quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

PERCEBEU?


O país precisa
de ter caminho.
Porque está à beira
do abismo


"A verdade é que Cavaco Silva ocupou uma fatia do seu discurso dizendo que nunca se referiu a quaisquer escutas e uma segunda fatia do seu tempo lançando um violento aviso aos seus assessores (só o Presidente fala pelo Presidente). Depois tira uma terrível conclusão, que lança uma nuvem de suspeitas - seja ao acusar (quem?) de fazer uma campanha eleitoral desviada do essencial, seja de manipular a opinião pública durante a mesma campanha. E por fim acusa incertos de tentarem colá-lo ao PSD. Por fim, exige esclarecimentos. A quem? Uma conclusão para bom entendedor: Cavaco não pode ver Sócrates nem pintado."


Martim Avillez Figueiredo, director do i
Ler o Editorial do i aqui

Resultado eleitoral e perspectivas de futuro

A minha opinião,
agora e aqui expendida,
é pessoal, livre,
sobre o acontecimento,
e que só a mim compromete


"Se o novo governo olhar com olhos objectivos e críticos a realidade do país, aceitar o contributo de uma oposição lúcida e esclarecida, não adaptar as exigências da democracia aos seus interesses, dispensar gente que já mostrou que mais divide que concilia e constrói, contar com as capacidades da sociedade civil, fizer uma política humanista com critérios claros e valores duradoiros, respeitar o povo com as suas convicções profundas e os seus valores religiosos, morais e éticos, tomar consciência de que o orgulho confunde e empobrece e só a humildade dá lucidez e coerência, respeitar e defender a família, única instituição natural indispensável, corrigindo os erros graves já cometidos que a destroem e minimizam, for vanguardista no respeito pela verdade e pela isenção, der aos pobres condições de vida digna e não apenas subsídios de dependência, proporcionar aos jovens perspectivas sérias de futuro, respeitar quem traba-lha e lutar, sem tréguas, pelo direito ao trabalho e à paz social… então, o povo que votou maioritariamente PS não se sentirá iludido nem enganado e o partido vencedor não tirará da vitória senão a responsabilidade diária de melhor servir a todos e a ninguém esquecer."

António Marcelino
Ler todo o texto no Correio do Vouga, em Opinião, aqui

Postal Ilustrado: Farol e Pilotos da Barra



O Farol da Barra, posso garanti-lo, não está a cair. O que se vê não passa de um efeito fotográfico. Ao lado, no edifício dos Pilotos, as gaivotas resolveram descansar das suas fadigas, por vezes agitadas. E ali estavam elas, quais pilotos, a observar os barcos que hoje de manhã entravam e saíam num movimento já conhecido.

O FIO DO TEMPO: A urgente saída do beco



A política portuguesa
 navega por águas
pouco cristalinas



1. Já muita gente, de muitos quadrantes de pensamento, foi dizendo que a política portuguesa navega por águas pouco cristalinas. Compreender-se-ão sempre as tensões na luta pelos ideais por correntes de pensamento diversas; reconfirma-se a anemia social do factor participação que se espelha no aumento da abstenção eleitoral nacional. Eleições atrás de outras – na verdade prudente de que são actos distintos – confirma representar uma sobrecarga de mensagens, apelos, gritos, num panfletário e menos ideário em que se foi tornando a torrente dos apelos políticos. Cada campanha que se abre (e que continua), nem que os próprios não queiram, tornou-se uma rotina imagem que vence o conteúdo, de quantidade que triunfa sobre a qualidade.

2. Permanece por compreender o fenómeno perturbador em que quanto mais se grita menos se participa. Talvez na era de todas as comunicações será quando mais complexo se torna fazer passar a mensagem. A débil sociedade civil portuguesa ainda vai mais pelo «saiu na televisão» que pelas ideias concretas. A abertura continuamente dinâmica ao futuro, neste contexto, torna-se muito mais longínqua quando não asfixiada. Não se pode deixar que os sentimentos do sombrio, a «vulnerabilidade», a «escuta», a corrupção, a dúvida sistemática, o crime, o «alegadamente», a contínua suspeita… tomem conta das gentes do país. Um adolescente ou jovem que veja (com olhos de ver) as notícias fica com medo de aqui apostar a sua vida…

3. Talvez existam, de modo isento, razões para se dizer que têm sido semanas “loucas” a caminhada para o «beco» em que se foi tornando o cenário político português. A ideia credibilidade, diluindo-se na «vulnerabilidade» partilhada pelo presidente da república no discurso ao país (29-09-09), deixa tudo na mesma e tudo diferente. Se o presente já era difícil, o futuro apresenta-se mais incerto. À fundamentação para acordos capazes da saída do beco terá de presidir: uma maturidade cívica e democrática renovadas…?

Alexandre Cruz

terça-feira, 29 de Setembro de 2009

Os políticos que temos

Face ao que está a passar-se na política portuguesa, apetecia-me virar a cara para o lado e desligar-me de vez disto tudo. Ninguém se entende. Melhor: muitos lutam para não entendermos nada, tal a confusão a que se chegou. Porém, não posso olhar para o lado.


Se assumo, desde há muito, comportar-me pela positiva, tenho de acreditar que, mais dia menos dia, todo este ambiente tem de mudar, de forma que seja possível ver nos nossos políticos (falo no abstracto) gente de bem, de carácter, com comportamentos irrepreensíveis, porque assentes na ética.

Estamos, realmente, a dar uma triste figura ao mundo civilizado e, internamente, aos jovens, que começam agora a despontar para a política, uma ciência nobre, que tem por missão servir a cidade, os cidadãos e o país. Mas será isto possível com os políticos que temos? Ainda acredito que sim.

FM

Papa em Portugal


Fátima

Estará na Cova da Iria o teólogo que interpretou
a relação de João Paulo II com
a Mensagem de Fátima

"Como em anteriores deslocações apostólicas, a proximidade com Bento XVI tem oferecido oportunidades para descobrir no actual Papa características de liderança marcadas pela profundidade da reflexão científica e pastoral. Também pela atenção aos problemas das sociedades que visita, sabendo denunciar injustiças e construções sociais que afectam a pessoa humana na sua dignidade e naturalidade, numa atenção muito estreita às circunstâncias políticas, económicas, culturais e religiosas do País onde é acolhido. Assim acontecerá também em Maio próximo."

Paulo Rocha

Ler todo o texto aqui

O FIO DO TEMPO: O triunfo da exigência





1. O nosso Beira-Mar conseguiu a terceira vitória consecutiva. Após um início de campeonato negativo, o clube aveirense sobe ao 4.º lugar da Liga Vitalis. Nestas horas existem normalmente vozes disponíveis a encabeçar a argumentação dos triunfos. Mas o mérito estará em quem persiste nos bastidores e em quem procura incutir uma filosofia de trabalho. Os clubes de futebol de primeira linha, com os heróis tão novos em idade mas velhos em famas jornalísticas, são um labirinto onde os patamares da exigência navegam numa difícil fronteira. Apesar de… tal como não se duvida que a exigência de Pinto da Costa tem “feito” o Futebol Clube do Porto assim não se duvida que o treinador do Benfica tem conseguido os triunfos às custas do trabalho disciplinado.

2. De entrevistas do fim-de-semana desportivo – do mundo político os palcos foram outros! – destacava-se no que aos aveirenses diz respeito o papel do treinador dos beiramarenses, Leonardo Jardim. Fica claro, também no futebol local, que o método de trabalho, o rigor e a disciplina são a escola do triunfo. Regras, valores e princípios, não são assim algo de desprezível mas afirmam-se fortemente como potencial vencedor. Também esta fase do ano aos mais variados níveis, muito para além dos futebóis, poderá receber das quatro linhas esta matriz planificadora e rigorosa. A exigência, o querer progredir cada dia no sentido dos ideais e das causas que se sentem que são o caminho a seguir serão valores inultrapassáveis.

3. Mesmo que ao jeito social e polémico a verdade é que os treinadores (re)pararão a analisar os métodos de José Mourinho; relativizando as famas e passerelles, o certo é que os jogadores de futebol com futuro olharão para os métodos de trabalho exigente e inspirado de Cristiano Ronaldo. Não nos fiquemos pelo futebol, façamos a transferência para a vida social. Aos métodos para o triunfo não pertencerá a abstenção vencedora. Aliás, a campanha continua!

Alexandre Cruz

CMI patrocina oficialmente CD de Jacinta



CD  de Jacinta vai ser distribuído pelo jornal i


O Executivo Municipal ratificou uma proposta que estabelece a CMI como patrocinador “oficial” do novo trabalho discográfico da cantora Ilhavense Jacinta. O CD, intitulado “Songs of Freedom”, será lançado em meados de Outubro e distribuído pelo “Jornal i”, com uma tiragem de 50 000 exemplares.

Este apoio publicitário de 7500 Euros teve a sua primeira aplicação no Concerto de Jacinta realizado no CCI em Agosto. No final foi distribuído um CD promocional com dois temas deste novo trabalho.

Esta é mais uma aposta nos valores da Cultura Ilhavense e na crescente notoriedade da marca “Jacinta”, que quis através deste trabalho promover o CCI, fazendo desta casa o local de lançamento deste novo CD.

Fonte: CMI

Um poema para começar o dia


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ANTES DA NOITE

Antes da noite
cega
a luz do poente
como poalha de oiro
debruando os cúmulos
vem encher-nos de graça.

Maria Vitalina Leal de Matos

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segunda-feira, 28 de Setembro de 2009

Conselho Geral da Universidade de Aveiro elegeu Presidente e nomeou Provedor do Estudante

Duas personalidades
de peso para a Universidade



O presidente do grupo Jerónimo Martins, Alexandre Soares dos Santos, é o novo presidente do Conselho Geral da Universidade de Aveiro. A eleição, por unanimidade, decorreu Sexta-feira à tarde, 25 de Setembro, durante a reunião deste órgão de governo da UA a quem compete, entre outras responsabilidades, a eleição do Reitor. Também o nome do Provedor do Estudante recolheu a unanimidade dos membros do Conselho Geral. O Mestre Alexandre Cruz vai exercer, por três anos, este cargo de defesa e promoção dos direitos e interesses legítimos dos estudantes.




Não podia deixar de me regozijar com a nomeação do meu amigo e colaborador do Pela Positiva Alexandre Cruz para o cargo de Provedor do Estudante, numa Universidade onde ganhou o estatuto de Mestre. Universidade que ele conhece como poucos, conhecimento esse que lhe vem do contacto diário que, ao longo de anos, manteve com inúmeros estudantes, no Centro Universitário Fé e Cultura. Por tudo isso, e ainda porque conheço a sua capacidade de trabalho e o seu espírito humanista, tenho a certeza de que os estudantes vão ter nele um amigo à altura de os ajudar na defesa dos seus interesses, numa perspectiva de construção de uma sociedade mais fraterna.
 
FM
 
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Efeméride: Confúcio

O Google lembra,
com alguma regularidade, a abrir,
 efemérides famosas.

Confúcio


Confúcio (551 a.C. - 479 a.C.) é o nome latino do pensador chinês Kung-Fu-Tse. Foi a figura histórica mais conhecida na China, como mestre, filósofo e teórico político. A sua doutrina, o confucionismo, teve forte influência não apenas sobre a China mas também sobre toda a Ásia oriental.
Conhece-se muito pouco da sua vida. Parece que os seus antepassados eram nobres, mas o filósofo e moralista viveu pobre, e desde a infância teve de ser mestre de si mesmo. Na sua época, a China estava praticamente dividida em reinos feudais, cujos senhores dependiam muito pouco do rei.

O FIO DO TEMPO: A justiça esmiuçada




1. Claro que a notícia do jornal diário passou despercebida pelo envolvimento e azáfama geral nas legislativas do fim-de-semana. O título – «juízes indignados com a classe política» –, noutra altura do ano chamaria para a primeira página as declarações de Noronha do Nascimento (Supremo Tribunal de Justiça). Regista-se o implorado pedido para os magistrados terem «mais poderes para evitar atrasos nos tribunais», querendo «saber por que razão são responsabilizados quando cometem erros e os políticos não quando as suas leis ferem direitos fundamentais de cidadãos» (?!). A questão não é simplista nem recente e abre portas a esmiuçar um dos pilares fundamentais da sociedade de direito, a justiça.

2. Noronha do Nascimento referia-se com pertinência e num olhar de transversalidade ao diploma de 1 de Janeiro de 2008 que prevê que o Estado seja processado por erros graves que sejam cometidos por magistrados no exercício da actividade no tribunal, mas em que agora o Estado poderá, após indemnizar os lesados, exigir ao juiz esse reembolso na circunstância de se provar a existência de “erro grosseiro”. Sendo certo que este erro poderá ter muitos contornos, até no foro da subjectividade, a verdade é que esta abordagem parece abrir portas a uma desconfiança que fragiliza a justiça que se procura implementar. A este designado “direito de regresso”, que está a deixar os magistrados inseguros, pertencerá a ideia de exigência e de responsabilidade…, mas de quem delas desconfia.

3. Não sendo o cenário da justiça em Portugal o melhor dos mundos, agora os juízes, como refere António Martins (Associação Sindical dos Juízes Portugueses), «têm uma espada de Dâmocles em cima da cabeça em cada decisão que proferem». O cidadão, em busca de pontos de referência…já sentia a baixa de autoridade saudável das autoridades, já vivia a ansiedade da morosidade da justiça e agora recebe a confirmação que o sistema desconfia de si próprio ao criar este apertão aos juízes. Não é fácil resistir a tanto esmiuçar!

Alexandre Cruz

Para reflectir...



Ainda Vou Fugir

Ainda vou fugir.
Quero ir para longe, para um país onde se fale uma língua estranha à minha percepção.
Em terra alheia, ouvindo sem entender o fluir de palavras desconhecidas,
adivinharei uma outra fala.
Aprenderei a dizer e a escutar, a escrever e a ler outras sonoridades.
Com ardor e paciência, transmitirei um dialecto sem impostura à língua do meu nascimento.
Dar-lhe-ei uma intimidade atenta e firme,
a transparência do vidro puro.

J. Alberto de Oliveira

domingo, 27 de Setembro de 2009

PS vence com maioria relativa

Esta vitória do PS, para mim, tem um significado: os portugueses disseram que preferem Sócrates, mas um Sócrates sem arrogância e mais dialogante. Penso que o primeiro-ministro aprendeu a lição.

Face a estes resultados, é óbvio que  vai ter muito cuidado na escolha dos ministros, que têm de ser competentes, capazes de ouvir o povo, atentos aos poderes autárquicos e abertos às melhores propostas, venham elas de onde vierem. Ministros que lutem por uma sociedade inclusiva, por uma justiça célere e igual para todos, por um progresso sustentável, por uma educação integral de mãos dadas com as famílias, por um ensino que prepare para a vida, por empregos estáveis e por uma solidariedade atenta.

Estamos todos cansados de guerras verbais, de desemprego, de corrupção real ou virtual, de empresas falidas, de endividamentos cada vez maiores e de pobreza que se mantém há uns 20 anos, sem solução à vista. Importa agora que Sócrates organize um Governo credível, transparente e sensível, para que possa dar garantias de estabilidade. Portugal e os portugueses precisam mesmo de estabilidade, para poderem esperar e lutar por um futuro solidário com mais tranquilidade.

FM



O FIO DO TEMPO: A Carta das Nações Unidas




1. O líder líbio, Muamar Kadafi está a comemorar os 40 anos no poder. Talvez esta longevidade no poder dê azo acrescentado aos improvisos e extravagâncias habituais que caracterizam o líder líbio e o trazem, a par de meia dúzia no mundo, para as capas dos jornais por motivos ao arrepio do bom senso. Há dias a tribuna das nações unidas foi o palco (melhor haveria?!) para a sua afirmação se situar em dois planos antagónicos: primeiro, defende o extremismo talibã; segundo, elogia o presidente Obama. Que dizer?! Talvez seja a derradeira forma diplomática de argumentar de Kadafi no rumo do seu sonho de imperialismo islâmico para a África... Nesse discurso de uma hora e 35 minutos, ignorando as regras da Assembleia das Nações Unidas, Kadafi conclui surpreendendo com o gesto do rasgar da Carta das Nações.

2. Sabe-se que este documento fundador, Carta das Nações Unidas ou Carta de São Francisco – assinada por 51 estados membros originais em São Francisco, EUA, em 26 de Junho 1945 – tem uma matriz tipicamente ocidental. Foi-se tornando relevante o seu peso congregador e foi crescendo o seu alcance em momentos destacados como o dia 10 de Dezembro de 1948, data da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Hoje este universalismo, encaminhado a partir da segunda grande guerra, consegue espelhar-se nas 192 Nações que se fazem representar na Assembleia-Geral da ONU e nas múltiplas abordagens documentais que procuram informar e envolver todas as latitudes do pensamento e acção humanas, também na linha essencial: educativa (UNESCO).

3. O gesto rasgador de Kadafi tem muito que se lhe diga. Uma atitude simbólica perturbadora que questiona fortemente o senso de quem rasgou, mas também o motivo por que rasgou: nessa altura ele atacava o domínio efectivo – do direito de veto – dos cinco membros do Conselho de Segurança: China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia. Repensar a ONU? Da sua raiz ocidental à sua efectiva (onto)universalização?

Alexandre Cruz

sábado, 26 de Setembro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 150

BACALHAU EM DATAS - 40
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Gil Eanes
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FINALMENTE NAVIO-HOSPITAL...

Caríssimo/a:

1941 - «A primeira bênção [dos navios bacalhoeiros] foi protagonizada pelo Padre Cruz, passando depois a ser presidida pelo Cardeal Patriarca de Lisboa e posteriormente – de 1941 em diante – pelo arcebispo D. Manuel Trindade Salgueiro, conhecido por “bispo do mar”, natural de Ìlhavo, cujas origens se ligavam estreitamente ao mar e à pesca, pois era filho de pescador morto em naufrágio.» [Creoula, 16]

«O mestre Benjamim Mónica reatou a construção naval em madeira na Figueira da Foz [Murraceira], iniciando a construção de dois lugres, em madeira, em finais de 1941. estes deram trabalho a 250 homens, num “verdadeiro formigueiro humano”, inserindo os estaleiros da Murraceira na renovação da frota bacalhoeira preconizada pelo Estado Novo. Em 1943, os estaleiros da Murraceira entregaram as duas unidades. Tratava-se dos dois primeiros navios-motor em madeira da frota nacional e os futuros modelos “tipo CRCB”. A sua traça esteve a cargo do Engenheiro Naval Capitão-tenente J. Valente de Almeida e foram baptizados com os nomes BISSAYA BARRETO e COMANDANTE TENREIRO. Tinham capacidade para 660 t de carga de bacalhau cada e foram equipados com motor diesel de 500 CV, frigoríficos, TSF, luz eléctrica e aquecimento.» [Oc45, 116]

1942 - «Os estaleiros de Alcochete participaram na reestruturação da frota da pesca do bacalhau, em 1942, com a reconstrução do lugre-motor em madeira FLORENTINA, de 700 t e capacidade de albergar 420 t de bacalhau. Este lugre foi alvo de melhoramentos a nível das instalações dos tripulantes e dotado de aparelhagem moderna. Esta reconstrução decorreu sob as ordens do mestre José Maria e do Capitão Manuel Lourenço. O casco do antigo lugre-escuna TERRA NOVA dava lugar ao FLORENTINA, com capacidade para albergar 60 pescadores.» [Oc45, 114]

ASSISTÊNCIA SANITÁRIA «[D]epois o GIL EANES, navio comercial alemão, refugiado em águas portuguesas e arrestado pelas nossas autoridades aquando do início da I Guerra Mundial. Mas este navio que ao serviço da Armada Portuguesa os mais variados serviços alternados – cruzador, transporte de tropas e matérias primas, apoio à nossa gente nos Grandes Bancos, cabotagem entre as ilhas açoreanas, viagem ao Oriente, etc. - só em 1942 viria estabilizada a sua condição de navio-hospital, de apoio exclusivo à frota portuguesa, data em que por decreto ministerial foi abatido aos serviços da Armada e transferido definitivamente para a SNAB – Sociedade Nacional dos Armadores de Bacalhau. Sob a bandeira da nova companhia faria mais vinte e sete viagens aos bancos da Terra Nova e Gronelândia, como navio-hospital e de apoio logístico à frota portuguesa. A sua última campanha fez-se em 1954... » [Vd.1923 e 1955] [HDGTM, 43]

5 de Junho – O lugre-motor MARIA DA GLÓRIA é bombardeado por um submarino alemão e afunda-se.

Manuel

Dois milhões de pobres. Dar dinheiro não compensa



O jornal i abordou o tema da pobreza em Portugal, adiantando: "Há dez anos que a população pobre (18%) é a mesma. Assistencialismo  não resolve o problema."

O combate à pobreza em Portugal não funciona e é caro. A conclusão é dos especialistas que se reuniram este sábado na Faculdade de Economia do Porto para perceber "o que sabemos sobre pobreza em Portugal".


