A chanfana de carneiro à moda de Ílhavo


A chanfana de carneiro à moda de Ílhavo foi apresentada há dias na televisão pelo conhecido Chefe Hélio Loureiro. É sempre agradável ouvir falar das nossas tradições e ver na comunicação social o que temos de bom. A propósito desse programa que eu também vi e que posteriormente foi divulgado pelo JN, António Angeja enviou ao chefe Hélio o seguinte e-mail:
«Li o seu artigo no JN e aproveito para lhe dar os parabéns pela ideia...
Ílhavo é uma cidade que tem uma óptima gastronomia tradicional que alguns fazem por esquecer.
Pode-se achar estranha a utilização do carneiro em chanfana, mas em Ílhavo é lógico, pois precisávamos da lã para aquecer os pescadores e na verdade, antes do sec. XX, havia por cá muitos rebanhos de carneiros.
Achei pouco fazer chanfana só de 1kl de carneiro porque numa noite de forno fica quase em nada (e a chanfana vai ficando mais gostosa nos dias seguintes)... O Sr. pode comer uma chanfana durante mais de 8 dias. Quando era criança, em casa dos meus avós, o rebanho passava na rua, era abatido e esfolado um carneiro/ovelha no alpendre na Páscoa e outro no Sto António da Coutada... Feita a chanfana em caçoilas que passavam o ano sobre o telhado para não rançar, ela era comida aos poucos na semana seguinte, primeiro com batatas assadas e arroz no forno e depois com batata cozida..... por último quase só era o molho e batatas...
Tenho familiares na Califórnia que quando estão cá pedem sempre chanfana...
(…)
Na nossa Gastronomia há alguma que tem história local (chanfana, arroz e aletria doce com ovos, bolo de buraco) e outra que passou os limites da cidade (canja de galinha à moda de Ílhavo, peixe de pitau e arroz de molho pardo) com os ílhavos que se espalharam pelo litoral português e estrangeiro...»

Chanfana de carneiro à moda de Ílhavo

Ingredientes

3 a 4 kg de carne de carneiro
1 cebola grande
1 ramo de salsa
1 folha de louro
4 dentes de alho (picado)
2 colheres de sopa de azeite
Vinho tinto e branco q.b.
Pimenta, colorau e sal q.b.

Confecção

Lava-se bem a carne, e deixa-se a escorrer durante 1 hora. Numa caçoila de barro, põe-se, no fundo, uma camada de cebola, salsa, louro e alho, assim como o azeite e o vinho até cobrir a carne.
Vai ao forno (de lenha) pelo menos 2 horas.
A chanfana pode permanecer dentro do forno até ele arrefecer ficando mais tenra e suculenta.

Fonte: Gastronomia

Comentários

João Marçal disse…
Foi com prazer que li esta descrição da nossa chanfana, poia há uns anos num almoço típico serrano fui confrontado com um autótene que ao ouvir-me mancioná-la disse que esta zona não era de chanfana mas de bacalhau. Aqui não havia rebanhos, disse. Respondi que na sua terra também era bem conhecido o bacalhau no forno embera não conhecessem o mar e tentei esclarecê-lo do modo como os rebanhos nos visitavam quando se justificava: pelas festas, pela comunhão, etc. e que era o prato principal de qualquer boda. Foi isso que observei em casa dos meus avós e dos meus pais. As sobremesas eram também as mencionadas no texto. Nesta altura o bacalhau não tinha o estatuto que hoje tem e a chanfana dominava qualquer evento festivo, prolongando-se a festa pelos dias seguintes enquanto as caçoilas tivessem algo com que se molhasse o pão cozido no mesmo forno.

Cumprimentos ao Chefe Hélio Loureiro que admiro e a António Angeja que tão bem retratou o nosso passado gastronómico.

João Marçal