sábado, 31 de Outubro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 155

BACALHAU EM DATAS - 45




NO BICO (MURTOSA) CONSTRÓI-SE
O “MARIA DAS FLORES”

Caríssimo/a:

1946 - «Os arrastões que compunham a frota de 1946 eram os seguintes: SANTA JOANA e SANTA PRINCESA, da praça de Aveiro, e JOÃO CORTE REAL, ÁLVARO MARTINS HOMEM, JOÃO ÁLVARES FAGUNDES e PEDRO BARCELOS, pertencentes à praça de Lisboa. Os arrastões que compunham a frota do final da década de quarenta, possuíam todos TSF, radar, radiogoniómetro e instalações consideradas como boas e confortáveis para a tripulação.» [Oc45, 119, n. 9]

«No período pós-guerra verificou-se uma abertura às construções em estaleiros estrangeiros. [p. 119, n. 10] Nos últimos anos da década de quarenta, chegaram a Portugal navios destinados à pesca do bacalhau provenientes de estaleiros de Inglaterra, Holanda e Itália. Entre as muitas unidades provenientes desses estaleiros, destacam-se os navios de pesca à linha CONCEIÇÃO VILARINHO, SERNACHE, VAZ, e os arrastões PÁDUA, CONCEIÇÃO VILARINHO, SANTO ANDRÉ, SANTA MAFALDA, ANTÓNIO PASCOAL e SOTO-MAIOR.» [Oc45, 114]

«Os Estaleiros Navais de Viana do Castelo são fundados em 1946, por iniciativa dos armadores Vasco de Albuquerque d'Orey e João Alves Cerqueira. Em 1948 apresentaram as primeiras embarcações destinadas à pesca do bacalhau.» [Oc45, 119, n. 11]

«Referindo-se ao processo de renovação da frota bacalhoeira, o Jornal do Pescador constatava: “renasceu a construção naval” na Murtosa. O mestre José Maria Lopes de Almeida, por encomenda do industrial e proprietário dos estaleiros do Bico da Murtosa, João Carlos Tavares, concluía em 1946 a construção do lugre de madeira de três mastros, o MARIA DAS FLORES, que viria a participar na campanha desse mesmo ano, ao serviço da Empresa Comercial e Industrial de Pesca, Pescal. A esta construção juntou-se, no mesmo ano, a do lugre MARIA ONDINA, trazendo ambos a alegria aos habitantes da região, pois estes estaleiros davam trabalho a muitos operários da zona. Apesar de o estaleiro ocupar um espaço exíguo no Cais do Bico, o mestre construtor José Maria Lopes de Almeida conseguiu obrar um navio como o MARIA DAS FLORES, de 50 m de comprimento e 10,30 m de largura, num total de 800 t. Esta embarcação, desenhada pelo arqueador oficial António Maria Rodrigues, possuía alojamentos para 50 pescadores, um motor propulsor de 340 CV e dois motores auxiliares com a missão de fornecer energia ao frigorífico e iluminação.» [Oc45, 115]

24 OUTUBRO - «PRIMEIRO NAVEGANTE» Lugre motor Naufragou ao Sul, próximo do Farol.[História da Pilotagem Prática em Portugal, António Joaquim Martins, p. 94]

«[...] No dia 24 do referido mês, perante um cais apinhado de gente para assistir ao sempre emocionante espectáculo da entrada, pairavam também, lá fora, o Lousado, o Navegante II, o Ilhavense II, o Santa Mafalda, o Maria das Flores, o António Ribau e o Viriato. Vinha o Maria das Flores, a entrar, rebocado pelo “Marialva”, quando o “Vouga” lançou o cabo ao Primeiro Navegante, iniciando o caminho já percorrido com os outros navios. Em frente à Meia Laranja, alterosas e repetidas vagas conjugadas com violentas rajadas de vento, encheram todo o poço do navio, que desgovernou e tomou proa ao sul, sendo impelido para cima da coroa ali existente, apesar de todos os esforços do rebocador “Vouga”. Também o “Marialva” veio em auxílio do lugre, perante o perigo iminente que ele corria, mas os seus esforços também foram em vão.[...]» [Vd. Mais no blogue Marintimidades, de Ana Maria Lopes, no dia 26/02/2009]

Manuel

EXPRESSO de hoje:"Caim" - a desilusão

A não perder, para quem gosta de saber mais





"Caim" - a desilusão

O teólogo católico Joaquim Carreira das Neves explica por que ficou desiludido com a leitura do livro "Caim". Em artigo de opinião, escreve que José Saramago "pode ficar totalmente em paz porque só é herege quem é crente". E agradece o convite, feito pelo escritor e pela mulher, Pilar del Río, para visitar Lanzarote.

Ler o texto do Padre Carreira das Neves aqui

NOTA: Texto e ilustração do Expresso

O importante é discutir o negócio, criar uma rede de amigos, ter os números de telefones certos



Uma enorme lixeira

1 Uma parte da elite portuguesa tem tudo a ver com o lixo de Ovar. Viciou-se no negócio. Não consegue conceber a vida para além do dinheiro e do poder, do conforto mais hedonista e da traficância de influência. Não se lhe fale em felicidade, em cidadania ou em projectos sociais, esses conceitos desnecessários, infantis, próprios de quem não sabe nada da vida. Conversa inútil!
O importante é discutir o negócio, criar uma rede de amigos, ter os números de telefones certos. Em certos círculos, Portugal é uma pequena sociedade muito podre, consequência má de uma coisa boa: a integração europeia que nos inundou de subsídios, de auto-estradas, de cursos de formação, de rotundas, de abates nas pescas e na agricultura, de explorações virtuais e muita construção de primeiríssima qualidade. O caldo ideal para se desenvolver algo de intrínseco às pessoas que habitam a Europa do Sul: a tendência para a corrupção. É assim em Itália, na Grécia, também em Espanha, como se vê. Porque é que deveríamos, ingenuamente, esperar que Portugal fosse diferente?

João Marcelino

Leia mais aqui

NOTA: Custa-me tanto dizer isto, mas penso que é preciso fazê-lo. A indiferença, perante qualquer verdade, mesmo que vivida por uma minoria, é a pior das cumplicidades. Com o castigo de uns, muitos aprenderão.
FM

Deus não é "objecto" de ciência, mas uma esperança...



SERIA INJUSTO NÃO HAVER DEUS


As nossas sociedades científico-técnicas, comandadas pe-la razão instrumental, pelo progresso, o êxito e o consumo, hedonistas, nas quais a fé se obnubilou, são as primeiras da História a fazer da morte tabu. Este tabu, acompanhado da perda da fé no Além e da eternidade, é essencial para o entendimento do que se passa. Porque já não há eternidade, o tempo não faz texto, ficando reduzido a instantes que se devoram. Como pode então ainda haver valores e futuro num tempo que se dissolve na voragem de instantes?

De qualquer modo, estas nossas sociedades permitem a visita dos mortos dois dias por ano: 1 e 2 de Novembro. Os cemitérios enchem-se e, de forma mais ou menos explícita e funda, num silêncio ao mesmo tempo vazio e opaco, plúmbeo, há o confronto com a ultimidade, aí onde verdadeiramente se é Homem. Afinal, qual é o sentido da existência e de tudo? O que vale verdadeiramente? M. Heidegger chamou a atenção para isso: a diferença entre a existência autêntica e a existência inautêntica dá-se nesse confronto. Se tudo decorre na banalidade rasante e na gritaria oca, a explicação está aqui: no último tabu.

Para onde vão os mortos? Para o Silêncio. O mistério da morte é esse: dizemos que partiram, mas o que abala é não deixarem endereço. Na morte, a evidência é o cadáver. Mas quem se contenta com o cadáver? Por isso, a morte é o impensável que obriga a pensar e, enquanto formos mortais, havemos de perguntar por Deus.

Deus não é "objecto" de ciência, mas uma esperança, sobretudo quando se pensa nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, "se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos e colheu ingratidão; trabalhou e vive na miséria; amou e vive na solidão. E no entanto está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode... Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!... Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a História seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus - não para eles mesmos".

A curto, a médio, a longo prazo, todos foram estando mortos. A curto, a médio, a longo prazo, todos iremos, todos irão estando mortos, e lá, no final, só há uma alternativa.

Claude Lévi-Strauss conclui assim o seu L'homme nu: "Ao homem incumbe viver e lutar, pensar e crer, sobretudo conservar a coragem, sem que nunca o abandone a certeza adversa de que outrora não estava presente e que não estará sempre presente sobre a Terra e que, com o seu desaparecimento inelutável da superfície de um planeta também ele votado à morte, os seus trabalhos, os seus sofrimentos, as suas alegrias, as suas esperanças e as suas obras se tornarão como se não tivessem existido, não havendo já nenhuma consciência para preservar ao menos a lembrança desses movimentos efémeros, excepto, através de alguns traços rapidamente apagados de um mundo de rosto impassível, a constatação anulada de que existiram, isto é, nada".

A Bíblia, no último livro, Apocalipse, conclui assim: "Vi então um novo céu e uma nova terra. E vi descer do céu, de junto de Deus, a cidade santa, a nova Jerusalém. E ouvi uma voz potente que vinha do trono: 'Esta é a morada de Deus entre os homens. Ele habitará com eles; eles serão o seu povo e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram.'"

No meio da perplexidade, fico com Kant: "A balança do entendimento não é completamente imparcial, e um braço da mesma com o dístico 'esperança do futuro' tem uma vantagem mecânica, que faz com que mesmo razões leves, que caem no seu respectivo prato, levantem o outro braço, que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única incorrecção que eu não posso eliminar e que eu na realidade não quero abandonar."


Para começar o dia: Pensar na Poupança




Porque hoje é o Dia Mundial da Poupança, aqui fica a lembrança, indispensável, mais do que nunca


Pois é verdade. Em tempo de crise, com a retoma da economia a tardar e os desempregos a surgirem em catadupa, é preciso poupar no dia-a-dia para mais tarde não sentirmos falta do essencial. Descubra formas de gastar só no preciso; não vá em cantigas publicitárias que nos atraem para gastos supérfluos. E fico-me por aqui, para poupar nas palavras, apesar de elas não custarem dinheiro. Mas às vezes até custam.

FM

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Halloween





O DIA DAS BRUXAS...

Está aí, de novo, mais um Hallowe’en, o Dia das Bruxas, como é chamado entre nós.
Sendo uma comemoração dos países anglo-saxónicos, tem a sua provável origem, em rituais irlandeses, do culto dos Celtas. Foi levado para os Estados Unidos no século XIX e daí irradiou para o mundo com a difusão da cultura americana.
Os Portugueses, sempre ávidos de copiar o que vem do estrangeiro, também se apropriaram desta festividade e deram ao comércio uma boa ocasião de rentabilizar este costume. É mais um dia, em que a pequenada aproveita para se divertir, como se não lhe bastassem todos os outros dias do calendário! Propensos a tudo o que soar a brincadeira, convívio, aí estão a organizar-se em grupos, fantasiados de bruxas ou fantasmas, conforme a disponibilidade dos adereços. A partir do anoitecer, clima propício ao aparecimento de tais criaturas, começam a vaguear pelas ruas da nossa vila, e cidade, grupinhos de crianças, algumas acompanhadas pelos pais que alinham na brincadeira. Tocam à campainha e é vê-los desfiar a lengalenga que lhes dará direito a uns rebuçados ou chocolates, segundo a generosidade do anfitrião. Às vezes, recitam aquilo que lhes foi ensinado na Escola e assim estão a pôr em prática as aprendizagens efectuadas. Forma pragmática de utilizarem a Língua Inglesa de forma lúdica, que a brincar também se aprende. Sweet or treat! Smell my feet!
Give me, something good to eat!
É até feito o contrato de só receberem doces, se recitarem a lição na ponta da língua! Então, é vê-los curiosos e empenhados a memorizar o texto/discurso que hão-de proferir, aquando da visita à teacher. Esta tem já reservado um cestinho com os doces que irão premiar os bons alunos e incentivar aqueles que têm, pelo menos vontade de aprender.
Em algumas casas é apresentado, no jardim, o jack’olantern, a abóbora desventrada do seu interior e contendo uma vela para alumiar. Esta evoca uma tradição ancestral, da Gafanha rural de antanho, em que as abóboras eram colocadas nas encruzilhadas dos caminhos para afugentar as bruxas e alumiar o caminho aos lavradores, no seu regresso tardio a casa.

M.ª Donzília Almeida

31.10.09

Bento XVI expressa satisfação pela vinda a Portugal



O Papa falou ao Cónego António Rego sobre a sua vinda a Fátima, em Maio próximo. O Cónego Rego participou, em Roma, na Assembleia Plenária do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais. No último dia, os membros desta Assembleia foram recebidos por Bento XVI que, ao trocar algumas impressões com o Cón. Rego, referiu sorrindo a vinda a Fátima. “Eu vou a Fátima em Maio”, disse. “Vê-se que ele tem muito presente a vinda a Portugal”, afirmou o director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja.

Ler mais aqui

Poesia de Fernando Pessoa





O DOS CASTELOS


A Europa jaz, posta nos cotovelos:
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal,
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

Fernando Pessoa

In Mensagem

NOTA: O jornal i começou hoje, sexta-feira, a oferecer uma colecção de livros de Fernando Pessoa. Durante dez semanas, se quiser, pode ler ou reler a obra de um génio da literatura portuguesa e, até, universal.



A Nossa Gente: Padre Manuel Ribau Lopes Lé


Padre Lé com D. António Francisco (foto de Manuel Olívio)


O sacerdote tem de se dar
até ao fim da vida

Um dia destes, de calor de Verão em pleno Outono, fui à procura do meu amigo e antigo confidente Padre Manuel Ribau Lopes Lé, mais conhecido por Padre Lé, que serviu a Igreja na Gafanha da Encarnação até há pouco tempo. Sentado num sofá, recebe-me de olhos bem abertos. Os olhos que sempre lhe conheci. Cedo, porém, percebi que o Padre Lé, com o peso dos 87 anos de idade e das canseiras, de mistura com recentes achaques, estava fragilizado.
A recomendação que me acolheu indica que a memória recente tinha dado lugar à mais antiga, para onde ele encaminha, já com alguma dificuldade, as conversas sobre a sua vida sacerdotal.

Ler toda a entrevista aqui

Para começar o dia: Uma boa ideia para pensar



“Precisamos urgentemente de voltar a ensinar ética e civismo nas escolas e matar a pior doença do país, que não é a gripe A, mas sim a ‘doutorite’, para que as mentalidades mudem radicalmente e se possa instalar uma meritocracia em todas as relações dos cidadãos entre eles e com o Estado.”

José de Sousa

In i de hoje

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: Uma pausa, até ao infinito



A aventura humana
precisa de cor e de luminosidade

1. Nestes próximos dias os sinais e as pausas convidarão a parar, na liberdade de quem dá esse sentido à vida. Os primeiros dias de Novembro (Dia de Todos os Santos) revelam esse apelo a uma comunhão que ultrapasse meramente o mundo do visível. Um apelo na pressuposta e fundamental liberdade a sentir-se a si mesmo muito acima da condição biológica e física. Se formos a atravessar a história da humanidade e a história que se escreve nos nossos dias, o essencial encontra-se na relação humana e numa relação que não quer ter barreiras na ordem do tempo e do espaço. É precisamente esse acontecimento na perspectiva do supra-histórico que a tradição assinala como algo sempre novo.

2. Superando as concepções do materialismo histórico ou da mera satisfação na óptica de “acreditar” ou mesmo que se recuse esta palavra, do “viver acreditando” nas coisas ou nas concepções…acima de tudo o que já se atinge e na procura da verdade absoluta, ergue-se uma projecção de toda a esperança, de todos os valores, de todas as virtudes. Não como mero facto sócio-psicológico e mesmo este, se existe como necessidade de libertação existencial, revela por si no profundo do espírito humano a necessidade de um absoluto que seja um farol de referência fixo, pois que tudo o resto mostra-se repleto de movimentações e mesmo inseguras. Em que(m) alavancar toda a esperança? Eis a pergunta fundante que gera alicerces no rumo do infinito.

3. A manifestação e os gestos destes dias não são outra expressão que o desejo de «continuar». Continuar com os outros, continuar em si próprio, continuar na consciência aprofundada de que a Humanidade, não existindo por si mesma, tem uma meta definitiva, um encontro total após todos os milhentos encontros parcelares históricos. As flores, velas e todos os gestos (diários) serão sempre o sinal claro de que a aventura humana precisa de cor e de luminosidade e que a busca da identificação com o «Homem Novo» é cada dia missão inacabada quando inadiável!


Posse dos novos membros da Assembleia e Câmara Municipal de Ílhavo



Que os homens do leme
procurem os rumos certos...


Amanhã, 30 de Outubro, pelas 18 horas, os membros da Assembleia e da Câmara Municipal de Ílhavo vão tomar posse dos cargos para que foram eleitos no passado dia 11 de Outubro.
Todos sabemos que as funções políticas são de suma importância para a sociedade. Do bom desempenho dos eleitos, beneficiaremos todos nós. E se é justo lutar por ideais e projectos políticos, também não podemos esquecer que, depois das eleições, os escolhidos pelo povo têm o direito e a obrigação de exercer os seus mandatos, numa postura de respeito por toda a comunidade, independentemente da cor política dos munícipes.
Por minha conta digo que terei sempre o máximo respeito pelos órgãos autárquicos, na certeza de que os empossados farão o que é melhor para a qualidade de vida dos nossos concidadãos. Isso não obsta a que, quando não concordar com qualquer decisão, no respeito pelos meus direitos, que são de todos, manifeste a minha discordância a par das minhas sugestões.
Felicito antecipadamente os que vão exercer os respectivos cargos, na convicção de que o povo do concelho de Ílhavo virá a sentir, cada vez mais, que o progresso, a vários níveis, será um símbolo da nossa unidade e marca da felicidade de todos.
Que os homens do leme procurem a todo o momento o rumo certo. São os meus votos.

FM

Uma boa sugestão para começar o dia...


Para não cairmos na tentação de falar da Bíblia, mormente do Antigo Testamente, de forma leviana, penso que vale a pena estarmos atentos ao que se vai publicando no blogue TRIBO DE JACOB, do meu amigo Jorge. Da Bíblia e de temas de âmbito cultural, religioso, espiritual, entre muitos outros. É que eu fico espantado com tanta ignorância, mesmo de gente que, por ter muitos "canudos", julga que pode, deve e  sabe pronunciar-se sobre tudo e mais alguma coisa. Numa democracia, qualquer cidadão tem o direito de se exprimir. Mas para dizer asneiras, se for pessoa com os cinco litros aferidos, mais vale ficar calado, para não induzir em erro os incautos, engrossando o universo dos iliteratos.

FM

quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Roupagens da história nada consonantes com uma Igreja Serva e Pobre



Reformas na Igreja e espírito conciliar

(...)
"Roupagens da história, coladas ao corpo eclesial, nada consonantes com uma Igreja Serva e Pobre, Mãe e Mestra, cuja missão é testemunhar Jesus Cristo. Uma Igreja de irmãos, luz para todas as gentes, aberta ao diálogo salvador hoje e sempre. Os atavios profanos e as honrarias com cheiro profano só complicam, dificultam e dividem, dando da Igreja de Cristo uma imagem do que ela não é, nem pode querer ser."

António Marcelino

Ler tudo no Correio do Vouga, em Opinião

O FIO DO TEMPO: As pessoas e os instrumentos



O ser humano é o fim último e o essencial

1. O utilitarismo no mundo actual continua em crescendo. A utilidade de tudo com todos os instrumentos às costas ou è frente dos dedos faz caminho sem precedentes. Mas o que não se poderá confundir é o instrumento com o dono. Desde o aparecimento do rádio e televisão, até ao progresso impressionante das novas tecnologias, por vezes gera-se confusão ao ponto de responsabilizar o instrumento e desculpabilizar o utilizador. Quando se diz que o telemóvel prejudica, que a internet é insegura, que o mundo das tecnologias gera ansiedades…, em tantas destas situações acaba por pagar o justo pelo pecador. Sejamos claros, os utensílios, os objectos, as coisas não têm qualquer culpa da má aplicação dos humanos utilizadores.

2. Nunca se poderá desculpabilizar os seres humanos quando fazem mau uso de determinados instrumentos que hoje fazem parte do dia-a-dia. A moderação razoável, ou o excesso que prejudica, é da competência de quem absolutiza determinados objectos que não merecem essa centralização. Faz falta uma agenda que conduza o espírito humano actual a fim de saber discernir no lugar de todas as coisas o seu próprio lugar. Um humanismo que saiba situar aprofundadamente a dignidade, a sensibilidade, a alegria, o sentido de viver…como dados fundamentais para o caminho. Arrepia ver crianças e adolescentes de tal maneira cheios de instrumentos com imensas designações modernas que dá pouca margem para o diálogo, a profundidade de pensar e o horizonte de viver com os outros.

3. O instrumento é o meio, o ser humano é o fim último e o essencial. Descentrar esta realidade, tornando o meio no fim acaba por secundarizar as relações humanas e colocar no meio de tudo os utensílios que se usam. A pobreza de humanidade tem em muito esta raiz em que a relação pessoal não é alimentada e sai muito a perder. É também neste terreno que as filosofias e as culturas humanistas são urgentes.

Alexandre Cruz

Imagem de sonho, para começar o dia


Costa Nova, na hora do pôr do Sol


Há cores, sombras e reflexos que nos deixam extasiados. E o Sol, o rei das estrelas e dos nossos universos, faz jus à sua majestade, brindando-nos, como ontem, com clarões de um fogo purificador, onde novas vidas hão-de renascer. Deixemo-nos de banalidades próprias de existências  sem sentido e olhemos para esta beleza, de cor e oportunidade, captada pela sensibilidade do Carlos Duarte. Depois, sigamos  em frente, que outras maravilhas há que nos podem inebriar.

Ainda José Saramago e Deus

Se gosta de ouvir falar da Bíblia alguém que sabe o que diz, a propósito da polémica provocada por Saramago, veja aqui.

terça-feira, 27 de Outubro de 2009

TER VOZ




"À margem de toda a espuma mediática destes dias, no nosso país, encerrou-se no Vaticano o II Sínodo dos Bispos para a África, do qual saiu claramente a ideia de que este continente tem uma voz própria e muito a dizer sobre as opções que definirão o seu futuro imediato.

O trabalho quase inquantificável de milhões de católicos em território africano só é notícia, praticamente, quando há temas polémicos pelo meio. Ao renovar a sua esperança no que a África é capaz de fazer e procurar distanciar-se das imposições ideológicas do Ocidente, os Bispos mostraram que é possível viver sem a meta da exposição internacional ou do aplauso da opinião dominante."

Octávio Carmo

Ler todo o texto aqui

Já agora, uma estória de Camilo, para os que o apreciam

A Graça de Camilo


"Num grupo de que fazia parte Camilo falava-se, um dia, de certa mulher muito conhecida na sociedade portuense.
- Não será bonita - comentou, em dado momento, um dos do grupo - Mas temos de concordar que tem uma cara picante. Não acha, sr. Camilo?
- Lá que tem uma cara picante, isso acho - respondeu Camilo - Especialmente nos dias em que não faz a barba."