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Crónica de um Professor: DEL - Dia Europeu das Línguas


À mesa servem-se Línguas
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Tinha um ar resoluto, aquele Ruiguila!

Tinha um ar resoluto, aquele Ruiguila!

De estatura baixa, dois palmos de gente....cabelo em crista incipiente e o brinco bem assertoado na orelha, lá entrava ele na sala, com o seu ar de liderança. Era já veterano na Escola, apesar de estar apenas no 5º ano. A sua postura de inata contestação, aliada a uma pretensa assertividade, haviam-lhe granjeado o papel de Assessor do D.T. Este, com a larga visão da sua função docente, tinha-o empossado em funções que lhe iriam desenvolver e alimentar a auto-estima. Com esta em níveis satisfatórios era fácil conquistá-lo para o contrato pedagógico. A ajuda que deu ao D.T. no dia da apresentação e recepção, aos caloiros, foi a prova máxima da sua eficaz colaboração.

A atribuição de responsabilidades a este género de alunos, tem-se revelado uma estratégia eficiente no auto-controle da irreverência e impulsividade.

Logo nas primeiras aulas de Inglês, o Ruiguila revelara um interesse inusitado pela disciplina e a fraca reputação que o seu aspecto sugeria, parecia ser injustificada, aos olhos da teacher. Fazia perguntas sobre vocabulário que não fora ainda leccionado, sobretudo aquele que faz parte do léxico de qualquer adolescente, no relacionamento com o sexo oposto!

Acabou por revelar, em frente à turma, que conhecera uma francesa (!?) nas férias passadas e tivera necessidade de falar com ela. Gostou daquela mulher (!?) e na sua ingenuidade eivada de pragmatismo, quis confessar-lho, de viva voz. Mas... eis que depara com a barreira da língua. E... nem só de gestos vive um galanteador! Vai daí, o nosso herói põe os neurónios a funcionar e pensa como há-de fazer chegar, à eleita, os arroubos da alma que aquela figura feminina suscitara.

- Francês, não sei falar, está fora de questão! Mas... ah! Espera aí! Ela deve saber falar Inglês, como qualquer jovem hoje em dia!

Usando os parcos conhecimentos que possuía, não precisou de intérprete. Cavalheiro que se preza não põe as palavrinhas doces em boca alheia! Essas têm que ser usadas em primeira língua e... como o povo diz, acertadamente, estão sempre na ponta da mesma!

Assim se descartou o rapaz da dificuldade de comunicação e quis ali, em plena aula, certificar-se dos termos que havia usado e que guardaria para ocasiões futuras! I love you, kiss, my darling, sweetheart... etc, vieram à baila e foram o campo semântico, ali aprendido e partilhado por todos. Quem sabe quando voltarão a ser usados, aqueles termos... por esta gente de palmo e meio, que cada vez é mais precoce!?

Foi hilariante este desfiar de “experiência” no campo linguístico dos afectos! A teacher, sempre “oportunista”, serviu-se deste episódio fortuito que ocorreu na aula, para lhes falar sobre a importância e a necessidade de aprender línguas estrangeiras, neste particular, o Inglês.

Constituem uma mais-valia para qualquer cidadão do mundo e permitem-lhe um alargar de horizontes, nas múltiplas possibilidades de conhecer novas gentes, novas culturas, novas civilizações. Contribuem para uma mundividência mais universalista, pois potenciam o aprofundar do conhecimento.

E... lá no seu íntimo, a teacher rejubilou por ter, há décadas atrás, feito esta escolha profissional! Afinal, sempre há males que vêm por bem! Os efeitos perversos da Torre de Babel, permitem-lhe, hoje, angariar o seu ganha-pão, que de outra forma não teria cabimento.

M.ª Donzília Almeida

26.09.09

AS RELIGIÕES EM 2050



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AS RELIGIÕES NÃO SÃO ESTÁTICAS
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A profecia repetida do fim da religião não se confirma. De facto, quando se olha para o planeta e não apenas para a Europa, constata-se que Deus não morreu nem está em vias de desaparecer da consciência da imensa maioria da Humanidade. É o que mostra um estudo independente elaborado pelo grupo La Vie e o diário Le Monde, agora acessível também em espanhol: El Atlas de las religiones.


Como escreve Rémy Michel, na apresentação, "é inegável que as religiões estão profundamente ancoradas no espaço geográfico que marcaram com as suas pegadas e que ordenam segundo as representações próprias de cada credo", mas acrescenta que "as religiões não são estáticas, evoluem, conquistam territórios, deslocam-se". Daí a importância de uma visão geopolítica da sua dinâmica para a compreensão das sociedades.

Anselmo Borges

Ler toda a crónica em DN

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Poesia nos jornais... Para quando?



Teus brincos dançam se voltas
A cabeça a perguntar.
São como andorinhas soltas
Que inda não sabem voar.

Fernando Pessoa


Sou do tempo em que os jornais publicavam poesia com alguma regularidade. Um cantinho bastava para oferecerem aos seus leitores uns poemas, normalmente curtos, para serem lidos de imediato. Eram poemas que nem sempre voltavam a ver a luz do dia e que tinham vida, por isso, de apenas umas horas. Nos semanários uma semana.

Um poema, no meio de notícias frias e nem sempre agradáveis, era como um ramo de flores, que nos ofereciam, e ainda oferecem,  em dias marcantes, e donde nunca retirávamos os olhos enquanto as suas cores e perfumes perdurassem.

Hoje, infelizmente, a poesia quase foi expulsa dos nossos jornais. E não há por aí tanta gente jovem e menos jovem ávida de mostrar a sua sensibilidade poética? Claro que estamos sempre a tempo de se reatar a antiga tradição de os jornais partilharem uns poemas, no meio de tantos cardos que dia a dia publicam. Mas há quem já o faça. Para esses os meus parabéns.

FM

Cuidados com os nomes que se escolhem para os bebés

Nomes bizarros

O jornal i publicou na quarta-feira um trabalho jornalístico sobre os nomes dados aos bebés. Diz, com razão, que há nomes bizarros que podem marcar as pessoas para toda a vida.
Hoje divulgou o melhor comentário que lhe foi enviado, por Maria Helena. Aqui fica ele:

O melhor comentário

“Concordo inteiramente com o cuidado que se deve ter com o nome que se dá aos nossos filhos. Durante a minha actividade como professora deparei-me com nomes horríveis de alguns alunos que, sofriam imenso com os comentários dos colegas. Há tantos nomes portugueses lindos, que me parece ser inadmissível que se recorra a nomes de telenovelas e não só, que nada têm a ver com a nossa cultura e que marcam de modo irreversível quem teve o azar de os ter.(...) ”

por Maria Helena

Na era da crença descafeinada



O cristianismo nasceu como uma comunidade de excluídos, na linha dos grupos excêntricos, e a verdadeira desconexão cristã “não é uma atitude de contemplação interior, mas a de um trabalho activo de amor que conduz necessariamente à criação de uma comunidade alternativa”.


José Tolentino Mendonça

Leia todo o texto aqui

quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Concurso de Bandas de Aveiro



No próximo sábado, dia 26 de Setembro, às 19 horas, vai decorrer o Concurso de Bandas de Aveiro 2009, no Grande Auditório do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro.

Bento XVI aceitou convite de Cavaco Silva


Cavaco Silva com Bento XVI
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Bento XVI visita Portugal
no dia 13 de Maio de 2010
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Segundo nota da Presidência da República, Bento XVI aceitou o convite feito pelo Presidente Cavaco Silva para visitar Portugal, pela primeira vez, em Maio de 2010, para presidir às cerimónias de 13 de Maio, em Fátima. Diz a nota:
"Sua Santidade o Papa Bento XVI efectuará uma visita a Portugal no próximo ano, em resposta ao convite que lhe foi endereçado pelo Presidente da República. Para lá do programa oficial, Sua Santidade o Papa Bento XVI deslocar-se-á ao Santuário Mariano de Fátima, onde presidirá às cerimónias religiosas de 13 de Maio."

Para uma vida mais feliz




Pôr Humor na Oração

(...)
Por vezes a nossa oração é demasiado séria. É muito importante que ela se deixe atravessar pelo humor. Aprender a rezar com Sara e Abraão, com estes dois, é aprender a rezar com os nossos risos, com os nossos impasses e descrenças, com esta espécie de jogo bem-humorado que a oração introduz. Há uma desproporção tão grande entre o céu e a terra, entre a fidelidade de Deus e a nossa fragilidade que, depois de tudo e através de tudo só o sorriso de Deus estampado no nosso rosto pode fazer a diferença. Por alguma razão o Pai do filho pródigo faz com que a sua casa se ilumine com músicas e danças (Lucas 15, 25).

José Tolentino Mendonça

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Crónica de um Professor



O Outono

O Verão, esmorecido,
Do Outono se despediu!
Agora, outro colorido
A Natureza vestiu!

O Outono pachorrento
Com seus matizes de cor
Abre a porta, à chuva, ao vento
E à paleta do pintor!

,
Este ano, o Outono chegou, suavemente, sem se ter feito anunciar por nenhum cataclismo meteorológico. Uma temperatura amena, muito agradável, tem presenteado aqueles que se deslocam, para estas paragens nas suas obrigações profissionais. Os resquícios de um Verão moribundo, a teimar em lembrar-nos as férias passadas e já gozadas, numa saudosa recordação.

No nosso clima temperado, com marcada influência atlântica, temos a sorte de assistir a uma transição suave entre as várias estações do ano, apesar de essa passagem ser cada vez mais diluída. As consequências nefastas do aquecimento global, resultantes do efeito de estufa, estão aí, bem patentes nas alterações climáticas que afectam o planeta. Não há uma separação nítida entre as quatro estações e por vezes acontecem fenómenos desgarrados, em épocas inadequadas.

Mas o Outono entrou no calendário e alguns sinais típicos desta estação, já se fizeram sentir. As primeiras aragens frescas com arrefecimento nocturno acentuado, o início do cair da folha.

Por alguma razão de sentido, chamam os Americanos, de forma poética, ao Outono, The Fall! A canção dos verdes anos, de 1970, “,Spring Summer Winter and Fall” cantada por Demis Roussos e sua banda, é uma nota nostálgica nesta estação que ora iniciámos.

É neste prelúdio de cor, que a natureza começa a vestir-se de tons dourados, acobreados e ocres, ostentando um manto de tons quentes e apelativos.

Desde cedo que fui ouvindo falar da magia do Outono, em que os artistas encontram a sua inspiração máxima. Pintores, poetas e pessoas comuns sentem esse envolvimento e esse chamamento à reflexão, à meditação numa nostalgia que, por vezes, é avassaladora.

É a altura em que o aconchego do lar tem mais pertinência e as pessoas se congregam em convívios familiares, e/ou tertúlias, em que tudo serve de pretexto para um apetecível serão, à lareira!

E... com o Outono chegam as saborosas e sempre bem acolhidas castanhas, expoente máximo da gastronomia sazonal. “Quentes e boas” é o pregão que se ouve, nas nossas ruas, ao entardecer, aliado a um aroma adocicado e quente que perfuma a atmosfera que respiramos.

Com o recolhimento antecipado, pela diminuição crescente dos dias, saboreia-se mais o conforto do lar e o convívio em família.

O homem, que neste contexto, segue o exemplo da formiga laboriosa, também se esfalfa no Verão, para usufruir na estação mais dura, o conforto e a paz do seu lar!

E vivam os serões, em boa companhia, a degustar castanhas assadas e a declamar os poetas da nossa preferência!

Mº Donzília Almeida

23.09.09

O FIO DO TEMPO: Responsabilidade de participar



Velho do Restelo
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A CONSCIÊNCIA POLÍTICA É UM DEVER CÍVICO


1. Sabe-se que as soluções para os problemas da sociedade em geral não são unívocas. Porque as próprias problemáticas e crises que se apregoam (e que surpreenderam mesmo com tanto conhecimento disponível!) não são simplistas mas complexas. A habilidade da superação, em vez de crise chamando “desafio aberto” a compreendermos os ventos de mudança, conduz a que não se pode ficar de fora quando se procura essa renovação social. Talvez a sociedade portuguesa ainda se revista muito do maior engano de todos, aquele em que o futuro acontecerá sem se participar activamente. O criticismo estático do “velho do Restelo” e o “ir à boleia” ainda habita muito do imaginário português, factores que às dificuldades acrescentam mais lentidão não propondo caminhos alternativos ágeis a (pro)seguir.

2. Ainda que seja palavra comum o generalizado apelo à participação eleitoral no próximo domingo, para que a abstenção não ganhe terreno, a verdade é que a sustentabilidade cívica e democrática terá de trazer consigo a palavra maior que a Humanidade do século XXI vai consagrando nas grandes coordenadas, a responsabilidade. O rigor e a exigência que terão de criar escola sempre em progresso conduzirão à boa expressão da liberdade que integra a responsabilidade de, para se poder exigir, cumprir o dever e o privilégio de participar. Muita reflexão crítica é feita sobre este assunto, mas em que na praxis o seu eco pouco se faz sentir. O divórcio entre as (designadas) elites pensantes e o povo concreto tem no fenómeno da abstenção – apesar de todas as emoções desagregadoras ou espevitadoras das campanhas – o seu maior hiato.

3. Sublinhe-se, se bem da quase inutilidade do sublinhado diante da surdez das bandeiras e ruídos, que a consciência política é um valor cívico para cada um, intransferível e insubstituível. É o alimentar da democracia em exercício prático, tarefa (dever) que compete a cada cidadão para o acolher ético dos direitos de cidadania numa sociedade onde todos terão vez!

Alexandre Cruz

quarta-feira, 23 de Setembro de 2009

Festa da Senhora dos Navegantes na Gafanha da Nazaré








Aspectos da festa
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Mais de cem embarcações
participaram na procissão pela ria


Mais de cem embarcações participaram na procissão de N.ª Sr.ª dos Navegantes, no domingo passado, entre o Clube Stella Maris e o Forte da Barra, na Gafanha da Nazaré. O evento de fé, tradição e cultura foi organizado pelo Grupo Etnográfico da Gafanha da Nazaré, e contou com a colaboração de entidades como o Stella Maris, a paróquia e a Administração do Porto de Aveiro.
Os três andores seguiram em três barcos diferentes. O barco de pesca “Jesus nas Oliveiras” carregou a imagem principal, a de N.ª Sr.ª dos Navegantes, que ao largo de S. Jacinto foi saudada por muitos populares, acompanhados de uma imagem com a mesma invocação e pela Banda local.
No Forte da Barra uns bons milhares de pessoas aguardaram a chegada do cortejo marítimo. Seguiu-se a Eucaristia, presidida pelo P.e Francisco Melo e um festival de folclore. Na celebração, perante autoridades e povo, comentando as leituras, o pároco da Gafanha da Nazaré realçou que a sabedoria de Deus não é antagónica em relação ao ser humano e notou que quem tende a absolutizar as suas concepções e formas de agir, cortando o diálogo, “está condenado ao fracasso”. Dirigindo-se à Sr.ª dos Navegantes, confiou-lhe “os que arrancam do mar o pão de cada dia”, as pessoas da Gafanha da Nazaré, pobres, doentes, crianças, idosos e as famílias, “sobretudo as mais desestruturadas”.
.
NOTA: Acompanhei, desde sempre, nesta segunda fase da sua existência, a festa em honra da Senhora dos Navegantes. E nunca perdi a oportunidade de presenciar a procissão pela ria, pelo colorido e alegria que ela proporciona. Este ano, porém, por razões especiais e inadiáveis, não tive esse prazer.
Desde domingo que tenho pensado na festa e no povo que a vive com entusiasmo. Por isso, não resisti a dar nota desta falta, que me levou a solicitar fotos para publicar no meu blogue. Aqui ficam elas, graças à colaboração gentil do meu amigo Jorge Pires Ferreira, director-adjunto do Correio do Vouga. Também fica o texto publicado naquele semanário diocesano.

O FIO DO TEMPO: Valores que (re)unifiquem



Aveiro acolhe
gente de várias paragens

1. Talvez haja que não ter medo da expressão valores de unidade. Esta, não existindo por si, reveste um conjunto de pressupostos princípios humanos fundamentais à prossecução dos objectivos mais nobres de toda a pessoa, instituição, comunidade. Se os tempos sociopolíticos são de valorização e assumpção sublinhada das diferenças, então por isto mesmo sejam destacadas as visões que, integrando as muitas diversidades, procuram lê-las ao serviço da unidade saudável. O ano escolar vai no seu início e a campanha das legislativas na sua fase derradeira. Antes e depois de todas as metas volantes estará a meta final da inclusão das pessoas concretas no seu tempo e espaço a que são chamadas a viver.

2. Aveiro acolhe gente de muitas paragens. Vindos de muito longe ou de mais perto, a afirmação desta terra como “lugar” cosmopolita obriga continuamente à capacidade de acolher e reunificar, no sentido da gestação de oportunidades para nos conhecermos e reconhecermos na diversidade de cada um. Recordamos o hábito sempre novo de há alguns anos no Natal se encontrarem à mesma mesa gentes da academia aveirense de mais de 30 países, da Ásia às Américas, da Europa à África lusófona e outra(s). A linguagem própria desses momentos revela o essencial da condição humana como desígnio de unidade do género humano, sejam quais forem as latitudes de proveniência.

3. Valerá a pena sublinhar que não é no nada nem no vazio que o “encontro” é possível. Este é revestido e comportado por um conjunto de valores estimulantes que representam e expressam o SER HUMANO no que há de mais belo e no que não passa. O nada e o vazio impedem a grandeza do apreciar o mais importante: as culturas como reflexo da viva poética existencial, a esperança humana universal como o sentir do sonho que comanda todas as vidas na procura do melhor de todos e cada um. Em início de ano escolar, valerá a pena reflectir-se e pensar-se sobre as condições e os valores para serem possíveis as unidades.

Alexandre Cruz

Efeméride aveirense: Construção da segunda fase das obras do porto


1944 – 23 de Setembro


Neste dia, do ano de 1944, realizou-se uma manifestação pública, com uma memorável sessão no Teatro Aveirense, em que se evidenciou o regozijo das populações pela decisão do Governo em dotar a Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro com um substancial subsídio para a construção da segunda fase das obras do seu porto.

Fonte: Calendário Histórico de Aveiro

Uma ideia para Portugal

Ora aqui está um belíssimo programa de governo


Ora aqui está um belíssimo programa de Governo. E andam os partidos políticos a encher folhas e mais folhas de papel com as suas propostas, repletas de banalidades, no sentido de melhorar a vida das pessoas. Em meia dúzia de linhas, este advogado fiscalista apresenta o essencial…

FM

“Para melhorar Portugal era essencial existir mais formação cívica e moral das pessoas, um maior respeito pelo trabalho e esforço individual, uma luta séria contra a corrupção e a extorsão, uma desburocratização estrutural, a redução geral de impostos para premiar pessoas e empresas que criam riqueza e um maior pragmatismo nas decisões políticas e económicas do país.”

Tiago Caiado Guerreiro

In jornal i de 22-09-09

Diversas fases da mesma vida



Boa reflexão de D. António Marcelino,
importante, penso eu,
para lhe associarmos o dia lindo
que temos hoje

Leia tudo aqui, no espaço de Opinião

"Cada pessoa tem a sua história. Mas a sua vida está traduzida em expressões, atitudes, modos de ser e agir, que, sendo diferentes, denunciam, normalmente, uma continuidade com semelhanças e sem roturas de maior. Nesta roda da vida em que todos circulamos, ninguém é igual a ninguém, ninguém esgota a escala da perfeição possível, ninguém substitui ninguém, ninguém está a mais. Porém, todos somos, por virtudes e defeitos, da família de todos, ao contrário de indiferentes ou desconhecidos."

António Marcelino

terça-feira, 22 de Setembro de 2009

Dia Europeu Sem Carros




Três aspectos da festa


CRIANÇAS: a mola-real da alegria mais sã

Hoje foi Dia Europeu Sem Carros. O município de Ílhavo também aderiu. É importante sensibilizar para hábitos de vida  mais saudáveis. Andar a pé, fazer caminhadas longas, sem cansar muito, andar de bicicleta, poluir menos o ar que respiramos. Para isto é preciso andar menos de automóvel, optando por transportes públicos e pela bicicleta. Ou preferir os veículos movidos por energias alternativas à gasolina.
Ó Dia Europeu Sem Carros também serve para proporcionar o convívio, em espaços habitualmente destinados a carros. Foi precisamente esta vertente que eu captei na tarde de hoje, na parte da Av. José Estêvão frontal à igreja matriz. Gostei de ver as crianças, a mola-real da alegria mais sã, a usufruírem do prazer de estar com amigos de todos os lugares da Gafanha da Nazaré.

