na de disco. Ricardo Freitas venceu a prova do lançamento do disco, seguindo as pisadas da sua tia, Teresa Machado, melhor lançadora portuguesa de todos os tempos. 
Estão assim de parabéns estes dois jovens lançadores gafanhões, já habituados a outros êxitos de igual valia. 
Neste momento de contida alegria, não pode ser ignorado o apoio dado pelas seguintes entidades: Administração do Porto de Aveiro, nas pessoas do Eng.º José Luís Cacho – presidente do Conselho de Administração – ao Eng.º Jorge Rua – Director de Gestão de Espaços e Ambiente –, bem como ao Eng.º Fernando Caçoilo – Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo – pelas facilidades concedidas para a preparação dos nossos atletas, que, embora não representando o clube da terra, por o Grupo Desportivo da Gafanha ainda não ter a Secção de Atletismo devidamente reestruturada, aqui nasceram e por cá continuam a viver e a treinar. 

Júlio Cirino

domingo, 10 de julho de 2011

PÚBLICO: Bento Domingues escreve sobre a ordenação de mulheres

(Clicar na imagem para ampliar)

Reflexão para este domingo: A cesta de Deus está cheia de boas sementes




SENTADO À BEIRA-MAR

Georgino Rocha

Sentado à beira-mar, faz o balanço da missão. O programa vai a meio e parece comprometido. Expulso de Nazaré, onde é acusado de ter acessos de loucura, dirige-se a Cafarnaúm, terra de encruzilhada de povos que vivem do campo, do comércio e da pesca. Os discípulos questionam-se e fazem perguntas que denotam pouco aproveitamento das lições anteriores.
 Jesus, sentado à beira-mar, vira as costas à terra onde vive gente ingrata e endurecida, revê o filme da sua aventura, renova a sua adesão ao projecto de salvação que Deus Pai lhe confia e sonha novas ousadias. O ambiente favorece-o nesta viagem interior: mar sereno a desafiar novas rotas, brisa suave a despoluir preocupações sobrecarregadas, ondulação ritmada que, de vez em quando, chega à praia e desperta outros entusiasmos e encantos ao espreguiçar-se perante o seu olhar extasiado e sonhador, e junto aos seus pés de cansado viajante.

Tecendo a vida umas coisitas - 245


DE BICICLETA ... ADMIRANDO A PAISAGEM – 28




VOLTA À FRANÇA
Caríssima/o:

Antes de irmos para a Volta à França, apreciemos algumas datas interessantes no mundo do ciclismo:

1868 - 1ª Prova masculina com bíciclos, vencida pelo inglês James Moore, Parque Saint' Cloud Paris.
          1ª Prova Feminina, ocorrida no parque Bordelais, em Paris, no dia 1º de Novembro.

1884 - Na Itália, o plano desportivo vai-se desenvolvendo. O Veloce Club de Firenze organiza a primeira corrida de bicicletas, no dia 2 de Fevereiro, num circuito de 33 quilómetros. Um jovem de apenas 16 anos, van Heste Rynner, é o vencedor.

1885 - Giusepe Pasta vence a I Volta dos Bastiones, realizada em Milão, cobrindo os 11 quilómetros em 37 minutos.

1886 - Graças a alguns ingleses, foram organizados os primeiros campeonatos mundiais, com boa consistência e organização mais séria, na cidade de Leicester.

1892  - Na Europa foi constituída a Internacional Cyclist Association que teve a sua sede em Londres, agrupando as Federações Nacionais dos Estados Unidos, Bélgica, França, Canadá, Alemanha, Holanda, Inglaterra e Itália. Um dos primeiros actos da ICA, foi a criação dos primeiros campeonatos do Mundo, substituindo as provas até então promovidas por entidades particulares.

1895 - No dia 9 de Outubro toda a cidade de Milão aplaude a chegada de Raffaelle Gatti, que regressa do "Tour do Círculo Polar Ártico".

sábado, 9 de julho de 2011

A despedida de Maria José Nogueira Pinto



Nada me faltará

Maria José Nogueira Pinto

Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.
Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.
Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Ler todo o artigo no DN

"Correio da Manhã": sobre a ordenação das mulheres




Bispos solidários com D. Policarpo

«Declarações de D. José sobre a ordenação das mulheres não caíram bem em Roma e o cardeal teve de explicar-se. Há quem fale em manifesto exagero.

Os bispos portugueses estão solidários com D. José Policarpo e qualificam de "exageradas" as pressões feitas sobre o patriarca, que o levaram, na passada quarta-feira, a publicar um esclarecimento sobre o caso da ordenação das mulheres.
O cardeal de Lisboa disse, em entrevista ao boletim da Ordem dos Advogados, que "teologicamente não há nenhum obstáculo fundamental" à ordenação feminina, declaração que teve amplo eco internacional, com citações em diversos jornais europeus e, particularmente, italianos.»

Ler mais aqui

PÚBLICO: Poema ao sábado




ENTRETANTO

Não há que ter ilusões:
nós também somos

o fim da nossa estrada.
Com estas mãos,

com este mesmo coração
é que chegamos

ao cabo do futuro,
à extrema situação

de que partimos.
Mas, entretanto,

escrevamos.

Rui Pires Cabral

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GUERRA JUNQUEIRO — REGRESSO AO LAR

Guerra Junqueiro Regresso ao Lar Ai, há quantos anos que eu parti chorando deste meu saudoso, carinhoso lar!... Foi há vin...