In O Espírito e a Graça de Camilo, de Luís de Oliveira Guimarães

O FIO DO TEMPO: Cooperação na acção



Ouvindo as aspirações lícitas, temos dúvidas…

1. Foi dada posse ao XVIII Governo Constitucional. Palavras de cooperação, apelo reformista e num horizonte temporal de legislatura. A Sala dos Embaixadores do Palácio da Ajuda encheu-se para o acontecimento simbólico da abertura desta «parte 2», agora liderada por uma minoria que, ao serviço da nação, saberá catalisar e gerar oportunidades, mobilização e desenvolvimento para todos(?). Fala-se em referenciais de estabilidade, em não se ser elemento perturbador da governabilidade. Sublinha-se a determinação em avançar, progredir, melhorar a vida dos portugueses e das multigentes que habitam Portugal. As reacções das oposições espelham votos de confiança e, na palavra seguinte, avançam para a desconfiança se alguma coisa vai mudar/melhorar.

2. Tudo como hábito, tudo na essência como dantes. Nada de novo em matérias de tomadas de posse em que, não havendo nenhum descuido, tudo corre bem. Como hábito, o povo votou e agora o povo assiste às tomadas de posse… Mas, haverá algo de fundo a (trans)formar: não chega a participação democrática reduzir-se aos actos eleitorais, e a vigilância sobre os que o povo elegeu será virtude democrática. Uma purificação do autêntico sentido de «a política» dará ao privilégio de pertencer ao parlamento a grande e delicadíssima responsabilidade de SERVIR a comunidade que se representa. Num olhar translúcido, que efectiva representação existe nos trabalhadores parlamentares?

3. Ainda que a resposta oriente à desilusão mas parecendo que os protocolos habituais das tomadas de posse decorram dando imagem de que tudo está bem, a verdade é que a frescura de uma cidadania activa será o eixo de todas as mudanças a efectuar não “para” mas “com” todos. Veremos como às várias agendas conseguirá presidir o bom senso, o sentido de bem comum, os grandes valores que hoje terão de ser sintetizados na responsabilidade como caminho de autêntica felicidade. Ouvindo as aspirações lícitas, temos dúvidas…

Alexandre Cruz

Grupo Poético de Aveiro evoca Jorge de Sena: Dia 7 de Novembro, na Livraria Buchholz, pelas 18 horas



Jorge de Sena nasceu em Lisboa, a 2 de Novembro de 1919, e faleceu em Santa Barbara, na Califórnia, a 4 de Junho de 1978. É hoje considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa e uma das figuras centrais da cultura do século XX.
O Grupo Poético de Aveiro vai evocar a obra poética de Jorge de Sena, no dia 7 de Novembro pelas 18h00, no espaço da Livraria Buchholz Aveiro (Praça Marquês de Pombal). Será uma tertúlia onde todos poderão intervir, se assim o desejarem, no entanto, por uma questão de organização, seria conveniente saber os poemas que cada um irá ler para não haver leituras repetidas.
Depois da sessão de homenagem a Jorge de Sena na Livraria, quem estiver interessado em continuar a tertúlia entre amigos poderá inscrever-se para o jantar a realizar no restaurante O Buraco, junto à capela de S. Gonçalinho (perto da Praça do Peixe). O preço do jantar é de 12,5 euros e as inscrições terão de ser feitas até ao dia 30 de Outubro.

Ruas da Gafanha da Nazaré: Rua Camilo Castelo Branco



Um escritor que todos
os portugueses conhecem 


Homenagem merecida a um dos grandes escritores da Língua Portuguesa. Penso que não há nenhum português, minimamente letrado, que não conheça O Amor de Perdição, obra famosa de Camilo Castelo Branco.
Não consta que o escritor, falecido em 1890, com 65 anos de idade, alguma vez tenha passado por esta nossa terra, ainda longe de figurar no mapa de Portugal com o título de freguesia, o que só aconteceu, como os leitores do Timoneiro sabem, em 1910. De qualquer forma, e porque é hábito no nosso País baptizar as ruas com nomes de gente célebre, compreende-se, perfeitamente, a lembrança, para quem passa, de Camilo Castelo Branco.
 
Ler todo o texto aqui

Poesia para começar o dia

Outono



Entro na sala…
Se a turba se cala
Olho em frente….
Não fico indiferente
A árvore triste
Vai-se despindo…
O Outono persiste
E vai colorindo
De nova roupagem
A paisagem!
Tanta beleza
É com certeza
A despedida
Muito sentida
Da natureza!


M.ª Donzília Almeida

22.10.09

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Filarmónica Gafanhense celebra aniversário com concerto e participação na eucaristia


Filarmónica Gafanhense


Filarmónica Gafanhense tem um sonho...

A Filarmónica Gafanhense celebrou, no sábado, 24, mais um aniversário, o 173.º, de uma vida longa em prol da cultura musical. Houve concerto nas escadarias da igreja matriz, romagem ao cemitério e participação na eucaristia das 19 horas, que animou com o seus músicos e coral.
Muitas pessoas assistiram, em sinal evidente de que gostam da nossa Filarmónica, sempre presente nos mais diversos eventos que ocorrem não só na freguesia da Gafanha da Nazaré, mas também na área concelhia. As suas actuações passam, ainda, por muitas festas, um pouco por todo o lado.
A Filarmónica, mãe do Grupo Coral, da Banda Juvenil e da Orquestra Jovem, ainda assume a responsabilidade, que é uma necessidade, de formar os seus músicos e coralistas, com a contribuição, indispensável, de professores especializados no ensino da música e de vários instrumentos.
Presentemente, tem 40 executantes musicais e outros tantos coralistas, ostentando o estatuto de Utilidade Pública, como reconhecimento pela sua acção no domínio da cultura.
Segundo nos afirmou o seu director, Carlos Sarabando Bola, a Filarmónica Gafanhense tem um sonho, que acalenta há anos: possuir uma sede onde possa ensaiar, ensinar e preservar a sua memória, com 173 anos de vida. Há promessas que esperam concretização. Pode ser que a festa do centenário da freguesia e paróquia traga novidades.


Posse da Comissão de Festas em Honra de Nossa Senhora da Nazaré


Comissão de Festas

Importa respeitar a legislação
em vigor sobre festas religiosas

No domingo, na missa das 10 horas, celebrada pelo Prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, tomou posse a Comissão de Festas em honra da nossa Padroeira, com o propósito firme de levar por diante uns festejos condignos no próximo ano, 2010, ano em que a freguesia e paróquia comemoram um século de existência.
Depois das palavras estimulantes do nosso Prior,  no sentido de promoverem o culto a Nossa Senhora da Nazaré, razão primeira das festas, os empossados leram, em conjunto, o compromisso de respeitar as leis da Diocese de Aveiro, no referente às festividades ligadas a Nossa Senhora e demais padroeiros e outros santos, venerados nas diversas paróquias.

Sublinho este acontecimento por saber que nem sempre os princípios estabelecidos, legalmente, pela Diocese são respeitados, não sei por culpa de quem, uma vez que os párocos, admito, não se têm esquecido de lembrar, a quantos integram as comissões de festas, o que está determinado, com rubrica indispensável do bispo diocesano.
Estranho, por isso, que em algumas paróquias surjam conflitos, num claro desrespeito ao que, desde há muito, ficou legislado, organizando as festas e encaminhando dinheiros remanescentes à revelia do que está oficialmente escrito.
Lamento ainda que, durante as festas ligadas à Igreja, sobretudo na parte chamada profana, haja cantores de baixo nível, a que não chamo artistas, que usam e abusam de uma linguagem pior que brejeira, ofensiva do respeito que devem merecer os santos e Nossa Senhora. Julgo que se impõe uma reflexão sobre estes pormenores, no sentido de se dignificarem os festejos que à sombra da Igreja Católica se realizam, sobretudo no Verão, como manda a tradição.

Fernando Martins

O FIO DO TEMPO: O difícil mundo de Bagdad




1. Já há dois anos que as proporções dos atentados não chegavam ao nível deste 25 de Outubro 2009. Os relatórios de Bagdad apontaram de imediato para mais de 130 pessoas mortas e cerca de 600 que ficaram feridas na sequência da explosão de dois carros armadilhados no centro da capital iraquiana. Quatro hospitais da capital acolheram as vítimas do estrondo dos dois veículos que em locais distintos quase em simultâneo vitimizaram tanta gente. A estratégica foi cruel e premeditada: um carro explodiu junto ao edifício do governo, outro no bairro Al Salehiya, junto ao ministério da justiça. Governo e Justiça, dois pilares da estruturação social que são atingidos em tempos eleitorais.

2. Ainda um outro ponto de referência: os atentados registaram-se perto da designada «Zona Verde», esta que abriga as embaixadas dos Estados Unidos e do Reino Unido e ainda protege alguns edifícios governamentais do Iraque. Esta zona de forte segurança sentiu os abalos de uma insegurança iraquiana que persiste em atingir melhores dias. Nas televisões e das ruas sentia-se o desespero pela situação em que se torna impossível o viver, o dormir, o andar pelas ruas com normalidade… Estranho mundo dessa grande cidade da antiguidade persa, onde tantas correntes de pensamento ao longo da história foram apontando bons indicadores para a Humanidade em geral. Será uma fatalidade o que acontece por aqueles lados?

3. Os caminhos da tolerância entre todas as etnias e entre todas oposições será talvez o maior desafio do século XXI. Ao vermos nessas ruas de Bagdad tantos gritos para tantos lados onde todos pensam que são os únicos que têm razão…esta cenário faz sentir quanto difícil é a convivência humana em circunstâncias onde se absolutiza aquilo que é humano. Nenhuma terra deste mundo é santa, as pessoas sim, poderão, quando em diálogo fraterno com os outros, ser santas. Quanto mais difícil mais urgente é esta nova consciência do essencial.

Crónica de um Professor: Que forma expedita de usar as mãos...para “dar com os pés!”




De pequenino se torce o pepino

- Ela bate-me!
Descontextualizada, esta frase prefiguraria um cenário de violência doméstica! Com os movimentos de emancipação da mulher e a luta pela igualização ao homem, declarações destas são cada vez mais recorrentes e já há notícia de homens a apresentar queixa na A.P.P.A.V.!
Sinais dos tempos, ou apenas um mero ajuste de contas?
De tão explorada, violentada e maltratada, a diversos níveis, a mulher parece ter ganho consciência da sua força, não a nível meramente psicológico, já sobejamente aceite pela hierarquia masculina, mas também ao nível da força braçal!!! Que se cuidem os cavalheiros... pois a este ritmo, o mulherio ainda vai destronar o rei da violência doméstica – o sexo masculino!!!
Não foi, no entanto, neste mundo bizarro dos adultos, que a frase foi proferida. Numa sala de aula, quando todos saíam já, para um merecido intervalo.
Aquele aluno manifestara, durante a aula, uma agitação inusitada, não parava de mexer-se na carteira, por várias vezes fora admoestado pela teacher, que exasperava. Esta pensava já, no correctivo a aplicar-lhe, mas não descortinara ainda qual. A escrita repetida da regra da aula que estava constantemente a transgredir, acenava-lhe como possível e dissuasora de futuros desvios comportamentais. Mas, cogitava a mestra: -  ocupar-lhe os bracitos a escrever “n” vezes a frase, passaria a uma rotina que se ficaria apenas por um ligeiro cansaço dos membros superiores, mas deixar-lhe-ia a mente e ainda mais a língua, bem soltas, para continuar a agitar-se e a falar pelos cotovelos.
- Discutam em Inglês! Não me importo que o façam, desde que pratiquem a língua que estão a aprender! - disse-lhes várias vezes.
Era preciso que a deixassem primeiro, treiná-los na argumentação!
Calam-se logo, quando instados a traduzir para língua estrangeira as brincadeiras e quezílias duma infância hiperactiva!
Retraiu-se e foi adiando a aplicação do “castigo”, para trabalho de casa, que encurtando-lhe o tempo de brincadeira e de televisão, talvez resultasse mais. Assim aconteceu e a aula acabou.
Quando já todos os colegas tinham saído, abeira-se da teacher o Joãozinho Amoroso e sussurra-lhe quase ao ouvido, com ar decidido:
- Gosto de uma garota, mas ela não gosta de mim!
- E....? Indaga a teacher.
- Ela, como não gosta de mim, bate-me!
- Ah... que patético! Pensa para si.
- Que forma expedita de usar as mãos...para “dar com os pés!”
- Ah! Replica o João com ar vitorioso.
- Mas eu já lhe disse, que quanto mais ela me bate, mais gosto dela!
Estaremos perante a fase embrionária de um amor platónico? Nos seus tempos de menina e moça, não era assim! Nem havia “violência” no namoro, quanto mais na intenção dele! E... amor platónico... que a autora também experimentou... era mesmo só no universo das ideias, da pura espiritualidade! Noutros tempos... em que Platão ainda tinha seguidores! Hoje a filosofia é outra! Começa-se cedo e logo de forma contundente! Não há tempo a perder e há que passar logo à acção!
Ou será esta gente de palmo e meio que tem razão e inicia-se, mal nasce, nesta aventura dos sentimentos, do amor?
Amores não correspondidos, sempre os houve, mas... violência doméstica desde tão pequenino... é obra dum Cupido mal orientado, que sofre de cegueira... ou teremos que concluir com a voz do povo que diz: “De pequenino se torce o pepino”?

M.ª Donzília Almeida

25-10-09

Neste início de semana útil:Uma Boa Ideia para Portugal




"Não adianta mudar de tractor, se o problema é do tractorista. E o nosso problema é precisamente este. Os nossos governantes passam a vida a mudar as leis, quando o problema é de quem as aplica. Qual a solução? É fácil. Primeiro, não mudar de tractor, depois ensinar o tractorista a usar o tractor,  por fim, substituir o tractorista se ele não aprender ou não quiser aprender."

Santa-Maia Leonardo

No i de hoje

domingo, 25 de Outubro de 2009

Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo encerra comemorações dos 25 anos de existência


Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, no 1.º Festival de Folclore
da Gafanha da Nazaré, em 1985


BOM PRENÚNCIO PARA UM FUTURO RISONHO



Com apresentação do livro “Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”, de Maria Teresa Filipe Reigota, logo seguida de um espectáculo etnográfico da responsabilidade do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, denominado “Sangue de Mar”, foram dadas por encerradas as celebrações dos 25 anos de existência daquela instituição ilhavense, vocacionada para o estudo e divulgação dos usos e costumes dos  nossos antepassados.
Importa salientar estes dois acontecimentos, que tiveram lugar no Centro Cultural de Ílhavo completamente cheio de gente que vive, com determinação, a causa da preservação do nosso património cultural e histórico, de feição popular, porque ilustram bem o esforço e a sensibilidade de quem os protagonizou, tudo feito à sombra do espírito que anima, desde a sua fundação, em 6 de Janeiro de 1984, o Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo.
Teresa Filipe Reigota teve o cuidado e o bom gosto de concretizar a tarefa que devia ser apanágio de todos quantos se dedicam à etnografia, registando em livro recordações da sua meninice, para memória futura.
No espectáculo, em que participaram os membros do Rancho Regional, foram trazidas até ao presente cenas do quotidiano dos nossos pais e avós, com graça e arte. Pelo palco passaram pregões e cantares, falares dos ílhavos e arredores, danças ritmadas e melódicas, trauteadas pela assistência que não regateou aplausos bem merecidos.
O encerramento das celebrações dos 25 anos do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo foi, pois, vivido com muita alegria, bom prenúncio para um futuro risonho, no domínio da cultura popular, e não só.

Fernando Martins

Grande Prémio Terra Nova na Gafanha da Nazaré


Na hora da partida


Na hora da chegada


Realizou-se hoje, na Gafanha da Nazaré, o 17.º Grande Prémio Terra Nova, apesar da chuva miudinha que, apesar de tudo, não incomodou os atletas que vieram um pouco de todo o lado. Inscreveram-se cerca de mil crianças e jovens de todas as idades, que encheram de alegria o povo que à festa se associou.
Não importa vir para aqui com nomes dos muitos vencedores, aqueles que chegaram nos primeiros lugares à meta. Importa, isso sim, sublinhar que os vencedores foram todos os que participaram, incluindo atletas, dirigentes, professores, pais e amantes do atletismo, vivendo, ao vivo, o espírito, sempre actual, de alma sã em corpo são. A Rádio Terra Nova está, pois, de parabéns.

Uma pequena reflexão para começar o domingo

Sobre a polémica causada pelas afirmações de Saramago, a propósito do seu recente livro Caim, Frei Bento Domingues diz, a abrir a sua crónica de hoje no PÚBLICO, o seguinte:




"Seja qual for o interesse literário de Caim de José Saramago, as declarações feitas no seu lançamento foram interpretadas em registo publicitário: o importante não é que se diga bem ou mal; o importante é que se fale."

Nota: Sabido é que a maioria (ainda não suficientemente quantificável) dos católicos não lê a Bíblia com regularidade. Os que participam nas missas, contudo, têm a oportunidade de ouvir leituras bíblicas, com a respectiva adaptação aos dias de hoje, expressa nas homilias. Às vezes os celebrantes esquecem-se disso, mas isso é outro assunto. Com esta polémica, publicitária ou não, estou em crer que, por via dela, haverá muitos que vão pegar no Livro Sagrado dos cristãos, para, enfim, poderem ver quem tem razão. De qualquer modo, não se pense que é assim tão fácil. Ler o Antigo Testamento fora do contexto da época, atendendo apenas à letra do texto, e não ao espírito do mesmo texto, pode ser não aconselhável. Mas leia-se a Biblia e quando houver dúvidas, que haverá certamente, então consulte-se quem sabe.

FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 154

BACALHAU EM DATAS - 44



D. João Evangelista


A BÊNÇÃO DO INÁCIO CUNHA

Caríssimo/a:

Vem daí comigo ao Estaleiro que o ambiente é de festa... Já lá vão tantos anos, mas vale a pena observar tudo através dos olhos privilegiados de alguém que participa e vive intensamente o momento:

«A BÊNÇÃO DO LUGRE

O cenário é o mesmo do da nau Portugal. Um sopro discreto e fagueiro do vento encrespa e orla de espuma a maré-cheia. Sabem-nos os beiços e a língua a salgado. E dentro da alma, à sua maneira, na sua esfera, sente-se como que a repercussão da frescura que, por fora, nos toca e consola a pele.
Estava tentado a repetir o que ouvi uma vez ao Cónego Pontes, num êxtase, diante de um espectáculo soberbo do Atlântico:
- Há coisas que nos reconciliam com a Natureza!
Eu não ando zangado com a Natureza; ao contrário, eu e ela sempre nos temos entendido perfeitamente. Mas, com efeito, no caso de alguma hora de amuo que nem todas as horas são as mesmas na vida, aquela Gafanha que só tem de esquisito o nome, com a cintura azulada das suas águas, com o murmúrio terno das suas ondas, com aquele ar fino que nos limpa a fronte, se o suor corre penosamente por ela, com aquela agitação das gaivotas, das narcejas e dos maçaricos que parecem doidos de alegria e de fome, só ela bastaria para fazer as tais pazes de que falava, à beira do Oceano, o filósofo Pontes. Não era preciso mais nada.
Os estaleiros eram nessa tarde campo apertado para uma tal multidão de gente. Valia, para os descongestionar um pouco, a linha longa da estrada e da praia e, melhor ainda, o convés dos navios vizinhos, as amuradas, e até as vergas dos mastros, improvisadas para o efeito em camarotes e galerias. Não haveria teatro que se lhes pudesse parecer.
E no meio lá estava ele, o «lnácio da Cunha», ainda preso à terra pelas amarras, ainda seguro por cabos, mas parece que com dois olhos enormes na quilha a cobiçar já as águas e a lamentar a demora do seu bota-abaixo. Lembrava a águia que se quer lançar aos espaços e fitar de frente nas alturas o sol, mas que se sente atada por um laço no pé ao chão.
A Igreja, nestas bênçãos dos barcos de pesca, foi buscar ao Evangelho o que mais próprio poderia parecer para animar e dar confiança e alegria aos homens na sua faina: a tempestade de Tiberíades, quando os apóstolos, cansados de lutar com as ondas, ao fim vencidos, foram acordar o Mestre que dormia tranquilo, como um menino no regaço da sua mãe, à proa da bateirinha; e o Mestre, erguendo-se, esfregando os olhos do sono, disse-lhes com dolente sorriso, que era uma benção:
- Não estava eu aqui? Que medo é esse?
Ou então quando os apóstolos, ainda pescadores, depois de uma noite inteira de labuta infrutífera, tendo-lhes pergunntado o Mestre, ao romper da manhã, vaga silhueta na praia, em pé na areia:
- Moços, foi boa a pesca?
E eles reponderam, abanando os ombros de fadiga e desânimo:
- Nem sequer um!
- Deitai as redes daquele outro lado - apontou o Senhor.
E daí a pouco, ao recolherem o saco, era peixe de estoirar as malhas!
Coisa maravilhosa! - já dizia no seu tempo Montesquieu - A Igreja Católica, que parece não ter outra ocupação senão os destinos eternos do homem, também se interessa, mesmo até estas minúcias de ventos prósperos e pescarias, mesmo até pequenos detalhes de enxalavares e de remos, pelo aconchego material dos seus filhos. E, sem que nenhum mestre de cerimónias indicasse ao povo a liturgia do acto, ele por si mesmo, com uma espécie de instintivo respeito, ministros, soldados, marinheiros, magistrados, arrais, pescadores, operários, crianças, todos se descobriram e perfilaram quando o Pontífice, com o seu raminho de paz, de água benta, aspergiu o costado e o coração da nau e assim a fortaleceu para os dramas e para as conquistas do mar.
- Aquelas duas escoras acompanham o navio até à água - explicava assim ao meu lado uma mulher com a cara tão torrada do sol da Gafanha que já parecia da cor do seu lenço preto.
Não se poderia exprimir por uma forma tão graciosa, tão poética, tão literária, eu ia a dizer tão rítmica, tão musical, um pensamento de pura técnica. O que se aprende a escutar o povo!
O mundo então por um momento parou.
- Em nome de Deus e da Pátria, vai lá!
Ouviu-se a voz do machado que partia as cordas no seu cruzamento e logo a mole, até aí parada, tomou fôlego, deu um arranco e docemente mergulhou na ria, dando em seguida, com uma elegância estranha, meia volta para se mostrar a todos.
O cenário era o mesmo mas desta vez, graças a Deus, a nau não tombou para o lado, com a melancólica resignação da outra, com os mastros estendidos na água como em esquife.
Deus vá e volte contigo, com os seus anjos e arcanjos ao leme, com a Estrela do Mar a guiar-te, adormecida nas ondas, ó nau da Pátria!»
(CV, n.º 731, de 5-5-1945, pg. 1)

in Aveiro-suas gentes, terras e costumes, D. João Evangelista de Lima Vidal, pp. 131-133

Manuel



sábado, 24 de Outubro de 2009

Todo o cristão lúcido sabe que a Bíblia não é um ditado divino e que precisa de interpretação