O FIO DO TEMPO: O medo e o ritmo das reformas


1. Em documento de 21 de Setembro 2009, sobre a avaliação da crise e do desenvolvimento humano e económico europeu, a OCDE pede à Europa uma aceleração do ritmo das reformas estruturais. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que a Europa teve agilidade em reagir à crise financeira do último ano mas não de forma determinada capaz de gerar reformas estimulantes. Considera o documento que para um crescimento sustentável da União Europeia depois da recessão se torna importante a aceleração das reformas. Vendo de fora, poderá parecer que tudo será uma questão de alta velocidade, mas as razões são mais complexas que a mera capacitação teórica de agilizar as reformas consideradas.

2. No mesmo dia, do outro lado do atlântico, nos Estados Unidos, a aceleração a mais na retoma faz gerar pânico. As subidas dos últimos meses têm-se apresentado bem superiores às expectativas realistas dos investidores, o que lançou a suspeita sobre a credibilidade e seriedade do andar da economia, conduzindo as bolsas a fechar no vermelho. Diz-se que «o mercado accionista está vulnerável. Existe uma multidão à espera de uma descida depois de um pico tão forte.» A instabilidade paira no ar e as tendências dos mercados reflectem os sentimentos das pessoas e das comunidades. Humanizando-se a economia, por trás das bolsas estarão sempre mãos e vontades que, de um lado do atlântico ou do outro, quererão descortinar a sustentabilidade ético-económica depois da crise.

3. Por vezes, destes relatórios da OCDE – como outro que já há dias apontava expectativas mais optimistas para Portugal (?!) –, até poderá parecer que tudo resultará num passe de mágica. Repete-se o refrão a aplicar: «reforço da inovação, aprofundamento do mercado único e passagem para uma economia com baixo consumo de carbono», eis as palavras-chave para a Europa. Quem dera que assim fosse… eis um assunto importante que diz respeito ao futuro de todos! Da palavra à obra!

Alexandre Cruz

OUTONO

OUTONO


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.

Miguel Torga

Decididos, indecisos e desinteressados



Sociedade mergulhada
na desesperança


Vivemos numa sociedade cada vez mais mergulhada na desesperança. Instituições, pessoas, projectos, tudo é olhado com um profundo cepticismo, mesmo desprezo, fustigadas que estão as pessoas pelos falhanços do passado e a desconfiança do futuro.
Muito para além da crise social, económica ou do actual sistema democrático, é este pano de fundo que serve para justificar a ausência de milhões de portugueses quando chamados a exercer o seu direito fundamental de votar, que tantos anos levou e tantos sacrifícios provocou até poder ser de todos e para todos.
Mais do que uma opção consciente pela abstenção, voto em branco ou nulo, chocam os (muitos) casos em que se pode testemunhar o orgulho com que tantos cidadãos não só manifestam profundo e total interesse em relação aos próximos actos eleitorais, como entendem ser essa uma manifestação de superioridade face a um mundo indigno, fechado em si próprio e alheio aos anseios das populações.

Octávio Carmo
 

Limpar as mãos à parede não resolve


O Presidente não pode 
assobiar para o lado


"Não basta a Cavaco dizer que abriu um inquérito interno para apanhar a fonte anónima. Será preciso mais. Um caso desta dimensão exige provas documentais, registos internos do que se fez e deixou de se fazer no Palácio de Belém. Chegado aqui, o presidente não pode assobiar para o lado. O país quer escutá-lo e tem a justa esperança de que afinal ele seja tão sério e sólido como o país precisa que ele seja."

Ler mais no jornal i  

NOTA: Todos temos de ficar espantados com o nível a que chegou a nossa democracia. Embora envergonhados, não podemos cair no desânimo e deixar andar a carruagem como se nada acontecesse de mau no nosso país. Afinal, se olharmos bem, ainda há muita coisa boa entre nós. Não fora assim, onde já estaria Portugal?

Que Fizemos do Evangelho da Alegria?


Anjo risonho

Testemunhar o bom humor de Deus

Se dissermos que Deus é Amor, ninguém se espanta. A afirmação tornou-se até um pouco banal à força da repetição. Mas se dissermos que Deus é Humor, ficamos em estado de alerta, porque nos parece que alguém está a tentar entrar, no território de Deus, “pela entrada dos fundos” e não pela “porta principal”. A verdade é que o Amor não dispensa o Humor.

José Tolentino Mendonça

Ler mais aqui

Ria em festa...




Ria em festa

Para começar o dia

Para começar o dia, nada melhor do que uma foto da nossa ria em festa. Foi no sábado que as velas brancas de barcos e barquinhos emprestaram a sua beleza às cores azuladas da laguna. Como disse Raul Brandão, a Ria de Aveiro é mesmo para contemplativos.

segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

O FIO DO TEMPO: E os dias que virão?!

A troca de galhardetes
vai sendo regra em crescendo

1. Sabe-se que à medida que se aproximam os actos eleitorais vai crescendo a intensidade popular dos apelos ao voto. Cresce o dar tudo por tudo a ponto de muitas vezes se passar a fronteira do bom senso. A troca de galhardetes vai sendo regra em crescendo, havendo sempre mais um coelho na cartola para denunciar quando tal for preciso como resposta. É nesta linha que poder-se-á concluir que os dias de campanha que aí vêm, pelos dias a que já se chegou, não auguram nada de bom… Debater os problemas de fundo da sociedade portuguesa parece ser agenda relegada para a periferia. O caso, o enredo, a vírgula, a denúncia, a suspeita, a nuvem a pairar sobre a ética está tornado o essencial e não parece haver estofo de maturidade cívica que resista a este destino menor e intrigante.

2. Este ano as eleições que vêm a seguir, as autárquicas, precisavam efectivamente do exemplo que viesse de “Lisboa”. Como em tudo na vida, cada palavra e cada passo cria escola ou desconstrói valores que custam uma vida a edificar. Não só a campanha das eleições legislativas (do que poderemos designar de política profissional) não parece ser capaz de mobilizar pela positiva, como deixa atrás de si um rasto que não será muito boa sementeira para os que diariamente servem a causa na política local. A arte de nos conhecermos nas possibilidades e limites, de rentabilizar recursos e de ampliar horizontes sociais e humanos, de catalisar oportunidades mesmo no meio das crises, de gerar consensos razoáveis com dinamismos que no respeito pelas diferenças saibam mobilizar o melhor de cada um…são valores fundamentais à vida diária longe da campanha.

3. Uma apurada e amadurecida consciência política acaba por resultar como a exigência primordial que poderá “salvar” e unir o que ficar estilhaçado depois da guerra, ou “combate” como se lhe gosta de chamar. Erguem-se muros de tal maneira no enaltecer ao rubro das intrigas e divisões… Terão depois de vir os persistentes construtores de pontes, no procurar diário juntar as peças perdidas!

Alexandre Cruz

Legislativas: Menos de uma semana para cada um decidir

É já no próximo domingo, 27 de Setembro, que vamos ser chamados a votar. Teoricamente, há muito por onde escolher; na prátiva, e com os olhos postos no voto útil, teremos apenas dois candidatos: José Sócrates e Manuela Ferreira Leite. Contudo, os fiéis a um ideário saberão manter o rumo nas suas escolhas. Portanto, os politizados e os menos politizados terão que saber o que fazer. Aos indecisos cabe a tarefa de tentar acertar na melhor opção, segundo as suas consciências.
Temos de reconhecer, no entanto, que a nossa sociedade ainda não amadureu suficientemente as suas opções partidárias, manifestando  uma matriz conservadora confrangedora. Ainda não foi capaz de olhar, por exemplo, para os pequenos partidos que raramente se aproximam dos que têm estado, há muito, no Parlamento. Não será tempo de se começar a pensar nisso, já que os actuais partidos políticos, de assento garantido na Assembleia, não conseguem dar volta, pela positiva, a isto tudo?

FM

O papel do provedor do leitor num órgão de comunicação social

Quem pensar que o provedor do leitor de um órgão de comunicação social não passa de uma figura simbólica, para apenas levar os órgãos directivos e os profissionais a reflectirem sobre o que fazem ou não fazem, engana-se redondamente. Joaquim Vieira, provedor do leitor do PÚBLICO, age com independência e com rigor, mostrando à saciedade como se cumpre uma missão de suma importância na comunicação social dos nossos dias.

domingo, 20 de Setembro de 2009

O FIO DO TEMPO: A luta de António Feio


António Feio

LUTA CONTRA "O BICHO"



1. É de conhecimento geral que o reconhecido actor António Feio trava uma luta hercúlea contra o que ele chama «o bicho» para o qual ainda a cura não é garantida, referindo-se deste modo ao cancro. Há dias apreciámos uma entrevista que ele deu, já depois do falecimento de sua irmã (10 de Setembro) do mesmo cancro do pâncreas. Das suas palavras, no silêncio comunicativo destas horas, ressalta uma confiança e uma não desistência que são valores essenciais em luta dura semelhante a tantas pessoas anónimas. Comunicação aberta mesmo quando A.Feio diz: «A minha irmã morreu hoje. Não há palavras.»

2. António Feio nasceu em Lourenço Marques (1954), vindo aos sete anos para Portugal e revelando-se cedo um actor humorista agora como que em diálogo com este labirinto em que garante que vai «dar luta até ao fim». A 1 de Agosto, tendo em conta os cuidados de saúde, António Feio e José Pedro Gomes despediram-se de uma linha de programa apreciada já com 12 anos, A Verdadeira Treta. O palco de António Feio é agora outro, mas a mesma fragilidade e força do actor em cena é também neste momento a capacidade de reciclar a força interior para superar a batalha e abrir-se a dimensões superiores à própria razão artística.

3. As horas das fronteiras da vida são essas que revelam a verdadeira essência do espírito humano. No fundo, não há nenhum verdadeiro poeta (da poética como busca itinerante) que não queira viver para sempre, dando tudo na vida com a sua linguagem possível por essa realização plena. O mesmo se poderá dizer do actor, esse que quando sobre ao palco sente sempre aquele arrepio de insegurança que depois o impele a avançar, arriscar e a conseguir transcender-se. Descortinando as ideias profundas de sentido de vida por trás das palavras que se dizem, a confiança e a esperança reditas são essa abertura desejada ao infinito que se revela como fé no tempo presente. Mesmo quando se diz: «se me vencer, pelo menos que se saiba que eu dei luta».

Alexandre Cruz

300 mil entradas no Pela Positiva


Flores do meu jardim

Responsabilidades acrescidas


Queria ver, em directo, a mudança do contador no momento em que atingisse o número redondo das 300 mil entradas, mas esqueci-me. Nesta altura, meio-dia do dia 20 de Setembro, quando pressinto os foguetes da Festa da Senhora dos Navegantes, a quem a minha saudosa mãe rezava quando o meu pai partia para a pesca do bacalhau, confirmei que fui ultrapassado. Mas não faz mal, também posso atirar um foguete, sem medo que ele me estoire nos dedos.
As responsabilidades acrescidas segredam-me que continue a partilhar com o mundo o meu mundo, o que me envolve e me faz respirar o doce prazer da comunicação e da vida. A alegria de saber que estou vivo, com saúde e com projectos de fraternidade e de paz, junto dos meus e de todos, sempre na aposta de uma sociedade melhor.
Saúdo todos quantos colaboram comigo dando muito do que  pensam e sabem, para que outros, paulatinamente, possam enriquecer, quando abrem o Pela Positiva. Mas também não posso deixar de felicitar os que, dia a dia, me seguem, um pouco por toda a Terra, e, ainda, os que me estimulam, para que continue.

Pela Positiva

Fernando Martins

sábado, 19 de Setembro de 2009

Um livro-filho de Senos da Fonseca



No momento dos autógrafos
.
Saudades de mim menino

 
Ai barcas, ai barcas
Tão triste é vosso negror,
Por onde ides navegar?
Que espreita
O olho que levais na proa?
Ai amores, ai amores
Da ria amada.
Ai amores do verde pino…
Ai saudades de mim, menino
Levai-me em vosso vagar.

(S.F.)
Costa-Nova-do-Prado
 200 Anos de História e Tradição

 

Costa-Nova-do-Prado – 200 Anos de História e Tradição é o mais recente livro de Senos da Fonseca. Trata-se de um livro-filho, como salientou Zita Leal, que fez a apresentação da obra, hoje à tarde, na Calçada Arrais Ançã, naquela praia.
É na Costa Nova que Senos da Fonseca recupera dos seus trabalhos e inquietações, deixando-se inebriar pelo “azul único” reflectido na ria e pelo “farfalho da marola branca que lhe bate à porta”.
Reconhece que a ria, tal como ele, “anda inquietada”, mas tem vida dentro de si própria, alimentando garantias de que continuará a viver, para que nós e os outros que hão-de vir possamos “admirar esta paisagem”.
O autor adiantou que foi aqui que “as pessoas tomaram consciência de que era necessário procurar outros locais, por esse litoral fora”, sendo certo que os ílhavos foram sempre diferentes das pessoas das comunidades onde se inseriram. Na Nazaré, na Cova [Figueira da Foz], em Peniche e em Olhão ainda se fala da “cultura ilhavense que não se deixou subverter” pelas culturas que encontrou.
Ao olhar para a identidade dos ilhavenses, conotada com hábitos e formas de estar na vida trazidos pela burguesia, o autor recordou figuras gradas da cultura e da política que na Costa Nova visitaram José Estêvão e mais tarde seu filho Luís de Magalhães, levando os jornais a falar desta terra com enlevo.
Evocou a “geração de ouro”, dos finais do século XIX e princípios do século XX, com figuras de expressão nacional, “que Ílhavo tenta esquecer a todo o custo”. “É isso que me dói”, afirmou Senos da Fonseca, garantindo que por essa razão, entre outras, escreveu este livro, incitado pelo Clube de Vela da Costa Nova, para quem havia alinhavado uns textos e juntado umas fotografias, para comemorar os 25 anos da sua existência.
E explicou: “Esquecemos Alexandre da Conceição, no meio de uma pedra em Viseu; nunca mais lá fomos buscá-lo, ele que foi um dos maiores poetas do século XIX; esquecemos Trindade Salgueiro, com as suas duas facetas: era um senhor da Igreja, havendo muito poucos que atingiram o seu nível; e esteve ligado a um Tenreiro do antigo regime.”
Denunciou que há figuras ilhavenses que têm sido assumidas por Aveiro, como Mário Sacramento e Rocha Madail, e disse que, “amanhã, Cândido Teles também será um aveirense”. Esquecidos  têm sido Fernando Magano e João Carlos, este com obras “num pardieiro qualquer”.
Euclides Vaz, um dos maiores escultores do nosso país, talvez  por ter a sua ética política em sintonia “com um partido que continua a ser incómodo para alguns, nem uma ruela tem em Ílhavo”, ele que foi “um monstro sagrado da escultura portuguesa”.
Não temos vergonha de ignorar Filinto Elísio, filho de Maria Manuel e de Manuel Simões, que eram de Ílhavo e foram para Lisboa. “Até à sua época, só havia dois grandes escritores que o tinham suplantado: Camões e António Vieira.”
Enquanto Zita Leal foi apresentando a obra, realçando o que mais a tinha impressionado, João Manuel da Madalena interpretou algumas canções e Jorge Neves disse poemas. A Rádio Faneca (de que falarei um dia destes), ao vivo, levou-nos a reviver os tempos, de meados do século passado até 1998, em que apresentava música e publicidade, com discos pedidos à mistura, em Ilhavo, aos domingos, e na Costa Nova, na época balnear.
O produto da venda do livro reverterá, na íntegra, para o CASCI, instituição fundada por Maria José Fonseca, que faleceu em Novembro de 2007. O seu cargo foi então ocupado por  seu irmão, João Senos da Fonseca, autor da obra apresentada.
Sobre o livro, que ainda não li, hei-de escrever em breve.

Fernando Martins

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 149


Santa Princesa

BACALHAU EM DATAS - 39

Caríssimo/a:

1939 - «A autonomia de decisão dos armadores em matéria de renovação das frotas sem interferência do estado no planeamento prévio do tipo e da capacidade dos navios a construir apenas se nota até 1939.» [Oc45, 93]

«Garantindo o emprego a aproximadamente 250 operários dos estaleiros de Manuel Mónica, em 1939, era construída uma unidade de linhas airosas, de “tipo americano”, considerada como modelar pela sociedade inglesa classificadora de navios Lloyds Register of Shiping. Tratava-se do lugre AVIZ, uma encomenda da Companhia de Pesca Transatlântica, L.da, do Porto, com 50 m de comprimento, 700 t de arqueação, onde o maior conforto, inovação e eficiência constituíram apanágio. Dispunha de acomodações para 60 homens de tripulação, sala de oficiais, casas de banho, caldeiras para aquecimento central, frigoríficos e TSF. O seu motor debitava 400 CV e tinha 540 t de capacidade de carga. As madeiras utilizadas foram, mais uma vez, o carvalho, pinho manso e pinho bravo nacionais e madeiras brasileiras.» [Oc45, 117]

«Embora no final da década de 30 do século XX, perto de metade dos navios da pesca do bacalhau portugueses tivessem entre 10 e 20 anos de idade, dentre os 49 navios que compunham a frota em 1939, registaram-se 41 embarcações equipadas com motor, 16 com frigorífico e 36 com receptor TSF. A safra desse ano envolveria 2038 tripulantes e seria produtiva, atingindo a cifra recorde de 17.635 t de pescado.»[Oc45, 110]

«O avanço foi considerável, uma vez que antes da intervenção corporativa nas pescas, a frota bacalhoeira tinha somente 14 navios equipados com motor e nenhum possuía TSF ou frigorífico.» [Oc45, 119, n. 4]

1940 - «2.º arrastão para a EPA: SANTA PRINCESA Se a viagem inaugural [do SANTA JOANA] foi coroada de êxito, as viagens seguintes já sob comando de capitães portugueses, foram de tal forma bem sucedidas que logo a empresa armadora pensou em adquirir mais uma unidade. Foi assim que em 1940, um navio em segunda mão, comprado aos franceses veio juntar-se ao SANTA JOANA. Tratava-se de um navio novo que após ter sofrido um violento incêndio em pleno mar, incêndio que acabou por ser dominado, foi levado para o Havre a reboque de um arrastão da mesma companhia. Chamava-se este navio SPITZBERG, elemento de uma série de quatro navios todos iguais, sendo os restantes o PRESIDENT HONDUCE, o ANGELUS e o LE DUGNAY TROUIN. Uma vez chegado a Aveiro a reboque de um navio fretado para o efeito, foi totalmente recuperado com nova maquinaria e rebaptizado com o nome SANTA PRINCESA. Corria o ano de 1940, ano que marca o início de grande desenvolvimento da nossa frota pesqueira, com uma série de construções de ambas as modalidades – arrasto e pesca à linha. p. 44 de 1936 a 1950: 48 navios=> 20 arrastões (aço e motor diesel) e 28 navios para a “White Fleet” (madeira com motor e vela; ou de aço só motor).» [HDGTM, 43 ]

«Apesar da entrada na década de quarenta com uma encomenda em mãos, a NAU PORTUGAL, um empreendimento de 1200 t que viria a figurar na Exposição do Mundo Português, os Estaleiros Mónica mantiveram-se na senda das construções para a pesca do bacalhau, não esquecendo que a madeira como matéria prima era agora tida como prioritária no contexto da Guerra. No ano de 1940, os dois irmãos António e Manuel Maria Mónica, possuidores de estaleiros “paredes meias”, lançaram à água os lugres-motor D. DENIS e PRIMEIRO NAVEGANTE, dotados dos habituais pormenores a nível de conforto e equipamento, destinados respectivamente às empresas Pascoal e Filhos, L.da e Ribaus & Vilharinhos, L.da.» [Oc45, 117]

Fundação dos Estaleiros Navais do Mondego.

(10 de Março) - O navio VIRIATO, da frota da Figueira, foi aprisionado na Holanda, pelo exército alemão.

«Carlos Roeder resolve, com um grupo de amigos e colaboradores, iniciar, no ano de 1940, na povoação de S. Jacinto, a construção de um estaleiro.» [in Os Estaleiros de S. Jacinto – 50 anos de história, por Henrique Moutela]

Manuel

OUVIR O SILÊNCIO




OUVIR O QUÊ?


No meio da vertigem das tempestades de palavras em que vivemos, que nos atordoam e paralisam, tal-vez se torne urgente parar. Para ouvir.

Ouvir o quê? Ouvir o silêncio. E só depois de ouvir o silêncio será possível falar, falar com sentido e palavras novas, seminais, iluminadas e iluminantes, criadoras. De verdade. Onde se acendem as palavras novas, seminais, iluminadas e iluminantes, criadoras, e a Poesia, senão no silêncio, talvez melhor, na Palavra originária que fala no silêncio?

Ouvir o quê? Ouvir a voz da consciência, que sussurra ou grita no silêncio. Quem a ouve?

Ouvir o quê? Ouvir música, a grande música, aquela que diz o indizível e nos transporta lá, lá ao donde somos e para onde verdadeiramente queremos ir: a nossa morada.