Caim e Saramago

"É o primeiro exemplar que vendo", diz-me a jovem da livraria, e parte da passada segunda-feira foi para a leitura do Caim de Saramago. Sinceramente, gostei. O romance escalpeliza um Deus tirânico, arbitrário, imoral, cruel, concluindo que "a história dos homens é a história dos seus desentendimentos com deus, nem ele nos entende a nós, nem nós o entendemos a ele".
Um crente reflexivo não precisa de irar--se. Em primeiro lugar, há a liberdade de expressão. Depois, é preciso reconhecer que também há na Bíblia e noutros livros sagrados muito daquilo que Saramago denuncia: violência, crueldade, imoralidade, tirania, arbitrariedade.
Chamei aqui frequentemente a atenção para isso. Quantas vezes, num quadro sádico, se pregou inclusivamente que Deus, para aplacar a sua ira, precisou do sangue do próprio Filho. Neste sentido, os ateus que sabem o que isso quer dizer prestam real serviço a Deus na medida em que obrigam os crentes a purificar a sua imagem. No limite, ai dos crentes, se não houvesse ateus!
O que causou mal-estar e crítica legítima foram, no que alguns consideraram uma operação de marketing, as declarações de Saramago em Penafiel, que continuaram, referindo-se à Bíblia como "um manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana", sendo o Corão "a mesma coisa". "Imaginar que o Corão e a Bíblia são de inspiração divina? Francamente! Como? Que canal de comunicação tinham Maomé ou os redactores da Bíblia com Deus, que lhes dizia ao ouvido o que deviam escrever? É absurdo. Nós somos manipulados e enganados desde que nascemos." "O Deus da Bíblia é rancoroso, vingativo e má pessoa."
Foram afirmações de ignorância arrogante. E não fica bem ao Prémio Nobel passar um certificado de estupidez aos crentes, que são milhões. Aliás, perante o Deus de Saramago, só haveria uma atitude digna para o crente: ser ateu.
A Bíblia na sua configuração actual, cuja formação demorou mais de mil anos, é formada por 73 livros, mas os crentes aceitam-na como um todo e só como todo é que se reclama da verdade. Como qualquer livro, para se poder apreender o seu sentido, tem de ser lida na totalidade. Saramago, com as suas declarações, fez, pois, uma leitura completamente parcial e unilateral.
Todo o cristão lúcido sabe que a Bíblia não é um ditado divino e que precisa de interpretação. O fio condutor dessa interpretação ou hermenêutica tem a ver com a salvação plena e o sentido último. O que lá se encontra de desumano é para que o crente tome consciência do que nem o homem nem Deus devem ser.
A Bíblia relata, ao longo de mais de mil anos, a relação dos encontros e desencontros dos homens com Deus e de Deus com os homens, sendo natural que se vá dando uma compreensão cada vez mais purificada de Deus. Assim, termina em Jesus Cristo, que mandou amar os próprios inimigos. E a única tentativa de "definir" Deus aparece em São João, e diz: "Deus é amor." Mas, mesmo no Antigo Testamento, também há, por exemplo, o Cântico dos Cânticos e os Profetas, arautos da revolução moral segundo a justiça.
Foi neste contexto que, interpelado pelos media, chamei à colação um dos grandes filósofos do século XX, Ernst Bloch, também ele ateu e marxista, mas conhecedor da Bíblia. Professor na Universidade de Leipzig, na então República Democrática Alemã, teve problemas com o regime comunista, vindo assim para Tubinga, precisamente porque chamava a atenção para a importância da Bíblia. Sem a Bíblia, "o livro mais significativo da literatura mundial", não podemos compreender as catedrais, a Idade Média, Dante, Rembrandt, Händel, Bach. Sim, que se entende então verdadeiramente? Sem ela, não se entende a cultura alemã, a Missa solemnis de Beethoven, nenhum Requiem, nada".
Para Bloch, há um duplo fio condutor na Bíblia: o sacerdotal, em que domina o deus opressor, dos senhores, e o profético-messiânico-apocalíptico, que anuncia o Reino de Deus, a herdar meta-religiosamente como Reino do Homem: "Esta vida no horizonte do futuro veio ao mundo pela Bíblia."

Anselmo Borges

No fim do dia, poesia, para dormir melhor



Nunca mais


Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.


Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.


Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser.
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência.
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Nota: Transcrito por Mia Couto em Jesusalém

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Acta da instalação e 1.ª sessão da Comissão Paroquial Administrativa da Freguesia da Gafanha

No mês de Outubro de 1910, tomou posse a Comissão Paroquial Administrativa da Freguesia da Gafanha. Para que se não perca por aí a acta, aqui fica uma cópia, para memória futura.

FM

CÂMARA DE ÍLHAVO: Oficinas criativas 2009


UMA BOA OPORTUNIDADE
PARA SABER MAIS


No âmbito do seu projecto Oficinas Criativas 2009, a Câmara Municipal de Ílhavo disponibiliza, a partir deste mês de Outubro, um novo leque de oportunidades para alargar ou enriquecer os teus conhecimentos. Até Dezembro decorrerão as Oficinas Criativas de Comunicação e Letras, de Agulhas e Linhas, de Artes Culinárias e de Artes Plásticas. Informa-te acerca destes módulos e inscreve-te já nos teus preferidos! As inscrições são limitadas, por isso não percas tempo!...
As Oficinas Criativas da Câmara Municipal de Ílhavo são espaços de aprendizagem e de troca de experiências que abrangem variados temas, entre os quais a fotografia, a música, a dança, o teatro, a língua gestual, a banda desenhada, as artes plásticas, tendo como principal objectivo o fomento nos participantes do gosto pelo saber.
São constituídas por diversos módulos independentes, abordando cada um deles uma temática específica, funcionando preferencialmente nos Fóruns Municipais da Juventude.

Ver mais aqui

Luz nova que enche de alegria, beleza e verdade a vida inteira



SENHOR, QUE EU VEJA

Este desejo é expresso em público, com voz firme e confiante, por Bartimeu. Dirige-se a Jesus que ia a sair de Jericó a caminho de outras terras. É feito por um cego que estava na valeta, à margem, a pedir esmola.
As suas limitações não o bloqueiam, nem os preconceitos sociais nem a repreensão de alguns acompanhantes de Jesus. O seu gesto manifesta uma “cegueira” lúcida que vê mais longe e uma coragem ousada que rasga horizontes. A sua atitude fica registada como um símbolo para toda a humanidade em todos os tempos.
“Que eu veja, Senhor” – continuam a clamar os que amam, estudam e trabalham pelo progresso que humaniza a vida; os que se dedicam à investigação científica que desvenda os segredos da natureza; os que, incansavelmente e com desvelo, exercem a biomedicina e cuidam da pessoa doente e das circunstâncias em que está envolvida.
“Senhor, que eu veja” - exclamam os que sonham uma ordem política e económica, alicerçada na ética da responsabilidade comum e no destino universal dos bens e querem contribuir positivamente para despertar a consciência social dos cidadãos; os que acreditam na força das organizações e na eficácia das iniciativas que, à maneira de fermento, vão provocando um modo de ser e agir mais humanizados.
“Que eu veja, Senhor” – desejam os que estão constituídos em responsáveis pelo bem público integral e pretendem encontrar vias acessíveis e eficazes para o promover; os que têm a missão de, à maneira de Jesus, procurar as melhores formas de dar a conhecer os valores do Evangelho, de colaborar para que todas as pessoas tomem consciência da sua dignidade e possam caminhar na vida “de cabeça erguida e rosto descoberto”.
Bartimeu, o filho do homem apreciado pela honradez, tal é o significado do seu nome, faz o pedido da visão num contexto de diálogo profundo, depois de aceitar o chamamento e a ajuda que outros lhe ofereciam, de atirar fora a capa do resguardo, de se erguer com vigor e de, confiante, ir ter com Jesus. Gestos humanos indispensáveis para começar a ver com luz nova – a da fé - que enche de alegria, beleza e verdade a vida inteira.

Georgino Rocha

Para começar o meu dia: Outono invernoso



O dia começou mais ou menos; depois virou triste e feio. É um Outono invernoso, daqueles que convidam a estar por casa. Não para olhar para as pareces, mais ou menos decoradas, mas para uma leitura ou releitura tranquilas. Logo conto.
Para já, apetece-me dizer que, se quisermos, de todo o tempo podemos sacar razões para nos sentirmos bem. Assim seja.  

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: O erro de Saramago



Há erros e erros

1. Todos têm erros, todos temos erros. Claro que há erros e erros. O próprio cientista António Damásio ao falar de «O Erro de Descartes» está a falar não de erros de ortografia mas de abordagens erróneas, descontextualizadas, desfocagens de princípio nas premissas dos pontos de partida que podem conduzir a determinadas conclusões menos verdadeiras. Também, ainda, serão de considerar os erros involuntários e aqueles que são intencionais. Ainda bem que nas sociedades ocidentais é possível conviver publicamente com as diferenças de opinião (e o direito ao erro!). Mas à liberdade de opinião haverá de presidir a delicadeza da prudência e da ética de quem sabe que não basta dizer-se que se é frontal atirando para a frente esta ou aquela ideia, esta ou aquela inverdade provinda de desconhecimento da densidade do que está em causa…

2. A polémica está instalada, mas como hábito daqui a umas semanas tudo volta ao normal. Se ao menos a polémica servisse para uma procurada clarificação, um debate (ao jeito daquele de há breves anos entre D. José Policarpo e Eduardo Prado Coelho) que o vento não leve, um aprofundar da procura da verdade em assuntos tão sérios. Na matéria em causa (religião) e na sociedade mundial actual, para vender mais ainda será facílimo, bastará trazer de modo simplista religiões como o Islamismo. Vale a pena responder alargando o nível da reflexão com pensadores como Eduardo Lourenço, um (quem sabe, merecedor!) futuro prémio Nobel da Literatura. Na sua seriedade sublinha o cuidado a ter em juízos precipitados nestas questões pois que as religiões são a resposta mais profunda da busca de sentido para a vida. O entrar no mundo do simbólico como reflexo do existencial profundo não é, efectivamente, tarefa prática…

3. Como na história da humanidade, no caminho da perfeição, infelizmente as guerras pertencem à viagem humana, estando presentes em alguns textos do AT… Abrindo os olhos da maturidade humana, Deus veio anunciar, dar-se pela paz (Shalom)!


Parece que o Outono se despediu mesmo


Dos destroços, brota novamente a vida


Primavera tardia


Estava condenada à morte, já ouvira a sentença, na observação minuciosa da sua dona. O instrumento de tortura e execução, jazia ali mesmo ao pé dela, mudo, à espera do movimento que lhe desse vida. Um serrote velho, ferrugento, iria por termo àquela árvore que morrera de pé, ali no pomar.
O calor excessivo do Verão que terminara, mais o seu prolongamento pelo Outono fora, até aos princípios de Outubro, tiveram muita culpa naquele desfecho. A juntar a isso, alguma incúria na assistência húmida que lhe era devida, haviam persuadido a dona, que aquela árvore tinha estiolado.
Puro engano! Após as primeiras e fortes chuvadas da estação, aquilo que parecia um esqueleto de ramos secos e enegrecidos pelo tempo, parece ter ressuscitado.
Quando ia para lhe desferir o derradeiro golpe e olha para a árvore como que em despedida, é acometida da maior surpresa do mundo. Havia rebentos verdes, minúsculos, nos ramos ressequidos e negros daquela árvore. Teve um baque, na sua atitude demolidora e, imediatamente, depôs armas. Aquela árvore ressuscitara, estava a mostrar como, lá no seu interior, ainda corria a seiva vital. Precisou da fonte de vida, da água que lhe havia sido negada na época estival, para renascer! Foi-lhe dada uma segunda oportunidade e agora é vê-la com flor e os frutinhos em embrião. Que maravilhosa forma de mostrar aos humanos que a vida vegetal ou outra, pode estar enclausurada, mas não aniquilada.
Assim, num paralelismo com a vida humana, também, por vezes nos surpreendemos com a recuperação que se dá, após os reveses e os infortúnios com que a vida nos põe à prova; nos reerguemos com determinação e pujança das duras batalhas da nossa peregrinação pela terra. Dos destroços, brota novamente a vida com mais força e intrepidez!
Fiquei fascinada com esta prova de confiança e resistência, deste ser vegetal que agora irá enfrentar as agruras da nova estação. Pelo que nos é dado observar, parece que o Outono se despediu mesmo, da sua afastada prima Vera e do seu parente próximo – o Verão.

M.ª Donzília Almeida

quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

CÂMARA virou CAMARA



Pode ler-se no edifício da Câmara Municipal de Ílhavo um errito que já devia ter sido corrigido. Alguma criança que passe por lá pode ficar convencida de que os professores ensinam mal a Língua Portuguesa. Eu sei que todos nós erramos, mas, que diabo, mal vai quando não emendamos. Podem dizer-me que é coisa simples, mas não é. Na Gafanha da Nazaré, a placa toponímica da principal avenida tem um erro, repetido em vários pontos. Tem José Estêvão sem o acento circunflexo. Assim: José Estevão. Conclusão: não tem conta o número de vezes que esse erro tem sido repetido. Se o nosso grande tribuno cá viesse, é certo e sabido que, mesmo do alto da cátedra da sua oratória, não perdoava a quem lhe adulterou o nome. Isto é uma forma de ir dormir bem disposto. Desculpem lá a brincadeira. Mas não é verdade que a brincar se podem dizer coisas sérias?
Então boa noite. E já agora, amanhã, quando acordarem, não se esqueçam de pôr no sítio certo o ^.

FM

NB: Será que no meu escrito está algum errito? Se estiver, avisem-me por favor.

O FIO DO TEMPO: Da polémica à formação

Uma sociedade
sedenta de casos mediático


1. Cada vez mais vale a pena pensar e perguntar sobre o que, afinal, move as multidões, as pessoas, a sociedade em que vivemos. Uma perturbadora preferência no mundo da comunicação pelo que escandaliza, pelo que arrepia caminho tido como normal reflecte a nova condição humana actual. Há dias alguém dizia que para alimentar uma notícia e vender papel bastará sobre um determinado assunto fracturante chamar duas pessoas a expor as suas ideias, uma de cada lado e alimentar a polémica. Poder-se-á dizer que nunca como hoje se combateu todo o género de extremismos, mas nunca como agora estes foram tão úteis e usados para alimentar as “novelas” que seduzem uma sociedade sedenta de casos mediáticos onde o esquisito sempre triunfa.

2. Sempre nos perturbou esta desfocagem em que o essencial muitas vezes se mostra passado para a periferia. Quanto bem é feito, quantas apostas decisivas na formação, quanto esforço de tanta gente em semear os grandes valores e as maiores causas, dedicação imensa esta que acaba por não ter nenhum reflexo público. Esta regra de mediatizar o que é escândalo, mesmo sem o saber ou querer, é precisamente o motor gerador da generalização do “mal” que se de(a)nuncia. Se em tudo a vida é “como as cerejas”, umas puxam as outras, não se duvide da contra-escola que acaba por representar o contínuo explanar do rol de notícias trágicas, de situações de violência, de cinemas carregados de armas… desenhos animados já não inocentes como outrora mas muitas vezes a ensinarem as maiores manhas e egoísmos a quem está na fase de aprender a viver para ser…



3. Sociedade melhor formada será sociedade mais informada. O baixar do nível ético alimenta a própria incultura que se denuncia. A relação de causa – efeito, se assumida a sério, obrigará todos os agentes educativos, dos formais aos informais, a pensar e repensar em toda a contradição que persiste quando num lado ensinam uma coisa e da televisão aprende-se outra. Vale a pena pensar nisto!?

Alexandre Cruz

Tempo de profetas que ninguém poderá calar






Sempre que se calam os profetas,
proliferam os falsos profetas

Profetas não têm faltado na Igreja, e a incompreensão, em relação a eles, também não. Se na Igreja de Cristo há o fermento novo do apelo à conversão e à mudança interior, também resta nela o fermento velho que a impede de ser serva, neste tempo em que a luz de Cristo é ainda, para muita gente, o único pão da esperança.

O Cardeal Martini, profeta a que não falta lucidez, coragem, sabedoria, amor à Igreja e aos homens e mulheres deste tempo, é, como bispo, um cristão humilde e consciente, que exerce o seu dever de promover a comunhão eclesial, com o profetismo do realismo e da esperança. Sempre houve gente de lugares cimeiros, não Bento XVI nem os seus predecessores, que o temeram, desconfiaram dele e puseram reservas públicas às suas intervenções, lúcidas, pertinentes e corajosas. Gente que, por certo, se sentiu aliviada, a quando da sua passagem a emérito. Porém, a doença progressiva não lhe apagou o dom que nele Deus outorgou à Igreja e à sociedade, nem as suas limitações de saúde, lhe limitaram o direito e o dever de discernir, criteriosamente, os sinais dos tempos e, em comunhão, ser profeta, numa Igreja em que todos se deviam sentir estimulados a exercer o profetismo que lhes é próprio, e de que muito necessita a Igreja e o mundo.

Não falo do Cardeal Martini, por uma simpatia de última hora. Conheci-o de modo directo e de vivência, não meramente ocasional, ao longo de três sínodos, de vários simpósios, de encontros frequentes, por essa Europa fora, e pela leitura e reflexão atentas a que nos habituou nas suas intervenções orais e escritas.

A Martini podemos juntar Hélder Câmara, que legou à Igreja um riquíssimo património profético, avalizado por um compromisso eloquente, ainda não entendidos.

O momento histórico que a Igreja vive, obriga a caminhos novos aos já acordados para as urgências da fé esclarecida e do testemunho coerente, que não podem enredar-se em tradições e costumes que, não raro, sossegam o espírito e anestesiam a vontade.

Sempre que se calam os profetas, proliferam os falsos profetas. A sementeira das seitas, os movimentos pseudo-religiosos que fazem da ignorância e da dor de muitos uma fonte de réditos, a onda de indiferença que atinge jovens e adultos, o descrédito programado que caiu sobre o casamento e a família, a carga pesada de tantas vidas que procuram, por vezes em vão, cireneus generosos e compreensivos, as incursões diárias nos meios de comunicação social para desvirtuarem a verdade cristã e que pugnam para impor sentimentos e opiniões falaciosas, a diminuição de vocações de consagração, tudo grita por um apelo a profetas corajosos e atentos e por um retorno urgente ao essencial.

Mais parece, em muitas circunstâncias, que a Igreja de alguns roda à volta de si própria, gasta, com os seus problemas internos, as melhores energias e, em detrimento do Reino, mais dá atenção aos “acréscimos”, que não resistem ao tempo.

Construir o Reino de Deus, fermento novo na humanidade, é o grande e apaixonante projecto de Jesus Cristo. Foi esse projecto que legou à Igreja e lhe pediu lhe fosse fiel.

Os interpelados por acontecimentos da vida que afectam o agir da Igreja, juram fidelidade ao Vaticano II. Já lá vão mais de quarenta anos, tempo suficiente para amadurecer orientações e lhes dar vida. Porém, não podemos esquecer que são já muitos os padres, leigos e consagrados que do Vaticano II apenas ouviram falar e os seus documentos são um livro volumoso, ao lado de outros, que o pó vai cobrindo.

Sente-se, aqui e ali, ao arrepio do Concílio, um agir pastoral e uma vida comunitária, que pouco tem a ver com as intuições e orientações conciliares. Recebemos um património conciliar que nos honra e responsabiliza. Ele está vivo, mas só se for posto em prática.

António Marcelino

Demolir o Estádio Municipal de Aveiro?


Estádio Municipal de Aveiro


Quem se acusa deste erro estratégico?

A ideia de demolir o Estádio Municipal de Aveiro anda no ar. Não sei se bem se mal. De qualquer modo, a sua rentabilização tem de ser, penso eu, estudada com rigor, por gente que perceba dessas coisas do foro económico-financeiro, desportivo e social.
Esta questão vem, para já, demonstrar que o processo nasceu mal. Oportunismo para termos em Aveiro uns, poucos, jogos do Europeu de Futebol, e para o Beira-Mar utilizar. A megalomania também teria estado nisto tudo. Os jogos foram-se e o Beira-Mar sentiu-se sem a sua gente, na hora das competições. Disseram-me, há tempos, que nem dez por cento das bancadas são ocupadas, normalmente, nos jogos de um dos mais representativos clubes de Aveiro. E agora? Responda quem souber. Uma coisa já eu sei. Ninguém se acusa como culpado deste erro estratégico. Querem apostar?

FM

Santuário de Schoenstatt faz hoje 30 anos


Santuário de Schoenstatt



A importância das diversas expressões
de fé na Igreja é indiscutível

Permitam-me que sublinhe, hoje e aqui, a importância das diversas expressões de fé no seio da Igreja Católica. Ao contrário do que alguns pensam, elas não serão redutoras da fé em Jesus Cristo, antes ocupam uma posição catalisadora da dinâmica dessa mesma fé. Sendo, naturalmente, aprovadas pela própria Igreja, mais razões teremos para acreditar  no indesmentível contributo que Movimentos, Serviços, Obras, Institutos Religiosos e outras organizações oferecem ao mundo, como testemunhos de uma vivência centrada na Boa Nova de Jesus Cristo.
É certo que, por vezes, há desvios e comportamentos inadequados às orientações da Santa Sé, fruto, talvez, de um certo sectarismo ou de grande ignorância, quando os seus mentores se arrogam o direito de se considerarem os únicos detentores da verdade mais pura no seio da Igreja. Mas para esses, tanto quanto vou sabendo, os "visitadores" enviados pelo Papa se encarregarão de chamar à pedra os "iluminados". A Igreja Católica é só uma, a que assenta os seus alicerces na verdade revelada, configurada no Papa, qual guardião da fé.
O Santuário de Schoenstatt, que hoje celebra os seus 30 anos de existência, é um pilar do Movimento que por aqui se radicou há décadas e que tantas pessoas dinamizou para testemunharem a importância de se formar um homem novo para uma nova sociedade. Gente empenhada nos mais diversos campos do apostolado e da vida, gente que dá o rosto e a coragem para que haja uma fé mais esclarecida e dinâmica, gente que assume partilhar com o mundo, dos crentes e dos não crentes, valores que enformam comportamentos solidários e de amizade fraterna. Por isso, esta singela evocação.

Fernando Martins

Ler  a homilia do Bispo de Aveiro, proferida na eucaristia da peregrinação diocesana ao Santuário de Schoenstatt, que ocorreu no passado domingo.

Uma boa notícia para começar o dia, apesar do que diz Saramago



Robôt "Copista"

Já chegou a BÍBLIA para todos

"O projecto nasceu há 40 anos, demorou 20 a ser traduzido por católicos e evangélicos, e outros 10 de revisão. “A Bíblia para Todos”, ontem lançada, apresenta-se numa edição traduzida sem indicação de capítulos, versículos e notas explicativas. Mas dentro de dois meses, a mesma edição será enriquecida com capítulos, versículos, introduções e notas críticas.
Durante a sessão de apresentação, o escritor Francisco José Viegas lembrou que “a Bíblia como nós a termos aqui não é, ao contrário do que se disse nos últimos dias, um manual de costumes, não é um manifesto para mudar o mundo, não é um repositório de observações sobre política e sexualidade”.
“O mais importante nesta edição – acrescentou – é que se trata de um conjunto de narrativas que transitam de um povo errante para uma civilização que ocupou o seu lugar no mapa”.

Ler mais aqui

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Arco-Íris






Arco-íris


Hoje, a chuva voltou apressada e intensa, mas lá para o fim da tarde, deu-nos um ar da sua graça. A brincar às escondidas com o sol, proporcionou-me um espectáculo que reputo de rara beleza – o arco-íris!
Mal vi o céu verter para a terra a suas lágrimas redentoras e logo a seguir abrir-se num mar de luz, cogitei: estão aí as condições meteorológicas para o aparecimento do arco-íris!
Corri pela calçada, em frente da casa e observei, extasiada, a beleza sempre renovada deste fenómeno!
Durante anos, lidei todos os dias com o “Rainbow” e pensava para mim: quando irei ter o prazer de passar do livro, do compêndio que uso na aula, para o fenómeno atmosférico?
Hoje tive esse prazer concretizado e... como não quero a beleza toda para mim, venho partilhá-la com aqueles que, fechados no local de trabalho, não o puderam observar!
Agradeço ao Criador a dádiva desta maravilha!

M.ª Donzília Almeida

20.10.09

O FIO DO TEMPO: Informática, o novo poder




1. Não será novidade para quem diariamente, ou pelo menos para quem com alguma periodicidade precisa do uso das novas tecnologias, o facto de se sentir totalmente dependente diante de uma situação de problema informático em que não se sabe como agir. Para quem, porventura, mesmo após todas as buscas de mão especializada na área, perdeu algum trabalho importante de anos, meses ou semanas, a sensação de perda é inqualificável. Na procura de segurança a todo o custo, vão crescendo os discos externos, um, dois, três; diante de softweare bloqueado que impede o acesso a conteúdos para se poder trabalhar, sente-se a limitação do próprio tempo e das energias e tempo necessário para se recuperar as etapas perdidas, tão contado que tudo parece estar…

2. Se para alguns o uso das informáticas pode ser um dado acessório, para outros acaba por ser o trabalho diário. A internet veio acrescentar mais velocidade, o que resulta ainda em mais responsabilidade. Se existirão alturas em que pode ficar para os dias seguintes outras existem em que tal não pode acontecer; uma montanha de “lixo” informático vai invadindo o espaço pessoal e a pergunta sobre as seguranças e as privacidades, mesmo nos códigos de acesso, vai fazendo cada vez mais correr mais tinta. É de notícia recente não só aquele discurso sobre a segurança das tecnologias da presidência da república, como as inseguranças informáticas nos sistemas de justiça ou ainda nos múltiplos e complexos processos bancários. A “rede” onde o mundo acontece está em todo o lado e quando não se consegue aceder com fluidez e segurança a ela parece uma nova fuga ao mundo.

3. Se se falar na essência do poder, a partir das coisas diárias mais simples, então as tecnologias informáticas são um novo e fortíssimo poder, que quando não em ordem geram dependências de tal maneira que acabam por relativizar tudo o resto. Não é virtual esta ordem de poder; embora poderá transformar o essencial em acessório. Alerta!

Alexandre Cruz

AGROVOUGA' 09 : Feira Nacional do Bovino Leiteiro e Feira Nacional do Cavalo de Desporto - 21 a 25 de Outubro


Reis da Feira

Concursos, exposições de bovinos das raças autóctones portuguesas, mostra agrícola e industrial, jornadas técnicas e restaurantes de carnes certificadas portuguesas e cavalos de desporto, mais três dias com queijo, são os ingredientes para quem gosta de ver o nosso mundo mais ligado à terra, que muitos dizem estar em vias de extinção. Estará? Passe por lá para ver. 

Efeméride Aveirense: Liceu de Aveiro

1851 - 20 de Outubro

Nesta data, "Ficou definitivamente constituído o Liceu de Aveiro, como corporação docente, cuja acta de instalação já havia sido assinada em 14 de Julho anterior; instalou-se primeiramente no edifício do Paço Episcopal, sito na Rua dos Tavares".

Fonte: Calendário Histórico de Aveiro

O FIO DO TEMPO: Ao proclamado Diálogo!?


Diálogo de Harry Rosenthal

1. A inevitabilidade de se ter que se dialogar – quase que num à força político! – acaba por reduzir o diálogo a uma mera formalidade esvaziada de si mesmo. Cada um é como é, e não é a conjuntura numérica de actos eleitorais que altera a profundidade das atitudes humanas fundamentais. Talvez este usar as palavras mediante o jeito que elas dão às circunstâncias seja um reflexo do próprio enfraquecimento das lideranças. Esta lei que institucionaliza o vender gato por lebre chamando palavras afáveis em determinados momentos de aproximação estratégica sempre dá que pensar… Quando se viveu pouco o diálogo no passado recente (em que se podia tê-lo feito em liberdade) e agora se insiste em dialogar à força, é opção discursiva que não augura nada de novo, antes confirma o tempo precedente.

2. Um dos grandes filósofos do diálogo, Martin Buber (1878-1965) deve estar assustado! Compreenderá o esvaziar das palavras mas não o apagão da “ideia” da intersubjectividade dialogal. Buber, judeu de origem austríaca, filósofo, escritor e pedagogo de educação poliglota, via a experiência humana como a realização continua do diálogo. Viver é relacionar-se, diria Buber. E a verdade é que em momentos fundamentais da humanidade o “diálogo” foi estando como princípio fundante de novos caminhos que se procuram desenvolver. Viver o diálogo como e no “princípio” e não no fim, como se fosse um último recurso de sobrevivência, talvez seja esta uma recomendação bem-vinda, saudável e auspiciosa na procura de um envolvimento sempre mais abrangente. Até porque o isolacionismo, no “dia seguinte” faz morrer o seu próprio autor.

3. Não se duvide que diante de um mundo em profunda convulsão transformadora a atitude de diálogo só poderá ser crescente. Ela marca a diferença entre o apostar no futuro ou o fechamento do passado. O diálogo autêntico não reside em apagar-se a si mesmo ou às suas ideias, mas em partilhá-las na boa liberdade que edifique e (re)une…

Alexandre Cruz

Uma Boa Ideia para Portugal


Jardins de Schoenstatt

Texto enviado por Domingos Lopes
e reencaminhado pela  Margarida Bola 
aponta-nos um excelente desafio

Torna-se importante divulgar uma iniciativa civil para limpar o nosso país. Há um ano na Estónia a população conseguiu limpar o país num só dia. As pessoas tiveram força de vontade, organizaram-se, e a mobilização foi fenomenal! Quem ficou a ganhar foi o país.
O vídeo é impressionante:


Agora, em Portugal, foi lançado o mesmo desafio: "Limpar Portugal". Será no dia 20 de Março de 2010. Inscrevam-se e divulguem por favor:

Para ter um país mais limpo, organizado e com menos incêndios!

Para começar bem um dia de Outono




O sol despede-se lentamente nos dias cada vez mais breves de finais de Setembro. Esmaecem os doirados cabelos de Apolo. E as vinhas, os milheirais, os grandes plátanos dos jardins das cidades amolecem em tons amarelados e sanguíneos.

É o tempo das colheitas. Das vindimas e da apanha da fruta. Arrancam-se as batatas dos lameiros. Debulham-se os cereais. Descasca-se a amêndoa e secam-se os figos. A terra entrega generosamente ao homem o resultado do seu trabalho. Chegam as primeiras chuvas e despedem-se as aves migratórias. Límpidos horizontes. O mar, desocupado, exprime agora toda a brancura das suas ondas. Um cão vadio que corre atrás das gaivotas. Um par de namorados sentados na areia da praia. Avança o outono por Outubro. Desprendem-se as primeiras folhas. Pelos campos queimam-se as ramas secas. E o fumo levanta-se numa liturgia final de um ciclo que se encerra. Terminaram as últimas romarias do ano. Depois de Nossa Senhora dos remédios de Lamego, é a Feira das Colheitas em Arouca e S. Mateus em Viseu. Vem aí Novembro com as castanhas e o vinho novo. As árvores cada vez mais despidas. Os insectos entontecidos. E os primeiros frios de uma noite que se torna mais longa e ávida.

Revolvemos os armários em busca de roupa quente. O sono aumenta. Depois das beladonas, florescem os crisântemos e acorremos ao cemitério para recordar os nossos mortos. Chove muito. E lembro-me muito de ti ao cair da tarde. Não consigo evita este roxo, esta ansiedade, este advento que me conduz a Dezembro e ao nascimento de uma luz que auguramos desde o princípio do mundo.

Deslizamos por outono docemente e na verdade esta convulsão meteorológica e natural parece afinar-nos a sensibilidade. Os amanheceres breves e límpidos, com fiapos de nuvens avermelhadas atravessados pelo primeiro sol, são inesquecíveis, como aquela árvore cor de fogo, hirta e soberana que parecia reunir toda a luz do entardecer e que eu te pedi que fotografasses, naquela viagem para o longínquo norte.

Manuel Hermínio Monteiro (1952-2001)
Foto: BSPI/Corbis

Fonte: Umbrais

domingo, 18 de Outubro de 2009

Jornadas de Outubro no Centro Tabor do Movimento de Schoenstatt



Alexandre Cruz


Fronteiras abertas exigem
responsabilidades abertas


Integrada nas Jornadas de Outubro do Movimento de Schoenstatt, teve lugar no sábado, 17, no Centro Tabor da Colónia Agrícola da Gafanha da Nazaré, uma conferência sobre a Encíclica de Bento XVI, “Caridade na Verdade”. O conferencista convidado, Alexandre Cruz, doutorando em Ciências da Educação e Provedor do Estudante na Universidade de Aveiro, esclareceu que, ao olhar este documento pontifício, viu nele novos caminhos de Deus para enfrentarmos os desafios do futuro.

Depois de saudar o Movimento de Schoenstatt que está já a celebrar o Jubileu dos 50 anos da sua entrada em Portugal, Alexandre Cruz lembrou a universalidade da mensagem do Padre Kentenich, bem patente naquela “casinha de oração” que se habituou a ver desde há anos, o Santuário que é réplica do original, repetido em vários cantos do mundo, “neste tempo de globalização”.
“O mundo – referiu – é uma grande casa onde todos somos acolhidos e convidados a ouvir as vozes dos tempos e da própria Igreja, que actualiza, para cada época e situação, a melhor resposta às inquietações humanas.”
O conferencista frisou que o negativo, patente em todos os telejornais e noticiários, “não é o melhor caminho para o nosso mundo”, enquanto chamou a atenção dos participantes nas Jornadas para a necessidade de todos, em Igreja, “repensarmos a fé nos dias de hoje”.
A caridade de que Bento XVI nos fala, na encíclica “que irrita”, segundo o padre e poeta Tolentino Mendonça, não faz lembrar o passado, “cheirando a mofo”, mas torna patente “os valores da solidariedade em espírito divino”, na linha do amor proposto por São Paulo, para “tornar o mundo melhor”.
Alexandre Cruz disse que a “solidariedade é insolidária” quando esconde ou tem segundas intenções, sendo garantido que as pessoas “sabem distinguir o bem do mal. Urge, por isso, viver “uma fé pensada”, diferente naturalmente da tradicional, quantas vezes “sem sentido”.
“Caridade na Verdade”, a primeira encíclica do actual Papa dedicada à questão social, vem recomendar, a todos os católicos e a todos os homens e mulheres de boa vontade, que a Igreja tem de apresentar “um novo rosto para os novos tempos”, apoiando-se no princípio de uma “justiça do bem comum”, capaz de “gerar pontes de diálogo” entre todos os parceiros sociais e entre todas as pessoas.
“O que eu sou deve orientar o que faço”, na busca de novas soluções para as inquietações humanas, tendo em conta que “problemas globais precisam de respostas globais”, porque “o planeta não tem muros”, adiantou o conferencista.
Defendeu, seguindo o texto papal, que o “governo da globalização” deve fomentar o desenvolvimento, “dando a cada um o que lhe é preciso”. “Não se pode promover o desenvolvimento para, mas com…”, disse.
Considerando que “fronteiras abertas exigem responsabilidades abertas”, Alexandre Cruz mostrou como o desconhecimento das realidades pode “gerar a intolerância”, adiantando que a superação das fronteiras “é um dado não só material, mas cultural”.
Recordou que a maior herança que recebemos está centrada nos valores, os quais devem propor, a cada momento, “a colaboração fraterna entre crentes e não-crentes”, num trabalho conjunto “pela justiça e paz da humanidade”. “Se usarmos um diálogo beato com o mundo, ninguém nos ouve”, afirmou.
Garantiu que a razão é importante no diálogo com a fé e que os fenómenos das migrações precisam de atenções redobradas, tendo em consideração que o desenvolvimento humano tem de ser integral, apoiando-se na verdade e na caridade, que é amor recebido e dado.
“Sem Deus, o homem não sabe para onde ir e não consegue compreender quem é; temos de nos conhecer bem para descobrirmos os nossos caminhos de verdade”, concluiu Alexandre Cruz.

Fernando Martins

Ainda o Dia Mundial da Erradicação da Pobreza



Novas Oportunidades!



Um dia, em resposta à pergunta, se haveria alguém pobre na sua turma, a quem poderia ser dada uma peça de roupa que deixara de servir, ouvi dizer: sim, de espírito há muitos!
De facto, é esta a verdadeira e mais pungente pobreza pois reduz o ser humano a condições de indignidade e sujeição que chegam a ser aviltantes.
Ao longo da minha existência, tenho deparado com esta realidade, a que não se pode fugir pois não depende da vontade de ninguém nem sequer se pode culpar Deus por esta desgraça. O exercício das liberdades individuais conduz-nos, por vezes, a becos sem saída e muito constrangedores.
Quando era miúda, lembro-me dos pobres que andavam de porta em porta, a mendigar o pão-nosso de cada dia. Eram, essencialmente, homens que tendo caído nas malhas da solidão e abandono, quer por perda da família, quer por outras quaisquer circunstâncias, não tinham eira nem beira.
Hoje, em pleno século XXI, há muito mais pobres que antigamente e sobretudo na camada jovem da população. Que é esse enxame de arrumadores de carros, “profissão” inexistente no tempos da ditadura (seria por haver poucos carros e muito espaço para os estacionar?) que pulula nas nossas cidades e é um cancro a alastrar as suas metástases a todas as partes do país? As causas são múltiplas e não me cabe agora e aqui dissertar sobre o assunto.
No meu sector de actividade, não me parece que a política educativa esteja a fazer o melhor, no sentido de desenvolver os valores e os princípios que hão-de nortear os seus cidadãos como seres responsáveis, a serem homens e mulheres dignos, no amanhã.
A forma como se avalia o desempenho dos alunos, o facilitismo com que se transita de ano, o modo como é conduzido o processo ensino aprendizagem, não são de molde a formar cidadãos responsáveis! Premeia-se a preguiça, o laxismo, a irresponsabilidade!
Está agora, ainda de forma titubeante a ser restaurado o ensino técnico-profissional, que teve o seu sucesso e apogeu na época da outra senhora, apesar de todas os defeitos apontados ao regime.
Para progredir e proporcionar um bom nível de vida aos seus cidadãos o estado deve investir na educação e desenvolver políticas educativas conducentes a um real sucesso. Uma população bem instruída, com um nível de formação e literacia satisfatórios será um povo preparado para enfrentar os desafios duma civilização moderna.
Um dos erros de que enfermou a ditadura, na pessoa de Salazar, foi o obscurantismo em que manteve o povo, que desta forma, ignorante, analfabeto, não tinha meios para reivindicar melhor nível de vida. O poder mantinha-se, com um povo submisso, que não levantava a voz.
Sempre ouvi dizer que em vez de darmos o peixe que nos pedem, devemos ensinar a pescar! Assim, numa visão mais dilatada das coisas, preparamos o pedinte, o necessitado a angariar o seu próprio sustento! Emancipar um povo é dar-lhe a cana de pesca, os meios e as competências, não o peixe frito numa côdea de broa!
Deveria ser assim a forma de actuar do governo! Dar às pessoas os meios para não caírem na dependência, na indigência e na mão aberta à esmola! Ensinar os cidadãos a pescar é muito mais construtivo e libertador do que sujeitá-los à indignidade dum R.S.I. Estão aí as Novas Oportunidades!
Responderá o Governo, na sua peculiar aleivosia!
Qualquer estado, que se preze, promove a emancipação dos seus cidadãos, criando estruturas e desenvolvendo políticas que conduzam ao bem-estar individual e colectivo.
É para isso que se fazem eleições e que se pede ao povo que escolha os seus representantes. Estarão eles à altura da confiança que neles é depositada?
Fica a pergunta no ar!

M.ª Donzília Almeida
17.10.09

Pergunta de Bento Domingues no Público de hoje: Casamento católico em vias de extinção?

1.O alarme foi dado pelos meios de comunicação social baseado em dados estatísticos: em 10 anos, na diocese de Lisboa, os casamentos católicos baixaram 62%. Observaram-me que, se este ritmo se mantiver, em poucos anos, deixará de haver divórcios de casais católicos e um tema recorrente nestas crónicas – a situação dos divorciados na Igreja – também estará esgotado. É melhor, no entanto, não fazer previsões.


Ler todo o texto aqui

Saramago lê a Bíblia, mas...

No melhor Nobel cai a nódoa

José Saramago lê a Bíblia - e isso é uma boa notícia, porque a Bíblia é grande literatura, como sabe qualquer pessoa culta, mesmo quando não se é crente; e é um texto que acompanha a história da humanidade, através da poesia, da história, das parábolas.

Leiam aqui António Marujo

O Fio do Tempo: Não simplificar o que é complexo




1. Decorreu a 15 de Outubro na reitoria da Universidade de Lisboa o Colóquio Crise de Civilizações – Ciclo de Reflexão sobre grandes temas da actualidade. Especialistas nacionais de vários âmbitos abordaram a questão de fundo das civilizações ao longo dos tempos e a pertinência de nos dias de hoje serem relançadas um conjunto de questões que procurem clarificar ideias em ordem a iluminar as práticas. Muitos autores reconhecidos ao longo dos séculos procuraram compreender toda a rede de interacções filosóficas, sociais e culturais de modo a se poder atribuir a noção de civilização. Não sendo a questão totalmente pacífica, poder-se-á dizer que da antiguidade até à actualidade, muitas civilizações portadoras de um conjunto identificado de valores, princípios e práticas foram existindo.

2. Lançar hoje o olhar sobre as civilizações, para algumas visões menos procuradoras da verdade da humanidade, até poderá parecer arcaico, não fazendo sentido. O certo é que cada ano que passa o assunto vai em crescendo e também as conjunturas de crise social reforçam a pertinência de se pensar sobre as civilizações. São hoje várias as obras que ora anunciam o fim da história e a crise da civilização humana ora procuram mergulhar nas raízes do Ocidente, querendo atribuir à civilização ocidental desígnios de superioridade comparativamente a outras quer de hoje quer de outros tempos. Essas obras que recentrem o pessimismo ou afirmem um pretensiosismo não conseguem manter o equilíbrio em terrenos tão delicados. Considere-se que nem o ocidente actual é o melhor nem o pior dos mundos e a atribuição contínua de “crise” também manifestará esse travão do comodismo delicioso que estagna.

3. Não será novidade, mas um alerta vindo de quem estuda estas matérias: a responsabilidade das comunicações sociais é vital. É grave, no que às culturas, civilizações e religiões se refere, observar-se tantas vezes tratamentos tão simplistas sobre matérias essencialmente complexas. Sinal (menor) de civilização?!

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 153

BACALHAU EM DATAS - 43


Inácio Cunha


VAI EM NOME DE DEUS... E DO ESTADO NOVO!

Caríssimo/a:

1945 - «Fruto do plano de construção de navios-motor de madeira, foram lançados à água, no ano de 1945, ao navios do “tipo CRCB”: CAPITÃO FERREIRA, JOÃO COSTA, INÁCIO CUNHA, LUTADOR, ELIZABETH e ANTÓNIO COUTINHO, construídos pelos irmãos Mónica , na Figueira da Foz e na Gafanha da Nazaré, aos quais se juntariam unidades de características diferentes – o lugre-motor VIRIATO, e os arrastões em ferro e a motor JOÃO ÁLVARES FAGUNDES e PEDRO DE BARCELOS, saídos das carreiras dos estaleiros da CUF.» [Oc45, 113]

«Depois de um interregno em que os dois estaleiros de Manuel e António Mónica se dedicaram a outro tipo de construções em madeira e aço, em 1945 voltam a inserir-se no plano de renovação da frota, mais concretamente na construção de navios-motor do “tipo CRCB”. Em Abril desse ano, desceu as carreiras do estaleiro de Manuel Maria Mónica, o INÁCIO CUNHA, encomendado pela empresa Testa & Cunhas. Foi considerado pelo Diário de Lisboa como um navio “de linhas elegantes, a mais sóbria unidade construída nos estaleiros Mónica”. O INÁCIO CUNHA foi o primeiro navio do “tipo CRCB”, na linha do COMANDANTE TENREIRO e BISSAYA BARRETO (construídos em 1943, por Benjamim Mónica nos estaleiros da Murraceira), dentro do plano concebido pelo Ministério da Economia, a possuir dois castelos (elevações sobre o convés) e mastros de aço, o mais completo até então construído em madeira. Possuindo os aperfeiçoamentos mais modernos, incluindo telegrafia e telefonia, todas as comodidades e sistemas de segurança foram contemplados para os 63 marinheiros. Dispondo de 53 m de comprimento e de um motor de 535 CV, deslocava 950 t, a capacidade de carga atingia as 720 t de bacalhau, o convés era duplo e estava provido de um castelo para arrumação dos dóris.» [Oc45, 117 e 118]

«Decorria ainda o ano de 1945 e um outro elemento da família Mónica, Alberto de Matos Mónica, lançava à água, nos seus próprios estaleiros, o VIRIATO, sob encomenda dos Armazéns Luís da Costa & C.ª L.da, de Lisboa. Deslocava 900 t, tinha 52 m de comprimento, estava dotado de um motor de 480 CV e de todos os requisitos modernos.» [Oc45, 118]

«A 20 de Dezembro de 1945, efectuou-se o bota-abaixo destes dois navios onde o mestre construtor naval Benjamim Mónica foi auxiliado, devido às más condições climatéricas, pelo seu irmão Manuel Maria Bolais Mónica. Ao cortar o cabo do JOÃO COSTA, o Comandante Henrique Tenreiro não hesitou em bem-fadar o navio: - “Vai em nome de Deus e do Estado Novo”. As novas unidades chamar-se-iam CAPITÃO FERREIRA e JOÃO COSTA, a primeira para a Atlântico Companhia Portuguesa de Pesca, L.da e a segunda para a Sociedade de Pesca Luso-Brasileira, L.da. A sua construção foi iniciada após o bota-abaixo dos barcos BISSAYA BARRETO e COMANDANTE TENREIRO. Estas duas novas unidades tinham cerca de 53 m de comprimento, deslocavam 1500 t brutas cada e possuíam motores ingleses de 660 CV. Perante os resultados auspiciosos obtidos com estas quatro unidades, os agora Estaleiros Navais do Mondego, L.da, cujo accionista principal era a Lusitâinia Portuguesa de Pesca, e como gerente técnico Benjamim Mónica, podiam alargar a sua esfera de acção, tanto mais que possuíam licença para construções em ferro desde 1943.» [Oc45, 116]

Manuel

Para um domingo com a natureza



A natureza, com toda a riqueza que encerra, clama pela nossa atenção. Passamos a correr, é certo, mas se ao menos olharmos à volta damos conta de caprichos dignos de admiração. Vejam só as voltas que o arbusto deu para encontar cama para se deitar. E depois, acordando, procurou a luz que dá viço à vida.

sábado, 17 de Outubro de 2009

Dia Mundial da Erradicação da Pobreza





Olhando o mundo sob o ponto de vista pessimista, quase temos a certeza de que é impossível erradicar a pobreza do globo. Sob o ponto de vista optimista, é garantido que, se todos quiséssemos, tal desiderato estaria ao alcance da humanidade.
Desde os primórdios das civilizações que a pobreza acompanha, como sombra, os homens e mulheres de todos os tempos. Dizem uns que pelas condições naturais, pelas guerras, pela má cabeça de muitos, por haver homens que são lobos do próprio homem. Há inteligências capazes de criar riqueza, há pobres que se acomodam à servidão, há senhores que escravizam seres humanos, há doenças e incapacidades que não dão margem aos sonhos de muita gente.
Contudo, a questão da pobreza, de que tantos falam mas poucos se esforçam por contribuir para a sua erradicação, abordada continuamente em todo o lado, ainda está aos olhos do mundo, como desafio a uma globalização da solidariedade. Mas como assumi-la, se os egoísmos persistirem nas pessoas e nas sociedades, mais preocupadas em fitar apenas o próprio umbigo?
Talvez, como recomendava Madre Teresa, tudo seja possível, se partilharmos do que temos, cada dia e cada hora, com os pobres que formos encontrando nos caminhos da vida. Haverá coragem para isso?