Ouvir o quê? Ouvir os gemidos dos pobres, os gritos dos explorados, dos abandonados, dos que não podem falar, das vítimas das injustiças.

Ouvir o quê? Talvez Deus - um dia ouvi Jacques Lacan dizer que os teólogos não acreditam em Deus, porque falam demasiado dele -, o Deus que, no meio do barulho, só está presente pela ausência.

Ouvir o quê? Ouvir a sabedoria. Sócrates, o mártir da Filosofia, que só sabia que não sabia, consagrou a vida a confrontar a retórica sofística com a arrogância da ignorância e a urgência da busca da verdade. Falava, depois de ouvir o seu daímon, a voz do deus e da consciência.

Ninguém sabe se Deus existe ou não. Como escreve o filósofo André Comte-Sponville, tanto aquele que diz: "Eu sei que Deus não existe" como aquele que diz: "Eu sei que Deus existe" é "um imbecil que toma a fé por um saber". Deus não é "objecto" de saber, mas de fé. E há razões para acreditar e razões para não acreditar.

Comte-Sponville não crê, apresentando argumentos, mas compreendendo também os argumentos de quem crê. Numa obra sua recente, L'Esprit de l'athéisme, mostra razões para não crer, mas sublinhando a urgência de pensar, se se não quiser cair no perigo iminente de fanatismos e do niilismo, e, consequentemente, na barbárie, "uma espiritualidade sem Deus".

Constituinte dessa espiritualidade, no quadro de um "ateísmo místico", é precisamente o silêncio. "Silêncio do mar. Silêncio do vento. Silêncio do sábio, mesmo quando fala. Basta calar-se, ou, melhor, fazer silêncio em si (calar-se é fácil, fazer silêncio é outra coisa), para que só haja a verdade, que todo o discurso supõe, verdade que os contém a todos e que nenhum contém. Verdade do silêncio: silêncio da verdade."

Encontrei Raul Solnado apenas uma vez. Num casamento. Surpreendeu-me a imagem que me ficou: a de um homem reflexivo. Não professava nenhuma religião. Por isso, não teve funeral religioso. Mas deixou um pequeno escrito, com uma experiência, no silêncio, na Expo, em Lisboa, em 2007.

"Numa das vezes que fui à Expo, em Lisboa, descobri, estranhamente, uma pequena sala completamente despojada, apenas com meia dúzia de bancos corridos. Nada mais tinha. Não existia ali qualquer sinal religioso e por essa razão pensei que aquele espaço se tratava de um templo grandioso. Quase como um espanto, senti uma sensação que nunca sentira antes e, de repente, uma vontade de rezar não sei a quem ou a quê. Sentei-me num daqueles bancos, fechei os olhos, apertei as mãos, entrelacei os dedos e comecei a sentir uma emoção rara, um silêncio absoluto. Tudo o que pensava só poderia ser trazido por um Deus que ali deveria viver e que me envolvia no meu corpo amolecido. O meu pensamento aquietou-se naquele pasmo deslumbrante, naquela serenidade, naquela paz. Quando os meus olhos se abriram, aquele Deus tinha desaparecido em qualquer canto que só Ele conhece, um canto que nunca ninguém conheceu e quando saí daquela porta, corri para a beira do rio para dar um grito de gratidão à minha alma, e sorri para o Universo. Aquela vírgula de tempo foi o mais belo minuto de silêncio que iluminou a minha vida e fez com que eu me reencontrasse. Resta-me a esperança de que, num tempo que seja breve, me volte a acontecer. Que esse meu Deus assim queira."

Anselmo Borges

In DN

sexta-feira, 18 de Setembro de 2009

Ílhavo adere mais uma vez ao Dia Europeu Sem Carros – 22 de Setembro




«nunca é demais um carro a menos»


A Câmara Municipal de Ílhavo adere uma vez mais ao Dia Europeu Sem Carros (22 de Setembro). Quer sensibilizar, assim, toda a população para o bom uso dos espaços públicos do Município, incentivando as caminhadas, o uso da bicicleta e a circulação em segurança.

Pretende-se, também, com o vasto programa de animação, que decorrerá em Ílhavo (Centro Histórico) e na Gafanha da Nazaré (Avenida José Estêvão), que cada cidadão redescubra as cidades concelhias em cada rua, esquina ou jardim!

Subjacente a toda esta iniciativa, está a participação de todos os cidadãos neste processo, de forma a construir-se um ambiente urbano melhor para todos, tendo em consideração que «nunca é demais um carro a menos»!


Universidade Sénior dá os primeiros passos


Ribau Esteves, Hugo Coelho e Cândida Silva, na abertura da Universidade Sénior


Directora da Fundação presta esclarecimentos

- Quando te reformares, o que é que vais fazer?
- Talvez vá para a Universidade Sénior da Curia, Anadia.
Esta simples pergunta, de Hugo Coelho, presidente da Fundação Prior da Sardo, e a respectiva e também simples resposta de sua Mãe, Fernanda Filipe, estiveram na base da criação da Universidade Sénior, que hoje deu os primeiros passos para servir todo o concelho de Ílhavo, e não só.
Sabe-se que outras entidades e pessoas tiveram o mesmo sonho, mas foi a Fundação Prior Sardo que assumiu as responsabilidades de proporcionar aos menos jovens encontros para valorização dos conhecimentos de quantos entendem que a vida tem de continuar, com todo o espírito de uma juventude que alimenta ânsias de saber mais, para mais facilmente contribuírem para um mundo muito melhor.
Sei que não vai ser fácil para muita gente deixar o nada-fazer para se envolver em algo de bom e de belo, como são acções de formação cultural, social e humana. Cultural, porque proporciona partilha de saberes; social, porque envolve o convívio entre pessoas de diversas idades e mentalidades; humana, porque prepara para a intervenção na comunidade, tendo em vista uma sociedade mais fraterna.
Pelo que ouvi hoje, na abertura do ano lectivo, há quem se disponha a colaborar na orientação de aulas e encontros, há pessoas que querem saber mais, há entidades que assumem os apoios indispensáveis, há vontade de levar por diante este projecto.
A Universidade Sénior iniciará as actividades lectivas em Outubro, em espaços de Ílhavo, Gafanha da Nazaré e Gafanha da Encarnação. Inscreveram-se até hoje 47 pessoas, mas há vagas para mais.
Quando houver novidades, aqui darei conta delas.


FM

O FIO DO TEMPO: Não alimentar radicalismos




1. Para o cidadão comum, observar que a crispação anda no ar basta ver algum breve tempo de notícias. A intolerância e o radicalismo como afirmação de que se tem por exclusividade a verdade é tentação que tem percorrido os séculos, fazendo jorrar muito sofrimento, mas continua ainda hoje a sua sementeira. Faltam alguns dias para chegar a 27 de Setembro e o clima da sedução das massas ecoa determinadas afirmações que seriam impensáveis e nunca ditas em dias normais de hoje. Percebe-se que para o cativar das massas, especialmente quando as emoções falam mais alto, a radicalização dos discursos é quase esse dar tudo para fazer passar a mensagem…

2. Talvez o principal vector esteja mesmo no nível de qualificação do “ouvido”, na maturidade cívica do ouvinte cidadão em não alinhar na promessa impraticável ou em saber separar as águas da intenção do discurso tendo estofo para compreender a ideia que, directa ou indirectamente, lhe querem vender. Dizer-se que as televisões dão o que as pessoas gostam de ver ou que o país tem os políticos que merece poderá também reflectir essa própria anemia social que por vezes os estudiosos da vida pública registam. Mas, de facto, é verdade que numa sociedade já formada que não goste de radicalismos eles não existem, e também não se pode exaltar o infeliz hábito de que os tempos de campanha, em vez de épocas de esclarecimento, sejam momentos de integrismo radical.

3. A arte da governança do bem comum, em todas as formas de serviço à comunidade, é o palco onde o que se diz hoje fica gravado e será recordado amanhã, como hoje se recorda o que ontem foi afirmado. A delicadeza desta certeza garantida contém em si não tanto o ter de se ser “ético à força” mas a confirmação da irrepetibilidade do tempo e de que as fronteiras haverão de ser bem solidificadas. Tem havido, de variados quadrantes da campanha nacional, determinadas afirmações de radicalismos que talvez sejam, a montante e a jusante, o ensaio para o teste final político feito pelo juiz Gato Fedorento. Salva-se o humor!

Alexandre Cruz

Gafanha da Nazaré: É preciso pensar na celebração dos 100 anos da freguesia e paróquia

Gafanhoas da década de 40 do século passado
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Penso que os meus visitantes, sobretudo os mais assíduos, já se aperceberam da idade da freguesia e paróquia da Gafanha da Nazaré. A bonita e redonda efeméride, como se costuma dizer, não pode nem deve ficar no esquecimento do nosso povo e de quantos amam esta terra que os viu nascer ou que os acolheu.
Sabe-se que os responsáveis políticos, sociais, religiosos, culturais, escolares e desportivos estarão empenhados em comemorar um século de vida desta comunidade com horizontes amplos e de futuro risonho. Mal seria se assim não fosse.
Contudo, penso que o nosso povo saberá associar-se, com gosto, a qualquer iniciativa que surja, mais mês menos mês, no sentido de todos, de mãos dadas e corações abertos, conseguirmos fazer de 2010 uma grande festa, que mostre a coragem da nossa determinação, a ousadia da nossa aposta no progresso, a certeza de que somos uma terra que anseia por uma vida melhor, a gratidão que nutrimos pelos nossos antepassados.
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Fernando Martins

quinta-feira, 17 de Setembro de 2009

JESUS FAZ AULA EXCELENTE



Que dificuldades teremos de enfrentar?


Estamos a começar o novo ano escolar. Há muito que o ambiente social e publicitário nos fazia respirar um ar diferente, semeando sonhos e alimentando esperanças. Ao mesmo tempo, surgiam interrogações: Que novidades nos vão surpreender? Que dificuldades teremos de enfrentar? Como irá ser o nosso futuro próximo?
O grupo dos discípulos de Jesus vivia uma situação semelhante. Apreensivo, discute entre si. Temeroso, pretende ter garantias. Ousado, alimenta ambições. Tímido, não se atreve a fazer perguntas.
Jesus capta este estado de espírito e faz-lhe “uma aula” em que alia a novidade da mensagem ao requinte da pedagogia. Chama-os aparte, cria ambiente propício, provoca-os com um pergunta desbloqueadora, toma uma criança que coloca no meio de todos e distingue-a com um abraço carinhoso. E acrescenta, sem rodeios: ser como ela é a novidade que vos ofereço, o sinal da importância que aprecio, a marca de distinção da comunidade que convosco quero edificar.
A mensagem é clara, simples e interpelante: A grandeza do que é pequeno, a riqueza de quem é pobre, a excelência do serviço feito por amor, a audácia corajosa em avançar nos caminhos da vida.
A criança surge como “elemento” pedagógico em que se podem destacar estes valores. Na sociedade judaica era irrelevante o seu papel até aos doze ou treze anos, vivia uma situação de extrema fragilidade e dependia completamente dos cuidados maternos. Daí, a relação de proximidade e de extrema confiança filial; daí, a estabilidade afectiva e emocional; daí, a coragem de enfrentar o futuro e suas surpresas com normalidade; daí, a certeza do valor da vida e da fé em Deus.
A “aula” de Jesus ocorre em casa. A mensagem é universal e definitiva. O jeito de fazer a sua transmissão constitui referência fundamental para os que assumem esta missão. E são todos nos mais diversos saberes. Bom Ano Académico!
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P. Georgino Rocha

Ateus a quem Deus incomoda


José Saramago
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Saramago: um homem incomodado
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É frequente os ateus virarem teólogos. Coisa esquisita, por certo. Se não acreditam, porque se incomodam e perdem tempo a negar o que para eles não existe? Se é para empurrarem os crentes para a descrença, então tem que se lhes pedir que respeitem os sentimentos de quem não afina pelo seu diapasão. Muita gente simples é profundamente sábia e dispensa conselhos e ajudas daqueles que presumem de muito saber e pouco respeito.
Quem subiu alto, por seu pé ou, como acontece frequentemente, porque outros o levaram ao colo, e se vê, por fim, no trono que lhe prepararam, se não tem consciência de que toda a glória é passageira, como “flor que murcha e erva que seca”, e de que não faltam na sociedade estátuas com pés de barro, acontece pensar que o esplendor do trono diviniza os mortais e é, por si, fonte de saber sem limites e razão para tudo poder afirmar ou negar.
Temos aí um exemplo de casa, que me aparece - é a minha opinião - como alguém atormentado pelos maus espíritos que procura exorcizar, sem grande resultado prático. Refiro-me ao Nobel Saramago. Nada tenho contra o senhor. Li um ou outro dos seus livros. Não consegui acabar alguns que ainda comecei. Por razões meramente literárias, não é o meu género, mas também não estranho nem me incomodo, que o seja de muitos dos seus leitores. Feita a casa na praça, tem de aceitar, se for capaz, quem queira opinar livremente sobre ela. O que ele faz com os outros.
Por vezes penso que se trata de um homem incomodado, senão mesmo atormentado, pelos espíritos, talvez de Sofia, de Torga, ou até de gente de outras terras, onde se escreve em bom português, mas onde os padrinhos podem faltar ou serem menos eficazes.
(...)
António Marcelino
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Ler toda a crónica aqui, (procurar em opinião)

O Fio do Tempo: Não esquecer para não repetir


O efeito dominó espalhou o pânico

1. Foi há um ano que o quarto maior banco dos Estados Unidos faliu. O famoso banco de investimentos Lehman Brothres arrastou consigo o início galupante de uma crise que conduziu os historiadores da finança aos anos 30, momento da chamada grande depressão. O efeito dominó espalhou o pânico e proporcionou incertezas diante dos novos cenários ainda não previstos nos livros de economia recente. Da imprescindível ética que faltou muitos apontaram o fim de uma era que até à queda do muro de Berlim (1989) só admitia dois cenários, comunismo ou capitalismo. Confundia-se a parte pelo todo (queria-se substituir a constatada falta de seriedade ética no sistema de negócios pela limitação da liberdade de comércio concorrencial), como se o regresso a passados idos fosse agora o caminho a retomar.

2. Um ano depois da grande crise financeira já a distância vai permitindo uma visão mais crítica e com maior maturidade. Embora corre-se o perigo stressado, pelos sinais do levantar da economia mundial (normalmente para os mesmos!) do não amadurecimento necessário e das lições a tirar para ser impossível repetir tamanha amplitude de crise. De há um ano para cá, naturalmente, os Estados foram lançando mão salvadora para o cataclismo não ser maior. Mas a procura do equilíbrio dessa mão imprescindível exigirá atenção constante, não só por hoje ainda em todo o mundo se sentirem os efeitos nefastos da crise. Será tão importante a situada função reguladora dos estados (hoje transnacionais) como estes permitirem na base de regras claras a liberdade saudável dos sistemas de trocas de bens e serviços.
3. No dia aniversário o presidente norte-americano fez o discurso para não esquecer: a exigência de maior regulação dos mercados e supervisão do sistema financeiro. Dizer-se que «é necessário alterar as regras» após um ano poderá parecer que este ano nada se fez… Este foi o ano do SOS. Agora será o ano da consistência ético-jurídica impeditiva de crise(s)?

Alexandre Cruz

quarta-feira, 16 de Setembro de 2009

Elogios à comunicação


Todos os projectos de comunicação são úteis. Basta que ofereçam contributos à construção dessa característica fundamental da pessoa humana: a relação.
Por esta perspectiva passa o trabalho de muitos projectos mediáticos. Também os que dependem, pessoal ou institucionalmente, da Igreja Católica em Portugal.
As recentes Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais constituíram prova disso: pela presença de mulheres e homens apostados em propor a toda a sociedade o Evangelho pelos meios de comunicação, pela partilha de diferentes metodologias para comunicar, pelo desejo de ver novos e diferentes projectos audiovisuais a concretizarem-se entre nós, pela busca do trabalho profissional e sobretudo pela constatação do que já se oferece à história da comunicação por imperativos missionários. Aí se incluem projectos pessoais, disseminados pelas redes, ou posturas institucionais, representativas de um todo, que podem chegar aos receptores em qualquer soundbyte mediático.
Esta prioridade oferecida à comunicação acontece em diferentes funções: naquelas que têm por objectivo a comunicação institucional, nas que cumprem um desejo de comunicação em proximidade, nas que geram grupos virtuais e nas que se jogam no palco mediático generalista. E em todas segundo critérios de profissionalismo próprios, tão distantes quanto as ferramentas e metodologias comunicativas: dependem da natureza e dos objectivos da instituição que se quer em comunicação, estão em sintonia com a identidade histórica exigida pelos leitores dos meios regionais e locais, obedecem às gramáticas da comunicação em rede e ombreiam com as demais empresas ou agentes da comunicação quando as mensagens se lançam nos areópagos audiovisuais.
Diferentes funções e ferramentas da comunicação, mas todas necessárias. Palpites sobre o que depende de outros também são precisos. Mais ainda contributos efectivos, concretizados na multiplicidade de presenças mediáticas, pessoais ou institucionais.
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Paulo Rocha

Pequena entrevista ao Padre Miguel Lencastre


O Sangue de Mártires
Fecunda a Seara
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O Padre Miguel Lencastre, que ontem também celebrou os 50 anos do anúncio de que seria presbítero, não podia deixar de estar presente na abertura do Jubileu dos 50 anos da entrada de Schoenstatt em Portugal. E fê-lo após o regresso de Friburgo, na Suíça, onde aconteceu essa decisão. Ali se havia deslocado para celebrar com colegas data tão marcante para a sua vida.
Ontem, na eucaristia presidida por D. António Francisco, apresentou o testemunho da caminhada de fé, com destaque para a recordação, ao jeito intimista, da descoberta da sua vocação, há meio século. No final, ouvi-o, ainda, para o levar até aos seus amigos, schoenstattianos e não só.
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- Que espera deste Jubileu?
- Um jubileu é sempre um ano de graças; não é só um ano festivo, mas vai ser um ano muito abençoado.
 - Como assim?
- Sabemos isso através da Bíblia, em que houve jubileus muito abençoados. É o que nós esperamos para este ano.
- Será um ponto de partida?
- Vai ser um ponto de partida para uma fase de grandes esperanças. E o Ano Sacerdotal, curiosamente, coincidente com os 100 anos do nosso Pai Fundador, será, para o nosso Movimento, uma nova primavera.
- O Movimento passou por períodos difíceis…
- Claro. O nosso Movimento tem sido muito provado, um pouco por todo o lado, ao longo dos tempos, mas eu tenho a certeza de que, com este impulso do Ano Jubilar, tudo vai melhorar.
- Os cristão também foram e são perseguidos…
- O sangue dos mártires fecunda a seara.
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FM

Bispo de Aveiro abre Jubileu dos 50 anos de Schoenstatt em Portugal

Padre Miguel e D. António Francisco
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Saibamos ser exemplo
do espírito que daqui irradia



“Na expressão da gratidão da diocese, quero deixar a alegria de hoje iniciarmos as celebrações jubilares e vivermos este ano com particular entusiasmo, tornando mais divulgada a mensagem que daqui recebem, cada vez mais centralizada na peregrinação daqueles que procuram a serenidade, a paz e o silêncio na oração, no encontro, no acompanhamento espiritual, nesta presença do louvor perene a Jesus Cristo, solenemente exposto em adoração”, afirmou ontem, 15 de Setembro, na homilia celebrada no santuário diocesano, em ambiente de festa, D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro.
Concelebraram padres do Arciprestado de Ílhavo e outros, directa ou indirectamente ligados ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, sendo de assinalar a significativa participação do Padre Miguel Lencastre, “uma das referências maiores da presença de Schoenstatt na nossa diocese ”, como sublinhou D. António.
Referindo que uma das expressões maiores do carisma de Schoenstatt é a valorização da causa da família, D. António Francisco lembrou que, “se em algum momento foi importante este serviço, se foi oportuno este zelo e esta dedicação, são, certamente nestas circunstâncias e no nosso tempo, mais preciosos e apreciados estes valores”.
Dirigindo-se às famílias, o Bispo de Aveiro pediu-lhes que saibam ser exemplo do “espírito que daqui irradia”, testemunhando com coerência “o amor abençoado no mundo e sinal transformador da sociedade do nosso tempo”. A Igreja aveirense "confia-vos essa missão e agradece-vos este testemunho”, referiu D. António.
Com o salão cheio de membros e amigos do Movimento de Schoenstatt, de Aveiro e de outras zonas ligadas a este santuário da nossa diocese, onde se venera Nossa Senhora – Mãe e Rainha Três Vezes Admirável de Schoenstatt –, a eucaristia, presidida por D. António Francisco, foi marco importante da abertura do Jubileu dos 50 anos da entrada daquele Movimento Apostólico na nossa diocese e em Portugal. Mas o prelado aveirense lembrou, com oportunidade, que todos ali estávamos, ainda e fundamentalmente, “pelo anúncio do Evangelho e pela causa do Evangelho, abençoados por Maria”, para agradecer ao Senhor e a todos quantos, ao longo destes 50 anos, deram vida a este santuário e a este centro, “com a sua generosidade, com a sua dedicação e com o seu testemunho”.
Louvou os que souberam fazer convergir para aqui “os seus pés de peregrino”, irradiando a devoção a Nossa Senhora, sendo “presença abençoada de Deus, neste doce encanto de Maria Mãe Admirável”. E acrescentou: “Sejamos dignos de todos quantos, ao longo do tempo, aqui afirmaram o testemunho da sua fé, da sua dedicação e da sua consagração.”
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Fernando Martins