FM

Pecado original e política


Mistério de uma liberdade
humana ferida

Já várias vezes tentei aqui explicar que o chamado pecado original tal como habitualmente é interpretado - um pecado de Adão e Eva, de origem sexual e transmitido sexualmente - foi sobretudo obra de Santo Agostinho e não tem raiz bíblica.

Mas há uma verdade no pecado original: quer referir-se ao mistério de uma liberdade humana ferida. Porque é que a vontade não é sempre boa? Há um lado obscuro da liberdade. Somos seres morais, mas não fazemos sempre o bem, de tal modo que R. Niebuhr afirmou que o pecado original é a única doutrina cristã empiricamente verificável. E o filósofo agnóstico M. Horkheimer também disse que era um dogma que ele aceitava.

Três impulsos fundamentais movem o ser humano: o prazer, o ter e o poder. Provavelmente, o mais forte e abrangente é o do poder, de tal modo que Adler poderá ter mais razão do que Freud. No limite, o homem sonha com a omnipotência, porque ela o libertaria da morte, e aí está a razão por que o poder é a tentação maior. Como escreveu E. Canetti, "Dos esforços de uns tantos para afastar de si a morte surgiu a monstruosa estrutura do poder. Para que um só indivíduo continuasse a viver, exigiu-se uma infinidade de mortes. A confusão que surgiu disso chama-se História".

Nunca estaremos suficientemente gratos aos gregos pela invenção da democracia, segundo a qual todos os cidadãos têm direitos políticos iguais. Ninguém está acima da lei, que deve ser obedecida por todos. Que mandem todos não é natural. Natural é que mandem os mais fortes, os mais espertos, os mais ricos, os que estudaram mais, os astutos, os santos. Como escreveu Fernando Savater, "que o poder seja coisa de todos, que todos intervenham, falem, votem, elejam, decidam, tenham ocasião de equivocar-se, procurem enganar ou permitam que os enganem, protestem... isso não é coisa natural, mas um invento artificial, uma aposta desconcertante contra a natureza e os deuses. É uma obra de arte. Os gregos foram grandes artistas: a democracia foi a obra-prima da sua arte, a mais arriscada e inverosímil, a mais discutida".

A política é actividade nobre e são de saudar sempre aqueles que generosamente se entregam à causa pública. Mas há a advertência de Churchill: "A democracia é a pior forma de governo, exceptuando todas as outras." Também para avisar que não é perfeita e que tem defeitos. A ameaça maior é o poder e o seu exercício.

Afinal, o que fará correr tanto tantos políticos? Lá andam eles e elas a palmilhar o país de cima abaixo, de lés a lés. Dormirão bem e o suficiente? Têm de ouvir o que ninguém gosta. Beijam quem lhes não agrada, enrugadas e mal cheirosas. Apertam mãos sujas. Nas famosas arruadas - que palavra que tão mal soa! -, esbanjam sorrisos, têm de sorrir, sorrir sempre, mesmo sem vontade. Têm de fazer promessas que sabem não poder cumprir. Em vez de esclarecerem os cidadãos, tentam tantas vezes enfeitiçá-los com discursos de sofistas. Claro que a política também é jogo, mas há tanta intriga e inveja e cilada que o espectáculo é, por vezes, pícaro e deplorável...

O poder traz prestígio, mesmo que suposto. E benesses de todo o género. E sedução e luxos e exposição e fama. E precedências e continências nas paradas e guardas de honra. E dinheiro e convívio com os grandes deste mundo. E a ilusão de que se deixa uma marca na História. E a imposição da própria vontade. E a aparência da imortalidade pelos feitos. O poder - quem o repetiu foi um político nosso, famoso - é o maior afrodisíaco.

Não é sempre assim, mas o perigo espreita. O risco é servir-se em vez de servir. Ou servir alguns apenas e não o bem comum. Corromper e deixar-se corromper. Não respeitar a separação de poderes e, concretamente, a independência do poder judicial. E que acontecerá quando o poder, mesmo conquistado legitimamente, se exerce sem competência intelectual, moral e técnica?

A tentação é tamanha que mesmo na Igreja se esqueceu a revolução única do cristianismo: Deus não se revelou como omnipotência abstracta, mas força infinita do amor criador. E Cristo disse: "Não vim para ser servido, mas para servir."

Anselmo Borges

In DN



Uma boa notícia para começar o dia: Portugal recebe primeira edição literária da Bíblia



Evangélicos lêem mais a Bíblia

"A Sociedade Bíblica vai anunciar uma nova tradução da Bíblia, inédita em Portugal: pela primeira vez, estará disponível uma edição literária, isto é, sem indicação de capítulos, versículos ou subtítulos. Esta edição, preparada por uma equipa de tradutores católicos e protestantes, será apresentada a 20 de Outubro pelo escritor Francisco José Viegas. A comercialização será feita pelo Círculo de Leitores e Temas e Debates.

Na mesma ocasião, serão apresentados os resultados de uma sondagem inédita sobre a leitura da Bíblia em Portugal. De acordo com alguns dados a que o Público teve acesso, quase toda a população (mais de 97 por cento) conhece a Bíblia. No que toca à leitura, quase dez por cento já leram o texto integral, enquanto 90 por cento dizem ter lido passagens soltas.
As categorias que menos lêem a Bíblia são os católicos não-praticantes e os ateus. Dez por cento dos que responderam ao inquérito consideram-se ateus e agnósticos. Entre estes, nove por cento de ateus e seis por cento de agnósticos não conhecem a Bíblia e manifestam resistência à ideia de conhecer o texto. Os que mais lêem estão entre os protestantes/evangélicos e as Testemunhas de Jeová - em conjunto, são 2,3 por cento da população, mas todos leram a Bíblia e quase todos têm um exemplar."

Ler mais aqui


sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Dia Mundial da Alimentação




An Apple a day, keeps the doctor away!


Hoje, dia 16 de Outubro, comemora-se o Dia Mundial da Alimentação. Uma data para reflectir e é bom que faça gerar alguma controvérsia, entre as pessoas.
Por ironia do destino, ao chegar ao local de trabalho deparei com um acréscimo de iguarias, no bar, constituídas por doces suculentos e apelativos. Não que houvesse qualquer intencionalidade de contrariar os objectivos pedagógicos da efeméride, mas simplesmente como resultado do sentido de partilha que se vive na Escola. Ainda não percebi muito bem, ou talvez não queira aprofundar a questão, do motivo, pelo qual os aniversariantes, festejam a alegria, do dom da vida, com os famigerados bolos de aniversário, ou outros de qualquer espécie!
Por que não oferecer uma cenoura, que contendo caroteno, contribui para embelezar os olhos, tão do agrado das senhoras? Um tomate, cujo componente licopene, antioxidante, combatendo os radicais livres, mantém a juventude das células por mais tempo? Uma maçã, que segundo a tradição, comida à razão de uma por dia, afasta o médico? (An Apple a day, keeps the doctor away!) Tudo isto seria a alternativa ao consumo excessivo de glicose e contribuiria para uma vida mais saudável. Mas.....ninguém tem esta ideia peregrina de ser vegetariano, no dia do seu aniversário!
É um hábito salutar nesta instituição de ensino, a partilha da alegria da comemoração, consubstanciada numa fatia de bolo! Hoje, que todos deveríamos comungar do desiderato de viver + saúde, ninguém se absteve de degustar o sabor excelente da dádiva dos colegas. Por que será que a doçura vem indelevelmente associada à alegria, à felicidade? Amarga, já basta a vida! - dizem alguns! Por isso, o sweetheart inglês, traduz bem essa interligação entre dois prazeres diferentes: o físico e o espiritual! Andam de braço dado, como os amantes!
No entanto, isso não impediu que uma reflexão pairasse na minha mente sobre os desequilíbrios que existem no planeta terra, no concernente ao tema. Durante o dia de hoje, fui bombardeada com notícias sobre o factor obesidade que engrossa os seus números, especialmente no grupo da infância /juventude.
Ainda recordo as cenas que pela vida fora tenho observado, dos malabarismos que as jovens mamãs fazem para “enfiar” a sopinha aos seus rebentos, quando eles fazem birra e rejeitam o alimento. Desde as “aterragens” forçadas dos aviões na careca dos avôs, dos passeios pelo quintal, distraindo as adoráveis criancinhas, como se estivessem a infligir-lhes algum suplício (Comer para elas parece que é!), até às mais estranhas cenas de persuasão e ou intimidação, tudo acontece para dar de comer a quem não o quer!
Do outro lado está essa multidão de crianças e adultos, que morre à fome e não tem uma côdea de broa para mitigar a fome. É revoltante, chocante e deprimente constatar esta discrepância entre a abastança de alguns que engordam desmesuradamente e aqueles que numa subnutrição escandalosa, definham e morrem à míngua.
As desigualdades sempre me fizeram pensar e sofrer, pois há crianças que são vítimas inocentes da má distribuição da riqueza.
E......há muita gente que come mal, muito mal, por excesso e falta de critério de escolha, basta relembrar os malefícios do fast food; outros sem possibilidade de escolha não têm uma migalha para deitar à boca! Esses nem sequer comem!
Estranha esta injustiça humana, que não pára de crescer! Ainda há pouco tempo circulava na net, a imagem cruel duma criança desnutrida, a sucumbir à fome e a ser cobiçada pelas garras de um abutre!
Era bom que os detentores do poder fizessem alguma coisa para minorar estas diferenças e atenuassem o sofrimento dessas crianças. Há muito ainda por fazer e que urge ser alvo de consideração.

M.ª Donzília Almeida

16.10.09

COLÓQUIO: Falas do Mar / Falas da Ria




O Colóquio “Falas do Mar / Falas da Ria” resulta de uma colaboração entre o Instituto de Estudos de Literatura Tradicional (IELT) da Universidade Nova de Lisboa – com especial relevo para os projectos “Falas da Terra: Natureza e Ambiente na Tradição Popular Portuguesa” e “Práticas da Cultura” – , o Museu Marítimo de Ílhavo e o Centro de Estudos Interculturais (CEI) do Instituto Politécnico do Porto.
“Falas do Mar / Falas da Ria” é dedicado a todo o riquíssimo património oral, literário, documental, pictórico, fotográfico e multimédia existente – do passado e do presente – sobre as práticas culturais, representações, valores, comportamentos, simbologias e discursos ligados ao Mar em geral e à Ria de Aveiro em particular.
A perspectiva interdisciplinar deste Colóquio conta com a contribuição de investigadores, criadores e narradores capazes de encetar uma busca comum e comparada do conhecimento, com a preocupação de ligar a investigação bibliográfica e multimédia à experiência de vida e do terreno.
Ciente de que as comunidades do Mar e da Ria organizam o seu quotidiano em diálogo constante com o meio circundante, este Colóquio explora o modo como a tradição canta, conta, simboliza, representa, desenha, transfigura, questiona e perpetua essa interacção, tanto no real como no imaginário.
As rotas desta navegação pelas Falas do Mar e da Ria passam pelos usos da memória, pelas histórias de vida, processos artísticos e sociais, hábitos de trabalho e mobilidades, tempos, territórios, identidades, cerimónias, técnicas e rituais. Viaja entre - e intra-culturas, não só no espaço e no tempo, mas também entre os diversos conceitos de cultura. Um projecto inter/intracultural coordena em si as leituras plurais do termo, incluindo desde a cultura popular, a cultura de massas e as definições sócio-simbólicas da cultura, até à cultura erudita, académica e institucional. Para que a viagem do conhecimento possa seguir rumos por todos navegáveis, sem se perder nos meandros do hermetismo erudito.

Contactos:
Museu Maritimo de Ílhavo www.museumaritimo.cm-ilhavo.pt - museuilhavo@mail.telepac.pt
Av. Doutor Rocha Madail, São Salvador, Ílhavo - 234 329 990
IELT/FCSH/UNL www.ielt.org - instielt@gmail.com
CEI / ISCAP / IPP www.iscap.ipp.pt/~cei - cei@iscap.ipp.pt

Fonte: Texto promocional do Colóquio

No Museu Marítimo de Ílhavo: Humanismo cívico e horizontes universais em Camões



José Carlos Seabra Pereira, catedrático da Faculdade de Letras da Universiadade de Coimbra, vai estar em Ílhavo no próximo dia 24 de Outubro, sábado, pelas 18.30 horas,  no museu, para proferir uma conferência, subordinada ao tema Humanismo cívico e horizontes universais em Camões, inserida nas comemorações  do 8.º aniversário da ampliação e remodelação do Museu Marítimo de Ílhavo. A iniciativa é da Câmara Municipal e da Confraria Camoniana de Ílhavo.

A falta de cinemas na Gafanha da Nazaré

Ao ler o artigo do meu amigo Fernando Martins (FM) sobre o lançamento do CD de Jacinta e o facto de não existir na Gafanha da Nazaré um espaço onde se possa ver cinema trouxe-me à memória vários episódios que devem pôr FM e os seus leitores de sobreaviso.

Nos meus tempos de Coimbra existiam na cidade quatro salas de cinema e todas elas concorriam entre si e raro era o fim-de-semana em que as salas não estavam esgotadas. Isto, é claro, porque não existia a televisão e mesmo no início tudo decorria com normalidade.

Em Aveiro havia quatro salas também sempre com boa frequência e em Ílhavo havia um cinema que, segundo os naturais da época, dava para as despesas, além de cinema no Illiabum Club.

O mundo não pára e, em Coimbra, neste momento, das quatro salas, só existe uma, além, é claro, das salas dos Centros Comerciais, que pertencem a grupos privados internacionais. O mesmo acontece em Aveiro, e em Ílhavo acabaram, à excepção de, recentemente, existir cinema no CCI, com filmes que estão actualmente no circuito comercial.

Mas, segundo FM, devia ser a iniciativa privada a dinamizar um cinema na Gafanha da Nazaré. Desculpa, amigo, mas é pura demagogia e isto porque, quem é o empresário que investe para perder dinheiro? Ou será que passados uns dias estaria a pedir subsídio à Câmara, porque estava a prestar um serviço público como algumas instituições privadas têm feito?

Aveiro com dois espaços onde existem várias salas, com sessões em que não há ninguém nas salas. Em Ílhavo, e segundo a minha observação, em média são 10 a 20 espectadores por sessão e, volto a repetir, em filmes actuais.

Estas observações fazem-me lembrar um responsável partidário do Concelho que um dia me diz: Não vou e não aconselho ninguém a ir a manifestações sejam quais forem, que, de alguma forma, possam aumentar a estatística de realizações do actual executivo camarário. E, FM, não é que é mesmo verdade!

Sou visitante do Museu de Ílhavo, da Biblioteca e do CCI. Pois bem, há gente de Ílhavo que eu conheço que, nestes 12 anos, nunca foi a estes espaço de cultura, mesmo quando há grandes manifestações culturais, acontecendo muitas vezes estar mais gente de fora do que residentes na cidade.

Como podem os privados ganhar dinheiro com a cultura?

Aproveito para te sugerir que publicites no teu blogue os filmes que decorrem no CCI. É uma forma de contribuíres, ou melhor, de continuares a contribuir para a cultura desta região que, por vezes, é tão maltratada pelos seus “naturais”.

C. Duarte

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

A minha resposta

Meu caro Carlos Duarte

Não queiras, por favor, retirar-me a capacidade e o direito de sonhar e de acreditar que os privados também podem e devem investir na cultura, sem pensarem sempre no (malfadado) lucro. Estás a pensar, se calhar, nos pobres privados que mal ganham para comer. Há por aí empresários com muita capacidade, que bem podiam tornar-se nuns mecenas. Mas se não houver, paciência… Pode ser que um dia isso possa acontecer. Sobretudo se por algum passar um raio luminoso e inspirador de valores mais altos, para além da conta no banco.

O cinema é uma extraordinária fonte de cultura, considerada até a sétima arte. Nessa linha, por exemplo, seria interessante que o Centro Cultural da Gafanha da Nazaré passasse a oferecer cinema de qualidade algumas vezes por mês.

Afinal, as muitas salas de cinema dos centros comerciais, onde tenho ido, ainda não fecharam, apesar de terem sessões com apenas meia dúzia de pessoas. E se assim é, temos de crer que é possível haver cinema para quem quiser, com regularidade. Aliás, disseste que a concorrência, em Coimbra, ajudou a encher salas aos fins-de-semana. Em Ílhavo, como não havia concorrência e a sala não era grande coisa, teve logicamente de fechar.

Acredito que toda a actividade, cultural ou outra, pode sobreviver com projectos concebidos e desenvolvidos com apoio de especialistas, à altura de criarem estruturas rendíveis. Não sou eu nem tu, certamente, que vamos pensar em projectos económico-culturais, mas não posso deixar de imaginar que outros o possam fazer. O cinema de hoje não precisa de salas grandes e de despesas incomportáveis, penso eu. E podiam, com sentido de oportunidade, ser aproveitados espaços polivalentes e funcionais, abertos a várias vertentes artísticas e com promotores à altura. Como está a acontecer com bastantes Centros Culturais do país. Tal como em Ílhavo. E neste caso, ainda não ouvi a nossa autarquia a queixar-se com falta de clientes da cultura. O cinema, sozinho, não será economicamente atraente para os empresários. Mas não seria viável associar um conjunto de artes compatíveis, de forma a que o prejuízo de umas fosse coberto pelo lucro de outras?

Sobre a participação do povo nos espectáculos, concordo que não está muito bem. Há gente que prefere ficar pelos cafés e em casa a ver a triste televisão que temos; há gente que gosta mais de frequentar bares, à noite, para beber uns copos (direito, lógico, que lhes assiste), do que ir ao cinema. Há quem prefira ler e escrever, pintar ou ouvir música. Neste momento, por sinal, estou a ouvir a Antena Dois… É quase meia-noite. Mas se o cinema ainda mantém o seu mistério e a sua actualidade, que a todos fascinam, então podemos e devemos sonhar, coisa que não faz mal a ninguém. Eu, pelo menos, continuarei a sonhar, porque o sonho, tenho a certeza, comanda a vida, como diz o poeta.

Quanto às divulgações que faço, daquilo que considero importante, cá continuarei, apesar de não ter muito tempo para isso. Se calhar, talvez devesse sair um pouco mais de casa, para ir ao cinema. Pode ser que amanhã o faça, se houver filme que me cative. Em Aveiro, claro, porque na cidade da Gafanha da Nazaré não há salas de cinema.

Um abraço, sem demagogias

Fernando Martins



quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

Mais um Livro de Aida Viegas



Só a arte de viver
nos proporciona o equilíbrio

“Rios de Fogo e Madrugadas de Luz” é mais um livro de Aida Viegas, que vai ser apresentado no sábado, 24 de Outubro, pelas 16 horas, no Espaço Museu da Sé de Aveiro. A sessão terá animação musical do Grupo de Bandolins da Academia de Saberes.

Mais um livro de Armor Pires Mota


“Igreja de Oiã
no altar da memória”

“Igreja de Oiã no altar da memória”, a mais recente obra de Armor Pires Mota, irá ser apresentada, quarta-feira, 28 de Outubro, dia de São Simão, Padroeiro da Freguesia de Oiã, por D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro.
É um completo e rigoroso registo documental sobre a Igreja Matriz, Igreja-Mãe da Freguesia de Oiã. O esforço de recolha documental foi ao ponto de o autor ter conseguido reconstituir a listagem dos párocos de Oiã durante três séculos, acompanhada de pequenas biografias.
Esta é uma obra para nos lembrar o importantíssimo papel que a Igreja, nas terras de Oiã, tem desempenhado na salvaguarda do seu património que, no fundo, também o é de todos nós.
Esta obra literária é apenas mais uma contribuição a juntar a uma vastíssima bibliografia que faz de Armor Pires Mota o autor desta terra (e da Bairrada) mais produtivo das últimas décadas e dos seus escritos matéria incontornável para quem queira saber algo da história, da cultura ou do património oianense e concelhio.
“Igreja de Oiã no altar da memória” foi oferecido na sua totalidade à Fábrica da Igreja Paroquial de Oiã pelo autor e a receita das vendas reverterá a favor do Museu Paroquial.
Depois da celebração da eucaristia, pelas 20 horas, presidida pelo Bispo de Aveiro, seguir-se-á a apresentação do livro por D. António Francisco, que prefaciou a obra, no Centro Paroquial.