O FIO DO TEMPO:Descubra as diferenças

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A Campanha Desceu das Televisões às Ruas
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1. A campanha eleitoral desceu das televisões às ruas. A maratona este ano tem direito a prolongamento, depois das legislativas seguem-se as eleições autárquicas. Em tão longas jornadas, terão de existir razões de sobra para debates sérios pois esclarecedores das visões de sociedade e dos programas correspondentes. Não se podem perder (mais) oportunidades, pois sempre que iniciam as campanhas (e este ano até iniciam com a vida escolar!) sublinham-se os apelos à ética do debate, à re-ligação da sociedade às visões políticas, ao procurar vencer as indiferenças e as descredibilizações que com o passar dos tempos as linhas políticas vão arrastando… Talvez este pedido seja optimista demais em relação a uma certa realidade viciada em que se tornou o debate público de ideias... Estará, ainda, para chegar o líder que prefira a consistência à intriga?!
2. Não se poderá ter a tentação de fazer juízos prévios nem precipitados, mas a primeira parte da campanha (a pré-campanha), que este ano teve debates (só) entre as lideranças parlamentares, dois a dois, primou pela procura do empate. Por um lado um empatar analisado quase ao jeito de quem procura os pequenos deslizes para vencer mais o outro que as ideias que ele representa, por outro uma acérrima procura em descortinar e acentuar o «descubra as diferenças». Claro que, mesmo na mais cintilante isenção, nunca se conseguirá (nem tal interessará) um unanimismo que paralisa. Todos pensarem sobre tudo da mesma maneira seria reflexo de asfixia intelectual que não interessa. Mas, primar por um certo radicalismo de dar o passo em frente na procura de mostrar as diferenças, sejam elas quais forem…, também é sinal menor.
3. Se nas campanhas de rua andam muitas artilharias e grandes investimentos, facto que já se tornou tradição, então que a sua aplicação possa ser sinal de procura de mais e melhor. A contraposição irritada como primeira bandeira diz o quanto continuamos longe da expectativa de uma cidadania política arejada.
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Alexandre Cruz

Crónica de um Professor:A Educação em Portugal

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Sempre há cada cábula!...
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É FRANCÊS E NÃO PERCEBO NADA
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- Não, não entendo nada do que ele diz! É Francês e não percebo nada.
Foi esta a frase proferida por aquela mocinha de carinha laroca e uma auto-estima bem posicionada.
Encontrava-se a ajudar o pai, na banca de venda, no mercado municipal, ali na cidade ao lado.
Tendo assistido a esta tirada da miúda e calculando que na sua tenra idade ainda a estaria a frequentar escola, inquiri:
- Então a menina não anda na escola, ainda?
Claro que sim, mas não sei nada de Francês. Nem desta língua nem de nada!
Dizia isto com ar displicente e a convicção de quem já sabe desfrutar da vida e aprendeu a lei do desenrascanço.
Enquanto se descartava da responsabilidade de ter de atender o cliente do pai, em Francês, ia atirando a título de desculpa, que apesar de tanta ignorância tinha passado todos os anos.
Com quinze anos, duma vida iniciada no sistema de ensino que mais se assemelha ao nacionalporreirismo, que tudo facilita e tudo consente. Ia subindo na escala hierárquica da formação académica portuguesa, revelando uma iliteracia confrangedora. Completara o 9.º ano e iria ingressar no 10.º, já neste mês de Setembro deste ano lectivo.
Perante esta tirada de “sabedoria”, interroguei-a:
- És tu que não sabes... porque não estudas nada, ou são os teus professores que nada te ensinam?
Era uma aluna cábula, que anda na escola só para passar o tempo e lá vai deitando mão dos estratagemas que vão surgindo: as cábulas.....
Com aspecto de quem promete vir a ser um bom vivant, a criaturinha de ar determinado num palminho de cara, ia construindo o futuro, trôpega, sem consistência na sua formação académica e humana, mas lá ia coxeando, tal qual um ancião que já gastou as suas energias na longa caminhada da vida.
Eu que ia ouvindo e reflectindo, pensava com os meus botões: aqui está a caricatura do que é o sistema de ensino em Portugal. Não se estuda nada, não se faz nada... mas no fim, há o prémio para quem pelo menos sabe desenrascar-se. Esses que têm essa propensão e a vão treinando na escola, certamente vão ser pessoas bem sucedidas no futuro! Se os ensinamentos vêm de cima, temos na cena política os melhores exemplares. E...não subiram tanto na vida, que chegaram ao topo da carreira, sem sequer terem concorrido a titulares?
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M.ª Donzília Almeida
07.09.09

terça-feira, 15 de Setembro de 2009

O Silêncio do Tempo

Profecia

eu sei
onde acaba
o tempo

a barca
e o mar
dos nossos segredos
partilhados

eu sei

apenas as pedras vivas
nos olham com lucidez


entre o negro e o vermelho
o nevoeiro passa

o esquecimento
é a mais antiga
das profecias

a casa
a ausência
dos teus abraços
a cegueira da chuva
nos teus olhos


o silêncio
do tempo

orlando jorge Figueiredo
setembro 2009

Escola Secundária da Gafanha da Nazaré: Relógio de Sol e Rosa-dos-ventos

Relógio de Sol e Rosa-dos-ventos



Projectos mobilizadores
das capacidades dos alunos

Nas Escolas há, cada vez mais, felizmente, projectos mobilizadores das capacidades dos alunos, graças ao trabalho de professores competentes e responsáveis. Sei que é assim em todas as Escolas, porque Escolas rotineiras não têm lugar nos tempos que correm.
Como já devem ter notado, uma simples passagem pela Escola Secundária da Gafanha da Nazaré, no sábado, levou-me a apreciar, da rua, algumas iniciativas que chamaram a minha atenção. Vi a rosa-dos-ventos, um gerador eólico, decorações nas paredes do edifício… Confesso que gostei. Já agora, tentarei passar por outras, mas gostaria que cada Escola da Gafanha da Nazaré me alertasse para projectos inovadores… Aqui fica o desafio.
Com este projecto, assente na instalação do Relógio do Sol e da Rosa dos Ventos, pretende-se atingir a “sistematização prática de conhecimentos que reforce nos jovens a capacidade de utilização de instrumentos de uso comum e científico, de modo a que possam directamente observar o movimento diurno aparente do Sol ao longo do ano”, diz o relatório desta iniciativa. E acrescenta: “Além disto, pretende-se o conhecimento dos pontos cardeais e a respectiva orientação geográfica dos mesmos na escola. Deste modo promove-se a consolidação de hábitos de pensamento e de acção, instrumentos estes necessários para a organização do seu próprio pensamento.”
Os promotores deste projecto são os professores Cristina Carmona, Rosa Agostinho e Piedade Santos.
FM

Para reflectir...

Mesmo aqueles que deixaram tudo para seguir Jesus, hoje como ontem, poderão ser vítimas deste “demónio”. Sobrevalorizar-se, ultrapassar os outros, ocupar o primeiro lugar, num aspecto em particular ou em todas as coisas.
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Padre Rubens: Notas Biográficas

Padre Rubens numa vigília de Natal
Hoje recordo, aqui e aqui, o saudoso Padre Rubens.

segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

Festa da Nossa Senhora da Encarnação

Homens levam andor
Mulheres levam andor
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"A nossa festa"! Melhor que a sua?

Como já vem sendo tradição de longa data, estão a decorrer desde 11 de Setembro até hoje, os festejos em honra da Nossa Senhora da Encarnação.
Sendo a Nossa Senhora o mote, o pretexto para a comemoração, reveste-se de um misto de sagrado e profano. As gentes novas dão-lhe um significado muito próprio pois permite a exibição das toilettes, intencionalmente seleccionadas para o evento.
A religiosidade ainda sobrevive no culto religioso que se materializa na conhecida, apreciada e sempre renovada procissão ao longo dum itinerário preciso. É uma manifestação secular, a que já assisto desde o século passado. Sempre melhorada na organização e nos ademanes, congrega esforços e devoções que teimam em contrariar o materialismo reinante.
É admirável a actividade empenhada dos moradores, por cujas casas a procissão passa, que se esmeram na decoração e embelezamento da rua. Dá gosto observar o afã com que homens e mulheres, com especial destaque para as últimas, se empenham a espalhar verdes e flores sobre o piso, oferecendo aos forasteiros um espectáculo de beleza primaveril. E o cheirinho que as ervas aromáticas dão ao serem pisados pelos pés dos participantes? Fui informada por alguém que também colaborava nesta tarefa, que vinham visitantes de longe para desfrutar deste apelativo espectáculo. O manjericão, a alfazema, o limonete, vulgo lúcia-lima, são algumas das espécies botânicas que oferecem o seu perfume a esta manifestação de fé.
A procissão na sua vertente religiosa é um repositório da religiosidade e cultura dos gafanhenses, que teimam em a perpetuar, apesar das dificuldades que os tempos modernos acarretam. Continua, desde que a memória me assiste, a integrar o grupo dos mordomos que a organizam, devidamente uniformizados, a plêiade de anjinhos que personificam a hagiografia portuguesa nas roupagens que o imaginário popular lhes empresta, as criancinhas vestidas de brancura imaculada da 1.ª comunhão, as bandas de música que marcam o compasso rítmico e lhe dão a solenidade própria, etc, etc.
É um regalo para a vista e é tradição após o convívio familiar ter degustado a tradicional chanfana, prato forte da festa, ir-se ver a procissão. As ruas, pejadas de gente que se arruma nos passeios e bermas, fazem magotes onde disputam um bom lugar de observação. E... há quem tire fotografias, quem filme, quem grave o evento para mais tarde recordar.
À memória, vem a recordação da efeméride que se repete desde os meus tempos de menina e moça. Os habitantes desta Gafanha referiam, com orgulho bairrista e muita convicção, a chegada da “nossa festa”!. Coincidia, na época em que a Gafanha era um meio rural, com a colheita do milho, que enchia o celeiro dos agricultores. Tenho ainda, bem gravada, a imagem, das eiradas do milho já debulhado, a secar na eira e a preocupação em cobri-lo antes que viesse o orvalho da noite.
Havia autorização para ir à festa, à noite, mas antes, tínhamos de cobrir o milho.com taipais ou outras formas de protecção.
Num Setembro que já prenuncia o Outono, havia esta empreitada das colheitas que era a mesa farta do pequeno lavrador. A pequenada delirava com a “nossa festa” pois era uma pausa agradável na dura labuta agrícola e a promessa de uns momentos bem passados de forma diferente. As atracções lúdicas, o carrossel e os carrinhos de choque entretinham a malta jovem e davam asas à sua energia incontida.
Havia a esperança de encontrar um namorico, nos forasteiros que assomavam à freguesia... ou quiçá nos músicos que compunham a banda! E... alguns casamentos se consumaram, com a bênção da Mãe de Deus!
Longevidade se deseja a estes pombinhos!
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M.ª Donzília Almeida

Um livro do Padre Manuel Joaquim Estêvão da Rocha

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“PELOS CANAIS: Palavras e Gestos que Edificam”
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Com edição da paróquia da Vera Cruz, veio a lume um livro do seu pároco, Padre Manuel Joaquim Estêvão da Rocha. Trata-se de um trabalho que insere textos escritos semanalmente, na folha dominical “O Canal”, que mais não são do que propostas de reflexão para a vivência do evangelho no dia-a-dia de quem se assume como católico e, ainda, para todos os que procuram horizontes de verdade, de justiça e de paz.
Li e reli várias mensagens, curtas, incisivas e interpelantes, todas intemporais e motivadoras de opções sociais, espirituais e comportamentais, no sentido de uma sociedade mais fraterna e cristã, sendo certo que, no fundo, vão para além de “convites insistentes a vivermos esta vida com o realismo e a força que ela tem e como meio de chegarmos à VIDA!”.
Cada semana de cada tempo litúrgico e cada situação com que as pessoas e comunidades do nosso tempo se confrontam, onde sobressaem tantas nuvens negras, o Padre Rocha avança com histórias, ideias e projectos de horizontes largos e elevados, em que a matriz é, fundamentalmente, a Boa Nova de Jesus Cristo e o seu plano de salvação do homem todo e de todos os homens.
No Prefácio, o nosso Bispo, D. António Francisco dos -Santos, sublinha que “A mensagem do pároco, em sintonia com a palavra de Deus, (…) constitui uma bela forma de criar laços de comunhão entre todos os membros da comunidade”. E acrescenta: “A clareza do pensamento, a densidade do conteúdo, a beleza da forma, a intuição pastoral manifestada, a leitura cristã dos acontecimentos e o olhar de esperança para o futuro dizem-nos da oportunidade destas reflexões e do seu sentido prático e actual.”
D. António refere ainda que o autor depõe nas nossas mãos, “com alegria e emoção, este livro onde todos nós sacerdotes nos identificamos, através da palavra aqui impressa e da mensagem nela expressa”.
Também o presidente da Câmara de Aveiro, Élio Maia, lembra que “as palavras do Padre Rocha fazem e ajudam a fazer obra”, salientando que este livro nasceu para ajudar “a construção da Nova Creche da Vera-Cruz".
Por sua vez, na Introdução, o Padre Rui Barnabé, vigário paroquial da comunidade da Vera Cruz, frisa que os cristãos “devem encontrar formas de tornar Cristo acessível, primeiro, e significativo, depois, junto da sociedade que os envolve”, adiantando que “O Canal”, de que agora se publicam os primeiros números, “é, sem dúvida, a expressão disto mesmo”.
Tendo em conta que a edição deste livro reflecte, em suma e essencialmente, dois propósitos, como são as reflexões para o dia-a-dia do cristão, e não só, e a construção de uma nova Creche já aberta à Vera e ao Cruz, tudo para um mundo muito melhor, estou em crer que “PELOS CANAIS: Palavras e Gestos que Edificam” vai ser um sucesso.
Design da Capa: Ana Filipa Gomes; Foto da Capa: Nuno Marques; Colaboradores na revisão, formatação e paginação: André Nobre, António Carvalho, Artur Lobo, Cravo Machado, Florinda Costa, José Carlos Costa, José Rodrigues, José Pedro Santos, Paula Hipólito, Rosa Roquete e Sónia Neves.
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Fernando Martins

Frei Bento Domingues, no PÚBLICO de ontem

Conversas
interrompidas
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Na sua crónica deste domingo no Público, frei Bento Domingues evoca Raul Solnado, M.S. Lourenço e Ted Kennedy. Três memórias fundamentais a reter num texto sentido.
Ler aqui

domingo, 13 de Setembro de 2009

Arte pública na Escola Secundária da Gafanha da Nazaré

Escola Secundária da Gafanha da Nazaré

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Passei ontem pela Escola Secundária e tive a oportunidade de olhar, com mais atenção, para todo o conjunto. Registei, com agrado, o cuidado que tem havido para embelezar  o conjunto. Da rua, fixei este bloco, onde estão, à vista de quem passa, painéis que mostram, à evidência, que por ali há artistas e quem saiba orientá-los para caminhos das artes.

Oficialmente, a campanha para as legislativas já começou

A Campanha para as Legislativas já começou. Os partidos estão na rua, melhor dizendo, nas ruas todas do país, com milhões de euros para ajudarem a convencer o povo. Nesta altura, não há coragem, estrategicamente falando, para olhar para as crises. É preciso que todos mostrem as suas razões para governar Portugal.
É óbvio que os partidos são fundamentais à democracia. É óbvio que precisamos de ser esclarecidos. É óbvio que os programas partidários não estão ao alcance de todos. É óbvio que a mensagem talvez passe melhor pela palavra que pela escrita.
Nessa conformidade, temos de estar preparados, com muita paciência, para discernir a verdade da demagogia. O realismo da utopia. O possível do impossível. Se não fizermos esta análise, com cuidado e olhos bem abertos, podemos correr o risco de errar no alvo.
Outra exigência se nos põe: não podemos embarcar em abstenções. Um voto a mais ou a menos pode decidir tudo. Então, boa disposição e grande espírito de abertura,  para na hora certa decidirmos quem nos há-de governar.
FM

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 148

BACALHAU EM DATAS - 38


Novos Mares
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NOVOS NAVIOS DE PESCA À LINHA
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Caríssimo/a:
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1938 - «Na campanha de 1938, a maior parte dos navios da frota bacalhoeira portuguesa já estava provida com aparelhos de telegrafia sem fios que era considerada como a providência da navegação, valendo, “por si, meia campanha”, pois permitia a comunicação entre navios e aumentava as condições de segurança das embarcações.» [Oc45, 110]

«[...] Seguiram-se, em 1938, [nos Estaleiros da Gafanha da Nazaré] o lugre de quatro mastros NOVOS MARES, a cargo de Manuel Mónica, para a empresa Testa e Cunha, L.da, de Aveiro, e os lugres-motores OLIVEIRENSE e DELÃES, saídos dos estaleiros de António Mónica.» [Oc45, 117]

«[O CREOULA] sofreu um acidente de consequências muito graves que fez desaparecer, numa onda que varreu o convés, 5 membros da tripulação, o imediato e quatro pescadores.»[C., 42]

«... o imediato de nome Calais e natural de Lisboa, o Joaquim Bolhões, da Nazaré, o Zé Damásio, da Ilha de S. Miguel, o Joaquim Caneco, da Fuzeta, e um outro de Setúbal, que tenho pena de não poder lembrar o seu nome... [José da Silva Cruz, Memórias 1972-1983]» [C., 43]

10 de Maio - «O lugre TROMBETAS, da Lusitânia, Companhia Portuguesa de Pesca, da Figueira, sofreu um acidente que arrastou para o mar - e vitimou - 7 dos seus tripulantes.»


1939 - «O terceiro momento da inovação [da frota bacalhoeira portuguesa] respeita ao advento dos grandes navios-motor de pesca à linha – uma novidade absoluta à escala internacional – e ao abandono da navegação à vela em parte da frota de “navios de linha”. Em Abril de 1939 saíram dos Estaleiros da CUF, na Rocha do Conde de Óbidos, de Lisboa, os primeiros navios-motor em ferro, o SÃO RUY e o SANTA MARIA MADALENA. Foram ambos armados pela Empresa de Pesca de Viana e já fizeram a campanha desse ano.» [Oc45, 100 ] Vd.1936

«Orçados num valor aproximado de 5.000.000$00. Obedecendo ao modelo de proa direita com ligeira inclinação para vante e popa redonda, apresentavam um comprimento de 66 m, um deslocamento de 1692 t e motores diesel suíços, fornecidos pela Sulzer, de 550 CV. Os seus meios de pesca e de habitabilidade eram dos mais sofisticados. Contavam com o seguinte equipamento: frigorífico para transporte de isco congelado, um duplo fundo para albergar água doce, habitabilidade estudada segundo os requisitos mais exigentes, fornos de isolamento, ventilação, sonda eléctrica, posto de telefonia, potência eléctrica suficiente para o trabalho de guincho das amarras, bombas de esgoto e incêndio e aparelhagem electromecânica para o serviço dos dóris.» [Oc45, p. 111]
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Manuel

sábado, 12 de Setembro de 2009

Ligação ferroviária ao Porto de Aveiro até ao fim do ano

Visita ao Porto de Aveiro
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Até ao final deste ano estará concluída a ligação ferroviária ao Porto de Aveiro. O Ministro dos Transportes e Obras Públicas visitou, a 11 de Setembro, as obras, garantindo que tudo está a correr dentro dos prazos e que em 2010 o Porto de Aveiro se juntará aos restantes portos nacionais que estão já a ser servidos pela ferrovia.
Mário Lino disse ainda que esta linha irá permitir um escoamento mais fácil e competitivo das mercadorias: “Um porto, para ser competitivo e para se poder desenvolver, tem de estar ligado a vários modos de transporte Esta linha permitirá uma ligação entre o modo marítimo, o ferroviário e o rodoviário, levando a um escoamento mais competitivo", afirmou o ministro.
Neste momento está já adjudicada a terceira fase da obra de ligação ferroviária ao Porto de Aveiro cujos trabalhos consistem na instalação de nove quilómetros de via férrea, entre a saída do Terminal de Cacia e a entrada no porto. Está também em vias de conclusão a segunda fase, que prevê a criação de novas acessibilidades ao Porto de Aveiro.
Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, acredita que quando tudo estiver terminado, o Porto de Aveiro alargará substancialmente o seu hinterland, chegando a novas zonas de Espanha.
 
Ler mais no Porto de Aveiro

Há judeus na Síria desde Abraão, mas estão quase a acabar

Damasco
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Um shabat em Damasco
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Há judeus na Síria desde Abraão, mas estão quase a acabar. O P2 [Público] passou um shabat na última sinagoga aberta, andou pelo bairro de casas abandonadas e bebeu café em casa de Albert, Rachel e Belle, três irmãos que guardam o fim, e convidam todos os judeus portugueses a aparecer.

Por Alexandra Lucas Coelho, em Damasco

EXPRESSO edita seis clássicos a preços simbólicos

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Clássicos da Humanidade adaptados
pelos melhores autores portugueses
a partir de 19 de Setembro


Quantos clássicos leu? Conhece o enredo de a "Eneida", de Virgílio? Ou qual o episódio mais marcante da "História Trágico-Marítima"? E de que trata, afinal, "Os Lusíadas"?
Agora vai ter oportunidade de saber e de partilhar estes clássicos com os seus filhos numa colecção de seis livros (todos integrantes do Plano Nacional de Leitura), dos quais o primeiro é grátis e os restantes custam um euro cada. Eis os títulos:
Peregrinação
Os Lusíadas
As viagens de Gulliver
Odisseia
História Trágico-Marítima
A Eneida
Os seis volumes, que serão ilustrados por André Letria, são adaptados por João de Barros, Aquilino Ribeiro e António Sérgio, numa colecção que fez história e formou gerações: a colecção Clássicos da Humanidade, da editora Sá da Costa.
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Ler mais aqui

Fui hoje ao Mercado da Gafanha da Nazaré

Jovem vendedora com arte para convencer clientes

Nos mercados há de tudo

Não estando muito habituado a frequentar mercados e feiras, nem sei o que tenho perdido. Hoje fui ao Mercado da Gafanha da Nazaré. Acompanhei a minha esposa, que me garantiu que lá se compra tudo mais barato. A primeira lição que registei foi a forma de negociar, com vendedores e compradores a discutirem preços. Pede-se mais para vender por menos.
- A como é o feijão verde? Não pode ser mais barato?
- É a euro e vinte, mas vai por um euro.
- E as nabiças?
- São a um euro e vinte a molhada, mas faço-lhe um euro.
E por aí adiante. Quem não regatear perde dinheiro. E assim se vai enchendo o saco do que era preciso e do que não era. A persuasão dos vendedores, cheios de experiência, é muito forte.
A minha esposa acabou por comprar uma série de coisas, tudo a um euro, embora a vendedora garantisse que valiam um euro e vinte.
- Venha cá, freguesa, que tenho os melhores produtos e muito mais baratos. Quem vai na conversa, encontra mais barato logo a seguir. Vem o protesto: - Então garantiu-me que era mais barato! Resposta: - A freguesa não regateou!…
A minha memória diz-me que antigamente os vendedores, normalmente agricultores da terra ou da região, eram gente madura. Hoje vi no Mercado gente moça com o mesmo desembaraço dos pais. E até com arte para cativar quem vai para comprar maçãs e até compra pão, cebolas, alhos, peixe. E santinhos, que ali há de tudo.
Gostei do fervilhar de pessoas que se vão abastecer para toda a semana.
Depois há os amigos que encontramos e que não víamos há muito. Os que passeiam simplesmente. Os que ali vão para saborear uma rosca doce. Os que, sentados, a ver quem passa, tomam um café ou uma cerveja. Os que conversam sobre tudo e sobre nada. Os mercados são um pequeno retrato do nosso povo. Do povo que não tem tempo nem dinheiro para andar pelas grandes superfícies.
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FM

Escola Secundária da Gafanha da Nazaré passa com distinção

Escola Secundária da Gafanha da Nazaré

Mérito para toda a comunidade educativa


Fiquei um dia destes muito satisfeito quando li, no Timoneiro, mensário da Gafanha da Nazaré, um texto de Jorge Pires Ferreira, chefe de redacção, que sublinhava ter passado a Escola Secundária, segundo a avaliação do Ministério da Educação, com distinção.
Eu, que me considero bem informado sobre o que diz respeito à minha terra, desconhecia esse facto. Por certo, outros haverá, merecedores de serem divulgados, que me escapam.
A Escola Secundária da Gafanha da Nazaré (ESGN) foi, então, avaliada pela Inspecção Geral da Educação e o mérito, classificado com “Bom” e “Muito Bom”, diz bem do trabalho desenvolvido neste estabelecimento de ensino, onde não faltam projectos apoiados por uma “vasta rede de parcerias” e por uma “liderança dinâmica e motivadora", como se lê na reportagem.
A ESGN foi frequentada, no último ano lectivo, por 771 alunos, sendo 340 do 3.º Ciclo e 341 do Secundário. Para além desses, há os alunos das Novas Oportunidades. Leccionam 119 professores, havendo 46 funcionários.
O mérito alcançado vai inteirinho para quantos lideram, leccionam, trabalham e estudam nesta escola. Mais ainda: para as famílias, parceiros de projectos e demais instituições que apoiam a ESGN.
Os meus parabéns a todos.
FM

Português e Matemática

A palavra escola vem do grego scholê, que significa ócio. Não se trata, porém, do ócio da preguiça, mas do tempo livre para o exercício da liberdade do cidadão enquanto homem livre, tendo, portanto, a escola de ser o lugar e a instituição da formação para o ser Homem pleno e íntegro.
Há aquele preceito paradoxal de Píndaro: "Homem, torna-te no que és". Então, o Homem já é e tem de tornar-se no que é? Realmente, quando se compara o Homem e os outros animais, constata-se que os outros já vêm ao mundo feitos enquanto o Homem nasce prematuro, por fazer e tendo de fazer-se: devido ao que os biólogos chamam a neotenia, já nasce Homem, mas tem de fazer-se plenamente humano. E aí está a razão da educação enquanto o trabalho mais humano e humanizador, de tal modo que Fernando Savater pode justamente considerar os professores como "a corporação mais necessária, mais esforçada e generosa, mais civilizadora de quantos trabalham para satisfazer as exigências de um Estado democrático". Porque o que é próprio do Homem não é tanto aprender como "aprender de outros homens, ser ensinado por eles".
Savater também escreve, com razão, que "a principal disciplina que os homens ensinam uns aos outros é em que consiste ser Homem". Por isso, o horizonte da escola tem de ser o Homem na sua humanidade plena, o humanismo integral. Não se justifica aquela abusada separação entre ciências e humanidades. Aliás, na base dessa separação está um equívoco: a denominação de "humanidades" é de origem renascentista, não por oposição às ciências - essa separação entre ciências da natureza, com base na explicação, e ciências do espírito, com base na compreensão, acentuou-se no século XIX -, mas aos estudos bíblico-teológicos. De facto, das humanidades faziam parte tanto o Banquete, de Platão, como os Elementos de Geometria, de Euclides.
Compreende-se, pois, que da educação faça parte tanto o Português como a Matemática. Mas, se a linguagem é estruturante de mundo e o saber fundamental, torna-se claro que, se a compreensão do Português for frágil, não há razão para espanto no desastre em Matemática.
Fica aí uma súmula de erros em Português em escritos académicos recentes de estudantes universitários.
Erro constante é o de colocar o verbo haver no plural, quando deveria ser colocado no singular. Note-se, porém, que este erro é frequente mesmo em professores dos diversos graus de ensino, ministros, gestores, advogados... Exemplos: "haviam muitas possibilidades", "poderiam haver outros partidos". Neste caso, será preciso perguntar qual é o sujeito.
Uma boa pontuação é rara e uma bênção, pois dificilmente se sabe colocar uma vírgula no lugar certo. Mas não é raro colocá-la imediatamente a seguir ao sujeito da frase. Será então preciso perguntar: qual é a lógica que preside à coisa?
Agora, casos concretos: "o homem dasse a conhecer"; "vou reflectir à cerca de outro tema"; "deve-se dizer não há violência"; "se ele mandá-se, como seria?"; "há-dem ver" - aqui, observo que já ouvi esta a um ministro; "o nosso tempo trás de volta o mito"; "isto nada tem haver com o que foi dito"; "à muito tempo que é assim"; "tratam-se de questões complexas" - é muito frequente ouvir este erro na televisão, na rádio e em conferências; "vamos, quando quiser-mos"; "é assim; senão vejamos" - outro erro comum.
Por onde começar na reforma do ensino?
Tive a sorte de ter tido excelentes professores, mas talvez aquele ao qual mais devo seja o da escola primária, como então se dizia - saíamos de lá a dividir correctamente as orações, a distinguir entre um "que" relativo e um "que" integrante, um "se" condicional e um "se" infinitivo, e a redigir sem erros mortais. Ele não tinha passado pela Universidade, mas era dedicado e punha-nos a fazer essas coisas - redacções ou composições literárias, ditados, cópias... - com naturalidade e exigência, corrigindo diariamente o que era para corrigir. Cumpria como professor o que diz o étimo, que é profiteor: declarar abertamente, confessar publicamente, proclamar, obrigar-se a, dar a conhecer, entregar uma mensagem, ensinar.
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sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

Efeméride



“Quando se fez ao mar, a nave escura,
Na praia essa mulher ficou chorando,
No doloroso aspecto figurando
A lacrimosa estátua da amargura!”

Assalta-me à memória hoje, com mais acutilância, este excerto do soneto de Gonçalves Crespo, Mater Dolorosa!
Ficou, indelevelmente, gravado na memória, quando em 1966, apareceu na prova escrita do exame de Português, e nunca mais se apagou.
Foi, nos verdes anos, que tive contacto com esta mesma realidade, da separação... da mãe, dos seus entes queridos. A veemência do sentimento maternal, aqui explícito, haveria de marcar-me, para sempre. Senti-o na pele, quando a família foi desmembrada pelo drama da emigração.
Pude vivenciar de perto a dor profunda duma mãe que também, à semelhança daquela que é retratada no soneto, viu partir metade da família para além mar. Tal como na saga dos navegadores portugueses da época dos Descobrimentos, também iam à procura do desconhecido, noutras terras, noutras paragens. Iam, em suma, à procura duma terra prometida.
Não vou descrever aqui, hoje, o drama humano da emigração, que abalou muitas famílias, no século passado. Durante anos, os destinos mais procurados foram o Brasil e a Argentina, que arrebanharam para si muitos chefes de família. Mergulhados no fascínio de um novo destino e absorvidos pela aculturação, abandonaram para sempre os familiares esquecidos, em Portugal. Quando esse chão deixou de dar uvas e a árvore das patacas havia secado nesse países latino-americanos, começou o êxodo para a Europa central - França. Alemanha, Luxemburgo, Suíça... Mais tarde, foi a terra do Tio Sam que exerceu atracção sobre numerosas famílias de todo o mundo, ao qual não escapou o nosso pequeno país, parco de recursos e oportunidades. Ainda não tinham chegado as Novas......!!! Aquele melting pot de etnias várias, aquela mistura explosiva, também contém, na sua amálgama, muito sangue lusitano. E... quem não se lembra dos Luso-Americanos, que, em meados do século passado, invadiam as ruas estreitas da Gafanha, com as suas sumptuosas “banheiras”? Estas entupiam, completamente, a passagem dos carros de vacas, que tinham que se arrumar para a berma das poucas estradas que havia, numa Gafanha rural.
Pois! Foi este espectáculo que presenciou a pessoa que hoje, assinaladamente, evoco e que tanto sofreu com essa partida para os Estados Unidos da América, em 1963. Quase que, num simbólico tributo ao país que deu conforto material à sua família, acolhendo-a no seu seio, foi juntar-se às vítimas do 11 de Setembro de 2001, no ano transacto. Foi assim que transmiti aos amigos, a notícia desta derradeira partida.
Ficou a memória duma pessoa sofrida, em prol da família e que durante anos viveu a dor da separação. A vida que lhe havia sido madrasta, compensou-a durante várias décadas, ainda, com o regresso do marido e pai, que tão arduamente lutou pela subsistência dos filhos.
Fica a memória saudosa de alguém que personificou tal como a heroína do soneto, a intensidade do amor maternal.
Que a sua alma descanse no reino da Glória!
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Mª Donzília Almeida
11.09.09

quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

Biblioteca Municipal e Fórum da Juventude de Ílhavo celebram aniversário

Biblioteca Municipal de Ílhavo


A Biblioteca Municipal e o Fórum da Juventude de Ílhavo vão celebrar amanhã, 11 de Setembro, os seus primeiros quatro anos de existência, em prol da cultura. Durante quatro anos, estes equipamentos têm vindo a afirmar-se como excelentes espaços de consulta, de trabalho, de pesquisa, de convívio e formação, sendo já uma referência na Rede Nacional de Bibliotecas e uma peça de arquitectura de reconhecido mérito a nível internacional.
A Biblioteca regista 4680 utilizadores inscritos, 13 706 empréstimos de livros, sendo de 135 092 o número de leitores de periódicos, até esta data. Também o Fórum da Juventude desenvolve uma acção com assinalável impacto junto dos mais novos.
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Ver programa detalhado aqui

LEGISLATIVAS

São sempre os mesmos
a fazer as mesmas políticas


Tenho seguido, dentro do possível, os debates políticos, com vista às legislativas. Penso que os debates são importantes, porque necessários ao esclarecimento dos eleitores. No final de cada um, em que participam dois candidatos ao cargo de primeiro-ministro do Governo de Portugal, há, por parte de alguns órgãos de comunicação social, uma espécie de classificação, para se indicar o vencedor. Tudo servirá para nos ajudar a medir a capacidade, a preparação e a habilidade de cada interveniente para levar a água ao seu moinho.
Porém, tenho dúvidas de que o povo alinhe neste jogo, porque na hora de decidir pesa apenas, nos pratos da balança, a pequena diferença entre os dois principais partidos. Os outros servem tão-somente, por aquilo que se tem visto na vida da nossa democracia, para jogos políticos, quantas vezes à margem do parlamento. Mais ponto menos ponto, o partido vencedor será PS ou PSD. Com ou sem maioria absoluta.
Os portugueses como que se habituaram a um certo conservadorismo, inclinando-se ora para um ora para o outro partido, não vendo alternativas possíveis nos demais. De qualquer forma, é positivo alimentar o sonho de que mais ano menos ano os eleitores lusos consigam vislumbrar novas propostas nos partidos novos, com gente de mentalidades diferentes, capaz de conduzir com outra mestria a barca portuguesa.
Vendo que, legislatura após legislatura, Portugal e os portugueses continuam na mó de baixo, sem horizontes de um futuro mais próspero, tenho para mim que é urgente descobrir uma forma de renovar todo o nosso sistema eleitoral, de modo que haja vias alternativas para  uma governação diferente, para melhor, onde nos sintamos bem representados nos diversos cargos públicos e políticos. Tal como está, tenho a sensação de que são sempre os mesmos a fazer as mesmas políticas.
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FM

Os 50 autores mais influentes do século XX

Segundo José Mário Silva, entre os 50 autores mais influentes do século XX, há um português, Fernando Pessoa. Embora sejamos, como se diz, um país de poetas, e não só, apenas um pôde figurar na lista dos 50 mais importantes. Mesmo assim, penso que a escolha tem razão de ser.
FM




Por muito que paire sobre nós, dominadora, a obra de Pessoa é tão excepcional, tão fulgurantemente única, que não deixou discípulos ou epígonos. No estrangeiro, tornou-se entretanto o epítome das letras lusas e da nossa problemática identidade, bem como do nosso imobilismo reflexivo e melancólico, tão bem fixado nessa obra-prima absoluta que é o inacabado (e inacabável) Livro do Desassossego, de Bernardo Soares.”
José Mário Silva
Na revista LER

Bento XVI pede tempo para fazer silêncio

Penso que é cada vez mais necessário fazer a experiência de viver, momentos que sejam, o silêncio, como recomenda o Papa Bento XVI. No meio do barulho ensurdecedor das políticas e das misérias humanas, como corrupções, agressões, guerras e injustiças,  há que encontrar uma nova forma de estar em sociedade, no respeito absoluto pelos nossos parceiros no mundo.

quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

MANIFESTO DE OBAMA PARA OS ALUNOS

Obama
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Ninguém nasce bom em nada
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O  Presidente OBAMA falou aos alunos do seu país, em termos que nos devem levar a reflectir. Pais, alunos, professores, enfim, toda a comunidade educativa precisa de ler a mensagem. O jornal i publicou-a hoje na íntegra. Pode lê-la aqui.

Vândalos à solta em Ílhavo


Esta noite, vândalos à solta provocaram estragos no Centro Cultural de Ílhavo. Diz a autarquia que “vai ser realizada uma vistoria e um relatório técnico por uma equipa pluridisciplinar para analisar quaisquer outras possibilidades de origem desta situação, não existindo qualquer indício de se tratar de um problema estrutural do edifício”. E acrescenta: “A confirmar-se a forte suspeita de acto de vandalismo, o seu nível de elaboração e de violência são chocantes, estando perante um acto de crime público que se repudia, sem conseguir entender o que possa estar por detrás de uma situação tão anómala.”
Mesmo entre um povo pacato, como é o povo trabalhador do concelho de Ílhavo, surgem, de quando em vez, crimes destes. Afinal, numa democracia adulta, não faltam pessoas que pensam e agem como se os seus ódios ou eventuais problemas só pudessem ser resolvidos a tiro.
É pena que assim seja. A não ser que tais vândalos não passem de doidos varridos e incapazes de medir os seus actos.
FM

Horizontes estreitos e redutores geram pobreza social


"Interrogo-me, frequentemente, até que ponto este mundo europeu de democratas já se apercebeu de que, em democracia, não vinga o sentido único e que este nada tem de livre e liberto. Pelo contrário, gera, inevitavelmente, horizontes estreitos e redutores, por via da ignorância e da cultura unidimensional, daqueles que, no poder ou fora dele, pensam e dizem que quem não está com eles, está sempre errado? As convicções de uns não podem esvaziar as convicções dos outros. Não se pode fazer um mundo à medida de cada um. Não se pode menosprezar um património cultural de séculos com valores universais. Sem referências, validamente testadas, não é possível dialogar, nem procurar, em comum, os melhores caminhos e, muito menos, integrar novidades num mundo onde nem tudo perdeu o valor e nem sempre o último que chega vale tudo."

António Marcelino

In CV

Autarquias apoiam natalidade

Bebé satisfeito com a prenda
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200 euros mensais
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Toda a gente sabe que Portugal, como a Europa, está a envelhecer. A esperança de vida está a aumentar, e a natalidade a diminuir. Frutos dos tempos que correm. Mas há autarcas que apostam no apoio às famílias, incentivando, se possível, o esforço por um país mais novo. Ribeira de Pena, em Trás-os-Montes, dá um bonito exemplo dessa atenção às famílias. Cada bebé passa a contar, desde que nasce até aos dois anos, com 200 euros mensais... Boa ideia para Portugal. Sem demagogias.

O regresso, oportunidade para mudar

Gisela Grob/Corbis

Em Setembro, não são apenas as crianças que voltam à escola. No regresso de férias, há uma pergunta que frequentemente se impõe: o que fazer para dar um novo estímulo à vida do dia-a-dia?