 

O FIO DO TEMPO: A inquietude de Saramago(s)



Saramago

1. Logo que no ano 2005 saiu a obra As Intermitências da Morte do escritor José Saramago, veio a claro a inquietude de não deixar indiferente a questão do sentido da vida e do destino humano para além do visível. A frase inicial dessa obra é lapidar: «No dia seguinte ninguém morreu…». Abre, assim, uma ampla reflexão sobre a vida e a morte, o vazio ou o sentido da existência. Haverá que ter olhos para ler e compreender Saramago, particularmente nestes últimos anos. Todos os autores têm tantas fases literárias como etapas humanas de sua reflexão e mesmo filosofia de vida. Ninguém duvida que na fase da inteira autonomia humana, na época de todas as forças físicas pessoais e da lucidez mais apurada um certo “super-homem” se pode apoderar de si mesmo gerando ideias de dar valor absoluto ao que é só humano…

2. Foi tornado público nestes dias o último passo do escritor. Por trás de tantas críticas que faz ao fenómeno da religião (há que saber ter olhos para as entender, contextualizar nos vazios da própria vida existencial de quem escreve e não se deixar conduzir ou iludir…), a verdade é que Saramago continua, mesmo com linguagem de “combatente”, a não deixar o infinito indiferente. A obra Caim (2009), na qual Deus é uma das personagens principais, continua na generalidade a culpar Deus pelos males do mundo… Não sabendo separar as águas pela superficialidade onto-teológica, continua a confundir quando deduz o todo pela parte… Culpar Deus diante do mau uso das liberdades humanas é conclusão precipitada que nos tempos actuais resulta como sedutora mas desconstrutiva.

3. Desde os tempos mais antigos da Humanidade e em todas as religiões que a “conversa” com Deus tem muitos caminhos… Duvidar, dialogar, debater (como Job, AT) é assumir a presença do Outro. Já a indiferença é o pior dos males. Ainda que a linguagem o atrapalhe na produção daquela literatura tipo Dan Brown ou que a ideologia da história de vida aprisione o “sentir”, a verdade é que a inquietude persiste. Infinita paciência de Deus!


Um Livro de Teresa Reigota




“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”


“Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo” é um livro de Teresa Filipe Reigota, natural da Gafanha da Nazaré e residente na Gafanha da Boavista, S. Salvador. Gafanhoa de gema, como gosta de afirmar, esta professora aposentada tem uma indesmentível paixão pela etnografia.
Com seu marido, o também professor aposentado João Fernando Reigota, funda o Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, em 1984. O envolvimento nas tarefas de recolhas, pesquisas e estudos, levou-a a sentir a necessidade de preservar e divulgar os usos e costumes das gentes que a viram nascer e das quais guarda gratas recordações. Assim nasceu o livro “Gafanha… O que ainda vi, ouvi e recordo”, que vai ser lançado no dia 24 de Outubro, sábado, pelas 21 horas, no Centro Cultural de Ílhavo, em cerimónia que encerra as celebrações das Bodas de Prata do Rancho Regional.
Sobre este livro pronunciar-me-ei numa outra altura, pois considero importante não só manifestar a agradável impressão que a sua leitura me suscitou, mas também estimular a nossa juventude para que se embrenhe nestes estudos, fundamentais à cultura da identidade do povo que somos e que queremos continuar a ser, sobretudo no que diz respeito à manutenção dos valores que enformam a nossa sociedade.
Garanto, aos meus amigos, que a leitura deste trabalho da Teresa Reigota, inacabado como todas as obras do género, suscitará em cada um a revivência de estórias iguais ou semelhantes às que a autora agora nos oferece. E como recordar é viver, estou em crer que todos aceitarão a minha proposta.

Fernando Martins

Comunhão e pluralismo na igreja



Concílio para limpar
o rosto da Igreja


Os meios de comunicação social falaram largamente da intervenção do Cardeal José Policarpo, no Simpósio do Clero. Alguns viram nas palavras proferidas uma clara advertência a bispos e padres quando, na Igreja, expendem opiniões que põem ou podem bulir com a unidade, a comunhão e a aceitação do magistério do Papa.

Não está em causa que a unidade da fé, a comunhão na caridade e a adesão fraterna ao Sucessor de Pedro são elementos fundamentais para a vida da Igreja de Cristo. Também não está em causa que defendê-las e estimulá-las é missão diária do bispo e, logicamente, dos seus mais imediatos colaboradores, os presbíteros. No entanto, é necessário que, ao mesmo tempo, se tenha presente que, na Igreja, não há só verdades intocáveis, mas há, também, um espaço de liberdade de opinião, aceite e recomendado, para saber interpretar e estimular a vivência, à luz da realidade, pessoal e social, das verdades de sempre. A leitura dos sinais dos tempos, recomendada pelo Vaticano II, não é privilégio, direito ou dever da hierarquia, mesmo entendendo esta, como deve ser, um serviço permanente, em nome de Deus, à Igreja e ao mundo das pessoas.

Na Igreja, sem que se tenham apagado ou esquecido as verdades essenciais, foram-se multiplicando, ao longo da história, costumes e hábitos, que geraram normas e orientações, encostados à doutrina. Em muitos casos não eram mais que fruta de uma pobreza espiritual em que o essencial da fé andava arredado das preocupações de muita gente. Muitos responsáveis da Igreja deixaram-se invadir pela tentação de esta ser uma sociedade vazada à maneira de senhores, fidalgos e poderosos, e modelada por critérios meramente temporais e profanos. Assim se foram introduzindo situações espúrias, marcadas pelos ventos do tempo, que recolhiam o proveito de quem na Igreja, as desejava, admitia e por elas lutava. Criou-se, então, uma sociedade semelhante àquela que Jesus Cristo, por via de uma revolução activa, mas pacífica, denunciou e alterou, por ser contrária aos seus valores. Foi neste contexto que pregou o Reino de Deus, chamou e formou os que livremente aceitaram segui-lo e se tornaram Seus discípulos. O Seu projecto não podia ser alterado e deviam estar atentos a quanto o podia desvirtuar. Um trabalho que se foi fazendo ao longo do tempo, por cristãos fieis e corajosos, profetas e santos, sempre com não poucas dificuldades.

Porém, os séculos que identificaram a Igreja com o mundo, no propósito de que todo o mundo fosse Igreja, levaram esta a obedecer a critérios e a seguir caminhos que não eram os seus, carregando-a de excrescências inúteis onde não cabiam os valores evangélicos. Muitas delas ainda aí estão, visíveis e luzidias, a ilustrar tempos que passaram e não são de recordar, mas que parecem agradar a quem prefere mais os ornatos e as aparências passageiras, que a verdade permanente e consistente.

O Espírito que dá a vida e renova todas as coisas, foi dando luz e fortaleza a membros da Igreja - bispos, padres, religiosos e leigos - para denunciarem caminhos de uma uniformidade que não nascia da fé e limparem inutilidades, que pesavam sobre os cristãos e suas comunidades, e denunciavam, à maneira profana, uma grandeza que não vem da fidelidade a Deus, nem ao Evangelho. Os profetas escolhidos foram fieis à sua fé, mas desprezados e perseguidos por gente que defendia interesses instalados. Francisco de Assis encarnou a denúncia de um Evangelho que não era o de Cristo. Chamaram-lhe louco. Rosmini ousou, corajosamente, apontar as “chagas” da Igreja. Foi condenado e só muito mas mais tarde recuperado como profeta. A lista podia continuar.

João XXIII surgiu inesperado. Convocou um Concílio, dizia ele, para limpar o rosto da Igreja, em muitos aspectos confuso e conspurcado. Também para ele e para aqueles que apoiaram a sua intuição, como sinal do Espírito, a vida não foi fácil.

António Marcelino

Efemérides Aveirenses: José Estêvão





15 de Outubro de 1984





Nesta data, "voltou a ser colocada junto do Edifício da Assembleia da República a estátua do insigne parlamentar aveirense José Estêvão Coelho de Magalhães, que fora inaugurada em 1878 em Lisboa, no Largo das Cortes, e daí retirada em 1935. No mesmo dia, o Parlamento prestou ao grande tribuno uma significativa homenagem, falando os representantes dos principais partidos políticos."

In Calendário Histórico de Aveiro

Novo CD de Jacinta estará à venda no dia 26


Jacinta

Temas de Bob Marley, Stevie Wonder, Beatles,Nina Simone, Bee Gees, Beach Boys, entre outros, fazem parte do novo CD de Jacinta, denominado  "Songs of Freedom-Hits from the 60s,70s,and the 80s".
Esta podução discográfica representa a apresentação de Jacinta no seu último espectáculo,  no Centro Cultural de Ilhavo, que voltou a encher com um público participativo e entusiasta, não só da música de Jazz, mas também da voz da artista da Gafanha da Nazaré.

Uma pergunta: Para quando um espectáculo na Gafanha da Nazaré?! Será por não haver sala condigna? Penso que sim. Aliás, o Centro Cultural da Gafanha da Nazaré está em obras de ampliação e reestruturação. Depois, penso que a Jacinta já terá espaço à altura da sua arte e dos seus muitos fãs.
Já agora, permitam-me mais uma achega. Quando eu era jovem, a Gafanha da Nazaré tinha sala de cinema e teatro, na Cale da Vila, de iniciativa privada. Era, então, uma simples aldeia. Depois, talvez pela concorrência de Aveiro, morreu. E presentemente, cidade, a Gafanha da Nazaré não tem uma sala de cinema. Apenas o Centro Cultural, da responsabilidade da Câmara Municipal, está aberto a espectáculos. Penso que já era tempo de os privados apostarem nas artes. É que, os que gostam de cinema, em sala própria, que dá outro encanto aos filmes, têm de ir a Aveiro, como eu o faço de quando em vez.

Conto maravilhoso


Zé da Rosa

15 de Outubro de 2009

Foi num canteiro deste belo jardim, à beira ria, nos primórdios do século passado, que aquela rosa desabrochou. Não foi numa Primavera florida, tampouco num Verão escaldante, mas num Outono incipiente, que a flor deu o seu fruto. Um bebé redondinho de feições, com uma boquinha bem desenhada e que seria portador do genes dos grandes homens! Foi a alegria de sua mãe, que assim deu mais um irmão à família.
De tão amado e acarinhado pela sua mãe, passou a ser conhecido pelo Zé da Rosa! Todos o conheciam assim, mesmo quando as suas feições de menino deram lugar àquele rapagão, alto, bem parecido que fazia andar à roda, a cabeça das moçoilas do seu tempo.
Sim, o Zé, como todos os mancebos da sua idade, andava na mira duma moça que lhe enchesse as medidas! Um dia, apareceu aquela rapariga trigueira de olhos azuis... ah... essa ... foi a Luz dos seus olhos, que nunca mais a perderam de vista. Com a ajuda do Cupido, os dois se enamoraram e até casaram! Coisa inusitada nas sociedades modernas, em que os juramentos de amor têm a duração da época estival! É curta e efémera!
Naqueles tempos antigos, ainda era uma realidade concreta, o compromisso entre pessoas e a dedicação era exclusiva e ad aeternum!
Dessa Luzinha, resultaram clarões luminosos, que haveriam de iluminar a vida de ambos. Cinco, pelo menos, ficaram para a história e também se multiplicaram noutros feixes de luz... que passaram a alumiar o mundo.
Com ascendência da Rosa e numa forte envolvência da Luz... só poderiam ter resultado uns belos rebentos que haveriam de fazer as alegrias dos pais.
A autora destas linhas.... nasceu no apogeu da vida de ambos os progenitores.... 30 anos! Daí...
Este pai esfalfou-se durante toda uma vida, aquém e além fronteiras, para que nada faltasse aos seus descendentes. Fez os possíveis, e hoje tem... quem lhe perpetue a memória e a robustez do carácter. Do carácter e do corpo, pois é um vivo exemplo do princípio “Mens sana in corpore sanu”.
Devo referir que é o responsável pelas “proezas” que esta criatura tem feito ao longo da vida.... não arcando, contudo,... com a responsabilidade das “avarias”(!?) .... que a mesma tenha praticado! Estas, se as houve, são da exclusiva autoria da mesma!
Esta personagem, quase de conto de fadas é a pessoa que hoje completa nove décadas de existência!
E... augúrios de uma ainda gratificante jornada é o que lhe manifesta esta descendente... orgulhosa da sua herança genética!

M.ª Donzília Almeida

17.09.09

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Para pensar... Muito!




E24: a grande solução para a educação


Às vezes, até me apetece bater em mim mesmo. Vejo e leio notícias de que discordo, plenamente, e fico calado, comodista, indiferente, como se não houvesse nada para dizer. Depois  decido-me a escrever. O tempo passa e nada digo. Vêm outros assuntos, outras tarefas, outras sestas e o que é importante ficou na gaveta dos esquecidos.
Vem isto a propósito de uma achega que me enviou o Ângelo, com a recomendação de que lesse. Li e aqui fica, para pensar... Muito!

FM

Crónica de um Professor: A romã




N’ aula d’ Área de Projecto,
Desenhámos uma romã!
Foi um trabalho bem concreto,
P’ra começar uma manhã!

Iniciar a manhã, com um pequeno-almoço substancial, prepara-nos para enfrentar os desafios de um novo dia, com coragem e energia. Assim preconizam os Britânicos que se abastecem com as salsichas, ovos estrelados com bacon, cereais, sumos etc.
Para alimentar esta filosofia, os hotéis apresentam, no seu cardápio, as duas variedades de pequeno-almoço, numa panóplia de acepipes, que satisfazem o apetite do hóspede mais exótico.
Foi nessa perspectiva de um início de dia, revigorante que decidiu tomar a 1ª refeição do dia, em pleno pomar! Agora no Outono, com novas roupagens e os frutos da estação a brilhar nas árvores, é uma iguaria para os sentidos! Não a quantidade calórica do English breakfast na sua diversidade de alimentos, mas na outra componente mais nutritiva para o espírito e menos para o corpo!
O orvalho da manhã, no passeio pelo pomar, conduzido por essa vereda estreita, foi a lufada de ar fresco, energético que lhe encheu os pulmões e a alma! A quietude das coisas fazia sentir o aroma da terra, que rescendia a frutos maduros. As luzes da aurora iam abrindo caminho, acordando as espécies de vida, do torpor da noite.
Foi nessa paz doce e aromática que os seus olhos se fixaram naquela romãzeira que mais parecia uma árvore de Natal cheia de luzinhas vermelhas. Belo espectáculo a motivar a teacher para a aula que iria iniciar a sua manhã, nesse Outono estival.
A sua mente, sempre aberta a novas ideias, novos desafios, concebeu ali mesmo a pedra de toque para a aula de Área de Projecto. Nesta altura do ano, em que se definem objectivos, estratégias e actividades, surgiu como bênção do céu aquele elemento da natureza.
Sem mais delongas, ali mesmo, ficou decidido o elemento motivador para a aula. A romã, retirada, cuidadosamente da mãe, daí a pouco estava “sentada” num palanque improvisado na sala de aula. Todos os alunos iriam observar minuciosamente o objecto e tentar reproduzi-lo, o mais fielmente possível.
A Professora aproveitou o ensejo para despertar nos discípulos, o sentido estético e o amor à natureza. A interdisciplinaridade foi posta em prática e todas aquelas cabecinhas ficaram a pairar em volta do modelo observado. Era tão vermelhinha aquela romã, com os bagos rubros a extravasar da fenda que eclodira, que o mais apático aluno não ficava indiferente!
Fizeram um registo de observação e verificaram, que afinal, não era nada transcendente, reproduzir no papel, a forma cilíndrica do fruto, tal qual aquilo que viam. Pior foi para aqueles, cujo ângulo de observação lhes impunha registarem a abertura sinuosa do pericarpo, vulgo racha da romã!
Claro que apareceram as formas e tamanhos mais díspares, segundo aqueles olhares pueris, mas a romã, vedeta desta exibição tomou forma em cada uma daquelas cabecinhas.
No fim dos trabalhos e da aula prolongada, de 90 minutos, cada aluno recebeu na concha das suas mãozinhas, a fracção de bagos vermelhos que a divisão do fruto lhes proporcionou. E......diga-se, à guisa de conclusão que aquela romã tinha um coração muito generoso....um grande coração!

M.ª Donzília Almeida

12.10.09

terça-feira, 13 de Outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: Colonialismo espiritual





1. Decorre em Roma o II Sínodo para África. Este encontro com o Papa procura repensar a comunidade africana na sua renovação contínua e na relação com a comunidade universal. De 4 a 25 de Outubro a organização local africana encontra-se com a organização universal em reflexão sobre os caminhos andados e os percursos a trilhar. Na mensagem de abertura Bento XVI confirma o reconhecimento da grandeza e originalidade do continente africano, exaltando o seu «imenso pulmão espiritual para toda a humanidade». Simultaneamente, o Papa alerta para os perigos das “patologias” do materialismo e do fundamentalismo religioso. Num continente pródigo de beleza natural mas ao longo dos séculos muito sofrido na exploração pelo ocidente apressado e interesseiro (é um facto histórico), é hora de nova consciência autonómica sobre o continente africano.

2. A referência ao «colonialismo espiritual» apresentar-se-á como um dado preocupante, numa transferência do plano político ao espiritual; diz Bento XVI que «neste sentido, o colonialismo, terminado no plano político, nunca se concluiu completamente.» Não é fácil, com toda a carga história secular, abordar o assunto do colonialismo espiritual. À liberdade de propor deve presidir a liberdade de aceitar e a face humana de instituições como a Igreja mostra factualmente também elos menos positivos; quantos caminhos desandados nas questões delicadas da imposição da fé?! Continua a ser de grandeza eminente aquele persistente e lúcido «pedido de perdão» do peregrino da paz, o Papa João Paulo II. A “purificação da memória” em terrenos tão delicados como o da inculturação da fé transborda para todos os quadrantes numa responsabilidade de nunca impor mas de propor.

3. Na verdade de que nunca se pode ajuizar com os olhos de hoje os séculos passados (seriam juízos anacrónicos, fora do tempo), o certo é que só na chave de leitura de um pluralismo ecuménico é que se poderá ver a luz ao fundo do túnel. Não é missão fácil; mas possível no enobrecer do essencial.


O que é um cristão cultural?



Os «não-praticantes» têm também
as suas expressões que é preciso reconhecer


A categoria “católico ou cristão não praticante” faz pele de galinha a muita gente que assim reage contra o conformismo dos que receberam uma herança cristã sem nunca verdadeiramente a ter assumido. Engrossam as estatísticas mais genéricas, reconhecem-se num determinado conjunto de referências e partilham até uma esporádica ou difusa atmosfera religiosa, mas afastaram-se de uma integração prática e plena na dinâmica eclesial. Por isso, são olhados, tantas vezes, como um peso-morto que a Igreja tem de carregar e em relação ao qual pouco ou nada pode fazer.


Ora, sem simplificar aquilo que é complexo, deve-se dizer, porém, que eles representam também um imenso desafio. Hoje alguns autores da sociologia da religião preferem mesmo utilizar a designação “cristão cultural” para descrever este povo que, talvez de modo apressado, se chamava de “não-praticantes”. Verdadeiramente, os “não-praticantes” têm também as suas expressões que é preciso reconhecer: no seu modo de viver há práticas que persistem e outras que vão sendo transformadas; há um confronto com o Absoluto e um sentido do Transcendente, talvez soletrados com outra dicção, mas não necessariamente despojado de intensidade; há a procura dos valores evangélicos, mesmo quando explicitamente já não tomam o Evangelho como referência… Claro que nem tudo é igual, e há uma explícita maturidade cristã que tem de ser anunciada com desassombro. Mas isso não é incompatível com uma arte do encontro (e do re-encontro) que precisamos todos, praticantes e não-praticantes, de descobrir.

Da passagem recente de Enzo Bianchi entre nós, anotei, por exemplo, estas palavras, que nos obrigam certamente a pensar: «Creio que também há lugar para uma espiritualidade dos agnósticos e dos não-crentes, daqueles que se colocam à procura da verdade porque não se satisfazem com respostas pré-fabricadas e definidas de uma vez para sempre. É uma espiritualidade que se alimenta da experiência da interioridade, da procura de sentido e do sentido dos sentidos, do confronto com a realidade da morte como palavra originária e da experiência do limite; uma espiritualidade que conhece também a importância da solidão, do silêncio e do meditar».

José Tolentino Mendonça

In Ecclesia

A ABRIR: Poesia para este dia










ENTARDECÍAMOS EM DEUS

Entardecíamos em Deus. No doce
apuro da sua dádiva.
Era um Outubro cúmplice, por onde
o lúcido licor vinha às palavras
Explicitar-se. E ao seu lume a pôr-se
no júbilo do espírito e das águas.
Decantava-se sermos o suporte
desse momento. Da doçura amarga
que altíssima subia pela morte
e dava em vida. Que só Deus nos dava.


Fernando Echevarria (n. 1929)

Ver mais aqui





segunda-feira, 12 de Outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: Arregaçar as mangas!





1. Se fosse possível quantificar a energia investida nas campanhas e esta ser transferida para o «day after (dia seguinte)» aos actos eleitorais não havia país que não avançasse! Mesmo integrando as diferentes formas de olhar o futuro…, a verdade é que no “meio” dos programas a realizar muito terreno resulta como semelhante em ordem ao bem comum e a uma sociedade mais justa. É a hora de arrumar a tenda das campanhas, é momento de tirar os cartazes e devolver às rotundas das nossas avenidas a sua autêntica finalidade circulante. Cada acto eleitoral mobiliza ao seu jeito. Das europeias às nacionais (legislativas) e destas às locais (autárquicas), chega a hora de arregaçar as mangas em ordem a cada dia fazer o melhor possível.

2. Como já não havia memória, o país viveu três actos eleitorais seguidos. A esperada mobilização, e sendo verdade que a sequenciação das eleições daria razões para crescente interesse e mais participação, deu lugar a uma certa saturação e indiferença. Das campanhas e do estilo argumentativo de “fazer” política muitas são as lições que sempre se podem tirar, bastará haver grandeza e interesse para tal. Haverá? Nunca no dia seguinte se pode aceitar comodamente que tudo continue como dantes. Diante de tantos desafios da sociedade actual, é sentido esse «rasgo» constante que impele ao sentido dinâmico e evita o fecho do descompromisso? A cidadania activa e participativa não se pode acomodar no final do acto eleitoral, deve, antes, procurar implementar dinamismos novos, estimulantes e comunitários.


3. São heróis e grandes portugueses os que servem no designado poder local, na condição de se viver para servir. Na limitação dos meios de que dispõem têm de fazer o milagre da multiplicação e do contínuo mobilizar de recursos tirando o melhor de cada rua, terra, paisagem, tradição com inovação. “Esmiuçou-se” cada cartaz e cada ideia nas campanhas que dá para arrepiar como ainda estamos aí… Avancemos, arregaçar as mangas!

Alexandre Cruz

Universidade Sénior: início de uma caminhada


Ponte da Gafanha
:

À descoberta da Gafanha

Hoje foi dia de animar um grupo de trabalho na Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo. Para iniciar a caminhada, à descoberta da Gafanha, marcaram presença 15 pessoas, adultas, aposentadas, reformadas ou em vias disso, ávidas de conviver e de trocar experiências. Penso que vai ser bom partilhar saberes, sentimentos, impressões e emoções. E sabores, quando houver motivos para isso. Abrindo a alma aos outros, à descoberta, ao conhecimento, porque o homem e a mulher não nasceram, unicamente, para viver isolados e fora do mundo. A solidão, quando desejada, também terá o seu lugar.
Gostei dos primeiros contactos. Gostei de ouvir as razões por que se inscreveram na Universidade Sénior, na Gafanha da Nazaré, recentemente criada. Gostei de sentir que ainda há gente capaz de compreender que é óptimo pôr em comum anseios, alegrias, inquietações e até algumas tristezas. Gostei de ver o espírito de abertura de todos os participantes. A naturalidade com que falavam, a serenidade com que ouviam, a indiferença com que viram o tempo passar. Sem pressas.
Quando penso em tantos reformados e aposentados fechados sobre si próprios e sobre o mundo que os rodeia, quantas vezes presos e conformados à mesa do café, ou tristes a olhar o céu azul e sem capacidade para se abrirem a horizontes novos, tenho pena que não descubram a importância de estar com os outros, alimentando projectos de vida com sentido.
Na próxima segunda-feira, e seguintes, a caminhada continua, à descoberta da Gafanha.