Ler aqui

terça-feira, 8 de Setembro de 2009

Colónias de Férias da Cáritas Diocesana de Coimbra em Quiaios

Com estes projectos aprendemos
a ver a vida com outros olhos


Jovens alegres

Jacira Ascensão
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Visitámos o Centro Social de Santo António, em Quiaios, onde funciona a Colónia de Férias da Cáritas Diocesana de Coimbra, numa tarde dos fins de Agosto, com sol e uma pequena brisa que vinha do mar. Alguns jovens confraternizavam em zona de recreio do edifício amplo, emoldurado pelo pinhal e campos de jogos que a aquela instituição, com múltiplas valências, preparou para as mais diversas actividades, destinadas a todas as faixas etárias. De Maio a fins de Setembro, toda esta estrutura está voltada para encontros de formação. As Colónias de Férias, para crianças, adolescente, jovens e pessoas com deficiência são organizadas, normalmente, para as férias oficiais do Verão, da Páscoa e do Carnaval.
Jacira Ascensão, educadora social e funcionária da Cáritas Diocesana há mais de 30 anos, que nos acolheu com muita simpatia, informou logo que este Centro Social funciona ainda todo o ano, com diversas acções, destinadas a toda a gente, das paróquias e não só.
Cursos, miniférias, actividades para grupos corais, crismandos e catequese, entre outras, dão vida a esta casa, onde, noutros tempos, decorreram cursos de formação profissional.
As iniciativas tanto podem ser da própria Cáritas, como da diocese, das paróquias e de outras instituições. Ainda há escolas de vários graus de ensino (universidades e secundárias, em especial) que promovem actividades de âmbito cultural, social e até religioso, neste caso ligadas às aulas de Educação Moral e Religiosa Católica.
Filipe, de Montemor-o-Velho, 16 anos, estudante, está na Colónia de Férias (CL) da Cáritas porque a sua mãe o “inscreveu” e veio de “livre vontade”. Aqui conheceu outros rapazes e raparigas, participa em “actividades culturais, passeia, vai para a praia” e também “gosta dos ares do mar que são diferentes dos da sua terá”. Fez muitos amigos e participou em “orientação pedestre”, mas prefere o “bodyboard”, que aprendeu e está a treinar neste Verão. Está agora “à espera de ver o museu do mar”, em Buarcos, “que deve ser interessante”, adiantou.
O Micael também é de Montemor, tem 16 anos, e anda a preparar-se para fazer o 8.º ano, “mas ganha dinheiro a fazer um estágio” profissional. Ainda não sabe que profissão vai ter, mas tem “feito muitos amigos nestas férias”, enquanto procura divertir-se.
Ana, de Tentúgal, gosta dos pastéis da sua terra, mas não sabe fazê-los. “Quem os faz é a minha mãe”, diz. Esta a segunda vez que vem para a CF. “Quando cá estive pela primeira vez, gostei tanto, que fiz tudo para voltar”, referiu.
Gosta de participar em todas as acções, mas fica mais entusiasmada com o “Assalto ao Castelo”, feito à noite. O jogo tem dois grupos: um protege a princesa e o outro ataca para ficar com o castelo e para libertar a princesa. “Prefere atacar porque é mais fácil”, garante. E referiu: “Nesta CF há muita alegria, ouvimos música, cantamos, dançamos, lemos e colaboramos em tarefas variadas.”
Questionada sobre a receptividade dos que passam uma semana em Quiaios, Jacira afirma que, por norma, “os que vêm a primeira vez querem repetir a experiência”. Porquê? Porque “estamos junto ao mar, integrados numa zona florestal, longe de barulhos, perto do centro da freguesia e da Figueira da Foz”. E acrescentou: “Como temos a preocupação de cultivar o gosto pelo ambiente, é possível visitar as Lagoas, pela tranquilidade que elas transmitem e pela beleza que os nenúfares, quando estão abertos, nos oferecem; os amantes da natureza não podem dispensar a paz que ali se respira.
Jacira Ascensão explica ao SOLIDARIEDADE o dia-a-dia no centro. Nesta CF participam dois grupos: um ligado ao projecto Fura Ondas, que envolve os concelhos de Montemor-o-Velho, Condeixa e Soure, e outro da CERCIPOM (de Pombal). Na linha, sublinhou a nossa entrevistada, de “todos iguais; todos diferentes”.
Com Jacira trabalham quatro pessoas, tendo em conta que cada grupo tem os seus próprios monitores. Contudo, também há voluntários nestes projectos de férias, “jovens com mais de 18 anos, que se dispõem a passar uma semana para acompanharem as crianças ou adolescentes. E esclarece: “Sã jovens que já conhecemos e que convidamos, certos de que este serviço é, para todos, muito gratificante; a semana passada, uma moça dizia-me que sentia dúvidas sobre a sua vocação profissional e que neste trabalho, no contacto com as crianças, concluiu que era isto mesmo que queria fazer na vida. Eu própria vi a entrega dela, a dedicação, a capacidade de amar e de estar…”
Ainda acrescentou: “Quando agradecemos aos voluntários as ajudas que nos prestam, muitas vezes a resposta deles é esta: nós é que agradecemos; foi uma forma de parar e nem imagina como isto foi importante para nós; aprendemos a crescer e a ver a vida com outros olhos.”
O Centro Social de Santo António acolhe, cada semana, durante as férias de Verão, 50 crianças e jovens, escalonados por idades, entre os 8 e os 16 anos. São oriundos de várias paróquias de Coimbra, sendo a maioria dos equipamentos da Cáritas Diocesana. Pertencem a todos os quadrantes sociais, mas “necessitados dos ares do mar e de ambientes e situações de formação específicos”. Aqui, cultivam a disciplina e a socialização, enquanto executam tarefas domésticas, convivem e se divertem de forma sadia.
Sobre a experiência de integrar nas CF pessoas com deficiência, Jacira frisou: “A princípio, tivemos algumas dúvidas em aceitar o desafio, com receio de que as coisas não corressem bem, com miúdos cheios de vida e outros em cadeiras de roda, a quem é preciso dar o comer na boca, mas afinal tudo tem corrido lindamente.” E sublinhou: “Claro que tivemos de preparar os jovens, no sentido de os levar a aceitar o outro, tal como ele é. Que nós não somos todos iguais e que é bonito confirmar a riqueza que muitos deles nos transmitem, interpelando-nos sobre a nossa forma de estar na vida. Daí nasceram actividades em conjunto, com os mais autónomos, e isto tudo nos ajuda a crescer em muitos sentidos.”
Questionada sobre se não se sente cansada no fim da temporada, Jacira respondeu-nos, com um sorriso, ”às vezes ao fim do dia! De qualquer forma, para mim, cada dia que começa é um dia, e sinto isso desde que cheguei a este Centro. Hoje estou fresquinha, com a mesma vontade com que aqui cheguei para começar a trabalhar nestes projectos”.
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Fernando Martins

Distinção para a Autarquia Ilhavense e para o Museu Marítimo


Gazela Primeiro


Importante gesto de consideração institucional


A Câmara Municipal de Ílhavo e o Museu Marítimo  foram galardoados com o título de “Membros Honorários da Philadelphia Ship Preservation Guild”, organização não governamental americana proprietária e gestora do Lugre Gazela Primeiro. Esta honrosa distinção foi entregue ao presidente da CMI, Ribau Esteves, no passado dia 8 de Agosto de 2009, por Eric Lorgus, presidente daquela instituição.

Recorde-se que Eric Lorgus participou na sessão comemorativa dos 72 anos do Museu Marítimo de Ílhavo, onde apresentou uma exposição relacionda com o trabalho sobre o Gazela Primeiro.

Este foi um importante gesto de consideração institucional, que serve para aprofundar um relacionamento mútuo, visando a preservação do Gazela Primeiro, a realização de uma viagem a Ílhavo/Portugal e o trabalho de promoção dos valores do Mar na Sail Training International.

Esta relação institucional nasceu da Regata dos Grandes Veleiros realizada em Setembro/Outubro de 2008, ligando Falmouth, Ílhavo e Funchal.

Fonte CMI

segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

Ruy de Carvalho: Se calhar foi Cristo que me ensinou a sofrer bem


Ruy de Carvalho


Ama o teu próximo com a ti mesmo

Em entrevista ao Expresso («Actual»), Ruy de Carvalho evoca os ensinamentos de Cristo, fala da sua relação com a Igreja Católica e lembra o lugar onde se sentiu "mais pequenino". Excerto:
Esta entrevista começou por causa das frases que não se esquecem. Mas ainda não disse se há alguma que diga muito sobre a sua vida?
Uma frase que tenha a ver com o contacto com os meus semelhantes?
Sim.
Ama o teu próximo como a ti mesmo.
Isso é cristão.
Eu sou muito cristão.
Mas não é católico praticante.
Não sou. Talvez tenha sido. A minha mulher [Ruth de Carvalho] era. Mas também era filósofa e estudava a história das religiões. Era formada em História e Filosofia. Tenho muita fé, mas não sei se é na Igreja Católica ou se é noutra igreja qualquer. Acredito que há um ser superior, que toma conta de nós.
Ler mais aqui

Stella Maris em peregrinação a Fátima

Quatro momentos da peregrinação



Peregrinções do Stella Maris
vão continuar até 2012

Esta foi a segunda peregrinação de bicicleta a Fátima, com organização do Stella Maris, da Obra do Apostolado do Mar. Participaram 14 ciclistas e duas acompanhantes, para o apoio sempre indispensável, que estes peregrinos não são profissionais dos pedais, com o intuito de criar unidade entre amigos daquele clube, vocacionado para a ajuda espiritual, religiosa e social aos homens do mar e da ria, bem como às suas famílias.
Segundo o diácono Joaquim Simões, director do Stella Maris, esta iniciativa pretende também dar a conhecer a importância do Apostolado do Mar, na Diocese de Aveiro, com diversos arciprestados ligados ao sector lagunar e marítimo, de forma directa ou indirecta. Considera este dirigente que o clube só poderá ser mais útil se for mais conhecido e mais compreendido.
Conforme nos testemunhou, a viagem decorreu muito bem, mas fez questão de sublinhar que uma peregrinação de bicicleta ao santuário de Fátima “não é pêra doce”. De qualquer forma, importa salientar que o espírito de sacrifício foi assumido com grande ânimo, patente durante todo o trajecto. É objectivo da direcção desta instituição da Igreja Católica continuar com as peregrinações, pelo menos até 2012.
FM

Crónica de um Professor: La Rentrée




Era uma alegria o início do ano lectivo
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Era o título de um texto do compêndio de Francês, do ensino liceal, em meados do século passado. Na altura em que se aprendia a valer e se ensinava por gosto, era uma alegria o início do ano lectivo.
Os alunos que prosseguiam estudos, iam rever os seus colegas de anos anteriores, saborear momentos de agradável convívio, camaradagem, sem os meios sofisticados e apelativos de que a Escola de hoje dispõe. A escola era o local das aprendizagens para a vida, a todos os níveis, não tinha a dimensão de recreio alargado que hoje lhe querem atribuir! Bons velhos tempos, que nada dizem a estas gerações do fast food, para quem o papel higiénico brota da parede e os frangos de aviário saltam directamente do supermercado para o prato, sem sequer terem passado, por um campo, onde pudessem esgaravatar! Este termo é desconhecido da maior parte dos nossos jovens, que noutros tempos até o usavam numa pluralidade de sentidos! Nas Gafanhas de antanho, significava lutar pela vida, procurar o sustento, tal como a galinha faz no chão.
Mas deixemo-nos de saudosismos estéreis e passemos à ordem do dia – La Rentrée, pelo menos para a classe docente que hoje se apresentou nas escolas, retomando o serviço. Hoje em dia, este termo aplica-se a uma série sectores de actividade, demarcando bem o período de interrupção, para alguns, denominado de férias. A palavra soou a música enquanto durou e cada um utilizou esse tempo, da forma que mais lhe aprouve!
Agora, o tempo é de retorno ao trabalho e isso está bem patente por toda a parte: nos hipermercados que têm agora o seu S. Miguel na venda de material escolar. Nas famílias com descendentes em idade escolar, fazem-se contas à vida, revêem-se orçamentos, para que nada falte aos alunos.
Os políticos, regressados de férias redobram esforços, no sentido de angariar simpatizantes e votantes nas eleições que se avizinham. Até o governo, numa tentativa de conquistar as boas graças dos docentes, vem acenando com a promessa generosa de colocar um batalhão de professores que se angustiam com um futuro negro ou o espectro do desemprego. Nunca houve tão grande número de colocações de professores, como promete o ministério, este ano, a um escasso tempo das eleições. Será? Ficam aqui as palavras de Tomé: ver para crer!

Mª Donzília Almeida
01.09.09

250 ANOS DE ESTÓRIAS NA RIA

No Rossio, 19 de Setembro,
festa para toda a gente

Rossio
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Estamos a cerca de duas semanas da realização da Festa dos Amigos e Vizinhos - 250 anos de Estórias na Ria - 19 Setembro,  no Rossio. Trata-se de um evento promovido pelos Amigos d’ Avenida e por um conjunto de cidadãos de Aveiro, inserido nas comemorações dos 250 anos da cidade.
Esta festa é o culminar de seis meses de actividades deste movimento, tendo como um dos objectivos a promoção da reflexão sobre as transformações da cidade, em particular do seu espaço público, e o desenvolvimento de actividade experimentais de animação do espaço.
Todos os aveirenses, e não só, estão, por isso, convidados.
Ver Programa aqui

Efeméride Gafanhoa: Nascimento de Joana Maluca

1788 - 7 de Setembro

Joana Rosa de Jesus, mais conhecida por Joana Maluca, nasceu nesta data. Faleceu em 1878, com 90 anos de idade.

Leia mais aqui

Citando Patrícia Reis...

A propósito de Uma Ideia para Portugal, em que apresentei a proposta de Patrícia Reis, lembrei-me desta sua frase. Aqui fica ela.
“Acredito que há sinais da Graça de Deus todos os dias. Deus está nisso tudo. Não é aquele Senhor de barbas brancas sentado lá em cima a olhar para mim à espera que eu faça asneiras. Somos demasiado pequenos para que Ele olhe para cada um individualmente, por isso vivemos nesse silêncio de Deus que é um silêncio aparente. Ele vai-se manifestando. Basta ter atenção.”


Patrícia Reis, autora do livro Silêncio de Deus
Citada no livro Janela do (in)finito, de Anselmo Borges,
por Guilherme d’ Oliveira Martins

sábado, 5 de Setembro de 2009

TECENDO A VIDA UMAS COISITAS – 147

BACALHAU EM DATAS - 37


Creoula - 1937
Caríssimo/a:
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1937 - «A Companhia União Fabril, concessionária dos estaleiros da Rocha do Conde de Óbidos, no porto de Lisboa, iniciou em 1937, os trabalhos da construção dos dois primeiros navios de pesca em ferro, fabricados em Portugal. Tendo sido efectuado o lançamento das quilhas no dia 3 de Fevereiro de 1937, foram construídos, lado a lado, dois navios gémeos – CREOULA e SANTA MARIA MANUELA – uma nova classe de navios bacalhoeiros inspirados nas antigas escunas da Nova Escócia. Os trabalhos de construção decorreram em 62 dias úteis e a cerimónia de lançamento à água ocorreu a 10 de Maio de 1937. Após o lançamento, os navios foram mastreados e acabados de aparelhar, tendo o CREOULA sido entregue ao armador em Junho, efectuando a sua primeira campanha de pesca nesse ano.» Creoula, 33-38
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«[...] [O CREOULA e o SANTA MARIA MANUELA] eram navios “gémeos” com 62 metros de comprimento numa deslocação de 1247 t, com uma estrutura reforçada de aço à proa, que permitia a navegação em segurança em mares de gelo, acomodações para 52 homens e todo o equipamento moderno. O CREOULA reunia sadias condições, era uma boa construção e um óptimo veleiro.» Oc45, 111
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«De acordo com a Revista da Marinha, de 19.11.1941, os alojamentos dos lugres CREOULA e SANTA MARIA MANUELA estavam forrados a madeira nas amuradas e anteparas, permitindo um aquecimento a água quente num circuito de tubos de ferro. Os alojamentos dos capitães, oficiais e motoristas situavam-se à ré e possuíam aquecimento central com irradiadores. Estavam ainda munidos de electricidade, TSF, projectores, instalação frigorífica e sonda eléctrica.» Oc45, 119, n. 6
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«...[V]erificando-se que os franceses usavam o sistema de trole desde o início do século XX, com dois pescadores em cada dóri, decidiu-se que também na frota portuguesa deveria ser introduzido tal método, tendo desempenhado o CREOULA o papel de navio pioneiro na concretização desta experiência. Assim, no decurso da sua primeira viagem, em 1937, o CREOULA partiu para a Terra Nova equipado com dóris adaptados a dois homens. Confrontados com a novidade, registou-se por parte dos pescadores uma firme atitude de recusa relativamente à experimentação deste método que, inúteis os dóris empilhados a bordo, tornou-se necessário que o capitão recorresse aos restantes navios da frota bacalhoeira portuguesa na Terra Nova, solicitando o empréstimo de dóris de um só homem, tradicionalmente utilizados pelos nossos pescadores.» Creoula, 19
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«Em 1937, o Ministro da Marinha autorizou a compra de navios de comércio com mais de 10 anos, contados a partir da data do lançamento à água, sob prévio parecer do Conselho Superior da Marinha, enquanto durasse a “situação anormal do mercado de navios e de custo das construções navais”. [in “O Ilhavense”, n.º 1178, 07.11.1937, p. 1]» Oc45, 119 n. 2
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Neste ano de 1937, é constituída a Sociedade Pascoal e Filhos com dois barcos de pesca à linha: RAINHA SANTA e D. DINIS.
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Manuel

Uma Ideia para Portugal




"Todos os dias, antes de dormir, meia hora de leitura. Não importa que livro, importa o exercício. Ao mesmo tempo, como acumulamos livros que não voltaremos a reler, é uma óptima ideia reciclar tendo em vista quem mais precisa: de seis em seis meses, olharmos para as estantes e tirarmos os livros de que já não precisamos e que podem ser entregues às bibliotecas, aos serviços prisionais, às juntas de freguesia, aos centros de orientação dos sem-abrigo. Ou então o bookcrossing. Vá ao google e procure."
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Patrícia Reis,
Escritora e jornalista,
no i de 04-09-2009

ÉTICA E RELIGIÃO




Desde o Eutífron, de Platão, que, nesta relação de ética e religião, se coloca o famoso dilema: os mandamentos são bons porque Deus os prescreve ou Deus prescreve-os porque são bons? Na segunda hipótese, Deus não seria absoluto, já que subordinado a normas e valores independentes dele. Na primeira, poderia mandar o arbitrário, como afirmou o voluntarismo medieval: segundo Ockam, "Deus pode ordenar que a vontade criada o odeie".
Mas o dilema tem solução. O Homem é um animal ético e a moral é autónoma. Ao contrário dos outros animais, o Homem vem ao mundo por fazer e tem de fazer-se, realizar-se a si mesmo. E qual é o critério da acção humana boa senão precisamente a adequada e plena realização do ser humano? A exigência moral não surge do facto de se ser crente ou ateu, mas da condição humana de querer ser pessoa humana autêntica e cabal, plenamente realizada, de tal modo que o teólogo Andrés Torres Queiruga pode escrever, com razão: se se pensar fundo, "não existe nada que no nível moral deva fazer um crente e não um ateu, contanto que tanto um como o outro queiram ser honestos". Se dissentirem em muitas opções, isso não acontecerá propriamente por motivos religiosos, mas morais, devido à dificuldade em saber qual é muitas vezes a decisão correcta.
Então, por paradoxal que pareça, autonomia e teonomia coincidem. De facto, se se aceitar, como é o caso da perspectiva cristã, que Deus cria por amor, o que é que Deus pode querer e mandar senão precisamente a adequada e plena realização da pessoa humana? Na criação por amor, o único interesse de Deus só pode ser o Homem vivo, realizado e feliz.
Mesmo que não possam ser separadas, moral e religião distinguem-se. A prova está em que se pode ser não religioso e moral: não é verdade que, "se Deus não existir, tudo é permitido". Por outro lado, o crente também sabe que a religião, embora a implique, não se reduz à moral.
De qualquer modo, a religião pode contribuir para a moral, de múltiplos modos. A religião autêntica deverá constituir mais um impulso para a acção ética. Quando se pergunta pelo fundamento último da moral na sua incondicionalidade, é difícil não ser confrontado com a religião e o absoluto de Deus. Depois, a religião dá horizonte de futuro, mesmo quando se falhou e se precisa de perdão e novo alento - há uma personagem de Hemingway que, a um dado momento, pergunta, perplexa: agora que não há Deus, quem nos perdoará? -, e abre à esperança de sentido último.
Melhor do que o que aí fica poderá dizê-lo uma carta comovente que o senador Edward Kennedy enviou ao Papa, pouco tempo antes de morrer, e que o cardeal Th. McCarrick revelou na celebração do seu funeral.
Alguns passos: "Santidade, espero que ao receber esta carta goze de boa saúde. Rezo para que tenha todas as bênçãos de Deus na condução da nossa Igreja e inspire o mundo nestes tempos difíceis. Escrevo-lhe com profunda humildade para pedir-lhe que reze por mim, agora que a minha saúde declina. Foi-me diagnosticado um cancro no cérebro há mais de um ano e, embora continue em terapia, o mal continua a minar-me. Tenho 77 anos e preparo-me para a passagem seguinte da vida. Tive a graça de ser membro de uma família maravilhosa, e os meus pais, em particular a minha mãe, mantiveram a fé católica no centro das nossas vidas. O dom da fé manteve-se, cresceu e deu-me alívio nas horas mais escuras. Sei que fui um homem imperfeito, mas com a ajuda da fé procurei endireitar o caminho. Quero que saiba, Santidade, que nos quase 50 anos de serviço público, dei o meu melhor para embandeirar os direitos dos pobres e abrir portas de oportunidades económicas. Trabalhei para receber os imigrantes, combater a discriminação e ampliar o acesso aos cuidados médicos e à educação. Procurei sempre ser um católico fiel, Santidade, e embora as minhas debilidades me tenham feito falhar, nunca deixei de crer e respeitar os ensinamentos fundamentais da minha fé. Rezo para que Deus o abençoe a si e à nossa Igreja e agradeceria muito as suas orações por mim."

Anselmo Borges

In DN

sexta-feira, 4 de Setembro de 2009

Grande lição de vida...




O doente que visita outros doentes

Durante as minhas caminhadas matinais, por decisões de saúde, cruzo-me, por vezes, com um velho amigo, de 80 anos, que anda pelas ruas da Gafanha da Nazaré num carrinho eléctrico. Sei que foi afectado por uma doença rara que o impossibilitou de trabalhar, já há anos, dificultando-lhe a caminhada.
Hoje encontrei-o em conversa amena com um idoso, um pouco mais velho, mas também limitado. Nem com a bengala pode chegar para além do primeiro cruzamento, poucos metros ao lado da sua residência. Ao vê-los, interrompi a conversa que ambos travavam para os cumprimentar.
Depois das saudações e das habituais perguntas sobre o estado de saúde e de ânimo de cada um, abordámos a questão do carrinho eléctrico que o leva “para todo o lado”.
Com a doença, o meu amigo não podia sair de casa. Apenas o fazia quando precisava de ir aos médicos. As quatro paredes da sala onde estava habitualmente limitaram-lhe os horizontes, o que o deixava triste. Só a visita de familiares e amigos o animava.
Um dia acordou com a imaginação afiada, na procura de uma solução para a sua vida. E daí a comprar o carrinho foi um já. Agora, diz-me ele, já pode sair todos os dias, percorrer as ruas da Gafanha da Nazaré, olhar as pessoas, apreciar a vida agitada de muitos, encontrar-se com amigos, ir ao médico e à farmácia, ou fazer compras sem incomodar ninguém.
Contudo, de uma coisa se lembrou: sempre ficava muito contente quando alguns amigos ou familiares o visitavam. “E se agora fosse eu visitar os amigos doentes?”, concluiu. E foi mesmo.
Começou então a enumerar os que tem andado a visitar, dizendo da alegria que vê nos seus rostos. Alguns eu próprio até pensava que tinham morrido. E apenas lhe disse, com convicção: “Está a fazer uma grande coisa; deu-me uma grande lição.” E um largo sorriso encheu os seus olhos.
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Fernando Martins

Aventuras de um boxer


Canino na calçada
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La rentrée

Olá, Amigos!
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Depois dum período longo de convalescença, no meu pós-operatório, cá estou de novo, pronto para as curvas! Para as curvas e para as rectas... que, quando se trata de maratonas em que sou já um habitué, há de tudo, pela frente! E eu não sou criatura de me deixar ficar para trás, quem fica às vezes, é a minha dona, coitada! Eu bem olho para ela com ar de estímulo e incentivo... mas tenho mesmo que reduzir, um pouco, a minha aceleração, para ela me alcançar! Já é uma senhora madura, na idade e no juízo... ou ela acha que sim! Mas às vezes, é tão infantil comigo, quando se põe a falar em baboseiras que os caninos não entendem! Pensará ela que eu entendo tudo o que me quer dizer? Não andei na escola, apesar do grande valor que isso tem para ela! Acha que nós, os cães, também devíamos ser alfabetizados, p’ra não ficarmos atrás dos outros na UE. Dizem algumas más-línguas que vamos atrás de muitos povos... nisto, naquilo e naqueloutro! Num ror de coisas!
Que me dava um certo jeito aumentar o meu vocabulário, lá isso dava! Quando ela se põe a falar de mim aos amigos e diz que sou muito efusivo... bolas! Não percebo mesmo nada! Um dia ouvi um amigo dela trocar isso por miúdos e dizer que sou um chato! Aí, fiquei triste, porque ... chatos... são aqueles parasitas que metem o nariz onde não devem e não pagam renda, do espaço que tomaram de assalto!
Eu apenas sou muito dedicado à minha dona e tenho de lho demonstrar todos os dias. Ela até diz aos amigos que cão como o dela não há! A intensidade do afecto que lhe dedico não é como nos humanos que vai esmorecendo com o passar do tempo! Até diz, numa linguagem, só dela, que é inversamente proporcional à duração do tempo que passam em comum. Comigo não é nada disso! Quanto mais conheço a minha dona, mais gosto dela! Cada dia que nasce é a mesma surpresa p’ra mim e a mesma quantidade de mesuras que lhe faço! Ah! Mas nisso há reciprocidade, pois ela também faz o mesmo. Até diz que eu começo a rebolar-me, mal sinto a sua aproximação! É o que os humanos dizem... gozar por antecipação! É uma delícia esta interacção entre nós e os humanos! De vez em quando, lá vem uma ovelha ranhosa estragar esta nossa reputação de amigos do homem, de fiéis amigos, de cãopanheiros incondicionais, na figura de um rotweiler tresmalhado, de um pitbull tresloucado, ou de um doberman assanhado, que atacam os humanos como eles fazem entre si!! Que os humanos se dêem mal uns com os outros, que se hostilizem, como disso são bom exemplo os políticos, é lá com eles! Que se matem, que se esfolem, mas entre nós tem que haver regras! Não pode imperar a lei da selva!
Por isso é que me sinto mal na minha reputação de boxer cheio de dignidade e nobreza, quando ouço relatos dramáticos dos ataques perpetrados por esses congéneres! Que Deus lhes perdoe!
O meu tempo alargado de convívio com a dona, chegou ao seu terminus, agora que a Rentrée está à porta para os alunos. Para a classe da minha dona já chegou mesmo de armas e bagagens!
Acredito que há-de sobrar sempre um tempinho curto, da dedicação exclusiva à escola, para continuar a passar-me a mão pelo pêlo! A minha sensibilidade canina agradece!

M.ª Donzília Almeida

02.09.09

quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

SEDOV: O maior veleiro do mundo volta ao nosso porto

SEDOV
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Depois da sua passagem pelo nosso Município em Setembro de 2008, no âmbito da Regata dos Grandes Veleiros, que ligou Falmouth (Inglaterra), Ílhavo e o Funchal, o STS SEDOV escolheu o Porto de Aveiro para porto de paragem na sua viagem entre Delfzijl (na Holanda) e o Mónaco.
O SEDOV chegará amanhã, dia 4 de Setembro (Sexta-feira), partindo três dias depois (7 de Setembro), rumo ao Mónaco. Segundo informação obtida junto do operador, o navio estará aberto para visitas nos dias 5 e 6 (Sábado e Domingo), entre as 10 e as 20 h, e ficará atracado no Terminal Norte do Porto de Aveiro, no mesmo local onde esteve durante a Regata de 2008.
O STS SEDOV foi construído em 1920, tendo como porto de origem Murmansk, (Rússia). Com os seus 108,70 metros de comprimento, e capacidade para transportar uma tripulação de mais de 300 pessoas, é considerado o maior veleiro do mundo.
A vinda do STS SEDOV surge como consequência da excelente recepção de que foi alvo durante a Regata, sendo o primeiro veleiro “Classe A” a visitar o nosso Município e o nosso Porto desde que este, fruto do Protocolo celebrado entre a Câmara Municipal de Ílhavo e a Administração do Porto de Aveiro, em Março de 2009, obteve o estatuto de “Friendly Port”, que garante aos veleiros que nos visitam condições excepcionais de estadia.
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Fonte: CMI

No funeral de Claudette Gaspar Albino

Avó Dette

Agradeço a presença de todos os que compareceram na despedida da minha avó, Claudette Albino. Agradeço sobretudo a amizade.
Nos últimos meses a saúde da minha avó esteve bastante debilitada, no entanto a minha avó sempre foi uma mulher de força. Por isso, a mensagem que quero transmitir é uma mensagem de alegria e vida. Não quero que recordem a morte da minha avó, quero que recordem a sua vida. A minha avó para além de uma excelente profissional, cidadã e amiga era uma mulher extraordinária.
Foi a minha avó que me ensinou a ler antes de entrar na primeira classe, ensinou-me também a tabuada enquanto jogávamos a bola. Podia contar centenas de episódios da vida da minha avó no entanto demoraria uma eternidade. Elegi dois que penso que transmitem bem a mulher que eu quero que lembrem.
Certo dia, estava com a minha avó no sótão de sua casa. A minha avó estava de gatas a ensinar-me a saltar ao eixo quando entra o meu avô e diz “Claudette, olha que tu pela tua neta só não fazes o pino!”. A minha avó logo respondeu “Não faço, mas fazia. E se calhar ainda faço”. Nisto, fecha a porta do sótão, encosta-se à parede e faz o pino. A partir desse dia a frase do meu avô alterou-se, deixou de ser “… só não fazes o pino” e passou a ser: “Claudette, pela tua neta, até fazes o pino”.
Uns anos mais tarde, no quintal dos meus avós, caiu de um ninho um passarinho que ainda não sabia voar. A minha avó acolheu-o, levámo-lo para dentro de casa e pusemo-lo numa caixa com uma manta e um prato com pão aguado. Ao final da tarde fomos vê-lo e ele não tinha comido nada. A minha avó pegou-lhe, pôs o pão aguado na boca dela e alimentou o passarinho que debicou a comida dos seus lábios.
Esta é a Avó Dette, a minha avó. Esta é Claudette Albino. A mulher que me mimou e acarinhou sempre, a mulher que me ensinou com amor e seriedade a importância de ser uma boa cidadã, levando-me com ela a eventos dos Lions, a mulher que até hoje e em toda a minha vida, me fará crescer.
Considero-me a sua neta mais sortuda por ter tido a alegria de viver com ela durante mais tempo e em anos em que a saúde era outra.
A minha avó era a Avó, no verdadeiro sentido da palavra. A Avó que educa, e que “deseduca”, no sentido de brincadeira da palavra. A avó que em idas ao cabeleireiro, quando eu era mais pequena, me deixava escolher os cortes de cabelo e fazer as madeixas que a minha mãe não deixava, porque eram de facto horríveis, mas na altura eu adorava e ficava felicíssima só por poder decidir.
A minha avó é o meu ídolo e agora espero que ela possa realizar o seu último desejo: reunir-se à sua avó, uma mulher de quem também muito me falou, julgo que pelos mesmos motivos que me farão falar para sempre dela.
A minha avó é sem dúvida uma das mulheres mais extraordinárias que, todos os que com ela conviveram de alguma forma, tiveram a oportunidade de conhecer.

Obrigada

Ana Cláudia Cardielos
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NOTA: Há jovens que nos dão extraordinários exemplos de vida. Pela forma serena como enfrentam situações difíceis; pela coragem como reagem às adversidades; pela lucidez como vencem barreiras alimentadas por tradições ancestrais; pela espontaneidade como manifestam o amor por alguém; pelo á-vontade como sublinham a ternura por quem os orientou na vida; pela sensibilidade como proclamam vidas com sentido.
Por tudo isto, que percebi no texto que me foi enviado por pessoa amiga, publico, neste meu espaço, a mensagem de alegria, que Ana Cláudia Cardielos proclamou na hora em que tantos se despediram da  sua avó Claudette, com desejos de que os amigos e familiares não fiquem com a sua morte, mas que recordem  a sua vida.
 
Fernando Martins

Fábrica de Conservas em São Jacinto

A propósito de uma referência, no meu blogue, a uma fábrica de conversas que existiu em São Jacinto, Jorge Meneses teve a gentileza de me enviar dois comentários, com foto de um catálogo alusivo à referida fábrica, datado de 1914.
Sublinha o meu leitor que a empresa era designada por  Fábrica Brandão Gomes & C.ª, com sede em Espinho. Tinha três filiais: Matosinhos, São Jacinto e Setúbal.
Adianta que, infelizmente, “a única coisa que sobrou desse império conserveiro foi o corpo principal da Fábrica de Espinho, completamente restaurado para o Fórum de Arte e Cultura de Espinho (valha-nos ao menos isso).”
Com os meus agradecimentos, aqui fica a informação.

Gafanha da Encarnação: As minhas homenagens ao Padre Lé

Padre Manuel Lé

Com a sua presença e com as suas orações
continuará com o seu povo
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Com as novas nomeações do nosso Bispo, D. António Francisco, o prior da Gafanha da Nazaré, Padre Francisco Melo, vai assumir a paroquialidade da Gafanha da Encarnação. O meu bom amigo Padre Manuel Lé vai, portanto, deixar a paróquia que serviu, com inexcedível zelo, durante 52 anos, depois de paroquiar Préstimo e Macieira de Alcoba, no arciprestado de Águeda.
O Padre Manuel Ribau Lopes Lé nasceu em 4 de Agosto de 1922, na Cambeia, Gafanha da Nazaré, tendo sido ordenado presbítero no dia 20 de Setembro de 1947, no Bunheiro, por D. João Evangelista de Lima Vidal. Nessa paróquia, aliás, serviu como coadjutor durante cinco anos, sendo o braço direito do Padre Domingos da Silva Pinho, por quem tinha e teve, ao longo da vida, muita estima.
Não será altura de avaliar, ao pormenor, o que foi a vida sacerdotal do Padre Manuel Lé, um amigo do seu amigo, mas também, e sobretudo, um homem de fé, com a ideia fixa dos seus deveres de pastor de almas.
Conheci-o desde sempre. Participei, aos nove anos de idade, na sua missa nova, na igreja Matriz da Gafanha da Nazaré, no dia 28 de Setembro de 1947, sendo Prior o Padre Guerra. Lembro-me, perfeitamente, que o Prior Guerra estava ao seu lado, no altar, indicando-lhe, momento a momento, o que devia ler no leccionário. Penso que talvez fizesse isso, não fosse o novo padre enganar-se com os nervos.
Depois, acompanhei-o de perto, tendo sido, na minha juventude, meu director espiritual. Com ele me aconselhava nas dificuldades da vida. E dele recebia sempre a reflexão meditada e acertada, que procurei seguir ao longo da vida. Daí a estima que nutro por ele.
Já agora, permitam-me que diga que foi, por andar com ele, que um dia encontrei a minha futura esposa. Por isso mesmo, foi o Padre Lé que presidiu à celebração do nosso matrimónio, precisamente no Bunheiro, paróquia em que iniciou as suas funções presbiterais.
Ao deixar agora a paroquialidade da Gafanha da Encarnação, posso adiantar que o Padre Lé cumpriu, plenamente, a sua missão de pastor e de amigo, durante gerações. E estou certo de que, mesmo com direito pleno ao merecido descanso, não deixará de continuar com o seu povo. Com a sua presença e com as suas orações.
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Fernando Martins
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Nota: No dia da sua missa nova houve um grande fogo nas medas de palha dos pais do futuro Padre Alexandre Vilarinho. A foto do Padre Lé faz parte dos  meus arquivos. Foi tirada em 1956.

Alçada Baptista e Raul Solnado

Alçada Baptista
Alçada Baptista era um bom contador de histórias. Incisivas e com graça. Como esta:

O meu querido Raul Solnado quis ser simpático com o filho de um amigo, um rapaz de 23 anos. Achou que se devia interessar pelas suas preocupações. Disse-lhe:
- Então, rapaz, tens lido alguma coisa?  Gostas de ler?
Ele pensou só um bocadinho e respondeu:
- Evito.

In A Cor dos Dias

Os nossos emigrantes

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Adelino Caixote garante:
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As saudades de quem emigra são sempre muitas

Adelino Marques das Neves, mais conhecido por Adelino Caixote, 80 anos, está de férias na Gafanha da Nazaré, terra onde nasceu e que não lhe sai do coração, enchendo-lhe o pensamento com recordações e vivências. Casado com Zaida das Flores Sousa, natural da freguesia das Mercês, Lisboa, mas criada, desde menina, na Costa Nova. Radicados nos EUA, em New Jersey, procuram vir a Portugal, agora com mais frequência, porque estão livres de compromissos profissionais. Não tencionam, para já, regressar de vez, porque toda a família tem os pés bem assentes na terra do Tio Sam.
Conheço o Adelino desde que me conheço. Na sua oficina de bicicletas, em frente da igreja matriz, era ele quem remendava algum furo da minha bicicleta ou a afinava, para mais velocidade atingir. Vi crescer os seus filhos, sobretudo os dois mais velhos, e fui apreciando o seu esforço, de braço dada com a esposa, para governar a casa. Depois soube que emigrou para a América, em 1971, “legalmente”, com todos os seus, na esperança de encontrar dias melhores. Em conversa com o casal, senti a satisfação de ambos pelas conquistas alcançadas.
O Adelino e a Zaida estão casados desde 1954 e é um casal feliz, depois de muito trabalho e sacrifícios sem conta. Recordam o dia, 19 de Dezembro, em que o nosso prior de então, padre Saraiva, abençoou o seu matrimónio. Pais de quatro filhos, têm três vivos, “graças a Deus”. O Adelino, o mais velho, engenheiro químico, tem 55 anos. A seguir vem o Pedro, arquitecto, de 50, e por fim a Dora, de 44, bancária. Ainda têm seis netos.
Antes de emigrar para os EUA, o nosso entrevistado trabalhou como mecânico na EPA (Empresa de Pesca de Aveiro), nos Estaleiros de São Jacinto e nas oficinas de Dinis Teixeira, Bóias e Piçarra. Passou pelas Minas de Queriga, perto de Santa Comba Dão. Veio a seguir a oficina na sua residência, frente à nossa igreja, onde consertou bicicletas e motorizadas durante sete anos.
“A oficina já não dava para sustentar a família, na altura com dois filhos, e fui para o bacalhau como ajudante de motorista; com a carta de motorista, fiz algumas viagens no Coimbra, no Adélia Maria e no Navegante”, explicou-nos o Adelino.
A experiência da Alemanha surgiu a seguir. Ainda como motorista marítimo, com carta tirada naquele país também. Sozinho, porque não via hipóteses de ter a família consigo, como era seu desejo. Fez duas viagens como 3.º e lá ganhou “bom dinheiro”, tendo a vantagem de não ser “trabalho forçado”, porque “tinha horário para trabalhar e para descansar, não era como nos navios portugueses”.
“Recebi a carta de chamada dos meus irmãos e fui para os EUA com toda a família, como era o meu sonho; era um país onde mais me podia realizar... e nunca me arrependi de ter dado este passo” disse. E acrescentou: “Na América trabalhei na construção de estradas, onde sofreu muito; era muito duro; não conhecia a língua...” (Aqui o Adelino emocionou-se…)
Mais sereno, referiu que tudo já tinha passado e continuou a acreditar que era na América que tinha mais garantias para um futuro melhor.
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Entretanto, apareceu um anúncio num jornal a pedir um mecânico montador. Com a ajuda de um espanhol, respondeu e foi admitido, depois de provar que estava legal e de apresentar as cartas de motorista marítimo e outros documentos profissionais. A sua função consistiu em montar uma nova fábrica de produtos químicos, no local onde uma outra tinha explodido. Ali ficou encarregado de todas as operações, com a orientação e ajuda de um engenheiro espanhol, que tinha elaborado os planos. Seleccionou, para isso, o pessoal necessário e lá ficou, até se reformar, na manutenção.
Quando deixou a Gafanha da Nazaré, só veio de férias dez anos depois. “Achei tudo muito estranho, porque estava tudo muito modificado; muitas casas, uma coisa fora do normal; os caminhos de areia foram substituídos por estradas alcatroadas com muito movimento.” E acrescentou: “As saudades de quem emigra são sempre muitas. Agora, apesar de reformado, tenho de continuar a ir para a América, porque tenho lá os meus haveres, os filhos e os netos; mas sempre que posso passo por cá uns tempos. Praticamente venho à Gafanha da Nazaré todos os anos.”
A Zaida acompanhou a entrevista, concordando com o que dizia o marido, o Adelino Caixote. E reconhece que foi difícil a adaptação. “Sempre trabalhei na confecção em série e quanto mais fizesse mais ganhava”, esclareceu.
Sem saber a língua, “no supermercado pedia o que precisasse apontando para as coisas” e com os filhos falava em Português. Nas escolas “eles começaram a falar Inglês com os colegas. E foram os filhos que ajudaram o casal a entrar na língua inglesa”.
Quando regressei à Costa Nova, fiquei admirada com o que vi, “tudo tão diferente: no vestir, no conviver, no ambiente, nas casas novas dos pescadores...”
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Fernando Martins

Selecção Nacional de Futebol com prémios mais altos?

Gilberto Madail

"Gilberto Madail admitiu ontem, quarta-feira, ao JN, estar a equacionar elevar o montante do prémio de jogo, na hipótese de Portugal vencer a Dinamarca, adiantando, também, que poderá falar com Ronaldo sobre a polémica recente."

Esta é uma notícia interessante. Face, certamente, às más prestações da nossa Selecção de Futebol, repleta de bons jogadores muito bem pagos, a Federação resolveu dar volta à situação, aliciando os craques com uns prémios mais chorudos.... Talvez com mais dinheiro eles passem a jogar melhor. Se tal for verdade, é um escândalo. Não haverá, racionalmente falando, outras razões para o mau desempenho dos nossos jogadores? Só jogam bem, mesmo a sério, se lhe pagaram melhor?

FM

quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

Cardeal-patriarca repreende bispos e padres


"Enquanto houver alguns bispos e padres que se consideram com o direito de decidir pela sua cabeça os caminhos de pastoral (...) estamos a fragilizar a proposta cristã", afirmou D. José