Fernando Martins

Para começar o dia: eleições autárquicas



Glória aos vencedores; honra aos vencidos

Os meus parabéns aos vencedores (que foram muitos, por várias razões) e também aos vencidos, que viveram, de forma concreta, a beleza da democracia. Uns e outros merecem o meu aplauso e a minha promessa de estímulo e de apoio, para que possam continuar a fazer-se eco dos anseios, a diversos níveis, das populações que povoam a nossa sociedade. Afinal, todos saíram vencedores, quanto mais não seja, pela coragem e determinação com que defenderam e propuseram os seus ideais para um mundo melhor. Por isso, "Glória aos vencedores; honra aos vencidos".

FM

domingo, 11 de Outubro de 2009

Morreu o único padre casado em Portugal


Rádio Renascença:

Aos 86 anos, o Padre Saul de Sousa
não resistiu a um problema renal



Em 1968, e ainda na Igreja Lusitana, ramo português da Comunhão Anglicana, que permite o casamento dos padres, pediu dispensa para ser aceite na Igreja Católica.
Maria Fernanda de Sousa, recorda como o processo do seu marido esteve três anos no patriarcado: “Até que um dia o Arcebispo de Cízico, que era um senhor assim com barbas muito grandes, numa reunião presbiterial perguntou: ‘Ó Sr. Cardeal (era o cardeal Cerejeira), quando é que manda para Roma o processo do Pe. Saul?’”
O Patriarca mostrou-se renitente, “mas os bispos fizeram tanta força que ele resolveu mandar a carta para Roma. Passados 15 dias Paulo VI respondeu-nos dizendo que podia entrar, só tinha que actualizar a formação católica”
A ordenação deu-se em 1971, e foi a última celebração presidida pelo Cardeal Cerejeira. Nos 38 anos seguintes Saul de Sousa exerceu um ministério único em Portugal, como padre casado.

Ver mais aqui

Bispo de Aveiro encerra na Gafanha da Nazaré a semana Nacional da Educação Cristã



D. António Francisco:

Riquezas mal distribuídas atrofiam a liberdade e impedem a generosidade




“O olhar triste de tanta gente que connosco cruza nos caminhos da vida deve-se tantas vezes ao excesso de riquezas mal distribuídas que atrofiam a liberdade e impedem a generosidade.” Este foi, no momento que atravessamos, um alerta oportuno do Bispo de Aveiro e membro da Comissão Episcopal da Educação Cristã, D. António Francisco dos Santos, proferido na homilia da eucaristia conclusiva da semana nacional dedicada a este tema, celebrada na igreja matriz da Gafanha da Nazaré e transmitida pela Rádio Renascença, hoje, pelas 11 horas.

Depois de sublinhar a importância que a Igreja Católica dá à família, à escola e à comunidade, “como elos essenciais da sociedade e servidores da educação das crianças, dos jovens e dos adultos”, D. António afirmou que a “vida das nossas terras tem mais sentido e maior encanto com a presença e com o trabalho das escolas ao longo do ano lectivo e com a acção pastoral das comunidades”.

Lembrou “quanto recebemos da família, da escola e da comunidade onde nascemos, crescemos e vivemos”, sendo certo que elas ”modelam o nosso ser e o nosso agir”, preparando-nos para o futuro “como pessoas, como cidadãos e como crentes”.

O Bispo de Aveiro, ao dirigir-se aos sacerdotes, recomendou que todos devem dar especial atenção à catequese em todas as idades, fazendo dela “uma actividade prioritária, suscitando e alimentando nas comunidades uma verdadeira paixão” pela transmissão da fé, nos diversos espaços catequéticos.

D. António Francisco considerou particularmente importante no ministério dos sacerdotes e na acção da Igreja “uma articulação e relação entre a comunidade, a escola e a família”. E acrescentou: “Este diálogo deve implicar um trabalho conjunto entre párocos, famílias, catequistas, professores de Educação Moral e Religiosa Católica e outros agentes educativos, a fim de se apoiarem na sua missão, de lhes proporcionarem um enquadramento comunitário e de procurarem uma maior harmonia entre as acções pastorais, desenvolvidas nas famílias, nas escolas e nas paróquias.”

O prelado aveirense ainda manifestou a esperança de que neste trabalho e nesta missão haja “abertura e co-responsabilidade em todos os que hoje vão ser eleitos para o serviço das autarquias locais”. E frisou que a educação, estando cada vez mais vinculada às autarquias locais “como serviço de proximidade”, deve merecer, a quantos exercem este serviço, “uma progressiva atenção na certeza de que da qualidade do serviço educativo depende o bem das crianças e dos jovens e a construção do bem comum”.

Fernando Martins

O FIO DO TEMPO: O Nobel da expectativa



VOTO DE CONFIANÇA
PARA OBAMA

1. No dia 10 de Dezembro deste ano será o presidente Barack Obama a receber o Nobel da Paz. O facto surpreende pela prematuridade do acontecimento em relação a quem ainda está a começar. Normalmente é mais para o final da vida, com todas as provas dadas, que a atribuição Nobel é concedida. Obama tem antecipado muitas etapas, talvez porque os anos precedentes haviam revelado profundos desencantos e pessimismos. São vastíssimas as reacções ao Nobel que não deixa ninguém indiferente. Se as atribuições do comité norueguês têm sempre um cariz sociopolítico, este ano todas as expectativas foram superadas. De ondas de entusiasmo às suspeitas cépticas, de tudo um pouco pode-se confirmar nas reacções ao Nobel.

2. Poder-se-ão compreender tanto o entusiasmo como a dúvida vigilante. A verdade é que a «Esperança» de Obama surpreendeu a Humanidade e em tempo recorde conseguiu mobilizar os pensamentos num novo olhar diante de problemas antigos. Este voto de confiança e de responsabilidade sobre Obama – ele que muito tem proclamado a Nova Era de Responsabilidade – deixa em aberto o terreno concreto que nas acções precisa dessas inspirações. Como conciliar as ideias inspiradas com a prática crua e dura? Como activar a vontade a roçar a utopia com decisões políticas concretas? Na lógica normal, a atribuição do Nobel viria mais adiante, depois das acções confirmarem as intenções. É neste cenário que esta entrega no 10 de Dezembro, Dia Dos Direitos Humanos, é especial.

3. Se Obama só apresentou até agora «expectativas», então este é mesmo o Nobel das expectativas. O mundo pós-11 de Setembro 2001 precisava delas, pois que os pessimismos também de crise financeira careciam de uma luz de lucidez, nem que fosse só no plano das expectativas saudáveis. A eleição (multiétnica) de Obama abriu esse tempo novo, uma nova mundividência no plano das ideias. Obama é maior que ele próprio. Ele sabe disso. Venham as acções!

Alexandre Cruz

Para começar o dia: A Beleza do Douro



"Beleza não falta em qualquer tempo, porque onde haja uma vela de barco e uma escadaria de Olimpo ela existe." 

Miguel Torga

In Portugal

sábado, 10 de Outubro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 152

BACALHAU EM DATAS - 42


Maria Frederico



A FROTA DO ESTADO NOVO

Caríssimo/a:

1943 - «De acordo com o discurso oficial, nasceria a “Frota do Estado Novo”, de barcos fabricados de madeira nos estaleiros nacionais e por operários portugueses, do “tipo CRCB” um modelo caracterizadamente português. Caracterizavam-se as novas unidades da seguinte forma: comprimento total aproximado dos 54 m, deslocação de 1500 t, motor principal de 500 a 650 CV e motores auxiliares de 20 CV movidos a óleos pesados. Capacidade de carga de 720 a 780 t de bacalhau e uma tripulação de 60 pescadores e marinheiros. [...] Dos mais de 15.000 pinheiros calculados para o efeito em Abril de 1943 já tinham sido abatidos 7.000 árvores nos pinhais de Leiria. Apenas os motores viriam a ser adquiridos no estrangeiro, o que , em plena Guerra Mundial, foi visto à luz do discurso oficial como um triunfo dos negociadores portugueses.» [Oc45, 112]

«Em 1943 seriam lançados à água outros navios de referência desse tipo: o BISSAYA BARRETO e o COMANDANTE TENREIRO, ambos de madeira e ambos armados pela Lusitânia, da Figueira da Foz.[3.º momento ainda da renovação da frota bacalhoeira nacional]» [Oc45, 100] (Vd. 1939 e 1941)

É fundada a Sociedade Gafanhense de Pesca, com dois barcos de pesca à linha e um arrastão, empregando à volta de 240 homens.

1944 - «Servindo-se dos seus estaleiros privativos, localizados na Gafanha da Nazaré, a Empresa de Pesca de Portugal, L.da, lançou à água, em 1944, um lugre-motor em madeira, delineado para a pesca do bacalhau, o MARIA FREDERICO. Era um lugre de três mastros, com “linhas airosas”, dois castelos e proa americana, possuidor de 48 m de comprimento, 800 t de deslocação e capacidade para carregar perto de 1000 t de bacalhau. Este navio traçado pelo engenheiro construtor naval Valente de Almeida, ocupou na sua construção 100 operários, orientados por António Pereira da Silva, sócio da empresa armadora.» [Oc45, 114/115]

Neste ano de 1944, 11 dos 41 barcos da frota bacalhoeira eram provenientes da Figueira da Foz.

Entre 1939 e 1944 dos 1639766 quintais de bacalhau, 222806 foram pescados pela frota figueirense.



Manuel

O TESOURO MAIS VALIOSO


Madre Teresa



O tesouro mais valioso é a pessoa humana


A maior aspiração da pessoa humana é alcançar o tesouro mais valioso da sua vida. Como o jovem rico de que fala o Evangelho. Faz tudo o que está ao seu alcance. Comporta-se segundo as regras do tempo: no campo social, económico, familiar e religioso. É íntegro e honesto em tudo e para com todos. Mas algo lhe falta.


Corajoso, vence as resistências interiores e parte à procura. Confiante, corre para o caminho por onde Jesus passava. Ousado, aproxima-se e reconhece a excelência de quem lhe pode valer. Humilde, abre o coração, expondo a sua preocupação inquietante: Que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?


Este jovem “habita” em nós e manifesta-se de vez em quando. A sensação de que algo importante nos falta: a cura de certas feridas psicológicas e espirituais, a realização de sonhos apaixonantes, a capacidade de “segurar” o eterno da vida que vai escapando e nos convida a alargar os horizontes de Infinito.

A corrida do jovem é também nossa. Há urgência de obter resposta, de encontrar o que se pretende, de saborear o que tanto se deseja. De contrário, a insatisfação abre as “fendas” do mal-estar, da ansiedade e frustração.

“Um coisa te falta” – adianta Jesus na sua proverbial sabedoria.

Falta-lhe rever a sua relação com os bens a fim de ser livre. Falta-lhe abrir-se aos pobres e ser compassivo e solidário. Falta-lhe aceitar que por esta relação passa a sua realização pessoal definitiva. “Vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres” e terás o tesouro definitivo da tua vida.


Ser livre é saber gerir os bens e não se deixar possuir por eles. É saber ser seu dono e não se sujeitar à sua tirania. É saber trabalhar com honradez e viver com sobriedade, abrir-se aos outros em sintonia afectiva, fazer suas as necessidades alheias e ajudar a minorá-las, sempre que possível.

Ser livre é cortar as “amarras” com que os bens prendem os seus possuidores e progressivamente os desumanizam. Ser livre é disponibilizar-se para servir em qualquer circunstância, amar os feridos e amargados, e progredir com eles nos caminhos de libertação.

O tesouro maior da humanidade e da Igreja é o coração liberto, a inteligência desinibida e peregrina da verdade, a vontade firme e persistente na prática do bem. O tesouro mais valioso é a pessoa humana, chamada à plenitude do seu ser e conviver, que encontra em Jesus Cristo o modelo da sua auto-realização.


Georgino Rocha

Dia Mundial dos Cuidados Paliativos

Mais um Dia Mundial para nos fazer pensar na pertinência do tema "cuidados paliativos". A (quase) certeza do sofrimento, físico ou outro, nosso ou de quem nos rodeia, deve levar-nos a estar atentos para a informação necessária. Laurinda Alves, voluntária em Cuidados Paliativos, escreve sobre a sua experiência. Veja aqui.


Neurociências e liberdade




Com a biotecnolgia o novo continente científico é o cérebro, e a pergunta é se, com os avanços neste domínio, o enigma do homem será finalmente superado ou se, pelo contrário, ele permanecerá. Grandes debates se travam entre as neurociências e a filosofia, precisamente por causa de temas candentes e incendiários, como a subjectividade, a autodeterminação, a vontade livre.



Sobre estas questões, o conhecido filósofo e professor da Universidade de Tubinga Manfred Frank acaba de dar uma longa entrevista ao alemão DIE ZEIT. O que aí fica reflecte esse debate.



A questão da subjectividade pertence ao núcleo da reflexão humana. Embora algumas correntes filosóficas falem da sua dissolução, penso que o sujeito é ineliminável. Argumento, mostrando que a condição de possibilidade de objectivar - no caso do homem, de objectivar-se - é o sujeito, de tal modo que, por mais que objective de si mesmo, o homem nunca se objectivará completamente, já que continuará a ser o sujeito que (se) objectiva.



M. Frank também afirma que nunca será possível reduzir a consciência e o espírito a processos neuronais, e isso "por razões de princípio". Há uma questão de princípio: como explicam as neurociências a passagem de processos físicos inconscientes a processos mentais conscientes? "Não é possível substituir o saber sobre nós mesmos por um saber objectivo sobre o mundo." A subjectividade cai fora do mundo, não pertence ao mundo dos objectos.



O "eu" do autoconhecimento não é redutível àquilo a que nos referimos com nomes ou caracterizações. "A autoconsciência é um conhecimento único, reflexivo, no qual uma pessoa se refere conscientemente a si mesma, mas a si mesma em posição objectiva. Como poderia ela, porém, captar este eu-objecto como ela mesma enquanto sujeito, se, antes desta apresentação objectiva, não tivesse tido uma consciência inobjectiva de si?" Esta consciência inobjectiva quer dizer vivida, pré-reflexiva.



Permanece uma questão: "Quando identifico espírito com matéria, não identifico matéria com matéria." Trata-se como que dos dois lados de uma moeda, mas as condições de verdade do neuronal não se identificam com as do espírito: as primeiras encontram-se num tratado de fisiologia enquanto as dos estados mentais são verificadas introspectivamente, como viu Descartes. Isso é experienciado também ao nível do vocabulário, que é diferente para descrever o psíquico e o estado físico correspondente: não teria sentido exprimir a inclinação amorosa por alguém, descrevendo os processos electromagnéticos no cérebro.



A tese de neurocientistas que afirmam não haver, por detrás do alegado livre arbítrio, senão processos neuronais, que determinam a vontade, contradiz não só a compreensão jurídica de responsabilidade mas também a nossa própria autocompreensão: queremos ser autores racionais de mudanças no mundo - tentamos "tomar decisões racionais".



Para lá dos sistemas jurídico-penais, que pressupõem a liberdade, um exemplo. Suponhamos que alguém tropeça, sem querer, e, ao cair sobre outra pessoa, esta é apanhada por um carro e morre. Distinguimos muito bem esta situação daquela em que alguém empurra intencionalmente outra pessoa. E há esta virtude admirável: resistir moralmente à maioria. Os opositores ao Terceiro Reich "merecem o nosso sumo respeito", precisamente porque foram poucos e capazes de enfrentar a morte. Aí, "os neurocientistas têm muito para justificar no sentido de dar conta do correcto normativamente dessas decisões a partir de processos neuronais".


Tudo o que é essencial, quando pensamos na humanidade, "vinculamo-lo ao pensamento da subjectividade e não à nossa representação do cérebro. São sempre pessoas, sujeitos, que consideramos como criadores de literatura, cultura ou religião". Afinal, "temos cérebros e somos eus". Daí poder formular-se o imperativo categórico de Kant nestes termos: "Nunca trates os seres humanos como coisas, mas sempre como sujeitos e pessoas." Se o mundo consistisse só em objectos, não haveria ninguém a quem dirigir o preceito: "Porta-te decentemente com os outros sujeitos."



Para começar o dia


Grande Veleiro Canadiano Concordia entre nós



No seguimento da Regata dos Grandes Veleiros, realizada em 2008, com reconhecido sucesso que instituiu o Município de Ílhavo e o seu Porto de Aveiro com “friendly port”, vai estar entre nós mais um grande veleiro, o Concordia, pertencente a uma universidade privada do Canadá, a “West Island College International”.

O “tall ship class A” - SV Concordia - chega ao Porto de Aveiro no próximo dia 14 de Outubro, quarta-feira, aqui permenecendo durante cinco dias (largada a 18 de Outubro), com visitas em horário a definir proximamente.

A sua tripulação de 57 pessoas (dos quais 48 Alunos) terá um programa cultural e turístico durante o tempo da estadia, com centralidade no Município de Ílhavo.

sexta-feira, 9 de Outubro de 2009

País real ou "Portugal dos pequeninos"?




Cada vez aparece mais lúcida e actual a expressão “país real”. Esse país que, de norte a sul, trabalha no campo ou nas empresas, nos serviços ou nas escolas, que luta pela justiça e pelo bem-estar, que sofre injustiças de que ninguém se acusa, solta gritos que ninguém ouve. País real, como lhe chamou Sá Carneiro, é este povo desconhecido de muitos que dele falam eloquentemente e até dizem que é ele quem ordena, e se julgam mesmo, ciclicamente, os legítimos delegados e defensores dos seus direitos.

Só conhece o país real quem se cobre com o pó dos seus caminhos, suja os pés na sua lama, gasta tempo a ouvir quem nele luta e é a reserva nacional do bom senso, da honestidade, do trabalho, do respeito, da verdade e da justiça a toda a prova. Povo que cresceu com a chave sempre na porta, aberta, como o coração, a quem chegava e, agora, se vê ameaçado e inseguro nas suas pessoas e bens, vendo admirado, incólumes e à solta, os profissionais da mentira, do assalto aos bens alheios, do ataque infame a idosos indefesos, do crime frequente. Povo com centenas de milhares de portugueses que não querem o pão dos subsídios, mas o salário justo de um trabalho certo.

Pó e lama deste povo significam a dor e os sacrifícios de milhões de portugueses que, aqui ou lá fora, lutam para viverem uma existência de pessoas, que muitos não a tiveram antes, e poderem transmitir aos filhos, com a educação que os prepare para a vida, os valores duradoiros que a tornam digna.

Pó e lama é a carência sofrida de muita gente que ainda não dispõe de meios para cuidar a tempo da saúde, nem possibilidade de uns dias de férias repousantes, necessárias e justas. É o esforço inglório de milhares de jovens para quem um diploma de curso é pouco mais que um papel inútil, e vêem voar o tempo, sem lobrigarem trabalho e condições para constituir uma família com estabilidade. É a dor inconsolável de muitos idosos que trabalharam uma vida inteira sem horários, antes do sol nascer e para além do sol se pôr, e, que hoje, sofrem com a míngua do pão, cada dia mais caro, e a premência de ter de contar os tostões para poder comprar remédios indispensáveis. Os passeios gratuitos por todo o país, com almoço incluído, que os políticos lhes proporcionam, não apagam carências essenciais do dia a dia, nem enxugam lágrimas choradas no silêncio das noites sem fim e, agora, de uma casa sem gente.

Muitas coisas melhoraram neste pai real. Mal seria se assim não fosse. Mas não se atribuam honras próprias ao que se faz por dever e sempre com o dinheiro que não é dos que governam. Nenhum bem social é favor, a que título seja, de políticos generosos.

Ao lado deste país há outro que, também, é Portugal. Quem vir os canais de televisão em concorrência, onde cada vez mais vale tudo, ler os jornais que procuram fugir à falência, vendendo títulos enganosos, folhear, ainda que só nas salas de espera dos consultórios médicos, as revistas cor-de-rosa que desvirtuam a vida e os sonhos de muita gente; quem reduzir os seus horizontes humanos e sociais ao mundo do futebol, perceber os objectivos, públicos e ocultos, de algumas juventudes partidárias, e mesmo de gente adulta que navega nas mesmas águas, observar a saída apressada das tocas e esconderijos dos que nela escondidos na hora da luta, investem logo que lhes cheira a proventos possíveis da morte ou da infelicidade de outros do seu mundo, ficará, com uma ideia razoável, ainda que não perfeita, do que é o “Portugal dos pequeninos”.

Intrigas e coscuvilhices políticas, até ao extremo, dão horas intermináveis a politólogos, jornalistas, políticos profissionais, gurus do pensamento e do saber, que esclarecem pouco e intoxicam muito. Tudo gente que só tem certezas, fala e não deixa falar, só as suas opiniões são verdades incontestáveis. Neste momento, Portugal são apenas duas pessoas. O resto é gente que não interessa. Neste país de gente pequena, os modelos em promoção reduzem-se a políticos vazios, futebolistas de milhões, gente fútil de telenovelas e passarelas… O povo que trabalha, esse não tem história.

António Marcelino

Para começar o dia: OBAMA Prémio Nobel da Paz


Obama

Acrescidas responsabilidades para Obama


Para começar o dia e o fim-de-semana nada, nada melhor do que uma excelente notícia. Obama, o Presidente dos EUA, é Nobel da Paz. Não pela obra feita, mas essencialmente pela esperança que espalhou no mundo de uma nova ordem social. Uma nova ordem social de mais paz, de mais solidariedade, de mais justiça.
Por mais justos que sejam os prémios, por mais oportunas que sejam as distinções e as honras, há sempre quem desdenhe, quem critique, quem discorde e quem diga mal das escolhas feitas. Contudo, penso que neste caso as discordâncias até servem para sublinhar a importância do Nobel da Paz atribuído a Obama. O Presidente da mais poderosa nação da Terra recebe com o prémio, talvez o mais apetecido, uma acrescida responsabilidade nas respostas aos problemas que dele todos esperam.

FM

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Crónica de um Professor: Negligência médica



Nesta era da globalização, é um lugar comum dizer-se que a comunicação está à distância de um click do rato, no computador.
Todos sabem e estão atentos aos rápidos progressos que as novas T.I.C.s (tecnologias de informação e comunicação) têm operado e o quanto têm influenciado a celeridade dos contactos interpessoais.
Sim, é um facto incontestável, a rapidez com que hoje se comunica. Partindo deste pressuposto, esperar-se-ia que as relações humanas fossem mais profícuas e até incrementadas. Seria, numa sociedade moderna que acompanha esta evolução tecnológica a seu favor.
O episódio que vou relatar, vem, infelizmente contrariar esta realidade e pôr a nu os podres duma sociedade enferma, em termos de comunicabilidade.
Tive conhecimento através de pessoa amiga, dum caso de omissão em efectiva comunicação.
Aconteceu ali na Costa Nova, quando por imperativos de solidariedade humana, uma pessoa chamou os serviços do INEM, para socorrer um senhor que estava a sofrer aquilo que se pensava ser um acidente vascular cerebral. Pelo menos, foi isso que pareceu à senhora, detentora de uma provecta idade, cuja longa experiência de vida lhe consente fazer este diagnóstico clínico. Dada a gravidade da situação, a senhora insistia na urgência da vinda do INEM, relatando sumariamente os sintomas do acidentado. Do lado de lá da linha telefónica, ouvia uma voz feminina a inquirir com uma curiosidade mórbida, em contextos destes, todos os sintomas e reacções do indivíduo, em questão. Estranhando tal atitude, nesta situação de urgência interventiva, insistia a senhora que não se podia estar com aquela minúcia, já que ali, estava a vida duma pessoa em jogo. Foi tal a demora no atendimento do pedido de socorro, que o nervosismo começou a apoderar-se dos familiares do doente e no auge do desespero, chegou a haver uma troca ácida de palavras, entre os dois lados da linha O senhor entrou em paragem respiratória, que se a princípio era intermitente, passou a ser contínua…acabando o senhor por falecer.
Aí, vem ao de cima a inoperância dos serviços médicos de instituições como o INEM, ou…de pessoas inaptas para o serviço que desempenham.
Chegaram a vir, tarde e a más horas, justificando a demora com a ocorrência de chamadas indevidas de pessoas que brincam com estas situações da emergência médica. Fica a pergunta: será que haverá criaturas tão desmioladas que se põem a brincar com coisas tão sérias como a vida das pessoas? Custa a crer que haja de facto brincadeiras deste mau gosto, que sirvam de justificação para se perderem vidas humanas. E…ainda que tais situações tenham já, ocorrido, pontuais, depreende-se, nunca se poderá fazer uma generalização. É de lamentar, profundamente, que tais erros humanos ainda aconteçam em pleno século XXI.
E…lá no fundo fica a perplexidade da pergunta: tendo isto ocorrido no dia 5 de Outubro, será que o pessoal também fechou a loja para desfrutar do feriado e deixou lá alguém incompetente para as funções de alta responsabilidade que lhe estão acometidas?
Perdeu-se uma vida e nada no mundo poderá ocupar o vazio que ela deixou.
Fica aqui o aviso: a família da vítima tenciona recorrer judicialmente para apurar das responsabilidades e muito bem!

M.ª Donzília Almeida

08.10.09

O FIO DO TEMPO: Povo que Participas?


AMÁLIA
NO TOPO
DA MONTANHA


1. A incontornável Amália (1920-1999) tanto cantava com a nostalgia lusitana «povo que lavas no rio…». As tábuas de Amália continuam a ecoar, quer numa maravilhosa nova geração de fado quer na candidatura do Fado Português a património da Humanidade na UNESCO. Uma ideia que dá que pensar é como o fado, a cantiga da alma das gentes, fez um caminho admirável até aos palcos internacionais, percurso esse de uma irreverência criativa, mas que, predominantemente, revela uma face saudosa que muitas vezes, mais que mobilizar activamente, poderá fazer parar nostalgicamente. Não é linear, nem o fado tem muitas regras, como se sabe… Sabe-se e reconhece-se a originalidade do fado, enaltecido por tantos nomes que terão na Amália o topo da montanha.

2. Se muitos sentimentos reflectidos no fado poderão até ser reflexo de conjunturas sociopolíticas, a verdade é que a canção portuguesa nunca se deixou aprisionar e traz sempre consigo a ânsia de novos mares a navegar. Também é verdade que pertencerá à história da identidade nacional, sem mitologias excessivas, que o fado como destino da aceitação de tudo e tristeza que paralisa reflecte-se naqueles estudos europeus ou mundiais que volta e meia nos dizem que somos mais tristes que alegres, nostálgicos do passado que empreendedores do futuro(?). Claro que o fado não tem culpa de nada, ele acontece, reflecte, manifesta, espelha… O fado poderá aliar a memória da tradição ao projecto visionário e aventureiro do amanhã? Claro que sim, as gentes do povo têm a “caneta” nas mãos em cada dia…

3. Não parece mas eis-nos diante de outro acto eleitoral de altíssima responsabilidade cívica. O fado de que tudo está mal ou tudo está bem (até porque tal nunca é verdade) não pode aprisionar e limitar a intervenção dos cidadãos. Povo que participas…! Mais que uma questão que seja a afirmação convicta de todos serem actores da construção do bem comum. Só a participação dá razões para a exigência! Dar frescura ao fado!

Alexandre Cruz

Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo



                               
Portas abertas à partilha de saberes


Comecei o meu dia no blogue com artes. Penso que as artes devem estar sempre nos nossos horizontes, porque a beleza dá outro sentido à vida. Tal como a bondade, a tolerância e o amor. Mas hoje também poderia começar com outros temas enriquecedores, como a solidariedade, a disponibilidade e a beleza da partilha. É que, a abertura do ano lectivo da Universidade Sénior da Fundação Prior Sardo, que ocorreu da parte da manhã, suscitava isso mesmo.
Mais de meia centena de pessoas interessadas em partilhar saberes e alguns jovens (e menos jovens) disponíveis para as acompanhar e animar, nessa troca de conhecimentos, marcaram significativa presença na sede da Fundação Prior Sardo.
Afinal, e ao contrário do que muitos pensam, há gente que gosta de dar e de receber cultura e valores, que emprestam mais vida à vida de cada um e de todos.
Gostei de tudo, mas não posso deixar de valorizar o precioso contributo de jovens, abertos ao convívio com uma geração mais idosa, que não velha. Idosos que não são velhos são aqueles que acreditam que o saber não ocupa lugar, que há continuamente razões para aprender mais e para dar o seu saber a outros.
Jovens que podiam ser meus netos, mas que ali estavam animados pelo prazer de pôr em comum o que podem (e podem muito) e sabem dar.
Quando vejo uma certa juventude mais voltada para futilidades, mais aprecio esta, que cultiva a solidariedade, a disponibilidade e a beleza da partilha.

FM

Nota: Inscrições e Informações na sede.

 

ARTE PARA COMEÇAR O DIA: Sobre a Igreja de Santa Maria, de Siza Vieira


Igreja de Marco de Canavezes

A substância dos sonhos é a luz

A igreja de Santa Maria nasceu duma necessidade, mas depressa se tornou num sonho. Há realidades assim: nascem como nascem os dias, previsíveis, com uma determinação habitual. E depois, há um lanço de luz, um encontro essencial, uma notícia, sei lá, uma dobra do tempo súbita e surpreendente, que tudo alteram. A igreja de Santa Maria (na altura, apenas a igreja nova) era mais uma igreja que era necessário construir, como muitas vezes e em muitos lados acontece. Um dia, talvez ao acordar, tomei consciência do fardo enorme que os meus ombros teriam de suportar. O que fazer, como fazer, por onde começar?

Nuno Higino

Leia e veja tudo aqui

quarta-feira, 7 de Outubro de 2009

O FIO DO TEMPO: Ajudar é em tempo real



1. O turbilhão do sismo e tufões tem marcado os dias difíceis da costa asiática. Indonésia e Filipinas, especialmente, foram fustigadas por tragédias naturais que nos devem deixar a pensar. As designadas sociedades de bem-estar ocidental são, volta e meia, abaladas por imagens de tragédias cuja proveniência sendo de longe se fazem bem perto. Se o tsunami de 2004 teve grande impacto na consciência do mundo, seja registado o dado histórico que estas chuvas torrenciais de há mais de uma semana bateram os máximos registados desde 1976, tendo inundado mais de 80% de Manila (capital das Filipinas) e provocando centenas de mortos e desaparecidos. Em zonas do planeta tão frágeis, em termos de construção civil para as gentes do povo, poder-se-á dizer, o safanão da natureza provocou estragos em casas e edifícios atingindo alguns milhões de pessoas.

2. Números são números, pouco valem, porque o que conta é cada pessoa que sofre. Esta visão personalista da vida e dos valores humanos aplicados na solicitude para com cada ser humano faz-nos ficarmos sensibilizados para com cada situação. É esta a alma que é a chama sempre nova da multidão de missionários modernos que são presença de apoio humanitário. Muitas coisas (mesmo passos e ideias em termos de clubismos ou visões sociopolíticas e religiosas) poderão ser questionáveis, mas o que nunca o será é o espírito do «amor ao próximo», esta a autêntica escola da vida que gera futuro. Nesta hora da tempestade merecem lugar de apreço especial as organizações que largam a teoria e partem para o lamaçal. Apoio em termos de saúde e de alimentação são nesta hora a presença da «salvação».

3. Milhares de pessoas soterradas, cerca de mil mortos e uma multidão de deslocados. Nesta hora da necessária ajuda em tempo real a AMI – Assistência Médica Internacional está lá (www.ami.org.pt). Nas Filipinas e Indonésia, como em tantos outros locais, aqui e ali, é hora do essencial: gerar espírito de serviço.

As minhas reportagens: Banco do Tempo de Ílhavo


Maria das Dores, Jorge Neves e Maria de Lurdes


O Banco do Tempo
é o único que não vai à falência


“Aqui, no Banco do Tempo (BT), não queremos dinheiro nem subsídios de ninguém, apenas queremos dar horas e receber horas; o BT é o único que não vai à falência.” No final da entrevista, Jorge Neves, um dos coordenadores do BT de Ílhavo, sintetizou de forma lapidar o que é esta estrutura, criada pelo Graal.
Aposentado das suas obrigações profissionais, pensava que ficaria livre, mas está completamente ocupado. “110 por cento envolvido em trabalhos de casa, pertenço ao Grupo Poético de Aveiro, digo poesia e estou no BT”, disse.
O “bichinho” da solidariedade surgiu-lhe quando o Diniz Vizinho, “que é o maior entusiasta deste projecto”, o convidou, em 2008, para o ajudar a reorganizar o Banco, que estava um tanto ou quanto adormecido, depois de ter sido criado em 2002.
As dificuldades que encontraram foram muitas, mas tudo se compôs e hoje já há 50 pessoas que aceitaram trocar horas, ao jeito do espírito de vizinhança, o qual está a perder-se com o corre-corre da vida dos nossos tempos.
Segundo Jorge Neves, “os ilhavenses mostravam-se um pouco cépticos, à espera do que isto iria dar; também mostravam algumas reticências em admitir que alguém entrasse em suas casas, para partilharem ajudas”. E acrescentou: “As pessoas gostam mais de dar do que pedir.”
Sabendo que é cada vez maior o número de idosos nas nossas comunidades, graças à esperança de vida que continua a crescer, Jorge Neves adiantou que muitos ficam “inactivos e descrentes da vida, caindo na solidão”. Torna-se necessário, por isso, envolver essas pessoas em tarefas que lhes dêem prazer. E explicou: “durante a vida profissional faziam sempre as mesmas coisas, deixando de lado gostos que ficaram à espera de poderem ser realizados; agora podem concretizá-los, porque têm tempo para isso; só precisam de ser estimulados, tarefa que nos cabe a nós.”
Recordou o caso de uma senhora que vive só, porque os filhos trabalham e residem longe. “Um dia foi apanhar umas folhas de couve ao quintal para uma sopinha; sentiu-se mal e caiu; sem poder levantar-se, ali ficou 24 horas, suportando o frio da noite e a angústia de não ter quem lhe valesse. Passado esse tempo, uma vizinha estranhou a sua ausência e foi encontrá-la naquela situação. Felizmente resistiu.”
“Este exemplo – sublinha – leva-nos a cultivar o gosto de olhar para o lado, porque a solidariedade não é nem pode ser uma palavra vã; tem mesmo de ser vivida e trabalhada 100 por cento, por cada um de nós e por toda a comunidade.”
Maria de Lurdes está no BT desde o início. A primeira fase foi desanimadora, mas agora, felizmente, há mais motivação. Neste momento dedica quatro horas semanais à confecção de bonecas, em colaboração com Maria das Dores, para serem enviadas para a Guiné.
Muito importante foi, sem dúvida, conseguir estimular um vizinho que ficou sem as pernas de um dia para o outro. Como é membro do BT, envolveu-o na tarefa das bonecas. “Quando lhe falei para colaborar, ele ficou muito emocionado”, frisou a Maria de Lurdes. E explicou: “O BT tem de olhar para casos de pessoas que estão em situação difícil e que precisam de incentivos, para não pensarem nas doenças.”
A Maria de Lurdes confessa que não gosta muito da cozinha. “Se puder fugir da cozinha, fujo!” Por isso, pediu ao banco alguém que a pudesse ajudar na confecção de comida para uma filha, que exerce a sua profissão no Porto. E lembrou que os pedidos e ofertas de horas têm de ser feitos no BT, directamente ou pelo telefone. “Isto não é um clube de amigos”, referiu.
Uma senhora aderente logo se prontificou a fazer aquilo que a Lurdes desejava. Como as trocas podem não ser directas, outros membros do banco trataram-lhe do jardim e pintaram-lhe uma parede. A Lurdes, contudo, já foi passar a ferro.
Maria das Dores, que colabora na confecção das bonecas, também aderiu ao BT desde a primeira hora. Ofereceu-se, no acto da inscrição, para estar com idosos necessitados de companhia, escrever cartas e ler a quem não o possa fazer, ajudar em tratamentos, seguindo instruções de enfermeiros, e cuidar de crianças.
Considera importantíssimo o espírito de entreajuda, o que a leva a falar do BT, com o objectivo de cativar mais gente para este serviço. Os que aderem precisam, naturalmente, de ser apoiados na integração. Mas a Maria das Dores ainda lembrou outras tarefas, entretanto programadas. Como Ílhavo é uma terra de marinheiros, sabe-se que muitos homens, com carro próprio, já não podem conduzir, estando impossibilitados de ver o mar e de passar pelas nossas praias. Pois isso vai ser feito, com alguém do BT a conduzir os seus carros.
Jorge Neves esclareceu que os membros do BT não são apenas pessoas reformadas ou aposentadas. “Temos bastantes com os seus empregos, incluindo crianças.” Crianças? E apontou três exemplos: “Uma, depois de ouvir histórias contadas pela avó, começou a contar-lhe as suas próprias histórias; outra veio ao banco pedir que lhe indicássemos uma colega que quisesse passear com ela de bicicleta; outra, menina de 13 anos, ofereceu-se para fazer fosse o que fosse; as primeiras tarefas foram passar a ferro no Lar de São José e andar com velhinhos nas suas cadeiras de rodas.”
O Lar de São José foi o aderente n.º 1. Nessa linha, o BT substitui alguma voluntária que falte, na hora de passar a ferro, e no Verão disponibilizou-se para conduzir o autocarro do lar, transportando os idosos para a praia e acompanhando-os.
O BT de Ílhavo está ligado ao Banco Central, coordenado pelo Graal. Há uma rede de 27 BT no país, todos motivados para apoiar a família e a conciliação entre a vida profissional e a vida familiar, através da oferta de soluções práticas da organização da vida quotidiana. Desta forma, pretende-se construir uma cultura da solidariedade, promovendo o sentido de comunidade, o encontro de pessoas que convivem nos mesmos espaços e a colaboração entre gerações. No fundo importa construir relações sociais mais humanas, valorizando o tempo e o cuidado dos outros, estimulando os talentos e promovendo o reconhecimento das capacidades de cada um.
Em Ílhavo, o BT mantém uma parceria institucional com a paróquia de São Salvador, contando com apoios pontuais da CGD (para a confecção de cartazes), Jornal Ilhavense e Rádio Terra (para a difusão dos ideais e projectos do banco) e Junta de Freguesia (para despesas de água, luz e telefone).

Fernando Martins
 

Caras e corações


Será que existe a razão pura? Sem mancha de interesses ocultos, envolvências afectivas, ziguezagues de simuladores ardilosos? Segundo Kant essa razão cristalina, límpida, transcendental, criaria a grande base da ciência. Se é possível ter acesso à ciência, também é possível ter acesso ao bem.
Que terá tudo isto a ver com as eleições, concretamente as autárquicas?
A verdade do governo da cidade não vem muitas vezes duma ideologia, dum projecto, duma razão pura e objectiva. Nem sequer dos confrontos teatrais ou cómicos largamente expandidos nas televisões. Desta vez não há figuras mitificadas pelos media.
Estamos perante um voto de proximidade, vizinhança, com nome familiar, presença nos acontecimentos da comunidade, que ajuda a desenhar a cidade velha e a construir a nova cidade. Mas também a rua, o bairro, o muro, a casa, a janela, o canteiro das flores e o candeeiro em frente. Esse rosto tem poder, o seu governo, os seus ministros, que se reúnem, discutem e decidem. Aprovam e recusam, erguem e derrubam. Tudo ao pé da porta, com gente que a terra viu nascer, fazer-se doutor ou engenheiro, ou nunca aprendeu nada na vida a não ser passear-se por gabinetes e riscar sentenças. Certas ou erradas, desabam sobre o quotidiano da comunidade, no caminho que percorre, no asfalto às ondas ou nas estátuas por vezes inúteis que nada assinalam a não ser quem as mandou construir. Mas também quem se dá pela comunidade, a acompanha na sua festa e na sua dor. Quem vê e acompanha por dentro os grandes tempos e as rotinas da aldeia deserta e esquecida.Com testemunhos históricos: o pelourinho, a igreja, a escola, festa anual e esse orgulho com que cada um diz que esta é a sua terra.
Grande parte dos votos tem este cenário e recai sobre pessoas mais que conhecidas. Por isso se pergunta: será que o coração deixa funcionar a razão na eleição dos governantes locais? Será a comunidade lúcida na escolha dos homens e mulheres que vão gerir os seus destinos? Não será necessário escolher os melhores em vez dos mais amigos e simpáticos? Haverá democracia na miscelânea de interesses imediatos e de conluios com caciques com fachada de benfeitores?
Evocar Kant para lembrar que a razão deve funcionar nos grandes tempos pessoais e comunitários, é apenas aceitar que importa ver corações para além das caras. E que, como disse Jesus: “a verdade vos libertará”. (João 8, 32)

António Rego

terça-feira, 6 de Outubro de 2009

IMIGRANTES: Portugal é o país mais generoso




Ao nível do acolhimento dispensado aos imigrantes, as Nações Unidas consideraram o nosso País como o mais generoso de todos. Assim  o afirma o Relatório do Desenvolvimento  Humano de 2009, ao sublinhar que Portugal foi considerado o mais bem classificado na atribuição de direitos aos imigrantes, em especial nas áreas da educação e da saúde. Por isso,  não vale a pena passarmos a vida a gritar que somos maus em tudo. Não somos. Neste como noutros sectores, estamos, afinal, bem classificados.

AMÁLIA: A minha simples homenagem


O FIO DO TEMPO: O lugar da UNESCO




1. Olhando os sinais do mundo, para além da agitação de campanha do nosso quotidiano mais próximo, valerá a pena reparar em importantes passos andados na UNESCO. Se a educação, nos países de liberdade democrática, é apresentada como o factor essencial de progresso humano e social, então as instâncias mais amplas na proposta de indicativos para a educação hão-de ter lugar de referência central. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), cujo lugar-sede é em Paris, é uma dessas organizações primordiais que têm emanado continuamente e com pertinência documentos, recomendações e conclusões a propósito das mais variadas matérias.

2. A UNESCO foi fundada a 4 de Novembro de 1946, «com o objectivo de contribuir para a paz e segurança no mundo mediante a educação, a ciência, a cultura e as comunicações». Com propósitos tão nobres o seu lugar haveria de sair reforçado, sendo os seus preciosos documentos resgatados do público especializado para o público em geral. Por vezes é estranho observar como, quer na sociedade do conhecimento e da comunicação, quer nos designados sistemas educativos formais, ainda há tão pouco lugar para estes grandes documentos estruturantes, pensados por investigadores de diferentes formações e culturas. Como é possível que sobre determinados assuntos de plena actualidade haja tão pouco lugar para o pensamento daqueles que já passaram pelas mesmas dúvidas socioeducativas que hoje temos?

3. A UNESCO a 23 de Setembro elegeu para directora-geral a diplomata búlgara Irina Bukova. É a primeira mulher eleita para a responsabilidade de presidir à UNESCO. Do seu programa de ideias destacam-se, no espírito das raízes da organização, o respeito pela cultura da paz e o património cultural como factor de desenvolvimento. Eleição que honra a instituição em fase de renovação e que poderá despertar a comunidade para que o lugar da UNESCO seja a casa de cada um.

Alexandre Cruz

Por que razão prefiro o jornal i?




Nunca gostei de virar a cara a novos projectos jornalístico. Acontece, porém, que a maioria das vezes me fico pelos primeiros números e logo desisto, quando verifico que, afinal, é mais do mesmo. Com o i não foi assim. Fui-me habituando à arrumação diferente e a uma escrita simples, objectiva, sintética. As crónicas e reportagens, de um modo geral, dizem o essencial, com sínteses bem elaboradas e sem mais complicações.

Os editoriais, marcados pela actualidade, são esclarecedores. Entrevistas que não cansam e temas que muitos esquecem. Enfim, um jornal que se lê com agrado, fácil de manusear, com as folhas presas por agrafos, evitando o tempo que se perde para o manter em ordem.

Foi tudo isto, e mais, o que disse a quem me tem questionado por mudar de jornal diário. Até no quiosque estranharam a mudança. Mas a vida tem destas coisas. Quando é preciso mudar, não podemos nem devemos ficar agarrados a sentimentalismos.

Curiosamente, há dias li a notícia de que o director do i havia sido convidado para um congresso, na Índia, de directores de jornais, porque se tratava de um jornal inovador. Hoje, li que o “Guardian” classificou o i como um dos jornais mais inovadores do mundo. E acrescenta a notícia: “Depois de apresentar as quatro secções do novo diário português como ‘radicalmente invulgares’, o britânico salientou o design do jornal, por ‘responder àquilo que os leitores procuram’”. Agora, só leio o PÚBLICO quando sei que nele escrevem cronistas que aprecio. Afinal, não me enganei com a mudança.

FM

Rir é, mesmo, o melhor remédio

O riso é remédio santo para muitos males



No Diário de Aveiro vi uma notícia que me despertou a curiosidade e que merece uma atenção especial. Fala ela de Mónica Arvins, que abriu uma turma de Risoterapia, na Gafanha da Nazaré. Pela novidade e talvez oportunidade, quando a sociedade nos obriga, com frequência, a andar tristonhos e cabisbaixos, vale a pena pensar numas boas risadas programadas e sabiamente orientadas. Leia aqui e não fique parado. O riso, afinal, desde tempos imemoriais, é remédio santo para muitos males.

Ainda a Praia dos Tesos